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Um dia eu chego lá

Conheça os 12 escolhidos pelo programa CEO do Futuro deste ano e entenda o que faz deles grandes candidatos a ocupar a cadeira da presidência

Por Fabiana Correa

Da esq. para a dir., 11 escolhidos do programa CEO do Futuro: Paulo Dias, Rafael D'Ávila, André Gomes, Marcelo Miranda, Marcelo Macedo, Giorgio Horsky, Maurício Sartori, Marcelo Gonçalves, Wagner Schneider, Carlo Mantovani e Jeferson Fernandes.

Sociável, participativo, intelectual -- ou seja, reflexivo e racional -- e focado em tarefas. Exatamente nesta ordem, essas qualidades compõem o perfil de liderança que serviu de parâmetro para a escolha dos CEOs do Futuro deste ano. O programa, em sua sexta edição, é resultado de uma parceria entre a revista VOCÊ S/A, a Korn/Ferry International, uma das maiores empresas de seleção de executivos do mundo, e o Pro-Futuro, programa da Fundação Instituto de Administração (FIA), ligado à Universidade de São Paulo (USP). O objetivo é identificar jovens executivos com talento para chegar à presidência de uma empresa. Para escolher os 12 profissionais que você verá a seguir, a equipe envolvida no projeto faz uma série de testes, todos gabaritados pelas pesquisas e estudos desenvolvidos pela Korn/Ferry. "Esse perfil, traçado de acordo com estatísticas globais, é um bom exemplo das características do líder que as empresas procuram", diz Sergio Averbach, presidente da Korn/Ferry no Brasil. Na primeira fase da seleção, os inscritos tiveram seus currículos analisados pelos consultores. Na segunda, responderam a um teste de assessment, que avalia estilo de gestão, comportamento ético, flexibilidade, capacidade de tomada de decisão. É daí que se tira o perfil citado no início deste texto. Essa batelada de "exames" não foi a única prova pela qual nossas apostas para um futuro não muito distante passaram. Para estar na final, os 27 executivos selecionados para a última fase foram entrevistados por headhunters, jornalistas e professores envolvidos no projeto. Este ano, foram 12 escolhidos. Os melhores em uma turma de 218 inscritos. No final, tiveram de estabelecer uma relação de empatia com os entrevistadores. Nesse momento, além de entender melhor as conquistas de carreira de cada um, os entrevistadores buscam evidências práticas do perfil participativo e social dos candidatos, ou seja, a capacidade de envolver as pessoas no processo de decisão. "No final da entrevista, ouvi da consultora da Korn/Ferry uma conclusão muito bacana sobre o meu perfil de liderança, em relação à maneira como, naturalmente, sempre envolvi as pessoas. Foi um retorno enriquecedor, considerando que vem de uma profissional especializada em selecionar ótimos executivos", diz Jeferson Fernandes, gerente de planejamento logístico da Unilever. Jeferson e seus 11 colegas entraram para a lista de talentos da Korn/Ferry e, no mês que vem, irão participar de um curso de liderança criado especialmente para o projeto pelo Pro-Futuro. O curso também está aberto ao público. Uma chance de pensar o futuro com quem já está com um pé nele.

E as mulheres?
Neste ano, nenhuma mulher esteve entre os aprovados.
Esta é a segunda turma de CEOs do Futuro que não teve nomes de mulheres na lista. No ano passado, três executivas de sucesso, entre elas Vanessa Torres, da Vale do Rio Doce, que hoje está no Canadá participando do processo de incorporação da Inco. "As mulheres têm o desafio de equilibrar papéis em casa e no trabalho, mas os empregadores não fazem diferença entre sexos", diz Sérgio Averbach, presidente da Korn/Ferry. Elizabeth Peart, que esteve na primeira edição, em 2001, e hoje preside a fábrica de chocolates Hershey's no Brasil, engrossa o coro. "Se houve preconceito, nem parei para olhar", diz. Ela admite, no entanto, que há momentos de mais vagareza na carreira feminina. "Há fases em que estamos mais ocupadas com os filhos, mas hoje os homens também passam por isso. É necessário escolher do que abrir mão na hora certa."

