AS ESCOLHAS.
Não se pode ter tudo, claro. E nossos candidatos à presidência têm de escolher o que priorizar o tempo todo. O trabalho está quase sempre em primeiro lugar, mas eles insistem que dão conta do recado. Para isso, têm de fazer escolhas. O paulistano Dárcio Fabri, de 34 anos, gerente de marketing para canais eletrônicos do Itaú, está consciente do que escolheu. "Eu optei por treinar triatlo várias vezes por semana em vez de escolher uma vida familiar ou social mais intensa. Se não for assim, não consigo me dedicar ao esporte e ao trabalho ao mesmo tempo", diz o paulistano, que é solteiro e sem filhos. "Acho que escolhas pessoais podem esperar, acontecem a qualquer hora. Carreira não", diz o paulista Aloísio Xerfan, de 27 anos, gerente global de suprimentos da Basf.
CASAMENTO E FILHOS.
"Desde que conheci meu marido, ele sabe dos meus objetivos profissionais. Quer ficar comigo? É o preço, eu digo. Mas temos também objetivos em comum e vamos construí-los juntos", diz, sem culpa, Melissa Alves Werneck, de 33 anos, gerente de projetos logísticos da América Latina Logística, a ALL. Aloísio endossou uma polêmica levantada no debate. "Sim, é mais fácil encontrar outra mulher do que outro emprego de presidente." Ele foi sincero, mas não encontrou respaldo na mesa. Wagner Paiva, de 39 anos, gerente-geral para o Mercosul da Colbras, empresa de São Paulo que fabrica cápsulas para medicamentos, deu sua opinião como um ex-médico. "Já vi essa situação: no fim da vida, ninguém pede para chamar o cara dos recursos humanos ou o gerente do banco. Eles pedem para chamar a família. É para ela que se apela nos momentos críticos. Por isso é importante priorizá-la."
Quem tem crianças em casa tem um outro assunto para cuidar. "Fui viajar para a Argentina e ligava para meu filho, de 2 anos, perguntando se estava tudo bem. Eu percebia que ele entendeu. Estou criando uma criança independente", diz Melissa. A dedicação -- ou a falta dela -- aos pequenos esteve em pauta durante boa parte do debate. Rubens Antonio Jr., de 37 anos, responsável por uma unidade de negócios da Bayer em Caracas, na Venezuela, aproveita o tempo dentro do avião para jogar videogame. "Meu filho me cobra isso. E, para agradar a minha menina, tento saber tudo sobre a Barbie", diz Rubens. "Eu levo meu filho até a creche da empresa e sento com ele por 15 minutos de manhã", diz a carioca Alessandra Miranda, de 33 anos, gerente sênior de pesquisa e inovação da Natura.
O TEMPO.
Tempo é artigo de luxo para esses 15 executivos. Para conseguir dar conta do trabalho, dos eventos, da família e dos estudos, eles se desdobram. "Como passo metade do ano viajando, muitas vezes aproveito para ler no aeroporto, entre um vôo e outro", diz Vanessa Torres, de 36 anos, gerente-geral de projetos da mineradora Vale do Rio Doce, em Santa Luzia, Minas Gerais. "Eu não tento ser 120% o tempo todo em nenhuma área da minha vida. Mas faço o possível: leio cerca de 40 livros por ano, converso com meu marido todas as noites e, se precisar, leio e-mail de madrugada", diz Alessandra, da Natura. Para justificar o tempo passado fora de casa e longe da família, quase todos batem na tecla de que quantidade não é qualidade. "O que temos de questionar é se quem trabalha com a gente tem o mesmo prazer em trabalhar 14 horas por dia, como nós. Tem os de cuidar também do equilíbrio dos outros", diz Odércio Claro, 35 anos, gerente sênior da EDS do Brasil.
PRAZER.
Com tanto trabalho e tantas tarefas, onde é que eles encontram prazer? Acertou quem pensou no próprio trabalho. Aloísio é direto. "Hoje eu encontro minha realização pessoal no trabalho. Quando eu atinjo um objetivo dentro da empresa, é uma realização pessoal."
