|
|
|
| Mister Max
- Fevereiro/2001 |
| |
É aquilo que vai fazer você descobrir a relação entre seu emprego e a explosão de uma bomba em Jerusalém Por Max Gehringer Num processo de seleção, esclareceu-me um especialista, dinâmica de grupo é "um exercício que ajuda a avaliar, entre vários candidatos, o que mais se adequa ao perfil da função". E a primeira regra é simples: qualquer deslize pode ser fatal. Por exemplo, esse "adequa" aí se pronuncia "a-dé-cua" ou "ade-cúa"? Quem escolhe a alternativa "a" é eliminado sem dó. E quem escolhe a "b" também. Porque "adequar" é um verbo defectivo, e só há 18 pessoas no Brasil que conseguem conjugá-lo. E, por azar, uma delas é sempre o mediador da dinâmica de que você vai participar. "Força", em grego, é dunamis. Daí veio também "dinamite", palavra inventada em 1867 por Alfred Nobel para batizar sua explosiva invenção. O que isso tem a ver? Tudo, porque, se essa for a primeira pergunta que o mediador fizer, e você não souber a resposta, será descartado. Mediadores não têm muito tempo, por isso precisam descartar gente como você, incapaz de entender a relação entre o cargo a que você está aspirando - de assistente contábil - e a explosão de um carro-bomba em Jerusalém. Porque essa notícia saiu no jornal de hoje, e, se você não leu o jornal de hoje, já sabe... Numa dinâmica, os candidatos são dispostos em semicírculo, e a partir daí o importante é sobreviver, e só um ou dois conseguirão. Para isso, há algumas estratégias elementares. Como eu devo me vestir? O que eu devo falar? O que eu não devo falar? Devo interromper os outros ou esperar minha
vez de falar? Quanto eu devo falar? Devo mostrar que sou o maior? Como eu deixo implícito que sou o maior? E se eu não for o escolhido?
Max Gehringer (max.comedia@abril.com.br) é consultor e palestrante
|
|
|
|