A pergunta CERTA
O presidente da Korn/Ferry no Brasil, Sergio Averbach, dá o caminho das pedras para quem está com os olhos na cadeira do chefão.

O que mais se espera hoje de um executivo?
Acho que é a capacidade de melhorar seu próprio desempenho sempre. O que se espera dos jovens executivos é que eles tenham uma agressividade positiva que os ajude a produzir. Ainda mais importante que isso é a capacidade de comparar passado e presente e entender o que é possível mudar e onde se deve mudar. É bem mais importante, por exemplo, do que se comparar com os colegas. Para quem quer ter sucesso e quer chegar aos altos postos nas empresas, eu digo que é essencial melhorar constantemente a si mesmo e desenvolver seus pontos fortes. Isso vale para quem está nas posições mais altas do organograma. É o mesmo conselho que eu daria para um diretor ou para um presidente.

E como se faz isso?
Há um caminho mais fácil: fazendo as perguntas certas para todos com quem você trabalha. Para o chefe, para quem trabalha ao seu lado, para os subordinados. Enfim, faça uma avaliação 360 graus de você mesmo -- e coloque-a em prática.

 Quais são as perguntas certas nesse caso?
São aquelas que podem gerar um bom retorno, um feedback que ajude a melhorar seu desempenho. Faça as perguntas que realmente interessam para você melhorar o que está ruim e desenvolver seus pontos fortes. E, além de fazer as perguntas certas, fique atento, de verdade, às respostas. Não retruque, deixe o "entrevistado" falar, não pense em defender-se, o que é muito natural. Ouça e reflita. Você pode não concordar, mas vai descobrir como as pessoas realmente enxergam você. Entenda que são realmente poucos os profissionais que já têm perfil de liderança e influência de líderes naturalmente. A grande maioria desenvolve isso a partir do que aprende durante a carreira.

 Há algum estudo que indique quais as qualidades mais desejadas em um presidente?
Estatisticamente, pelo que chamamos na Korn/Ferry de competências de liderança, é o estilo fortemente social e participativo. Ele envolve a todos no processo de decisão e influencia as pessoas por meio desse envolvimento também. Outro ponto é o estilo de decisão: como ele busca informações e sobre quais bases toma as decisões? Um executivo que consiga construir uma visão de futuro para a marca e para o negócio sai ganhando. Não estou falando de planos extensos, mas de planos robustos e racionais, de soluções criativas para problemas comuns enfrentados pelas empresas. As companhias precisam de um repertório vasto de iniciativas, e isso exige planejamento e capacidade de priorização.

 Falando de educação e formação, o que é fundamental ter no currículo antes de sentar na cadeira da presidência?
Normalmente, o currículo acadêmico é menos importante do que os resultados, mas a base educacional é fundamental para que os profissionais entendam os conceitos apresentados pela alta direção. Eu incluiria uma formação em finanças, independentemente da área de atuação. Todo mundo tem de fazer uma análise correta do retorno sobre investimento, até mesmo quem está no departamento de marketing ou de recursos humanos. Aliás, conhecimentos de marketing e de planejamento estratégico também são altamente recomendados. Não precisa ser necessariamente um MBA, pode ser uma pós. Nem sempre vale a pena passar dois anos fora da empresa para cursar um MBA. Às vezes, o conhecimento prático acaba contando mais. Quem puder investir num MBA de primeira linha, como os melhores internacionais, claro que terá um ganho de conhecimento maior.

Existe limite de idade para tentar o posto de CEO?
Posso dizer, com certeza, que uma pessoa de 40 anos ainda tem muito potencial para isso. Mesmo porque a idade dos profissionais está avançando no mundo todo. Idade não é problema, desde que o profissional mostre que não parou de crescer e atingiu pontos importantes na carreira até o momento. Mas, se com 42 anos não teve conquistas importantes, vai ficando um pouco mais difícil, é verdade. Se esse não é o caso, não importa se tem 40 ou 48.

