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Procuram-se executivos

Com a indústria aquecida, a região é uma boa aposta para gerentes e diretores. A concorrência é menor e a qualidade de vida, bem melhor

Por Joubert Lima

O mercado de trabalho para executivos no Norte do país está em acelerado crescimento. As empresas se concentram em Manaus (12o lugar), no Amazonas, e na região oeste do Pará, principalmente na capital, Belém (8o lugar), que aparece pela primeira vez no ranking das 10 melhores cidades para trabalhar do país. As duas capitais têm características de cidades grandes e ostentam uma natureza exuberante. Fatores como os baixos índices de violência e de poluição, a proximidade da floresta e a possibilidade de ascensão profissional mais rápida também são fatores de atração.

Após trabalhar por dez anos em cargos de chefia na área de recursos humanos em São Paulo, o executivo Daniel Machado, de 39 anos, viu-se diante do desafio de trocar o Sudeste pelo Norte. Foi em julho de 1998, quando Daniel era chefe da divisão de administração de pessoal na empresa Caiuá Serviços de Eletricidade S/A, em Presidente Prudente (SP). Naquele ano, o Grupo Rede, do qual a Caiuá faz parte, adquiriu o controle acionário da Centrais Elétricas do Pará S/A (Celpa), e ele foi convidado a trabalhar como gerente de RH em Belém. A proposta significava deixar uma empresa de 500 funcionários para gerenciar outra com 2 500, sem contar o desafio de mudar com a família para uma região desconhecida. Deu certo. "Belém tem um povo muito hospitaleiro. Já adquiri imóvel próprio e só sairei daqui por iniciativa do Grupo Rede."

Em Belém, as melhores oportunidades estão nas áreas de mineração e na indústria madeireira. Especialistas apontam a Vale do Rio Doce como o grupo empresarial que melhor exemplifica essa tendência, sendo responsável por 33% das exportações do Pará, de acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. No setor madeireiro, a adoção de práticas de manejo florestal, que respeitam a capacidade de recuperação da floresta, também deve gerar vagas nos próximos anos.

Já Manaus se destaca como campo de trabalho para executivos porque abriga um pólo industrial que está em franca expansão, com aproximadamente 450 empresas de todos os portes, que disputam profissionais qualificados. Na cidade, está o maior pólo de eletroeletrônicos da América Latina, com multinacionais como Sony, Panasonic e LG Philips, entre outras. "Há um grande número de empresas instalando suas plantas no Pólo Industrial de Manaus e a quantidade de profissionais com alta qualificação, embora esteja aumentando rapidamente na região, é insuficiente, o que reduz significativamente a concorrência", diz o consultor Ocimar Melloni, especialista em gestão de pessoas e qualidade.

O próprio Ocimar trocou, há oito anos, o trabalho no ABC Paulista pelo calor amazônico. Na opinião dele, as melhores oportunidades estão nas fábricas que trabalham com telefonia móvel, além do parque de duas rodas e de injeção plástica, e de iniciativas na área de cosméticos e biotecnologia. Nos próximos anos, segundo o consultor, deve haver uma forte demanda por profissionais nos empreendimentos ligados à eletrônica fina, como fabricantes de celulares. "Nos últimos meses chegaram por aqui a Senge (francesa), a Fox (chinesa) e vem por aí a Motorola", avisa Ocimar.

As desvantagens da região? As alternativas para se manter atualizado ainda são muito limitadas. Em Belém, especificamente, há outro fator: a capital remunera tão bem executivos experientes quanto o mercado de São Paulo, mas o custo de vida é, em média, 20% maior. Questões que podem ser compensadas por um ritmo de vida mais tranqüilo.

AS MELHORES DO NORTE
1) Belém
2) Manaus
3) Palmas
4) Porto Velho
5) Boa Vista
6) Rio Branco
7) Macapá