PONTO FINAL.
Depois de participar da conversa com esses profissionais, fiquei com a impressão de que o maior prazer desse pessoal é mesmo passar a maior parte do dia no escritório. Sem surpresas, pois esse dado corresponde aos perfis traçados pela consultoria Korn/Ferry para avaliar a turma. A capacidade de trabalhar sob pressão, a competitividade e o foco na carreira fazem parte da personalidade deles -- e do perfil de quem já chegou lá. "Estou de férias, mas tenho de ficar conectado. Se não fosse assim, não conseguiria sair da empresa nessa época do ano", diz Luís Fernando Fonseca, diretor da divisão médica cardiovascular da Johnson & Johnson no México. Uma frase de Cristiano Koga, de 27 anos, da Panalpina, resume a idéia. "Quando estou de férias, dou uma escapadinha para ler e-mails de trabalho. Digo ao pessoal que vou dar uma volta e abro o computador."
SUCESSO PRECOCE
* CRISTIANO KOGA, 27 anos, gerente nacional de vendas da Panalpina, São Paulo (SP), solteiro, sem filhos
Cristiano é um menino prodígio. Aos 23 anos, o administrador de empresas de Bauru (SP) assumiu sua primeira equipe na Panalpina, empresa suíça de logística, onde está até hoje. Um ano depois, outro desafio: ele foi convidado para trabalhar na filial do México. Teve uma noite para decidir, mas recusou a proposta: não se sentia preparado e ficaria longe da família. Metódico, ele tem metas de carreira objetivas: em cinco anos quer ser CEO. Ao mesmo tempo, procura equilibrar o trabalho, a família, a namorada -- e o golfe. Para ele, o esporte traz vantagens ao trabalho, pois requer paciência, um desafio para quem tem um perfil como o dele. "Sou muito agitado", diz. Por Renata Avediani
EM BUSCA DO EQUILIBRIO
* RUDINEI KALIL, 31 anos, gerente-geral da conta America Movil da Nokia,México, casado, sem filhos
Durante um jogo de tênis, com apenas 28 anos, o engenheiro eletroeletrônico paulistano Rúdinei sentiu uma forte dor de cabeça. Foi vítima de um aneurisma cerebral causado, segundo o médico, por estresse. Hoje, aos 31 anos, mesmo com muito trabalho, impõe limites aos horários. "Se trabalho muito em uma semana, diminuo a carga na outra", diz. Atualmente, ele está na filial mexicana da Nokia, empresa finlandesa de telefone celular, para onde se mudou em 2004. E o ano começou com novidades por lá. Passou à gerência geral da conta da America Movil, um dos maiores clientes da Nokia. E casou-se em uma praia. "Só eu e ela. Foi lindo!" Por Renata Avediani
DESAFIO PLANEJADO 
* RUBENS ANTONIO JUNIOR, 37 anos, gerente-geral de consumer care da Bayer, Venezuela, casado, dois filhos
O paulistano Rubens planejou sua carreira para estar preparado para assumir um negócio
antes dos 40. Nessa trajetória, aprendeu um pouco de tudo dentro de uma empresa. O que diz respeito a orçamento e controle de gastos virou sua preferência. "Tenho capacidade de síntese e foco nos números", diz. Essas competências o levaram um passo adiante na carreira: trabalhar fora do país. Hoje cuida da área de consumo da Bayer na Venezuela e de um orçamento de 24 milhões de euros e 60 funcionários. Na última avaliação de performance, o tratamento justo do líder foi ponto de destaque. "Me relaciono de forma transparente." Por Juliana De Mari
