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Rogério Nunes

Autonomia gera felicidade

Muita gente ainda repete a ladainha de que a empresa deveria oferecer um plano de carreira estruturado para seus funcionários, nos moldes dos que vigoravam até os anos 90. Pois bem, os profissionais já se adaptaram a um mercado em que cada um é o gestor da própria trajetória profissional. Pelo menos é o que mostra a edição 2006 do Guia EXAME-VOCÊ S/A­ As Melhores Empresas para Você Trabalhar, que chega às bancas neste mês:

1) Nas companhias que têm o plano à moda antiga, a taxa média de satisfação dos funcionários com a carreira é apenas mediana: 66%.

2) Nas empresas que modernizaram seu modelo -- deixando-o mais flexível -- ou investiram em outras formas de crescimento, a satisfação fica na casa dos 85%.

Qual a explicação para isso? Quem flexibilizou seu plano, ou deixou de adotá-lo, teve de aperfeiçoar outras ferramentas para responder às expectativas dos funcionários em relação ao crescimento na carreira. Nessas companhias em que a responsabilidade pelo futuro do profissional passou a ser compartilhada, o recrutamento interno se tornou mais eficiente, as avaliações de desempenho deixaram de ser pro forma e programas como o de job rotation ganharam nova dinâmica. A BV Financeira é um exemplo que ilustra esse caso. Lá, 87% do pessoal acredita que tem oportunidade de crescer profissionalmente. No ano passado, o banco do grupo Votorantim promoveu 20% do seu pessoal. "Na nossa empresa não existe um plano de carreira. O que oferecemos são oportunidades", diz Rosimary Deliberato, superintendente de recursos humanos da BV Financeira.

NOTEBOOK
Bye, bye, seguro
Recentemente, a Ernst & Young, empresa americana de auditoria com escritório em São Paulo, passou maus bocados para fazer o seguro dos seus notebooks. Por causa do alto índice de assaltos, a seguradora se recusou a renovar a apólice e a auditoria teve de procurar outra empresa de seguros. Veja por que as seguradoras estão deixando de proteger o equipamento dos executivos:

* A freqüência de roubo de notebooks é quatro vezes maior do que a de assalto a carros e seis vezes maior do que a de roubo a residências.

* O valor do seguro do notebook é muito alto (a AON cobra 2 000 reais
por um equipamento de 8 000 reais) para um bem que sofre depreciação muito rápida -- média de 15% ao ano. 

* Dificilmente o valor pago pela seguradora (cerca de 4 000 reais) custeará a compra de um novo notebook com as mesmas características do laptop roubado. Por isso, chovem reclamações de clientes nas seguradoras.

* As apólices são cada vez mais restritivas. Antes, cobria-se assalto em aeroportos. Hoje, não mais. O mesmo vale para equipamentos que "desaparecem" do banco de trás do carro ou da mesa do escritório. De novo, chovem reclamações.

BENEFÍCIOS
SUA EMPRESA TEM?
Mais uma descoberta da Edição 2006 do GUIA EXAME-VOCÊ S/A ­ AS MELHORES EMPRESAS PARA VOCE TRABALHAR. As companhias vencedoras estão mais preocupadas com a integridade de seus funcionários: seis em cada dez empresas vencedoras oferecem atendimento psicológico e financiamento para seus funcionários.

MEU CHEFE


LIDERANÇA
CHEFE, A COISA ESTA PRETA!
Uma pesquisa recente mostra que a situação dos chefes não é nada boa, segundo seus funcionários. A consultoria Towers Perrin ouviu 85 000 funcionários de empresas de grande e médio porte no mundo. De acordo com o levantamento:
* 70% dos profissionais dizem que os chefes não são transparentes nem honestos na hora de comunicar assuntos relativos a sua área ou empresa.
* 63% afirmam que o principal executivo do seu departamento é inacessível.
* 61% responderam que o chefe resiste a novas idéias e formas de trabalhar.
* 60% acreditam que o chefe age segundo valores diferentes dos deles.

