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Aqui tem progresso

Recife, Salvador e Fortaleza são as grandes estrelas da região que promete vagas no setor petroquímico, tecnológico, automobilístico e de turismo

Por Aline Angeli

Segundo o estudo da FGV-RJ, o Nordeste é a terceira região do país, depois do Sudeste e do Sul, para fazer carreira. Segundo a consultoria econômica Simonsen Associados, de São Paulo, ela perde apenas para o Sudeste em investimentos programados para os próximos anos. Serão 19,74 bilhões de dólares (18,8% do total previsto para o país inteiro), vindos, em sua grande maioria, de empresas privadas e distribuídos em setores como turismo, produção de softwares, refinaria de petróleo, indústria de celulose, fábricas de pneus e de automóveis e fruticultura. Recife, por exemplo (7a do ranking), segue firme nesse rastro de crescimento. A cidade tem hoje o segundo pólo médico do país e é a 4a capital no indicador saúde da pesquisa da FGV-RJ. Estima-se que há 72 000 pessoas trabalhando na área só na região metropolitana. Além de colocações para médicos e outros profissionais de saúde, Recife também abriga um importante pólo de tecnologia. "Mas esses são destaques conhecidos, que continuam crescendo. O complexo de Suape é que deu um grande salto no último ano", afirma Alexandre Valença, secretário de Desenvolvimento de Pernambuco. Ele está se referindo aos mais novos empreendimentos do Complexo Industrial e Portuário de Suape, que fica a 40 quilômetros de Recife: uma refinaria de petróleo e um estaleiro planejado para ser o maior do Hemisfério Sul. Até ficar pronta, em 2011, a refinaria terá gerado cerca de 11 000 empregos diretos. Já o estaleiro, num prazo de dois anos, trará para o Estado mais de 5 000 empregos diretos e 25 000 indiretos -- isso para não falar nas outras 1 000 vagas geradas nos últimos meses com a chegada de empresas como Unilever e uma fábrica de resina PET. "Agora, é preciso formar a mão-de-obra para sustentar essa cadeia de produção, que demandará, além de profissionais de média e alta gerências, técnicos como soldadores e especialistas em mecatrônica, tubulação e aço, por exemplo", diz Fernando Pessoa, presidente da Associação das Empresas de Suape (Assesuape). O impacto de toda essa gente na região é tão grande que já está sendo elaborado um novo plano diretor para 2020. Ele prevê a duplicação de rodovias, transporte coletivo de massa e até a integração de cidades vizinhas, como Cabo de Santo Agostinho, Ipojuca e Escada. Tudo para evitar a invasão desordenada de Recife ou de pólos turísticos das redondezas, como Porto de Galinhas e Gaibu.

1. Elevador Lacerda, em Salvador, Bahia.
2. Terminal Marítimo da Ponta da Madeira, Cia. Vale do Rio Doce em São Luís, Maranhão
3. Vendedor de frutas em João Pessoa, Paraíba
4. Piscina do Thermas Hotel & Resort em Mossoró, Rio Grande do Norte
5. Linha de produção da Ford em Camaçari, Bahia

Movimento parecido ocorre em Salvador (2a capital nordestina da lista e a 14a cidade no ranking geral). Cerca de 90% das pessoas que trabalham no Pólo Petroquímico de Camaçari moram na capital baiana, que fica a 50 quilômetros. Até 2009, 11 bilhões de dólares devem parar na Bahia em 268 projetos industriais -- grande parte em Camaçari. Cada vez mais diversificado, o complexo industrial reúne empresas químicas, petroquímicas, automotivas, de celulose e têxteis, e acena com vagas para engenheiros químicos, metalúrgicos e mecânicos especializados em produção e qualidade.

Mas, apesar do bom desempenho da indústria, o setor de turismo é a aposta que mais empolga o empresariado local. Por ser hoje o Estado nordestino com melhor infra-estrutura de transporte e de telecomunicações, a Bahia foi escolhida por grandes grupos hoteleiros internacionais, como o espanhol Iberostar e o português Pestana, para a construção de super-resorts. "Para quem tem especialização em hotelaria, principalmente de administração e de gestão ambiental, a Bahia é o lugar certo", diz Antônio Maranhão Junior, sócio da consultoria Deloitte. As vagas não estão apenas dentro dos hotéis ou do pólo. Segundo dados da Secretaria de Cultura e Turismo, até 2020, outros 4,1 bilhões de dólares devem ser aplicados pela iniciativa privada na expansão de serviços de gastronomia, entretenimento e compras. Além disso, serviços de saúde, de educação e empresariais, como contabilidade, administração, recursos humanos e marketing, prometem um bom número de novos empregos na capital. "Para aproveitar essa cadeia que se movimenta em torno do desenvolvimento da região, estamos criando ações para incentivar pequenos negócios", afirma Luiz Otávio Gomes, presidente do conselho deliberativo nacional do Sebrae.

