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Fora da curva

Nem só de serviço público e agronegócio vive o Centro-Oeste. Atraídas por incentivos fiscais, muitas indústrias foram para a região. Saiba como você pode tirar proveito disso

Por Anne Dias

Quando você pensa em fazer carreira no Centro-Oeste, o que vem à cabeça? Agronegócio e serviços públicos? Se sim, está na hora de ampliar os horizontes. Muitos empregos gerados na região ainda estão fortemente ligados à agricultura e à administração federal. Mas há organizações em outros setores. Quer exemplos? Na capital do país (5o lugar), está uma das fábricas da Rexam, maior fabricante mundial de latas de alumínio para bebidas. No Estado de Goiás, estão companhias como a distribuidora de produtos farmacêuticos Panarello, a empresa de telefonia Telegoiás Celular e a fabricante de automóveis Hyundai. A Ambev tem uma fábrica no Distrito Industrial de Anápolis (98o lugar). A fabricante de silos Kepler Weber inaugurou em 2004 uma unidade em Campo Grande (55o lugar), em Mato Grosso do Sul, e se tornou líder mundial na produção de galpões para armazenagem e conservação de grãos.

Essas empresas são pontos fora da curva no Centro-Oeste, ou seja, não estão ligadas à vocação da região. Muitas foram atraídas por incentivos fiscais, outras decidiram ir para o centro do país apostando em um novo mercado consumidor, ainda que estejam distantes dos grandes centros urbanos. "Nos últimos anos, o Centro-Oeste se tornou bastante promissor para quem quer fazer carreira fora do eixo Rio-São Paulo", diz Carlos Roberto Scorsi, diretor administrativo e financeiro da Assolan, de 43 anos.

Carlos é um paulistano que mora em Goiânia (17o lugar), capital de Goiás, há oito anos. Ele trocou São Paulo por uma promoção na cidade. Na época, trabalhava na Arisco como gerente financeiro. Foi convidado a mudar de vida e de rumo na carreira, e aceitou na hora. "Quero trabalhar na cidade até me aposentar", afirma. Para ficar mais perto de seus pares, duas vezes por semana viaja até São Paulo, onde está o escritório da empresa. A fábrica da Assolan em Goiânia tem capacidade para produzir 2 600 toneladas de lã de aço por mês e aproximadamente 500 funcionários. A maioria dos gerentes veio de São Paulo. Motivo? "Ainda falta mão-de-obra qualificada na região", diz Carlos.

O mercado de trabalho também está agitado para quem mora em Brasília, onde o desemprego atinge 7% da população economicamente ativa, ante 10,8% da média nacional. E não é por causa da quantidade de concursos públicos abertos neste ano. "Tem muita coisa acontecendo em Brasília, especialmente nos setores de tecnologia, telecomunicações, consultorias, turismo de negócios e vendas", diz Abraão José de Souza, professor de mercado financeiro da União Educacional do Planalto Central (Uniplac). Para ter idéia, há uma briga por professores entre as faculdades e universidades locais. "Isso acontece entre os professores com mais experiência, principalmente aqueles que estão perto da aposentadoria", diz Ivan Camargo, decano de ensino de graduação da Universidade de Brasília (UnB). Existem na cidade cerca de 60 cursos, entre faculdades particulares e públicas. Um professor da UnB com doutorado tem um salário de cerca de 5 000 reais. Em uma particular, chega a ganhar 12 000.

Mas não dá para esquecer que o forte da região é o agronegócio. Pecuária, soja e cana, mais especificamente. "A agricultura ainda é a vocação da região", diz Sergio Parasmo, gerente da consultoria Próxima. No Centro-Oeste, estão os grandes produtores e processadores de grãos e multinacionais como a Cargill e a Bunge. "As empresas estão em busca de profissionais qualificados, que saibam manobrar as colheitadeiras mais modernas ou entendam de vendas no mercado externo", avisa Maria do Amparo Aguiar, professora de ciências econômicas da Universidade Federal de Goiás.  

AS MELHORES DO CENTRO-OESTE
1) Brasília
2) Goiânia
3) Cuiabá
4) Campo Grande
5) Várzea Grande
6) Dourados
7) Anápolis