
"Vou usar o dinheiro só quando eu me aposentar" -- Silmara Albi
Aprevidência complementar funciona como um fundo de investimento de longo prazo. Há dois tipos de plano: PGBL e VGBL. Eles diferem entre si, basicamente, na cobrança de impostos. Veja abaixo as características de cada um, as tabelas de Imposto de Renda (IR) e os custos dos planos.
O que é um PGBL?
É um Plano Gerador de Benefício Livre (PGBL). Ele funciona como uma aposentadoria complementar, mas também pode ser uma poupança de longo prazo. Você defi ne qual o valor da contribuição mensal que quer fazer, por quanto tempo e quando pretende sacar o dinheiro. Os depósitos rendem juros e o plano é administrado pelas seguradoras e bancos.
Menos Imposto de Renda
A maior vantagem de um PGBL é a tributação. Ele permite que se deduza do IR toda a aplicação no ano até o teto de 12% do rendimento bruto anual. Quem faz a declaração completa do IR tem mais chances de ganhar com o PGBL.
O que é um VGBL?
É um plano Vida Gerador de Benefício Livre (VGBL) que pode funcionar como uma previdência complementar e também como uma poupança de longo prazo. Assim como no PGBL, é você quem defi ne qual o valor dos depósitos mensais e em quanto tempo vai sacar o dinheiro. Para quem preenche a declaração simplifi cada do IR e usa o desconto-padrão, a melhor opção é o VGBL, que também oferece um seguro de vida e cobra taxas menores de administração.
Os impostos do VGBL
O IR que incide sobre o VGBL é recolhido automaticamente pela seguradora no momento do saque do dinheiro. O imposto não incide sobre o valor total depositado na conta, ele é calculado apenas sobre o rendimento do investimento.
IR no PGBL x IR no VGBL
Se você quiser resgatar 10 000 reais de uma vez de seu PGBL daqui a dez anos, o IR devido será de 1 000 reais. No caso do VGBL, que não tem os abatimentos de IR durante os anos de contribuição para o plano, ao sacar a mesma quantia você vai pagar apenas 333 reais de imposto. Hipoteticamente, nesse período de dez anos o rendimento foi de 50% e o investimento inicial teria sido de 6 666 reais.
O que é tributação regressiva?
A tributação regressiva prevê alíquotas de IR decrescentes a cada dois anos de investimento. Essa tabela foi estabelecida pelo governo federal em 2005 justamente para estimular a poupança de longo prazo e reduzir em parte a pressão sobre o sistema público de previdência. Quanto mais tempo os valores permanecerem aplicados, menor será o percentual de imposto pago no momento do resgate. Pela tabela regressiva do imposto, o IR aplicável aos saques realizados nos primeiros dois anos de investimento é de 35% e este percentual é reduzido gradativamente. Após um prazo de dez anos o imposto fi ca na alíquota mínima de 10%. Cabe ao cliente decidir, na hora de contratar o plano, o regime tributário que prefere adotar. Confira:
Tempo de investimento | Alíquota de IR |
0 a 2 anos | 35% |
2 a 4 anos | 30% |
4 a 6 anos | 25% |
6 a 8 anos | 20% |
8 a 10 anos | 15% |
Acima de 10 anos | 10% |
Fonte: Receita Federal
A paulistana Silmara Albi, de 31 anos, sócia-proprietária da Pop Arts, estúdio de design gráfi co, escolheu o VGBL, do Itaú Vida e Previdência, porque não usa o benefîcio fi scal do PGBL. Ela quer o dinheiro apenas na aposentadoria. “Para o curto prazo aplico em fundos.” Silmara cuida bem do seu dinheiro e “rega” seu fundo com depósitos programados para não esquecer de poupar nunca.
O que é tributação progressiva?
É outra forma de tributação de impostos, que prevê uma alíquota única de 15% para os resgates efetuados nos planos de previdência complementar. Nas situações em que o investimento for convertido em renda mensal, os percentuais vão variar de acordo com o valor, obedecendo aos mesmos patamares do IR que incide sobre os salários. O sistema progressivo é ideal para as pessoas de menor renda, situada na faixa na qual há isenção de imposto — até 1 313,69 reais — ou em que a alíquota é de 15% — até 2 625,12 reais. Veja tabela a seguir.
Valor mensal | Alíquota de IR | Parcela a deduzir do imposto |
Até R$ 1 313,69 | - | - |
De R$ 1 313,70 a R$ 2 625,12 | 15% | R$ 197,05 |
Acima de R$ 2 625,12 | 27% | R$ 525,19 |
Fonte: Receita Federal
PGBL é melhor com tabela progressiva ou regressiva? E o VGBL?
Tanto no PGBL quanto no VGBL, a melhor opção de tabela de imposto depende do valor das retiradas e do tempo em que se pretende utilizar o dinheiro. A tabela progressiva é melhor quando as retiradas...
...estiverem dentro do limite de isenção previsto para o imposto pago sobre os salários — que, em 2007, é de 1 313,69 reais.