GARRA E CABELO COR-DE-ROSA
* ALESSANDRA MIRANDA, 33 anos, gerente sênior da área de pesquisa e inovação da Natura, São Paulo (SP), casada, um filho
O que você faria se seu marido dissesse que queria largar uma sólida carreira no mercado financeiro para estudar psicologia? A carioca Alessandra bancou a idéia. "Toda a família sairia ganhando se ele estivesse mais feliz", diz. Ela é um trator. Não se incomoda em trabalhar 12 horas por dia, desde que tenha um objetivo claro. Muda o cabelo todo mês. Quando posou para a foto acima, tinha feito mechas cor-de-rosa. Na época, dois meses atrás, estava na Unilever, mas havia recebido uma proposta e estava de mudança para a empresa de cosméticos Natura. "Não sou do tipo que deixo a vida me levar. Prefiro escrever minha própria história", diz Alessandra. Por Anne Dias
CEO DO PRESENTE 
* LUIS DELFIM DE OLIVEIRA, 35 anos, presidente da Refrescos Guararapes, Jaboatão dos Guararapes (PE), casado, dois filhos
Ao chegar para a entrevista, a última etapa de avaliação dos candidatos a CEOs do Futuro, o carioca Luís foi logo avisando: "Acabei de ser promovido". O CEO do Futuro em questão já é um CEO do presente. De diretor financeiro da Norsa, engarrafadora da Coca-Cola em Fortaleza, Luís passou a presidente da Refrescos Guararapes, em Pernambuco, outra franquia da Coca-Cola. Essa é sua quarta mudança de Estado em cinco anos. Admite que é muito difícil manter o equilíbrio entre vida profissional e pessoal (sua mulher já teve de se desligar duas vezes do emprego para acompanhá-lo) desse jeito, mas busca aproveitar
os intervalos de uma forma saudável, assistindo a DVDs com a família, estudando italiano ou lendo relatórios no avião (sim, ele acha isso divertido!). Como presidente, ele quer disseminar
a cultura de sucessão. "Acho que isso é fundamental para a empresa e para o crescimento
do profissional", diz. Por Daniela Diniz
TRABALHO EM PRIMEIRO LUGAR 
* LUÍS FERNANDO FONSECA, 35 anos, diretor da divisão médica cardiovascular da Johnson & Johnson, México, solteiro
A prioridade do paulistano Luís Fernando é o trabalho. Durante oito anos de sua carreira deixou de tirar férias -- embora hoje faça questão delas. Mesmo nas férias, porém, não desliga. Em dezembro, de folga no Brasil, ele passou o tempo todo de celular ligado e consultava os e-mails com regularidade. "Neste momento acontece o fechamento do ano, não dá para sair e se desligar de tudo agora", diz. Quem olha para o moço logo percebe que a ansiedade é uma de suas características. Inquieto, Luís olha para o relógio várias vezes. Não é pressa. "Sou ansioso mesmo", diz. Essa qualidade se reflete em sua trajetória. Formado em arquitetura, ele passou para a área de informática, coordenou a fusão de uma multinacional e ocupou um cargo de marketing até chegar ao posto atual no México, onde é diretor da Johnson & Johnson. Agora, está de olho na Europa. "Mas também penso em voltar ao Brasil. Tenho saudades de falar português."