CEO
Eu, demitido?!
Pesquisa da consultoria Lens & Minarelli com 200 gerentes, diretores e presidentes que perderam o emprego em 2005 mostra, entre outras coisas, que:
68,3% nem imaginavam que podiam ser alvo de cortes;
43,2% se sentiram chocados com a decisão;
82,9% a consideraram injusta;
66% dizem que os motivos apresentados não foram convincentes;
59,3% acharam o processo malconduzido;
62% não tinham nenhum planejamento para o caso de perder o emprego.

O Brasil gasta 100 vezes mais na contratação e dispensa de profissionais de venda do que com a capacitação dessa turma
Fonte: Best Performance Group 

EMPREENDEDORISMO
Com ajuda dos deuses 
Pode até parecer obra de deuses gregos a sina profissional do cearense Dionísio Chaves, de 32 anos. Depois de trocar a terra natal para morar na favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, ele virou jogador de futebol. Algumas bolas fora depois, Dionísio começou a ler um livro sobre vinhos, gostou e foi estudar o assunto. Acabou sendo escolhido por duas vezes consecutivas o melhor sommelier do Brasil pela Associação Brasileira de Sommeliers (ABS). E virou empreendedor. Ele tem duas distribuidoras e agora está prestes a inaugurar uma champanheria em Niterói. "Sempre tive esse lado empreendedor dentro de mim", diz Dionísio. "Mas o que conta é muito trabalho, mesmo com um pouco de ajuda divina."

CONVERSA DE CORREDOR  
- Recado para chefe que gosta de humilhar a equipe: sua demissão pode estar próxima. Na metalúrgica ArvinMeritor, de Osasco (SP), um caso de assédio moral derrubou um diretor e um gerente no primeiro semestre. A empresa não comenta o assunto.

- A Korn/Ferry, uma das maiores empresas de seleção de executivos do mundo, tem 18 posições de RH para preencher, mas não encontra gente preparada no mercado.

- A Lojas Renner, com sede em Porto Alegre, abrirá em 2007 mais 15 lojas no Brasil. A expansão cria mais de 100 cargos de liderança: serão 75 vagas de supervisores e 30 de gerentes.

- O Insead, escola de negócios francesa, está abrindo um conselho de administração no Brasil e já conta com 30 nomes de peso. Entre eles: Ana Maria Diniz, herdeira do Pão de Açúcar; David Feffer, da Suzano Holding; Gustavo Marin, do Citibank; Fernando Xavier, da Telefônica; e Maurizio Mauro, ex-presidente da Editora Abril. 

RECRUTAMENTO
Multa por dano moral
Tem recrutador que mantém na manga um ou dois nomes de candidatos a uma vaga enquanto não bate o martelo com o de sua preferência. Essa prática pode penalizar a empresa. Isso já aconteceu à rede varejista Colombo, multada em 12 000 reais pelo TRT de São Paulo, após desistir de um candidato a gerente. O profissional participou da seleção durante três meses. No final, descobriu que era só um estepe. A empresa estava fechando com outro. O juiz disse que a companhia não pode se dar ao luxo de expor os candidatos a empregos à expectativa razoável de contratação e, depois, sem nenhuma explicação, descartá-lo.

"O problema não é inventar. É ser inventado hora após hora e nunca ficar pronta nossa edição convincente."
Carlos Drummond de Andrade


CHEFE
Asiático é melhor que alemão
A aquisição da unidade de celulares da fabricante alemã Siemens pela taiwanesa BenQ deixou os executivos felizes da vida. No início deste ano, a equipe trocou a Rodovia Anhangüera por um escritório em Pinheiros, em São Paulo. Também houve mudança na cultura organizacional. Para melhor, é o que dizem os funcionários. Da burocracia dos antigos patrões, com seus procedimentos lentos e excessivamente reservados, passaram a ter um ambiente mais ágil e de portas abertas. "Os chefes asiáticos nos dão muito mais liberdade", diz Mônica Pavan, diretora de RH. Uma das iniciativas que agradaram os empregados foi o convite para eles darem sugestões que resultem em melhorias no ambiente de trabalho. A consulta aos colaboradores segue até o fim do ano.

