Depois do Sudeste, a região Sul é a melhor do país para quem deseja crescer e se desenvolver profissionalmente. Desde que a pesquisa da FGV-RJ começou a ser feita, em 2002, a participação do Sul só tem aumentado. Atualmente, são 25 as cidades sulinas que aparecem entre as 100 melhores para trabalhar, ante 24, no ano passado, e 22, em 2002. A entrada da pequena São José (98
a), em Santa Catarina, na lista deste ano, fez com que Macapá (AP), no Norte, ficasse fora da lista, na 101
a posição. As estrelas meridionais são as capitais Porto Alegre (3
a), Curitiba (5
a) e Florianópolis (11
a). Além delas, destacam-se no interior as cidades de Caxias do Sul (24
a), no Rio Grande do Sul; Londrina (26
a) e Maringá (27
a), no Paraná; e Itajaí (39
a), Blumenau (49
a) e Joinville (50
a), em Santa Catarina. "Com uma economia bastante diversificada, boas universidades e, na grande maioria dos casos, qualidade de vida superior à das cidades das demais regiões do país, o Sul tem atraído mais empresas e, conseqüentemente, mais profissionais", diz Jaime Cervatti, sócio da consultoria KPMG, em Curitiba. A chegada de novas companhias -- que ainda continua apesar de ter minguado bastante em comparação ao que acontecia nos anos 90 -- e o fortalecimento de setores que antes eram inexpressivos, como a indústria da informática, têm oxigenado a economia do Sul, que sempre foi dependente do agronegócio e da pecuária.
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1. Jardim Botânico em Curitiba, Paraná. 2. Operários na linha de produção da Tupy Fundições, em Joinville, Santa Catarina. 3. Fazenda Santa Helena, em Londrina, Paraná. 4. Jogo entre Grêmio e Internacional (Grenal) em Porto Alegre, Rio Grande do Sul. 5. Detalhe de vinícula em Bento Gonçalves, Rio Grande do Sul. |
O Rio Grande do Sul é um bom exemplo disso. Os efeitos na agricultura da pior estiagem em décadas, os impactos da desvalorização cambial e da concorrência chinesa sobre o setor de calçados fizeram com que um dos Estados mais desenvolvidos do país enfrentasse uma recessão histórica. O governo estadual estima em 4,8% o recuo do produto interno bruto (PIB) local para este ano. Ainda assim, há setores que prosperam -- e contratam. É o caso das empresas de tecnologia situadas na região metropolitana de Porto Alegre. "Estamos crescendo e o mercado começa a dar sinais de esgotamento de mão-de-obra local", diz Ricardo Pianta, gerente da unidade de pesquisa e desenvolvimento da HP, que tem hoje 200 funcionários. Segundo ele, há vagas para a carreira gerencial e nas áreas técnicas, em maior quantidade. O mercado de tecnologia está superaquecido na capital gaúcha. Há uma disputa acirrada das empresas pelos melhores profissionais. A fabricante de computadores americana Dell e a alemã SAP, que acaba de chegar à região metropolitana de Porto Alegre, também oferecem vagas para programadores e engenheiros de software. No interior, Caxias do Sul, que fica a 125 quilômetros da capital do Estado, destaca-se no setor metal-mecânico. A cidade é sede de empresas tradicionais como Randon, Marcopolo e Agrale. "Essas companhias oferecem boas oportunidades para engenheiros e administradores", diz Carlos Biedermann, sócio da consultoria PricewaterhouseCoopers, em Porto Alegre.
Curitiba, no Paraná, é a segunda cidade do Sul para fazer carreira. E aqui, ao contrário de Porto Alegre, o clima é de efervescência. "A cidade tem mudado muito nos últimos anos. Hoje, somos mais cosmopolitas. As empresas estão mais profissionalizadas", diz o consultor Jaime Cervatti, da KPMG de Curitiba. Tanto que tem executivo trocando metrópoles como Rio de Janeiro e São Paulo pela capital do Paraná. A cidade é sede de multinacionais como Kraft, de alimentos; Volvo e Volkswagen-Audi, do setor automotivo; Esso, de combustíveis; Philip Morris, de fumo. No começo do ano, a Sadia, do setor de alimentos, também se instalou na capital paranaense. A diversidade de empresas, que têm negócios em setores distintos, somado ao bom momento que Curitiba está vivendo, garante oportunidades em todas as áreas: jurídica, engenharia, administração, economia, logística, informática e, principalmente, para profissionais de vendas. No interior do Paraná, as melhores oportunidades estão em Londrina e Maringá, no norte do Estado. "Essas cidades têm um setor de serviços bastante forte e ainda há oportunidades nas carreiras ligadas ao agronegócio", diz Jaime, da KPMG.