FOLEGO DE ATLETA 
* FABIO JORGE CELEGUIM, 32 anos, diretor administrativo da Totvs, São Paulo (SP), casado
Por causa dos seus 1,90 metro, Fábio, paulista de Santo André, foi jogador de vôlei durante 12 anos. A vida de atleta durou até que duas lesões no joelho o tiraram da quadra. Ele ficou chateado, mas não perdeu o ânimo. A experiência nas quadras lhe ensinou a ser competitivo. "Eu me desafio o tempo todo", diz. Em 2003, entrou para um curso de teatro para melhorar a entonação da voz. "As pessoas não sabem quando dou uma bronca ou faço um elogio", diz. Em dez anos de Microsiga, Fábio trabalhou na expansão da rede de franquias no Brasil e na América Latina. Com tantas bolas dentro, foi promovido, em 2004, a diretor da Totvs, holding que controla a Microsiga. Concluiu três MBAs e começou um quarto. "Parei por causa das viagens", explica. Casado, ele não está disposto a trabalhar mais de 12 horas por dia. "Isso é improdutivo e exige muito do corpo e da mente", diz. "E é preciso estar bem disposto para marcar pontos no trabalho." Por Marcos Gusmão
SIMPLES E OBJETIVO
* ÁLVARO OLIVEIRA, 37 anos, gerente da Kraft, Recife (PE), casado
À primeira vista, o engenheiro mecânico carioca Álvaro pode parecer um tanto inquieto. Mas não se engane. Álvaro sabe o que quer e está sempre de olho no futuro. Ele começou na Nestlé, passou pela Bombril e há cinco anos está na Kraft, multinacional americana de alimentos. Há um ano e meio, Álvaro deu início a um projeto piloto que se transformou na nova unidade de negócios da Kraft no Nordeste. Hoje, ele comanda essa unidade, que fica em Pernambuco. Sob sua batuta estão 140 profissionais. Exigente, ele gosta de estimular seus funcionários a se superar sempre. "Para isso, oriento para que se concentrem em seus pontos fortes", conta. Álvaro trabalha 12 horas por dia, mas se preocupa com a família. Para dar mais espaço à agenda pessoal, ele achou uma solução simples e eficiente. Vendeu o carro da esposa -- os dois vão trabalhar no mesmo carro -- e inscreveu o casal em aulas conjuntas de tênis. "Agora temos mais tempo juntos." Por José Eduardo Costa
QUEM PODE, PODE
* VANESSA TORRES, 36 anos, gerente-geral de desenvolvimento de projetos da Companhia Vale do Rio Doce, Santa Luzia (MG), solteira
Durante um passeio por Canaã dos Carajás (PA), em dezembro de 2001, a mineira Vanessa ouviu uma pergunta do presidente da companhia, Roger Agnelli, sobre a exploração de níquel na região. "Ele me incentivou a apresentar um estudo de viabilidade dentro de três meses", diz. Aprovado no ano passado, o projeto receberá investimentos de 1,2 bilhão de dólares. A Vale, que não explorava níquel até então, quer se tornar uma das maiores do mundo em alguns anos. E Vanessa, claro, tornou-se uma das profissionais de destaque lá dentro. PhD em engenharia antes dos 30 anos, um feito para qualquer um, ela ainda tem especialização na escola francesa Ensead. Nos fins de semana, no entanto, passa "dos milhões aos centavos", como gosta de dizer, e trabalha na ONG fundada pela mãe, que ministra cursos para a população carente. "Mas, se a semana foi cansativa, saio de Santa Luzia e pego um avião para a Costa do Sauípe", diz. Ela pode. Por Fabiana Corrêa
ELA ADORA UM DESAFIO 
* MELISSA ALVES WERNECK, 33 anos, gerente de negócios da unidade Mercosul da ALL, Curitiba (PR), casada, um filho
"Não temos um passado para apresentar, mas um futuro para construir." Foi com essa proposta de trabalho que o então presidente da América Latina Logística (ALL), Alexandre Behring, conquistou a engenheira química mineira Melissa. "Era uma oportunidade única: fazer parte de uma história que só tinha uma página", lembra ela. Já faz seis anos que a executiva se mudou para Curitiba, onde fica a sede da ALL. De analista ela passou a gerente de recursos humanos e qualidade. Em plena licença-maternidade, foi convidada para ser gerente de projetos logísticos e inteligência de mercado. Antes mesmo de voltar ao trabalho, Melissa já contratava profissionais para sua equipe. Sem culpa. "Trabalho 12 horas por dia, mas quando estou com meu filho me dedico a ele", diz. Ela acaba de ser promovida a gerente de negócios da unidade Mercosul e vai se dividir entre a Argentina e o Brasil. "Quero ser a locomotiva das decisões", anuncia. Por Daniela de Lacerda