O CEARÁ VAI MUITO BEM
Em Fortaleza, capital do Ceará (3a capital nordestina na lista e a 18a colocada na classificação geral), a maior vocação é o comércio, com espaço para profissionais de vendas bem qualificados, principalmente na área de consultoria. "Vendedores de bom nível, para atender o segmento de joalherias, concessionárias e lojas de móveis, tendem a se dar muito bem por aqui", diz Silvana Araripe, sócia da consultoria de RH Centro da Terra, em Fortaleza. Outros setores que merecem atenção são o de turismo e mercado imobiliário, impulsionados por investimentos estrangeiros. Até o ano que vem, empreendimentos como o Resort Praia Bela Beach e o Vila Galé, de R$ 300 milhões, devem ser feitos no Estado. O setor têxtil e de confecções vive uma fase mais tímida, devido a mudanças cambiais e à concorrência dos produtos chineses. A Vicunha, por exemplo, maior conglomerado têxtil da América Latina, registrou queda de 0,41% em suas exportações. Outro gigante, esse do setor calçadista, a Grendene, teve uma diminuição de 7,63% em suas exportações. "Além disso, o Estado mudou o foco de atração de investimentos", afirma Rômulo Rosa, diretor institucional da SERH Educação e Desenvolvimento, de Fortaleza. Agora, em vez de multinacionais, a atual gestão está se concentrando no incentivo às pequenas e médias empresas.Por isso, o comércio, que não depende só da indústria local, se mostra aquecido. "Há maior demanda de vagas nesse setor", diz Silvana, da RH Centro da Terra.


BOM PARA TRABALHAR

> Recife, em Pernambuco, é reconhecidamente um pólo médico e digital. Só para dar um exemplo, na região metropolitana trabalham mais de 72 000 profissionais da área de saúde. Mas é o Complexo Industrial e Portuário de Suape, que fica a 40 quilômetros da capital de Pernambuco, o grande responsável pelo crescimento da região. Até 2011, a refinaria que está sendo construída no local vai ter gerado 11 000 empregos diretos. Em dois anos, o estaleiro, que também está sendo construído no local, o maior da América Latina, será responsável pela geração de mais de 5 000 empregos diretos e 25 000 indiretos. Isso sem citar as mais de 1 000 vagas que apareceram por causa da instalação da Unilever e de uma fábrica de PET.
> Salvador, na Bahia, está pegando carona no aquecimento do mercado de turismo que acontece em todo o Estado. A cidade terá investimentos no setores de gastronomia, entretenimento e compras.
> Fortaleza, capital do Ceará, tem grande vocação para o comércio e oferece oportunidades para profissionais de vendas bem qualificados.

1. TermoPernambuco, no Complexo Industrial e Portuário de Suape, a 40 quilômetros de Recife, Pernambuco
2. Linha de produção da Vicunha Têxtil em Maracanaú, Ceará
3. Barraca na Praia do Futuro em Fortaleza, Ceará
4. Casario da Rua da Aurora e Rio Capibaribe em Recife, Pernambuco


BOM PARA VIVER
1.
Muita gente escolhe morar no Nordeste depois de passar férias na região, o que é um grande erro. "As pessoas se decepcionam quando percebem que problemas como a violência também estão presentes aqui e que não conseguem ir à praia todo dia", diz Silvana Araripe, sócia da consultoria de RH Centro da Terra, em Fortaleza.
2. Para quem está chegando, os melhores bairros para se instalar num flat são o Meireles, em Fortaleza, Boa Viagem, em Recife, e Barra, em Salvador.
3. Em Recife, Salvador e Fortaleza, a cultura do happy hour é muito forte. Em Fortaleza, vale a pena dar uma esticada depois do trabalho no point Boteco, uma franquia que também faz sucesso em Recife, com estilo inspirado nos botequins cariocas dos anos 50 e delícias como a coxinha de caranguejo. Em Salvador, o mesmo espírito é encontrado no Botequim, mas a melhor happy hour da cidade hoje é a do Bar da Ponta, dos mesmos donos do famoso restaurante Trapiche Adelaide, que fica num píer de frente para a Baía de Todos os Santos.
4. A informalidade dos baianos pode assustar no início e fazer muito forasteiro ganhar fama de "fechado".


CAMPEÃS REGIONAIS

1a Recife
2a Salvador
3a Fortaleza
4a Natal
5a Aracaju
6a João Pessoa
7a São Luís
8a Maceió
9a Teresina
10a Campina Grande
11a Mossoró