MUDANÇAS NO TOPO
EMILIO UMEOKA deixa este mês o comando da Microsoft Brasil e assume como VP da empresa para a Ásia e o Pacífico. Seu substituto por aqui ainda não foi divulgado.
HENRIQUE FRAYHA é o novo presidente da Losango, financeira do grupo HSBC.
CARLOS AZZONI assumiu a direção da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP).
JOSÉ ROBERTO D'APRILE foi nomeado presidente da Bombril.
JOHN LADAGA foi confirmado como diretor-geral da EDS América Latina, no lugar de Micael Cimet, que se aposentou.
JOÃO COX é o novo presidente da Claro. Ele substitui Luís Cosio, que foi para o conselho de administração da América Móvil. 

FGTS
Quem deve gerir seu fundo?
A Associação dos Fundos de Pensão de Empresas Privadas (Apep) quer que o próximo presidente da República entregue para os fundos privados de previdência a gestão do FGTS. Paulo Tolentino, presidente da Apep, falou a VOCÊ S/A sobre o assunto:
* Por que vocês querem transferir a administração dos recursos do FGTS para a iniciativa privada?
O FGTS hoje não é um fundo transparente. O público não sabe onde o dinheiro é aplicado e qual o montante. Nas mãos dos fundos privados, os recursos teriam mais transparência e mais rentabilidade. O fator de acumulação seria ampliado. Nos moldes atuais, a rentabilidade fica na casa dos 3% ao ano, acima da inflação. A rentabilidade poderia ser de 6% ao ano.

* O FGTS não perderia o seu papel social?
Hoje o FGTS financia obras de infra-estrutura, de construção civil e outros investimentos de interesse público. Isso seria mantido, mas passaria a ser administrado com mais zelo. O trabalhador continuaria podendo sacar os recursos nas mesmas situações de hoje, como desemprego ou para aquisição de imóveis ou pagamento de tratamentos médicos. 

MÁGICA
LÍDER TABAJARA
Seus problemas para conduzir equipes acabaram. Pelo menos essa é a "maravilhosa" promessa de um curso de chefia e liderança oferecido no site www.super-vendas.com. O curso, que custa 25 reais e vem num CD, começa com uma história politicamente correta de transformar você num "chefe-líder" (sic!), mas no final deixa a equipe de lado e ressalta que o objetivo é mesmo "a busca do sucesso em sua carreira". Em outras palavras, é mais ou menos o seguinte: aprenda como usar as pessoas para subir na vida!

REMUNERAÇÃO
Vem mais dinheiro por aí 
A pesquisa de remuneração feita pela consultoria PricewaterhouseCoopers, com 93 indústrias, espalhadas por sete Estados brasileiros, aponta uma perspectiva otimista para o bolso dos executivos. Há expectativa de aumento em todas as organizações ouvidas, principalmente naquelas ligadas a engenharia e energia. Confira abaixo quanto a remuneração dos executivos (salário fixo mais a renda variável) já cresceu em relação ao ano passado*:
17,7% - Diretor
13,7% - Presidente
5,1% - Gerente
*Resultado apurado entre março de 2005 e maio de 2006

PRODUTIVIDADE 
Onde você rende mais?

Uma pesquisa feita pela fabricante de móveis para escritório Knoll e pelo instituto de pesquisa americano DYG com 850 profissionais de empresas que têm mais de 100 funcionários perguntou aos trabalhadores em qual ambiente de trabalho eles produzem melhor. O resultado mostra que boa parte prefere o sossego de uma sala particular. Confira:
45% dos entrevistados afirmaram que rendem melhor quando estão em uma sala reservada
22%
disseram que são mais produtivos quando estão fora do escritório
18% responderam que produzem melhor em casa
16% dos profissionais preferem ambientes abertos
Fonte: BusinessWeek