QUEM SABE FAZ ACONTECER 
* ODÉRCIO CLARO, 35 anos, gerente sênior da EDS do Brasil, São Paulo (SP), casado, uma filha
Em 1999, o paulistano Odércio passou por uma prova de fogo. Consultor da T-Systems do Brasil, do Deutsche Telekom Group, foi escalado para desenvolver um novo sistema de produção para a fábrica da Mercedes-Benz no Brasil. Uma falha no projeto implicava uma multa diária de 50 000 reais. E deu pane logo no teste. Enquanto sua equipe corrigia o erro, ele foi empurrar peças de caminhões para não interromper a produção. "Esse é meu estilo de trabalho, faço acontecer", diz. "O problema foi resolvido rapidamente." Odércio fez especialização na Fundação Getulio Vargas e MBA na Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos. Desde 2004 está na EDS, em São Paulo. É sua a conta da Telefônica em toda a América Latina. A empresa responde por 30% do faturamento da EDS na região. Odércio lidera uma equipe de 200 profissionais e a cada dia descobre a importância de ouvi-los. "Me esforço para ser um líder presente", afirma. Por Marcos Gusmão
COM O PÉ NA ESTRADA 
* MARCO LOPES, 36 anos, gerente de marketing corporativo da TIM, Rio de Janeiro (RJ), solteiro
Quando criança, o engenheiro e administrador gaúcho Marco Lopes vivia se mudando: o pai era funcionário do Banco do Brasil e costumava ser transferido para diferentes Estados. Já adulto, Marco repetiu essa trajetória. Morou em diversas cidades brasileiras, além de passar seis meses nos Estados Unidos. Dessas andanças todas, ficou uma grande capacidade de adaptação, essencial para a carreira que vem desenvolvendo na área de marketing da TIM Brasil desde 2001. Aos 36 anos, noivo de Caroline, Marco é gerente de marketing corporativo da empresa e coordena equipes em todo o país. "O processo de integração é difícil, mas tem sido muito produtivo fazer com que todas as regiões participem das decisões", conta. Competitivo, ele trabalha de 10 a 12 horas por dia e também não dá moleza para seu time. Mas confia no trabalho dos profissionais e sabe delegar. "Me realiza fazer as pessoas darem o melhor de si", afirma. Por Daniela de Lacerda
CEO, CUSTE O QUE CUSTAR
* ALOISIO XERFAN, 27 anos, gerente global de suprimentos e contratos da Basf, São Paulo (SP), solteiro
O paulista Aloísio não vai ao cinema, não lê livros que não sejam de negócios, não usa os fins de semana para diversão. Seus amigos se limitam ao núcleo do MBA da Fundação Getulio Vargas e aos funcionários de sua equipe. Trabalha de 14 a 16 horas por dia e dorme apenas 5. E, apesar de só ter 27 anos, ele acha tudo isso normal. "A vida pessoal vai existir independentemente da idade", afirma. "O contrário não. Se eu quiser recuperar a carreira daqui a alguns anos, posso não conseguir." Desde o segundo ano da faculdade de administração ele já queria ocupar uma posição na diretoria de uma empresa. E não hesitaria se oferecessem amanhã uma posição para ir à Índia, por exemplo. Ao contrário. Iria no mesmo minuto aprontar as malas. Há cinco anos na Basf, Aloísio já passou por quatro áreas e não vê a hora de ocupar um espaço maior. "Hoje, tenho uma fatia", diz ele. "Quero aplicar o que acredito numa empresa inteira. Isso deve ser maravilhoso." Por Daniela Diniz
UM JEITO DIFERENTE DE SER 
* DARCIO FABRI, 34 anos, gerente de marketing para canais eletrônicos do Itaú, São Paulo (SP), solteiro
O engenheiro eletrônico paulistano Dárcio destoa do ambiente sisudo do Banco Itaú, onde trabalha. Ele tem orelha furada, gosta de música eletrônica (teve uma banda até 1996) e usa um pequeno cavanhaque diferente, logo abaixo da boca. Tem uma moto Harley-Davidson que vale 40 000 reais. Prefere morar em casa alugada a comprar a própria, e faz triatlo. "Nunca fui proibido de ser como sou", diz. O casamento com o Itaú já dura dez anos, mas ele não acha isso muito tempo. "Tenho espaço para crescer dentro da empresa." Em 2001 Dárcio foi para os Estados Unidos fazer um MBA em Wharton, uma das mais renomadas escolas de negócios do mundo. O curso foi patrocinado pelo banco e Dárcio voltou para o Brasil com uma missão: ficar cada vez mais perto do centro de decisão do Itaú. E ele está direcionando sua carreira para isso: quer ser referência no relacionamento com os clientes. Dárcio diz que está pronto para a tarefa.
