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Carreira com sotaque

Recife, Fortaleza e Salvador destacam-se no ranking deste ano. Confira onde estão as melhores oportunidades

Por Daniela de Lacerda*

Boas novas para quem mora no Nordeste ou anda de olho na região. Três cidades figuram entre as primeiras do ranking deste ano: Recife (4o lugar), Fortaleza (10o lugar) e Salvador (11o lugar). Fazer carreira em uma delas pode ser sinônimo de upgrade no currículo, se você escolher a empresa e o mercado certos. As três eleitas contam com setores em expansão e se destacam como capitais dos principais Estados nordestinos -- Pernambuco, Ceará e Bahia respondem por nada menos que 73% do PIB da região. Por essas e outras, tem gente deixando, feliz, o ritmo frenético do Sudeste em busca de oportunidades com sotaque nordestino. Foi o que fez o executivo carioca João Ramires, de 33 anos, que trocou o Rio de Janeiro por Recife em 2000. "O nível de exigência das empresas locais está cada vez mais alto. A preocupação em reter talentos é crescente, como no Sudeste", afirma. João chegou à capital pernambucana como diretor financeiro da Refrescos Guararapes, que fabrica a Coca-Cola em Pernambuco e Paraíba, com sede em Jaboatão dos Guararapes, região metropolitana de Recife. Há um ano e meio ele é presidente da empresa e lidera 2 200 funcionários. "Recife tem um ambiente corporativo mais desenvolvido do que o de muitas cidades brasileiras", diz.

Se você pretende seguir o exemplo dele e apostar em Recife, o setor de serviços é o que mais oferece oportunidades. "Esse mercado vem sendo alavancado pelo pólo médico, pelo setor de informática (principalmente produção de softwares) e pela área de consultoria", diz o economista Heródoto Moreira, consultor do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). Na indústria, Recife ainda deixa a desejar, apesar de recentes investimentos no Complexo Industrial e Portuário de Suape, a 40 quilômetros da capital. Cerca de 70 empresas estão operando na área ou em fase de implantação. Segundo Fernando Pessoa, presidente da Associação das Empresas de Suape (Assesuape), em três anos o número de empregos diretos deve subir de 6 500 para 14 000.

Se Recife não se destaca no mercado industrial, Salvador ganha cada vez mais força nessa área, com destaque para a indústria de transformação. Na Bahia, entre 2001 e 2004, a taxa média anual de crescimento do setor foi de 6,3% (em todo o Nordeste foi de 2,2%). Como capital do Estado, Salvador segue a tendência. As atividades se concentram na região metropolitana, capitaneadas pelos setores petroquímico e automobilístico, que ganhou fôlego com a chegada da Ford, em 2001. Camaçari, a 50 quilômetros de Salvador, destaca-se nos dois setores. "Cerca de 90% das pessoas que trabalham lá moram na capital", diz Sônia Costa, diretora da Ativa Recursos Humanos, em Salvador.

Em Fortaleza, a indústria não é tão forte, mas também tem peso. Os principais setores são o têxtil e o metalúrgico. Aposta certa, no entanto, é no comércio. "A população local consome bastante", diz Heródoto Moreira. O turismo, assim como em Recife e Salvador, continua oferecendo oportunidades interessantes. Para quem se animou, é importante considerar os prós e contras de morar no Nordeste. "Para cargos semelhantes, as empresas de Fortaleza costumam pagar até duas vezes menos do que em São Paulo", diz a headhunter cearense Cláudia Bahia. A região também perde em qualificação. Em compensação, o custo de vida é mais baixo. E a qualidade de vida, em geral, é imbatível. "Ao pesar tudo, quem vem para o Nordeste costuma ficar, enquanto quem sai daqui para o Sudeste acaba voltando", diz Heródoto.

* Com reportagem de Roberta Rêgo, de Recife 

AS MELHORES DO NORDESTE
1) Recife
2) Fortaleza
3) Salvador
4) Natal
5) João Pessoa
6) Maceió
7) São Luís
8) Teresina
9) Aracaju
10) Campina Grande
11) Ilhéus