JEFERSON FERNANDES

Carioca, 32 anos, casado, sem filhos

Destaque: Projeto para flexibilizar as linhas de produção da fábrica de tomates da Unilever, aumentando a capacidade de produção
Empresa atual: Unilever
Desafio: Ser expatriado daqui a dois anos e iniciar carreira internacional
Hobby: Esportes radicais: mountain bike, rapel, trilhas de moto e mergulho

LÍDER NATO
Ele cursou administração para ter uma visão do todo. Ingressou no programa de trainee da Unilever para vivenciar isso na prática, e fez carreira na empresa, passando por várias áreas. Acaba de assumir o cargo de gerente de planejamento logístico, em São Paulo, e está radiante. Para o carioca Jeferson Fernandes, quanto mais desafios melhor. Uma de suas façanhas foi flexibilizar a produção da fábrica de tomates, em Goiânia, que ele comandava até 2006 como gerente de manufatura. Havia uma grande venda em jogo, mas a fábrica não tinha capacidade para produzir o volume solicitado. Jeferson propôs a integração das linhas de produção e, voilá, deu conta do recado. Com o apoio da equipe, claro. Como todo bom candidato a CEO, Jeferson gosta de gente. Já gerenciou mais de 400 pessoas e sempre menciona o time ao citar seus projetos. Incluindo o plano de ser presidente. "Em nenhuma outra posição você consegue transformar seus sonhos e os de outras pessoas num caminho."
MARCELO GONÇALVES

Fluminense de Nova Iguaçu, 35 anos, casado, pai de João Miguel

Destaque: Foi responsável pela implantação de mais de 1 500 torres para lançar a Oi no mercado entre dezembro de 2001 e março de 2002
Empresa atual: Telemar
Desafio: Padronizar e materializar os ganhos dos novos modelos de contratos técnicos e operacionais por meio de relacionamento com todas as áreas da empresa
Hobby: É caseiro, gosta de passar o tempo livre com a família, fazendo churrasco à beira da piscina

LIÇÕES DO MOSTEIRO
Foi freqüentando a Igreja Católica que o engenheiro carioca Marcelo Gonçalves aprendeu as principais lições de liderança. Como gerente de contratos da Telemar, ele prega o "olho no olho" para sua equipe de dez pessoas. "Acredito que o respeito mútuo é essencial para criar um ambiente de confiança no trabalho", afirma. Para colocar esse conceito em prática, ele sempre deixa sua porta aberta e, quando alguém entra na sala, fecha o laptop e pára tudo que está fazendo para ouvir. Diz que aprendeu a dar feedback após liderar amigos. "Percebi que não dá para misturar amizade e trabalho." Outra lição que veio da sacristia foi a necessidade de preparar sucessores. "É impossível ser CEO sem deixar alguém preparado para suceder você."
MAURÍCIO SARTORI

Paulistano, 29 anos, casado, sem filhos

Destaque: Antes dos 18 anos, morou nos Estados Unidos, México e Argentina porque o pai era executivo expatriado
Empresa atual: DuPont, como gerente de negócios para a América do Sul
Desafio: "Desenvolver no Brasil o negócio de embalagem para líquidos, que pode crescer a uma taxa de três dígitos ao ano".
Hobby: Já correu cinco provas de 10 km,mas anda sem tempo para treinar

EXECUTIVO-GIRAFA
"O Maurício é uma girafa." Maurício Sartori gosta da metáfora feita por um colega . "Esse bicho enxerga longe", diz. "É o que gosto e faço melhor. " Maurício gosta de explicar o conceito, de planejamento, de ciclos longos. Está no lugar certo. O ciclo de venda das embalagens plásticas para alimentos pode durar até três anos, desde as primeiras conversas com o cliente produtores de alimentos até a decisão da compra ser assinada. Pode ser uma máquina para envasar leite em saquinho ou uma enorme bolsa que armazena a soja numa fazenda. Responsável por negócios na América do Sul, Maurício não se considera jovem para a responsabilidade. "Minha atitude de trabalho não depende da idade", diz. E conclui: "Vou chegar a CEO naturalmente. Não tenho pressa. Não atropelo ninguém. Faço tudo com gosto"
WAGNER SCHNEIDER