Por Anne Dias
DECISÃO SAUDAVEL 
* WAGNER PAIVA, 39 anos, gerente-geral para o Mercosul da Colbras, São Paulo (SP), casado
Médico de formação, nos primeiros anos de vida profissional, o paulistano Wagner percebeu que tinha mais vocação para os dilemas executivos do que para o consultório. Hoje, aos 39 anos, o executivo aplica o raciocínio sistêmico da medicina para entender os reflexos de longo prazo de suas decisões como líder. "Minha formação acabou me dando uma grande vantagem competitiva", acredita. Para Wagner, essas competências se sobressaem principalmente na hora de lidar com a equipe. "O mais difícil no caminho até o topo é ter certeza de que estou levando junto as pessoas certas. Preciso gastar tempo selecionando e colocando os bons nas melhores posições", diz Wagner. O desafio de ser o número 1 chegou no início deste ano. Wagner acertou com a brasileira Colbras, fabricante de cápsulas gelatinosas para medicamentos: é o novo gerente-geral da empresa para o Mercosul. Por Juliana De Mari
ELES JÁ CHEGARAM LÁ
Alguns CEOs do Futuro já são presidentes:
De acordo com a experiência de quem conhece o DNA de um presidente de empresa, muitos dos eleitos no programa CEO do Futuro deste ano devem ocupar o posto máximo nas corporações em breve. Um deles, Luís Oliveira, alcançou a presidência da Refrescos Guararapes antes mesmo da seleção de 2006 chegar ao fim. E Wagner Paiva, que era da Stiefel, agora é gerente-geral para o Mercosul da Colbras, da área farmacêutica. Das turmas passadas, João Ramires, colega de Luís na Refrescos Guararapes, já chegou lá. Depois de passar pela filial de Pernambuco, foi ocupar a presidência da Coca-Cola em Cingapura. Alexandre Bonfim saiu da diretoria da Assist, do grupo Telefônica, para ser CEO da Pitney Bowles Semco, uma das empresas do grupo Semco, na área de tecnologia da informação. Na Amway, a multinacional da área de cosméticos, André Raduan, que fez parte da primeira turma de CEOs do Futuro, em 2000, ocupa a primeira posição do organograma.
ENTENDA O PROGRAMA CEO DO FUTURO
O programa CEO do Futuro, em sua quinta edição, é uma parceria entre a revista VOCÊ S/A, a Korn/Ferry International, especializada em seleção de executivos, e o ProFuturo, programa da Fundação Instituto de Administração (FIA), de São Paulo. O objetivo é identificar jovens executivos com perfil para chegar à presidência de uma empresa. A escolha é feita em três fases. Na primeira, os 270 inscritos tiveram seus currículos analisados pela Korn/Ferry. Na segunda fase, responderam a um teste que avalia estilo de gestão, comportamento ético e outros aspectos. Na terceira, foram entrevistados pelos três parceiros do projeto. Não há um número fixo de profissionais selecionados a cada ano. Desta vez, chegou-se a 15, sendo três mulheres. De 20 a 24 de março, o grupo participa do curso Formação de Líderes, promovido pelo ProFuturo, que conta com aulas ministradas por professores da FIA e presidentes de empresas. O curso foi criado especialmente para os CEOs do Futuro e hoje é aberto ao público. Quem se interessou pode se inscrever por meio do site da fundação (www.fia.com.br/profuturo).
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