Se tem uma coisa que chama a atenção de quem está pensando em crescer profissionalmente no Sudeste é a diversidade. Das 100 melhores cidades para trabalhar no país, 51 estão na região. Nas capitais São Paulo (1
o lugar), Rio de Janeiro (2
o lugar), Belo Horizonte (3
o lugar) e Vitória (13
o lugar) estão as indústrias e as prestadoras de serviço. No interior dos Estados, prevalece a agricultura. Cidades fora dos grandes centros têm ainda outros pontos fortes. Na Bacia de Campos (RJ), está o maior centro produtor de petróleo do Brasil. Nessa região, o destaque vai para Macaé (9
o lugar), que pelo segundo ano consecutivo aparece na lista como a melhor cidade entre as não-capitais. Já Duque de Caxias (44
o lugar) está ligada, além do petróleo, à metalurgia, aos setores mobiliário e têxtil. Você trabalha com siderurgia ou fertilizantes? Então, pense em Cubatão (16
o lugar), que só no ano passado gerou 1 500 empregos nessas áreas. "O Sudeste cresceu apoiado em vários clusters", diz Alcides Domingues Leite Junior, professor de economia brasileira da Faculdade Trevisan, em São Paulo. Clusters são pólos de empresas de um mesmo setor que se unem em busca de um objetivo, como a exportação em maior escala.

Campinas (14
o lugar), em São Paulo, é um bom exemplo de cluster de tecnologia, puxada pela produção da Unicamp, da PUC local, da Universidade Paulista, de incubadoras e empresas que se instalaram por ali. "A cidade se tornou referência para outras regiões e passou a atrair executivos", diz o economista Márcio Pochmann, professor do Instituto de Economia da Unicamp. "Há uma multiplicação de postos de trabalho para quem é especializado e, mais ainda, para os que tiveram experiência fora do Brasil." Resultado: Campinas aparece como a melhor cidade do interior do Estado de São Paulo para trabalhar. Isso é percebido em vários setores. O turismo de negócios, por exemplo, impulsionou a hotelaria local, que tem 2 500 quartos. "Quando vão trabalhar em Campinas, os gerentes-gerais são, na verdade, promovidos", diz Sálvio Cristófaro, diretor de recursos humanos do grupo Accor. A rede tem cinco hotéis na cidade e nas vizinhas Paulínia e Indaiatuba. Os gerentes que migram para a região ganham entre 4 500 e 8 000 reais, dependendo da quantidade de estrelas de cada prédio.
O administrador de hotelaria João Paulo Inchausti, de 41 anos, pegou carona no crescimento do setor. Ele é carioca e trabalha no grupo Accor há nove anos. Há um ano e meio foi convidado para abrir o Mercure da cidade e tem sob sua responsabilidade 196 quartos e 68 funcionários. Não hesitou em deixar a capital para trás. "Achei interessante ter experiência em uma cidade que ainda não conhecia", diz João Paulo. O currículo do executivo é invejável. Ele estudou hotelaria no Centre International de Glion, na Suíça, e passou um ano na tradicional escola de culinária Le Cordon Bleu, em Paris. A rotina de João Paulo é tão corrida quanto era em São Paulo: dificilmente consegue trabalhar menos de dez horas por dia. Mas há compensações. "Moro a dez minutos do trabalho e estou satisfeito porque estou ganhando uma nova experiência, entendendo como funciona o mercado hoteleiro no interior do país", afirma o executivo.
Macaé, no Rio de Janeiro, é outra cidade que atrai profissionais altamente qualificados e dificilmente abre mão deles. Por quê? Por causa do petróleo. A indústria petroleira é diversificada e tem espaço para muitas pessoas, desde que sejam especialistas em suas áreas, pois esse é um setor extremamente competitivo. "A cidade tem cerca de 5 000 empresas e precisa de pilotos de helicópteros e gente que faz a manutenção em equipamentos importados até executivos estrategistas", diz o professor Ruy Quintans, coordenador acadêmico dos MBAs em gestão e marketing do Ibmec do Rio de Janeiro.
Nem tudo, porém, são flores para quem mora e trabalha no Sudeste. Além da competitividade, a região tem duas das mais caras cidades do mundo. Segundo recente pesquisa da consultoria Mercer, de São Paulo, especializada em recursos humanos, são elas: São Paulo e Rio de Janeiro. Por isso, os salários têm de ser compensadores. Ponto dois: a tradição de ter boas cidades para trabalhar atrapalha quem recebe propostas fora da região e decide recusar. "Muitas vezes os profissionais se esquecem de se perguntar o que realmente gostam de fazer e trabalham apenas pensando no mercado. Isso é um erro", diz Senir Lourenço Fernandez, consultor da Watson Wyatt, de São Paulo. Pense nisso.
AS MELHORES DO SUDESTE
1) São Paulo
2) Rio de Janeiro
3) Belo Horizonte
4) Macaé
5) Vitória
6) Campinas
7) São José dos Campos
8) Cubatão
9) Campos dos Goytacazes
10) Betim
11) Barueri
12) Ribeirão Preto
13) São Carlos
14) Cabo Frio
15) Niterói
16) São Caetano do Sul
17) São Bernardo do Campo
18) Uberlândia
19) Volta Redonda
20) Piracicaba
21) Jundiaí
22) Resende
23) Americana
24) Duque de Caxias
25) Taubaté
26) Araraquara
27) Santo André
28) Santos
29) Jacareí
30) Uberaba
31) Guarulhos
32) Juiz de Fora
33) Mogi das Cruzes
34) Ipatinga
35) Bauru
36) Rio Claro
37) São José do Rio Preto
38) Sorocaba
39) Sertãozinho
40) Limeira
41) Serra
42) Diadema
43) Suzano
44) Osasco
45) Contagem
46) Marília
47) Presidente Prudente
48) Taboão da Serra
49) Petrópolis
50) Pouso Alegre
51) Nova Friburgo
TRES SETORES NO MESMO LUGAR
Uma cidade que sintetiza a principal característica do Sudeste, ou seja, a pluralidade de setores, é Betim, que fica a 36 quilômetros de Belo Horizonte (MG). Em maio deste ano, a rede Casas Bahia inaugurou na cidade um centro de distribuição de 15 milhões de reais e 400 funcionários. A refinaria Gabriel Passos, da Petrobras, abriu suas portas na cidade em 1968. A Fiat está instalada lá há 32 anos e tem 18 500 funcionários (metade é terceirizada). Com ela, estão cerca de 260 fornecedores. Para quem faz carreira na cidade, o bom é que um setor independe do outro. Assim, se uma empresa não anda lá muito bem, é possível se escorar na outra.
"EU APOSTO EM CAMPINAS" "Sou carioca, administrador de hotelaria e tenho 41 anos. Estudei na Suíça e em Paris. Trabalho no grupo Accor desde 1996. Há um ano e meio, fui convidado para abrir um hotel em Campinas. Aceitei pelo desafio de entender como funciona o mercado hoteleiro no interior do país. Minha rotina é tão corrida quanto era em São Paulo. A diferença, para melhor, é que moro a dez minutos do trabalho"
João Paulo Inchausti