Gaúcho, 36 anos, casado, pai de Eduarda

Destaque: Já montou mais de 100 horas de curso para sua equipe, com base em seus próprios conhecimentos
Empresa atual: Embraer, fabricante brasileira de aviões
Desafio: "Aliar mais jogo de cintura ao meu perfil metódico e disciplinado"
Hobby: Passear com a cachorra Belinha, um presente para a filha Eduarda, que virou xodó da família

O TENENTE E A MENINA
Sistemático e organizado, Wagner Schneider de Freitas, gerente de qualidade de produto da fabricante de aviões Embraer, não poderia ter um currículo mais coerente com sua atual empresa e função. Engenheiro formado pelo IME (Instituto Militar de Engenharia), fez carreira no Exército, onde chegou a primeiro-tenente. Passou por uma montadora e logo foi para a fabricante de aviões, em São José dos Campos (SP), onde método e precisão são essenciais. Isso, claro, ele já tinha quando chegou lá. E tinha também uma grande inclinação para desenvolver pessoas. "Dou feedback na hora e me preocupo em formar. Já preparei 100 horas de curso para minha equipe", diz Wagner.A área dele, uma espécie de auditoria na empresa, está tão bem que virou referência de desempenho na Embraer. Mas ele não é só disciplina. O ex-tenente assiste a desenhos na TV com a filha e leva a menina para passear com a cadela Belinha, sua cachorrinha de estimação.
MARCELO MACEDO

Paulistano, 31 anos, casado, pai de Mariana

Destaque: Carreira bem-sucedida no Itaú. Hoje é superintendente de Private Bank da instituição em Buenos Aires
Empresa atual: Banco Itaú
Desafio: Melhorar a gestão de pessoas antes de chegar a CEO
Hobby: Pratica corrida três vezes por semana

ESTILO DECISIVO
Marcelo Macedo começou a carreira aos 18 anos como técnico em informática. Logo depois, entrou em um estágio na Corretora Fator. A ascensão rápida o trouxe, oito anos depois de ser estagiário, até seu cargo atual, em que responde por toda a operação de Private Bank do Itaú na Argentina. Nesse meio tempo, ele participou de muitas decisões estratégicas envolvendo as companhias pelas quais passou. Ele aterrissou no Itaú quando a Corretora Fator, onde trabalhava, foi adquirida pelo banco, em setembro de 2001. A capital argentina parece apenas passagem para o executivo que mira novos avanços até a cadeira de presidente.
MARCELO MIRANDA

Mineiro, 29 anos, casado, pai de Nicolas, recém-nascido

Destaque: Mineiro, 29 anos, casado, pai de Nicolas, recém-nascido
Empresa atual: Caenge, construtora de Brasília
Desafio: Assumir a gestão global de uma empresa
Hobby: Participa de uma confraria com amigos que curtem culinária e vinhos

FOCO PARA VIRAR PRESIDENTE
Com apenas 23 anos, o engenheiro Marcelo Miranda assumiu a área financeira da construtora Andrade Gutierrez. Ao sair, viajou para os Estados Unidos para se especializar em gestão e avaliação de empresas em Harvard. Aos 29 anos, acabou de realizar o sonho de ser pai . "Estou bem na vida pessoal e profissional", afirma. Também comemora os resultados como diretor da Caenge, construtora de Brasília. "Modernizei a gestão financeira da empresa, reduzindo o custo financeiro em mais de 50%", explica. "Gostaria de ser CEO um dia para me desafiar a liderar uma empresa buscando equilíbrio entre crescimento, resultados e desenvolvimento das pessoas. É um grande desafio, mas acredito que carreira também é planejamento, e é para isso que me preparo, passo a passo."
ANDRÉ GOMES

