Raul Junior

Marcos Quintela, ex-Dominó, hoje VP da agência Y&R: cresceu graças a seu interesse nas pessoas e na grande capacidade de antecipar mudanças nos negócios
Marcos ficava fascinado com a logística que estava por trás dos shows, venda e distribuição de discos. Naquela época, perguntava tudo o que podia, ouvia, ouvia e ouvia. Com a permissão de Gugu, que já percebia o talento do garoto para business, começou a vender shows do grupo, que durou uma década. Nesse período, tinha 17 para 18 anos. "Chegou uma época em que eu ganhava mais com as comissões de venda de shows do que com o cachê", conta. Logo depois, começou a namorar a apresentadora Eliana, que também integrava um grupo musical, As Patotinhas, e acabou sendo intermediário no primeiro contrato da hoje apresentadora de TV com Sílvio Santos.
A carreira de Eliana deslanchou e Marcos tornou-se sócio dela na empresa de licenciamento de produtos que leva a marca da artista. O namoro durou cinco anos, mas a parceria continuou por mais sete. "A empresa chegou a ter 350 produtos licenciados e a faturar 50 milhões de dólares por ano, quando a moeda estava um para um em relação ao real", conta. Quando Eliana decidiu voltar seu foco para o público adulto, Marcos percebeu que o volume de negócios iria diminuir e resolveu aceitar um convite de sociedade feito havia algum tempo por Roberto Justus. O publicitário, presidente da Y&R, observou o talento de Marcos para os negócios no período de dois anos e meio em que foi namorado de Eliana. "Ele tem um talento excepcional no trato com as pessoas, consegue contornar problemas com maestria, tem raciocínio rápido e sabe atrair talentos como ninguém", diz o publicitário.
Justus levou Marcos, há dois anos, como sócio para prospectar uma nova área, dedicada a promoção e eventos. "Começamos como uma célula dentro da Y&R com seis pessoas, mas, com o crescimento dos negócios, decidimos comprar a Maestro, que já tinha sete anos de mercado", diz Marcos. Sempre atento a novas oportunidades, ele começou a fazer campanhas publicitárias para o ramo imobiliário por meio da própria Maestro, mas, como a demanda cresceu muito, os sócios resolveram criar uma agência de publicidade, a Long Play, com o foco principal nessa área. No ano passado, quando houve a saída de Sílvio Matos da sociedade e da presidência da Y&R, Justus trouxe Marcos imediatamente para reestruturar a agência, que tinha perdido uma equipe grande de diretores. Saíram, além do presidente, oito funcionários, sendo seis executivos.
Como diretor de operações de uma das maiores agências de publicidade do país, Marcos, que ao mesmo tempo assumia a vice-presidência do grupo Newcomm, que congrega seis empresas na área de comunicação publicitária, arregaçou as mangas. Participou do processo de contratação do atual vice-presidente de criação da Y&R, Tomás Lorente, e impôs um estilo novo de gestão. Seis meses depois, assumiu também a vice-presidência na área de atendimento e operações. "Hoje, todos têm acesso direto ao presidente, que é o Roberto Justus, e aos outros executivos", diz. "Adotamos um sistema de portas abertas entre os vários escalões da empresa." Na agência, são servidas frutas duas vezes por dia, os funcionários podem fazer massagem e no verão são servidos sorvetes e água-de-coco.
Adepto do clima descontraído, Marcos ganhou um apito durante a Copa e faz uso dele sempre que quer chamar a atenção para alguma coisa. "Isso faz parte da minha personalidade, as pessoas não estranham", diz. Há seis meses a agência fechou um importante contrato com a Perdigão. Para comemorar com a equipe, o VP deu a ordem por telefone, minutos depois: "Providenciem uma salsichada para todo mundo na agência". Não foram só os funcionários que aplaudiram a mudança na gestão. "Ele é nota 10 como catalisador de relacionamento entre cliente e agência", diz Hugo Janeba, diretor de imagem e comunicação da Vivo, em São Paulo. "Se há um problema, é o primeiro a se apresentar. Não existe jogo de aparências."
Hoje, Marcos é executivo da agência com remuneração e participação nos lucros e sócio de duas empresas do grupo Newcomm -- a Long Play e a Maestro. A sétima empresa do grupo, composto também pela Wunderman, Ação e Dez Brasil, já está em fase adiantada de negociação e atua com foco em inteligência e conteúdo. A formação dele é um tanto truncada: chegou a entrar na faculdade de administração, mas parou porque queria fazer Direito, que não concluiu. Hoje, lê tudo o que lhe recomendam sobre gestão de pessoas, está empenhado em aprender mais sobre publicidade e a dominar o inglês. Quer conhecer os meandros da língua a ponto de ser confundido com um nativo. Para quem passou de cantor de um grupo musical a vice-presidente de uma das maiores agências de publicidade do Brasil contando com determinação e muito, mas muito interesse em aprender, isso certamente não será difícil.
ELE GOSTA DE TRABALHAR
"Marcos é o executivo ideal, que toda empresa quer. É difícil dizer a competência que não tem", diz Gutemberg de Macêdo, da Gutemberg Consultores, de São Paulo, que avaliou a trajetória dele. Confira o que ajudou o ex-Dominó rumo ao sucesso:
* Conhecimento muito grande de si mesmo. Marcos conhece bem suas qualidades, como a capacidade de se relacionar com as pessoas.
* Como sempre conviveu com gente do mundo artístico, geralmente difíceis no trato, Marcos precisou usar toda a sua habilidade para conseguir a adesão para seus projetos eventuais.
* "Ele mostra grande capacidade de enxergar o todo e de se antecipar às mudanças que afetam o negócio ou sua carreira", diz Andréa de Paula, da NeoConsulting, de São Paulo.
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