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Os melhores MBAs do Brasil 2009

O mercado de educação executiva no Brasil - e no mundo - mudou com a crise. Mas s profissionais continuam continuam dispostos a investir em cursos de MBA para impulsionar a carreira

 11/11/2009

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A crise financeira mudou a economia, mudou a remuneração dos executivos e vem mudando também o mercado de educação executiva. Nos Estados Unidos, a crise de crédito fez com que as principais universidades diminuíssem suas linhas de financiamento para alunos. No Brasil, a mudança é mais suave. Neste ano, na décima edição do Guia VOCÊ S/A - Os Melhores MBAs no Brasil, feito em parceria com a Nielsen, consultoria na área de pesquisa, foram entrevistados 7 329 alunos de escolas em 21 cidades do país das regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste.

De acordo com esses alunos, o subsídio integral das empresas para seus profissionais cursarem pós-graduação caiu de 32%, em 2007, para 13%, em 2009. Por outro lado, o número de pessoas que custeiam o próprio curso saiu de 55% para 57% dos casos, o que serve para equilibrar, em termos, o mercado que vinha crescendo cerca de 20% ao ano de 2007 a 2008 e agora experimenta uma leve retração. O motivo do investimento dos profissionais é claro: 95% deles - com média de experiência profissional de 13 anos e gerencial de 5 anos - dizem que o MBA ou a especialização valeu a pena. Para 58% dos entrevistados, a remuneração aumentou após o curso, mas só 14% tiveram promoção.

Embora 58% dos alunos tenham tido aumento na remuneração após o curso, eles deram nota 7,7 (de 0 a 10) ao retorno financeiro obtido com os estudos

As escolas sofreram com a redução no subsídio das empresas aos cursos feitos pelos funcionários, mas não chegaram ao vermelho. No Grupo Ibmec, onde 30% dos estudantes recebem alguma ajuda financeira da companhia em que trabalham, houve 10% de queda nas inscrições. Na Fundação Dom Cabral (FDC), em Minas Gerais, onde essa fatia é de 55% dos alunos, a concorrência entre candidatos por uma vaga caiu pela metade. “As vagas foram preenchidas, mas a procura pelos cursos diminuiu”, diz Eduardo Wurzmann, presidente do Grupo Ibmec Educacional. “Para 2010, a expectativa é de crescimento de 10%”, diz Adalberto Fischmann, diretor da Fundação Instituto de Administração (FIA), de São Paulo.

 


É necessário considerar, no entanto, que de 2005 a 2008 a demanda por educação executiva cresceu 25% ao ano, segundo dados do MBA Council, entidade que reúne 400 instituições de ensino no mundo, incluindo escolas como Business School São Paulo (BSP), FIA e Fundação Getulio Vargas. Por aqui, o crescimento foi impulsionado por grandes grupos que se consolidaram, como o Ibmec, que englobou escolas em diversas cidades, e o Laureate, dono da BSP


EFEITO COLATERAL
O segundo efeito da crise é curricular. “O modelo matemático, desenvolvido há 20 anos, e a gestão científi ca já não funcionam sozinhos. Hoje são valorizadas a história econômica das nações, a psicologia, a sustentabilidade e a ética”, diz Gilberto Guimarães, da consultoria de carreira BPI, de São Paulo. De acordo com Paul Danos, reitor da Tuck School of Business, uma das principais universidades dos Estados Unidos, os executivos estão se preocupando mais com o impacto humano das suas decisões fi nanceiras. “Os líderes devem ser rápidos em suas decisões, sem negligenciar o impacto social de suas opções fi nanceiras”, diz Paul.

Assim, para o pós-crise, as escolas devem investir na formação de líderes com perfil agressivo para acompanhar a retomada econômica, mas também com uma forte consciência ética e sustentável. Mas há peculiaridades que colocam o Brasil numa posição diferenciada. O fato de a maioria dos alunos começar a trabalhar nos níveis mais básicos da graduação faz com que as pessoas cheguem ao MBA com boa experiência prática. “O mercado brasileiro é maduro e já serve de exemplo a outros países, onde o mais comum é que o aluno de MBA pouco tenha atuado na sua área profissional”, diz o consultor César Souza, presidente da Empreenda, de gestão de pessoas, em São Paulo.

É por essa razão que os cursos de meio período são procurados por 80% dos executivos que querem fazer MBA (vale lembrar que os cursos no país não têm a mesma carga horária que nos Estados Unidos, onde o MBA equivale ao mestrado). “A carga horária mais leve permite que o profissional trabalhe na área e aplique o conhecimento”, diz Silene Magalhães, coordenadora da pós-graduação da FDC.

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