

Se você pretende seguir o exemplo dele e apostar em Recife, o setor de serviços é o que mais oferece oportunidades. "Esse mercado vem sendo alavancado pelo pólo médico, pelo setor de informática (principalmente produção de softwares) e pela área de consultoria", diz o economista Heródoto Moreira, consultor do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). Na indústria, Recife ainda deixa a desejar, apesar de recentes investimentos no Complexo Industrial e Portuário de Suape, a 40 quilômetros da capital. Cerca de 70 empresas estão operando na área ou em fase de implantação. Segundo Fernando Pessoa, presidente da Associação das Empresas de Suape (Assesuape), em três anos o número de empregos diretos deve subir de 6 500 para 14 000.
Se Recife não se destaca no mercado industrial, Salvador ganha cada vez mais força nessa área, com destaque para a indústria de transformação. Na Bahia, entre 2001 e 2004, a taxa média anual de crescimento do setor foi de 6,3% (em todo o Nordeste foi de 2,2%). Como capital do Estado, Salvador segue a tendência. As atividades se concentram na região metropolitana, capitaneadas pelos setores petroquímico e automobilístico, que ganhou fôlego com a chegada da Ford, em 2001. Camaçari, a 50 quilômetros de Salvador, destaca-se nos dois setores. "Cerca de 90% das pessoas que trabalham lá moram na capital", diz Sônia Costa, diretora da Ativa Recursos Humanos, em Salvador.
Em Fortaleza, a indústria não é tão forte, mas também tem peso. Os principais setores são o têxtil e o metalúrgico. Aposta certa, no entanto, é no comércio. "A população local consome bastante", diz Heródoto Moreira. O turismo, assim como em Recife e Salvador, continua oferecendo oportunidades interessantes. Para quem se animou, é importante considerar os prós e contras de morar no Nordeste. "Para cargos semelhantes, as empresas de Fortaleza costumam pagar até duas vezes menos do que em São Paulo", diz a headhunter cearense Cláudia Bahia. A região também perde em qualificação. Em compensação, o custo de vida é mais baixo. E a qualidade de vida, em geral, é imbatível. "Ao pesar tudo, quem vem para o Nordeste costuma ficar, enquanto quem sai daqui para o Sudeste acaba voltando", diz Heródoto.
* Com reportagem de Roberta Rêgo, de Recife
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