Heudes Régis

Mônica Bianchi, da Sab Company, entre suas assistentes, Daniele Landgraf (à esq.) e Karoline de Souza: o apoio da equipe foi essencial diante de um problema de saúde na família
Quando tudo isso aconteceu, Mônica tinha acabado de trocar de área e ocupava o cargo de analista de marketing. "Íamos constantemente ao médico e havia também as internações. Várias vezes tive de adiar compromissos, desmarcar reuniões, cancelar a apresentação de projetos", lembra. "Mas contei logo no início o que se passava comigo e tive sorte. Aqui na empresa, trabalhamos o tempo todo em conjunto, tem sempre alguém que participa do que estou fazendo e pode me representar. Desde o começo, foi isso que me amparou." Mônica teve apoio, mas também fez a parte dela. Quando precisava se ausentar, acompanhava o trabalho por meio de telefonemas e, quando necessário, acessava a internet no hospital, para dar andamento a algum projeto. "Eu me sentia comprometida e não queria deixar ninguém na mão." Ao voltar ela encontrava um acúmulo natural de trabalho, mas a empresa nunca exigiu que compensasse os dias em que se ausentou.
Antes de dividir o problema com o chefe e os colegas, como fez Mônica, é preciso pesar algumas coisas. Em primeiro lugar, tente deixar a emoção de lado por alguns momentos e responda: a situação é mesmo séria? Nem pense em se lamentar na sala do chefe toda vez que discutir com o marido ou a esposa. "Quem vive pelos cantos chorando suas pitangas acaba taxado de funcionário-problema e corre o risco de ser escanteado na hora da formação de grupos de trabalho", diz Wilson Mileris. Caso a dificuldade que você enfrenta seja realmente grave, avalie se pode confiar no seu superior antes de pedir a colaboração dele. "Em algumas empresas, ainda há aqueles que vêem os problemas pessoais do funcionário com um certo preconceito. Quem não confia no chefe não deve falar com ele", diz a psicóloga Júnia Ferreira, especialista em medicina comportamental da Escola Paulista de Medicina (Unifesp). "Em casos assim, o superior só deve ser comunicado se for necessário alterar a rotina de trabalho." Seja qual for a postura da empresa, é importante que você também busque apoio fora do escritório. "Dependendo do caso, o ideal é contar com acompanhamento médico ou psicológico", diz Júnia. Ela recomenda, ainda, que você procure o apoio dos amigos e pratique um esporte ou uma atividade como meditação ou ioga. Isso não vai resolver o problema, mas vai ajudá-lo a recarregar as energias e enxergar as coisas sob outra perspectiva. "Esse afastamento ajuda a ver a situação com mais clareza e, quem sabe, encontrar uma solução", diz Nivaldo Dutra .
MANTENHA O CONTROLE
Veja como lidar com seus problemas pessoais na empresa:
* Evite falar demais e fazer-se de "coitadinho". Divida seus problemas com o menor número possível de pessoas no trabalho.
* Se possível, receba e faça telefonemas pessoais no celular, no horário do almoço ou nos intervalos para o café.
* Salvo em casos como morte, tenha um plano B: conte com alguém que possa ajudá-lo em tarefas domésticas ou que leve seu filho ao médico no dia em que você não puder.
* Comunique ao chefe se precisar alterar sua rotina de trabalho, para que ele não interprete sua ausência ou falta de concentração como falta de comprometimento.
* Verifique se a empresa oferece algum tipo de auxílio paraos funcionários com problemas pessoais e busque ajuda.
* Se você não está conseguindo lidar sozinho com seus problemas, uma ajuda profissional sempre é bem-vinda.
* Doenças e morte de parentes devem ser comunicadas ao chefe, para que a empresa possa se organizar durante sua ausência.
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