ALÉM DE FLORIPA
Em Santa Catarina, brilha a capital Florianópolis. Apesar de ser uma cidade com vocação para o setor de serviços, que oferece oportunidades limitadas de carreira para executivos, a capital catarinense se tornou um excelente centro de educação superior. Isso acaba fazendo Florianópolis crescer bastante na pesquisa da Fundação Getulio Vargas, ficando à frente de importantes centros industriais do interior catarinense, como Blumenau (49a) e Joinville (50a). Para ter uma idéia dessa diferença, numa escala de 0 a 100, Floripa tem nota 109 para o quesito educação. "A média nacional é de 100 pontos. Cidades com valores acima dessa nota são considerados centros de excelência", diz o professor Moisés Balassiano, coordenador da pesquisa e professor da FGV-RJ. Blumenau tem nota 94,9 para educação e Joinville vem logo depois, com 94,5. No entanto, se levarmos em conta somente as oportunidades de carreira, não há dúvida de que Blumenau e Joinville são mais promissoras. Essas cidades têm um pólo industrial bastante desenvolvido, com empresas de peso como Tigre, Embraco e Multibrás. Elas continuam crescendo. Aqui, as oportunidades aparecem em maior quantidade para os engenheiros (de produção, mecânicos e eletrônicos). No entanto, é no pólo de informática que começa a despontar em Joinville onde estão as melhores ofertas para quem pensa em carreira e desenvolvimento profissional. As organizações de tecnologia crescem ao ritmo de 25% ao ano, ao passo que a média das indústrias tradicionais cresce 6% ao ano. Engenheiros de software, programadores e profissionais de TI são as bolas da vez
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1. Robôs na linha de montagem da Volkswagen em São José dos Pinhais, região metropolitana de Curitiba, Paraná. 2. Vista aérea de Maringá, Paraná. 3. Praia do Mole, em Florianópolis, Santa Catarina. 4. Laboratório de mecânica dos solos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul em Porto Alegre. |
BOM PARA TRABALHAR
> São Leopoldo, cidade que fica na região metropolitana de Porto Alegre, é o novo endereço do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da multinacional alemã SAP. A empresa vai contratar 80 profissionais até o final de 2006. As vagas são para programadores com domínio em inglês.
> Em Curitiba, no Paraná, a Esso vai contratar, para seu centro de serviços, 200 profissionais das áreas de tecnologia, logística e controladoria. Isso até o final do ano.
> Em Londrina e Maringá, no norte do Paraná, as empresas do setor agrícola e de defensivos continuam contratando, apesar do desaquecimento recente do agronegócio. As vagas destinam-se principalmente a agrônomos, veterinários, químicos e para profissionais da área de vendas.
BOM PARA VIVER
1. Em média, os salários pagos na região Sul são até 30% menores do que os da região Sudeste, mas a oferta de ótimas escolas, boa infra-estrutura e qualidade de vida acima da média são grandes atrativos para muitos profissionais.
2. Em Curitiba, o tempo gasto para ir e voltar do trabalho é, em média, de uma hora. Sobra tempo para caminhar por um dos 25 bosques e parques da cidade.
3. Um dos restaurantes mais badalados de Florianópolis é o Koh Pee Pee, que fica na Praia do Rosa. A cozinha é tailandesa e os pratos são bastante condimentados. Para evitar sustos, o cardápio avisa sobre a intensidade do tempero. O Koh Pee Pee tem filial em Porto Alegre.
CAMPEÃS REGIONAIS
1a Porto Alegre
2a Curitiba
3a Florianópolis
4a Caxias do Sul
5a Londrina
6a Maringá
7a Canoas
8a Itajaí
9a Rio Grande
10a Blumenau
11a Joinville
12a Cascavel
13a Santa Maria
14a Chapecó
15a Bento Gonçalves
16a Novo Hamburgo
17a São José dos Pinhais
18a Pelotas
19a São Leopoldo
20a Foz do Iguaçu
21a Ponta Grossa
22a Passo Fundo
23a Guarapuava
24a São José
25a Criciúma