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Alunos no divã

Crescem as escolas que oferecem consultoria para desenvolvimento de carreira

Por Roberta Queiroz

Consultora Maria Ester Pires da Cruz com Jayme Duato, aluno do Ibmec/SP

Estudar, aprender e pôr em prática as lições da sala de aula. Esse é o primeiro objetivo de quem busca um curso de especialização. O segundo pode ser reconhecido como conseqüência do esforço empenhado. O aluno quer crescer. Isso significa promoção, aumento de salário, troca de emprego ou até de carreira. Ao identificar esses “desejos”, as escolas passaram a ampliar seus serviços, oferecendo aos alunos (e ex-alunos) programas e consultorias voltados para o desenvolvimento profissional. “A escola é um bom lugar para discutir o tema, por ser um território neutro para expor dúvidas, fraquezas e dificuldades”, diz Jacqueline Giordano, gerente do programa de desenvolvimento de carreira do Ibmec/SP.

Inaugurado em 2005, o Ibmec Carreiras, em São Paulo, nasceu da demanda dos alunos de MBA por aconselhamento profissional. Um dos que aproveitam os conselhos da consultoria é o paulista Jayme Duato, de 47 anos, aluno do MBA Executivo. Gerente de marketing da Decarto Benvic, que produz compostos de PVC para indústria de transformação plástica, Jayme vinha estruturando sua carreira sozinho. Ao iniciar o MBA no Ibmec/SP, aproveitou para checar se a estratégia para virar diretor estava em dia. “Com a ajuda da consultoria, consegui fixar objetivos, tracei novos caminhos e descobri o que precisava para complementar minha formação.”

Essa é a função desses serviços de orientação: dar um norte aos alunos e unir os pontos que parecem soltos. Além do Ibmec/SP, o Ibmec/RJ e a Coppead/UFRJ também oferecem essa mãozinha. Os programas, gratuitos para seus alunos e ex-alunos, contam com especialistas em coaching e psicoterapeutas, workshops e sessões de orientações individuais. Durante o processo, que dura em geral um ano, os executivos passam por uma avaliação do perfil pessoal, com indicação de suas habilidades, pontos positivos e fraquezas. Participam de simulações de entrevistas, aprendem como montar o currículo e a identificar os cursos e leituras ideais para ajudar a colocar a carreira nos trilhos.

A administradora de empresas Maria Cândida Azevedo, de 28 anos, foi uma das primeiras alunas do Programa de Desenvolvimento Pessoal e de Carreira, da Coppead/UFRJ, em 2005. Estudante do Mestrado em Administração, ela buscava uma recolocação quando procurou a consultoria. Durante o programa, Maria Cândida aprendeu o método Spin, que se baseia em acumular informações sobre uma potencial empresa interessada no seu currículo. Na vida real, ela aplicou o método e se deu bem. Ao fazer uma entrevista na Propay Brasil, empresa de terceirização de administração de pessoal e gestão de benefícios, fez perguntas pertinentes e sugeriu ações para resolver alguns problemas. Foi contratada como gerente de recursos humanos.

UM NOVO FILÃO DE NEGÓCIO

Ao perceber que a dobradinha MBA-carreira rende bons frutos, a escola de negócios Business School São Paulo (BSP), na capital paulista, decidiu investir também, mas de um jeito um pouco diferente. Em novembro de 2006, os mesmos sócios da BSP inauguraram a BSP Career, que está aberta para alunos, ex-alunos e executivos em geral. O processo é praticamente o mesmo dos programas das escolas. A diferença é que na BSP Career o executivo terá de desembolsar entre 4 000 e 9 000 reais pela consultoria, que pode durar de seis meses a um ano. Alunos e ex-alunos têm descontos de 18,75%. Nas demais escolas, o serviço de orientação de carreira é gratuito.

Dilemas corporativos

Ao ouvir 345 executivos de São Paulo, a BSP Career descobriu seus principais desejos e angústias:

  • 89% já têm metas para os próximos cinco anos
  • 30% fazem uma auditoria periódica da sua trajetória profissional
  • 75% gostariam de mudar o rumo da carreira, apesar de 74% gostar do que fazem
  • 66% acreditam que têm uma formação adequada ao mercado, mas 88% reconhecem que precisam de um orientador de carreira

Fonte: BSP Career