
Representantes do Sul no seleto grupo das dez melhores cidades do país para trabalhar (em 6o e 7o lugares, respectivamente), as duas capitais proporcionam a rara combinação entre qualidade de vida e boas oportunidades profissionais. Com isso, atraem não apenas executivos seniores interessados em sossego, como ocorria até a década passada, mas jovens com ambições de crescimento. "As facilidades da tecnologia diminuíram a importância da cidade em que o executivo trabalha", ressalta Marcos Morales, diretor da consultoria Watson Wyatt, de São Paulo. "O que define se um profissional está em ascensão é o cargo que ocupa, o porte e a reputação da companhia, independente da sua localização."

É claro que os menores índices de violência e poluição, além do trânsito menos congestionado, continuam sendo atrativos importantes, mas são fatores que já não pesam tanto na balança. O professor da Fundação Getulio Vargas (FGV-RJ) Moisés Balassiano, coordenador da pesquisa das melhores cidades para trabalhar, diz que uma grande vantagem do Sul é o desenvolvimento equilibrado dos três setores da economia, enquanto nas demais regiões há sempre um setor preponderante. Embora os salários ainda sejam menores -- 84% do que se paga em São Paulo, de acordo com a média da Watson Wyatt --, a diferença é compensada pelo custo de vida. Alugar uma casa ou um apartamento, por exemplo, costuma ser pelo menos 20% mais barato no Sul.
A grande aposta da região para os próximos anos são as novas tecnologias, como telefonia celular, internet e equipamentos para telecomunicações. Trata-se de uma boa notícia para quem planeja uma transferência para o Sul. Em primeiro lugar, porque a própria natureza dessas corporações contribui para relativizar a cidade em que se trabalha -- mesmo quem está distante se sente no centro das decisões. Em segundo lugar, porque as perspectivas de expansão não encontram paralelo em outros setores. Empresas como o provedor Terra, em Porto Alegre, e as operadoras de telefonia móvel Vivo Celular, em Porto Alegre, e Tim Sul, em Curitiba, já estão entre as 100 que mais faturam na região Sul. E têm potencial para crescer em ritmo bem superior à média na segunda metade da década.
O gerente de recursos humanos da Tim Sul, Fábio Oliveira, de 37 anos, representa bem o perfil do novo profissional desejado no Sul. Ele investiu forte na formação para enfrentar de igual para igual a concorrência dos "forasteiros". Graduado em administração, fez duas pós, uma em qualidade e outra em gestão do conhecimento. Nascido em Curitiba, só voltou à cidade para assumir um novo cargo, que representava evolução na carreira. Dos cinco anos em que está na empresa, passou três fora, em Porto Alegre e Rio de Janeiro. "Não me sinto nem um pouco isolado em Curitiba", diz Fábio. "Estou sempre conectado: uso videoconferência para fazer reuniões com colegas de outras partes do país e viajo com muita freqüência."
Porto Alegre e Curitiba se beneficiam, também, pela proximidade de cidades que ficam a menos de 20 quilômetros e concentram indústrias: Canoas (RS) e São José dos Pinhais (PR), elas próprias bem posicionadas no ranking das melhores cidades para trabalhar, em 37o e 38o lugares, respectivamente. Canoas sedia empresas como Massey Ferguson e Springer Carrier, enquanto em São José dos Pinhais estão a Renault e O Boticário. Muitos executivos moram nas capitais e trabalham nessas cidades. A concentração das atividades industriais na região de Porto Alegre tem sido, no entanto, um problema para as cidades gaúchas médias, considera a professora Maria Alice Lahorgue, especialista em economia regional da UFRGS. "Oitenta por cento das indústrias de alta tecnologia do Estado estão na capital ou nas cidades vizinhas", diz. "Com isso, os empregos de melhor qualificação acabam naturalmente se concentrando em uma única região do Estado, o que emperra o desenvolvimento das outras."
Para evitar que problema semelhante ocorra no Paraná, as duas principais cidades do interior, Londrina e Maringá (41o e 42o lugares no ranking, respectivamente), localizadas a apenas 100 quilômetros uma da outra, tentam superar rivalidades históricas e ensaiam um esforço conjunto por novos investimentos. "O importante é trazer investimentos de qualidade para a nossa região. Pouco importa se a empresa vai ficar em Londrina, Maringá ou em uma das cidades no caminho entre as duas", diz Cláudio Sérgio Tedeschi, presidente da Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel). Exemplo do processo que o IBGE chama de "interiorização da economia", Londrina registrou crescimento expressivo no número de empregos nos últimos seis anos, 31%, ante apenas 6% em São Paulo e Rio de Janeiro. Com 13 000 estabelecimentos de serviços, a cidade tem praticamente metade de sua mão-de-obra empregada nesse setor.
Já a catarinense Florianópolis, capital de Santa Catarina, 20a melhor cidade para trabalhar, tem menos a oferecer do que as outras capitais da região em termos de oportunidades de carreira. Reconhecida pelas praias e belezas naturais, Floripa assumiu de vez a vocação turística, mas o setor ainda está longe de alcançar alto nível de profissionalismo e se ressente da sazonalidade, já que a chegada de visitantes se concentra fortemente na temporada de verão. A maior novidade prevista para os próximos anos na cidade é a construção de três novos shopping-centers, antiga reivindicação dos turistas que não tinham muito o que fazer na cidade em dias de chuva.
AS MELHORES DO SUL
1) Porto Alegre
2) Curitiba
3) Florianópolis
4) Canoas
5) São José dos Pinhais
6) Londrina
7) Maringá
8) Caxias do Sul
9) Rio Grande
10) Foz do Iguaçu
11) Joinville
12) Blumenau
13) Bento Gonçalves
14) Ponta Grossa
15) Chapecó
16) Pelotas
17) Itajaí
18) Cascavel
19) Novo Hamburgo
20) Passo Fundo
21) São Leopoldo
22) Santa Maria
23) Criciúma
24) Guarapuava
"EU APOSTO EM CURITIBA"
"Sou graduado em administração, fiz duas pós e passei três anos fora, em Porto Alegre e no Rio de Janeiro, antes de voltar a Curitiba. Só aceitei porque a proposta representava evolução na carreira. Tenho 37 anos, gerencio o departamento de recursos humanos da Tim Sul e não me sinto nem um pouco isolado na cidade. Ao contrário, precisei me qualificar para enfrentar a concorrência de profissionais "forasteiros" Fábio Oliveira
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