Você S/A / Desenvolva sua carreira / Edição 9122 / Especial Seja Seu Patrão - Perseverança
08/12/2009

Nem sempre a primeira tentativa de abertura de um negócio leva ao sucesso. Tem gente que quebra a cara duas, três ou até mesmo seis vezes. Mas, para quem levanta de um tombo com coragem de seguir em frente, o caminho pode ser menos duro. Em alguns casos, avaliar os próprios erros é a melhor maneira de aprender a tocar o próximo negócio. Foi exatamente isso que aconteceu com as três irmãs paulistanas Lúcia, Joyce e Maria Cristina Venâncio.
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No final dos anos 1990, elas decidiram abrir um café charmoso e bonito. Compraram as melhores marcas de produtos, fecharam com os melhores fornecedores e contrataram funcionários altamente qualificados. O que poderia dar errado? A falta de planejamento. “Quando inauguramos, percebemos que o público não era compatível com o que o café oferecia”, diz Joyce. Após dois anos, sem lucro, elas decidiram procurar um consultor do Sebrae. O diagnóstico foi que o negócio estava fadado à falência. O café fechou em seis meses. Para recuperar o prejuízo, as três irmãs foram atrás de trabalho no mercado.
Mas a vontade de abrir um negócio familiar falou mais alto novamente e um sonho de infância ajudou as três a superarem o susto da primeira tentativa. A lembrança de terem bonecas negras feitas pela avó, para que fossem parecidas com elas próprias, sempre fez com que elas pensassem em abrir uma loja nesse estilo. “As primas faziam as bonecas e eu vendia.
Precisávamos descobrir se o produto agradaria”, diz Joyce. Agradou e os próprios clientes sugeriam novos modelos. O negócio foi crescendo e, em 2000, a loja Preta Pretinha foi inaugurada no bairro da Vila Madalena, em São Paulo, com o próprio ateliê de bonecas nos fundos. Hoje, a vontade das irmãs — que não revelam a idade por uma questão de estratégia de marketing, já que boneca não tem idade e elas se vestem como tal — em chamar a atenção para assuntos como inclusão social e meio ambiente é uma realidade vista nas prateleiras da loja.
As bonecas exibem a diversidade: são loiras, morenas, orientais, negras e ruivas, além das cadeirantes, cegas, surdas e com síndrome de Down. O negócio é um exemplo de sucesso e compromisso social. As vendas cresceram cerca de 1 000% desde a inauguração da loja, com a produção de 1 500 bonecas por mês. Canadá, França e Itália são fregueses da loja, que ainda não exporta oficialmente, mas envia suas bonecas pelo correio dentro do limite permitido por lei. Os preços vão de 10 reais a 240 reais.
Seis vezes
Mas nem todo mundo acerta na segunda tentativa. No caso de Aimar de Paula, de 38 anos, chef de cozinha e consultor de restaurantes, o sucesso só bateu à porta de seu sexto negócio, uma pizzaria em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo. Com histórias que passam por descontrole financeiro, desentendimentos com sócios, problemas de contrato, carência de clientes e até despejo, o empresário foi forçado a abandonar uma escola de música, um bar e três restaurantes. Aimar diz que a falta de experiência, de visão de mercado e um pouquinho de azar foram os ingredientes de tantas tentativas que não deram certo.
Uma das grandes dificuldades encontradas por ele foi a pressão feita por seu meio social e familiar. “Ninguém acha que foi um negócio que quebrou, acham que você quebrou como homem”, diz. Persistência, autoestima e objetivo de vida para ele foram fundamentais para seguir em frente e continuar apostando num negócio que possibilitasse realizar o sonho de ser o próprio patrão. Para isso, o empresário fez mais de 60 cursos de cozinha e gestão de negócios e, entre um empreendimento e outro, voltava para o mercado de trabalho para se recuperar financeiramente até surgir uma nova ideia. Tantos cursos e passagens pelo mercado gastronômico fizeram do chef de cozinha um especialista em gestão de restaurantes.
Quando se deu conta de seus conhecimentos, decidiu se arriscar em consultorias. Como prova de sua competência e superação, abriu a pizzaria em 2002, que até hoje lota nos fins de semana. Mas como empreendedor nato, Aimar decidiu oficializar suas habilidades de consultor — que tem o auxílio de dois especialistas — e está abrindo uma empresa no ramo. Se tudo dará certo ou não, só o tempo dirá.
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