Mineiro de Juiz de Fora, 32 anos, casado, pai de Gabriel

Destaque: Assumiu a divisão de terminais na multinacional chinesa Huawei
Empresa atual: Huawei Technologies Ltda, de componentes tecnológicos
Desafio: Ser CEO antes dos 40 anos
Hobby: Tênis, golfe e natação

PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO
Há tempos o mineiro André Gomes se prepara para ser CEO. Durante a faculdade, fez estágio em Phoenix, nos Estados Unidos, e aperfeiçoou o inglês. Três meses depois, bateu na porta da Xerox, na mesma cidade, e trabalhou lá por seis meses. Depois participou do programa de trainee da Ericson, onde ficou três anos.Com a queda do setor de telecomunicações, migrou para a Multibras, onde ficou por cerca de um ano, retornando ao mundo de telecom em 2004, na LG. Hoje, é diretor de vendas da chinesa Huawei, em São Paulo. Participa de reuniões nas madrugadas e mora longe da família, que está em Campinas. "Quero ser CEO até os 40 anos."
RAFAEL D'ÁVILA

Carioca, 33 anos, casado, sem filhos

Destaque: Grande capacidade de comunicação e de relacionamento
Empresa atual: Alcan
Desafio: Ampliar conhecimentos de finanças
Hobby: Ir à praia

ESCOLHIDO A DEDO
Rafael Tavares D'Ávila é gerente de produção na sede da Alcan, em Cubatão (SP), e sonha chegar o dia em que terá uma fábrica sob sua responsabilidade. Ele quer experimentar seus parâmetros de administração de negócios. "O fundamental é ter liderança participativa, se relacionar e não temer os riscos", diz. As habilidades de comunicação e relacionamento foram treinadas em sua atividade como black belt da Alcan antes de assumir a gerência de produção, e foram fundamentais para garantir a promoção. Os chamados black belts são escolhidos a dedo pela empresa para disseminar os fundamentos do Seis Sigma, certificação para melhorar o processo produtivo. Entre os requisitos para a atividade estão o dinamismo e a capacidade de efetuar mudanças. São quesitos fundamentais para aqueles que, como Rafael, querem chegar um dia a CEO.
GIORGIO HORSKY

Paulistano, 35 anos, filho de pai húngaro e mãe italiana, casado, sem filhos

Destaque: Além do português, fala italiano, inglês, francês e espanhol. Trabalhou 13 anos na Europa
Empresa atual: Proudfoot, consultoria americana em gestão
Desafio: "Ajudar a Proudfoot a crescer no Brasil"
Hobby: Sua coleção de moedas antigas tem 2 000 peças. A mais antiga, romana, data de 98 a.C.

O VALOR DA FAMÍLIA
Imagine que você mora em Nice, na França, entre Mônaco e Cannes, e que faz 160 vôos por ano a trabalho. Toda segunda, parte para alguma cidade européia. Toda sexta, volta. Assim era a vida de Giorgio Horsky até meados do ano passado, quando decidiu ajudar o sogro na gestão de uma indústria de máquinas em São Paulo. "Foi uma parada na carreira, mas uma decisão familiar importante", diz Giorgio, casado há quatro anos. Cumprida a tarefa inicial (estabilizou o fluxo de caixa e dobrou a margem de lucro), Giorgio voltou para consultoria, setor no qual fez toda a sua carreira. Seu modelo de CEO? Carlos Ghosn, o brasileiro que toca a Renault no mundo. "Para ter sucesso global é preciso ter idéias próprias, mas respeitar a cultura dos outros", diz.
CARLO MANTOVANI

Carioca, 37 anos, casado, duas filhas: Carolina e Catarina

Destaque: Um crescimento de 27% nos negócios de 2005 a 2006
Empresa atual: Banco ABN Amro Real
Desafio: Comandar a integração do Banco do Estado de Pernambuco à cultura do ABN Amro Real
Hobby: Caminhada e leitura.O último livro que leu foi A Estratégia Starbucks, de Joseph Michelli (Ed. Campus/Elsevier)