...forem entre 1 313,70 e 2 625,12 reais, desde que o tempo de investimento seja menor do que dez anos.
...forem maiores que 2 625,12 reais, desde que o tempo de investimento seja de até, no máximo, quatro anos. Já a tabela regressiva só vale para retiradas fora da faixa de isenção e quando...
...os saques entre 1 313,70 e 2 625,12 reais ocorrerem após 10 anos de aplicação. ...quando os saques maiores que 2 625,12 reais ocorrerem após quatro anos.
Como saber se a taxa de administração é alta ou baixa?
A maioria dos planos de previdência complementar cobra uma taxa de administração entre 1% e 4%. Embora os consultores financeiros recomendem que você tente negociar as tarifas na hora de contratar o plano, as seguradoras raramente vão além das reduções previstas nas tabelas. Por isso, saiba que...
...as taxas de administração variam de acordo com o perfi l do plano. Os que mesclam renda variável com renda fi xa têm taxas maiores porque exigem mais dedicação do gestor de recursos.
...as taxas também podem variar de acordo com os limites mínimos de investimento exigidos pelos bancos e seguradoras. Quanto maiores o aporte inicial e as aplicações mensais que cada fundo requer, menores serão as taxas de administração.
...para avaliar o melhor fundo de previdência, não basta escolher o plano que tem a menor taxa de administração. Os fundos com maiores taxas têm maior rendimento. O jeito é comparar as taxas por categoria e prestar bastante atenção às taxas de carregamento que incidem sobre o valor de cada novo investimento realizado.
...embora as taxas de administração sejam fixas, as taxas de carregamento diminuem à medida que o valor acumulado no fundo aumenta. Como incidem sobre cada aporte realizado, quanto menores forem as taxas de carregamento, menos dinheiro ficará com o banco e mais no seu plano.
De quanto é a taxa de carregamento?
Em ambos os planos, PGBL e VGBL, a taxa de carregamento incide sobre todos os depósitos realizados e costuma variar entre 0,3% e 10%. A média praticada pelo mercado é de 5%. A a cada 1 000 reais que você aplicar, a seguradora fi cará com 50 reais. Na maioria dos casos, esse percentual diminui conforme aumentam os valores investidos. Na Bradesco Vida e Previdência, a taxa passa para 1% quando os recursos chegam a 50 000 reais. No Itaú, quem tem acima de 100 000 reais paga o mesmo percentual da CPMF, que é de 0,38%.
Taxa de carregamento | Valor total investido | |
Bradesco | Itaú | |
5% | Até R$ 12 000 | até R$ 10 000 |
3,5% | de R$ 12 000 a R$ 30 000 | de R$ 10 000 a R$ 30 000 |
2,5% | de R$ 30 000 a R$ 50 000 | |
1,5% | A partir de R$ 50 000 | - |
0,75% | - | Acima de R$ 100 000 |
Fonte: bancos
Conheça os perfi s de fundos usados no PGBL e no VGBL
Nas duas modalidades de fundos de previdência complementar, PGBL e VGBL, é possível escolher fundos com perfi s de risco e rentabilidade variados. Há fundos que aplicam os recursos exclusivamente em renda fi xa, outros colocam os recursos em renda variável e também existe a mescla dos dois. Você deve avaliar bem o seu perfi l antes de partir para uma opção de maior risco e lembrar-se que a cada 60 dias é possível realocar os recursos para um novo perfi l de fundo. Para evitar sustos, o melhor é buscar alternativas ousadas enquanto se é jovem e migrar para a renda fi xa quando a data de utilização dos recursos se aproximar.
Como escolher a instituição financeira
Cuidado na hora de escolher a instituição fi nanceira. Como a sua renda futura depende da boa administração desses recursos, é bom desconfi ar de rentabilidades astronômicas e de seguradoras pouco conhecidas no mercado. Também é importante ler o regulamento do plano de previdência complementar e conhecer qual é a empresa responsável por ele, já que um mesmo produto pode ser comercializado por bancos diferentes. Para escolher o banco ou seguradora verifi que...
...se o plano de previdência é aprovado pelo órgão regulador, a Superintendência de Seguros Privados (Susep). Acesse www. susep.gov.br e clique na página correspondente ao tipo de plano — PGBL ou VGBL.
...observe as datas de criação dos fundos e o patrimônio de cada um. Quanto maiores os patrimônios, mais sólidos os fundos costumam ser.
...dê preferência a instituições sólidas, e com histórico no mercado financeiro.
Há cinco anos, Marcos Paliumbo, de 32 anos, tenente do Corpo de Bombeiros, decidiu investir em um PGBL da Mongeral Seguros e Previdência. Ele concluiu que não poderia contar apenas com o fundo de pensão dos servidores da Polícia Militar. “A previdência vai mudar e não sei se vou usar meu benefício”, diz. Ele também quis aproveitar a vantagem tributária do PGBL. Se continuar cuidando do seu jardim, quando se aposentar Marcos terá dois fundos de pensão.
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