Marcelo Rudini

Quando preencheu a página de perfil, obrigatória a quem se cadastra no Orkut, a consultora Fernanda Farias, de 28 anos, de Joinville (SC), não esperava conseguir novos clientes. Poucas semanas depois, já estava prestando serviços para uma empresa de Recife (PE), além de receber convites para palestras. "Achei que era mais um passatempo", diz. Formada em farmácia e aluna de um programa de MBA no Instituto Nacional de Pós-Graduação, Fernanda é diretora da F3 Farma, consultoria especializada em legislação para a área farmacêutica. Sua página no Orkut tem 241 amigos e 108 comunidades, boa parte relacionada à área farmacêutica. "É importante escolher as comunidades certas, onde as pessoas estão interessadas no que você faz", aconselha. Em uma delas, para profissionais de recursos humanos, o analista de negócios Luís Fernando Gomes, de 27 anos, anunciou que estava procurando emprego. Encontrou uma profissional de RH que o ajudou a reformular o currículo. "Depois que fiz as mudanças apontadas por ela, fui chamado para diversas entrevistas", conta.
Dentro das empresas, o Orkut também começa a ser útil. Em uma busca pelo site, é fácil encontrar comunidades com nome de companhias formadas por seus próprios funcionários. O gerente de produto da Caloi, Eduardo Romão, de 30 anos, criou uma comunidade para os admiradores da marca trocarem informações. Ele monitora as conversas diariamente. "Percebi que teria um canal aberto com os consumidores. Logo, a diretoria da empresa passou a considerar a comunidade como mais uma ferramenta de marketing", diz. Mas esse não é o único uso que as empresas vêm fazendo dessas ferramentas. Alguns entrevistadores utilizam os recursos da rede para descobrir o que os profissionais não revelaram na entrevista. "Normalmente, as pessoas têm artigos publicados, participação em fóruns ou sites como o Orkut", diz Luiz Guilherme Todeschi, sócio da Control N Global Marketing, empresa de Curitiba que desenvolveu um método de avaliação com base nas informações encontradas na rede. "Avaliamos a escrita, a conduta pessoal e a maneira como o profissional se relaciona nos grupos que participa", explica Luiz. Nem é necessário dizer que, se você está procurando uma recolocação, fazer parte de comunidades do Orkut como "Bebo até cair" não é recomendável, mesmo que por brincadeira. "Fiz uma busca com o nome de candidatos e descobri que participavam de comunidades nada ortodoxas", diz o advogado de um grande escritório do Rio de Janeiro que não quis se identificar.
DIARIOS PROFISSIONAIS
Entre os mais de 30 milhões de blogs, diários publicados na internet, também começam a aparecer páginas voltadas para negócios. A GM tem o Fastlane, atualizado diariamente pelo vice-chairman, Bob Lutz. Tom Peters, o guru-mor do mundo dos negócios, também tem um, no qual faz comentários sobre livros e artigos. E a Microsoft tem no Scobleizer um porta-voz quase oficial. Ainda não tão famoso, o blog Brainstorm9, do publicitário Carlos Merigo, de 23 anos, fez com que ele conseguisse seu emprego atual, como diretor de arte na agência Espalhe, em São Paulo. No blog, Carlos deixa um portfólio à disposição dos interessados. "Meu último emprego, no grupo McCann-Erickson, também encontrei por causa do blog, que é muito acessado por profissionais de propaganda", diz Carlos.
Embora tenham a cara de seus autores, esses blogs não são diários tradicionais. Em sua página, Carlos avisa logo: "Nada de dramas pessoais ou o que o meu cachorro comeu". Em vez disso, ele abre discussões sobre anúncios publicitários. Mais direto, o blog Empregos Bahia mantém os profissionais de tecnologia da capital baiana informados sobre o movimento de vagas e salários. "Virou termômetro do mercado", analisa Riane de Oliveira, criadora do blog. Alexandre Guimarães, de 30 anos, analista de suporte da IBM em Salvador, encontrou seu emprego por meio dele. "Todo mundo que sabe de uma vaga manda para lá", diz. As vagas disponíveis em blogs ou no Orkut, vale lembrar, são mais comuns para cargos de nível médio, como o de Alexandre. De gerência para cima, a oferta na rede ainda é restrita. Nesse caso, vale tentar sites específicos para contatos profissionais, como o Linkedin (veja quadro acima). De qualquer maneira, se você ainda não entrou no Orkut ou não faz parte da blogosfera (como se auto-intitula a comunidade formada em torno dos blogs), sugiro que faça como eu e dê uma olhada nas páginas. No mínimo, você vai mostrar que está bem informado, já que o assunto é recorrente em todo lugar onde se reúnam mais de dois usuários de internet.
GUIA BASICO PARA ENTRAR NESSA REDE...
O Orkut (www.orkut.com) é o mais popular dos sites de relacionamento, mas existem outros, como o Gazzag (www.gazzag.com) e o Friendster (www.friendster.com). Nos dois primeiros, é necessário ser convidado por um amigo para fazer parte. Mas quem não conhece alguém que está no Orkut? Vale o mesmo para o Linkedin (www.linkedin.com), que tem um formato parecido, mas é voltado para contatos de trabalho e negócios. Seus participantes, na maioria, são executivos e profissionais liberais. "É um bom espaço para divulgar seu currículo, que deve ser conciso e, de preferência, em inglês", aconselha Gerson Correia, sócio-diretor da consultoria Talent Solution. No Orkut, para fazer contatos, as comunidades são o melhor caminho. Faça uma busca com palavras ligadas à sua área de atuação e prepare-se para escolher entre centenas ou milhares de grupos.
...E DOMINAR A BLOGOSFERA
1. Escolha um dos serviços online (blogger.com, spaces.com e bloggerbrasil.com são alguns) que ajudam a criar diários eletrônicos.
2. Crie um nome para o seu. Pode ser auto-explicativo, como Pensando Marketing, ou curioso, como Gizmodo ou Scobleizer.
3. Alimente-o com posts (textos sobre o assunto escolhido) regularmente. Para que ele sirva como vitrine profissional, é importante escolher um assunto com o qual você tenha familiaridade, dentro de sua área de trabalho.
4. Divulgue ao máximo seu endereço e use-o para espalhar suas idéias e experiência profissional.
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