EQUIPE CAMPEÃ
Formar e estimular a equipe são duas grandes preocupações de Carlo Mantovani. Sua primeira equipe, aos 28 anos, tinha 400 pessoas entre 30 e 60 anos. "Deixei claro que queria aprender e ensinar", lembra. Conquistou o respeito do time e sentiu o resultado. Hoje, como vice-presidente executivo do ABN Amro Real em Recife (PE), ele é responsável por 12% do faturamento de varejo do ABN Amro Real no Brasil e enfrenta o que considera um dos mais difíceis projetos de sua carreira: comandar a integração do recém-adquirido Bandep (Banco do Estado de Pernambuco) à cultura do ABN. "Para criar uma mudança interna, não pode ser muito arrogante nem liberal demais", diz. Ansioso, ele admite que precisa aprender a ouvir mais, mas sabe valorizar a equipe. "Quem trabalha comigo sabe que seu trabalho será reconhecido. Mas tem que dar o máximo da sua capacidade. Gosto de ser campeão."
PAULO DIAS

Carioca, 36 anos, casado, sem filhos

Destaque: Trocou a matriz da Coca-Cola no Brasil, no Rio de Janeiro, por uma fábrica da empresa, em Recife (PE),em busca de desafios e desenvolvimento de novas competências
Empresa atual: Refrescos Guararapes, engarrafadora da Coca- Cola em Pernambuco
Desafio: Tornar-se gerente-geral da Coca-Cola nos próximos três anos
Hobby: Mergulhar

MUDAR PARA SUBIR
Há três anos, o engenheiro carioca Paulo Eduardo Dias decidiu dar uma guinada na carreira. Funcionário da filial brasileira da Coca-Cola (começou como estagiário), ele resolveu deixar a matriz da companhia, no Rio de Janeiro, para assumir a posição de auditor financeiro da Refrescos Guararapes, engarrafadora de Coca-Cola em Pernambuco. "Eu queria ganhar competências como liderança, capacidade de execução e negociação. Habilidades que eu não desenvolvia na matriz", diz. Na época, a fábrica passava por uma enorme reestruturação para reduzir custos e retomar sua participação no mercado regional. "A experiência serviu como um MBA", diz. No dia-a-dia, Paulo é exigente, mas não é do tipo centralizador. "Gosto de trabalhar com gente empreendedora, que assume riscos", diz. Os erros são tolerados. "O importante é retomar o trilho rapidamente." Hoje, Paulo responde pela diretoria financeira da empresa. Sua nova meta? Chegar à presidência da companhia.
DAVID MILLAN VELEZ

Colombiano, 31 anos, casado, uma enteada: Agnes

Destaque: Morou em sete países e fala cinco idiomas
Empresa atual: Banco ABN Amro
Desafio: Desenvolver a estratégia de expansão do banco nos países hispano-americanos
Hobby: Viagens e squash

AO REDOR DO MUNDO
Curiosidade e facilidade de adaptação são características marcantes de David Millan Velez. Nascido na Colômbia,mudou-se aos 13 anos para Porto Rico e aos 17 para os Estados Unidos, para estudar economia em Princeton. Depois passou por Itália, França, Holanda, Brasil e Inglaterra, onde já mora há três anos. "Sempre gostei de conhecer culturas diferentes. Por isso, tenho facilidade de lidar com as diferenças no trabalho", diz. No Brasil, morou por quatro anos, mas seus laços com o país vão além do trabalho. Ele é casado com uma brasileira e quer pedir naturalização. Um dos pontos que David precisa melhorar é a ansiedade. "Gosto que as coisas aconteçam rapidamente, mas nem sempre é o melhor caminho." Recém-promovido a diretor de estratégia, fusões e aquisições do ABN Amro Asset Management em Londres, seus objetivos são dirigir e tornar competitiva uma empresa latino-americana.

 

 

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