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Mercado naval bombando

Indústria naval vive maior onda de investimentos em três décadas e precisa de 40 000 profissionais qualificados até 2013

 08/09/2009

Crédito: Eudes Santana
Obras do estaleiro Atlântico Sul, no Porto de Suape (PE): oportunidade para engenheiros, técnicos e gestores - Crédito: Eudes Santana
Obras do estaleiro Atlântico Sul, no Porto de Suape (PE): oportunidade para engenheiros, técnicos e gestores

A carreira do engenheiro elétrico Gamaliel Suk Kim, de 29 anos, sofreu uma reviravolta em menos de um mês. Formado pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), Gamaliel passou no concurso para trabalhar no metrô da capital paulista, a Companhia do Metropolitano. 

Ele começava a construir uma carreira estável, sem grandes desafi os, até que, em julho do ano passado, foi convidado a se mudar para o Nordeste, para trabalhar em um estaleiro em construção. Antes, partiria em missão para a Coreia do Sul. Gamaliel, que é fi lho de coreanos e fl uente na língua, seria o intérprete de um grupo de gerentes que viajava para um treinamento no país do segundo maior polo naval do mundo — fator decisivo na contratação.
 
“Até então nem sabia o que era um estaleiro”, diz o engenheiro. A proposta incluía um aumento salarial de 100% e ajuda-moradia de dois anos. Gamaliel visitou a obra, conversou com os pais e, no mesmo mês, assinou contrato com o Atlântico Sul, o maior empreendimento da indústria naval hoje no Brasil, cujo investimento previsto é de 1,4 bilhão de reais. “Conheci meu novo chefe no início de agosto, no aeroporto”, diz.


Reique Abe (a), 66 anos, diretor industrial, Gamaliel Suk Kim (b), 29, engenheiro, e equipe do Atlântico Sul: crescimento do setor une gerações e expõe falta de profissionais qualificadosReique Abe (a), 66 anos, diretor industrial, Gamaliel Suk Kim (b), 29, engenheiro, e equipe do Atlântico Sul: crescimento do setor une gerações e expõe falta de profissionais qualificados 

A construção da fábrica de navios, que tem como sócios os grupos Camargo Corrêa, Queiroz Galvão, PJMR e a coreana Samsung, no porto de Suape, a 40 quilômetros de Recife, é um dos símbolos da retomada dos negócios e contratações no setor. “Ao redor do estaleiro, está se formando um gigantesco polo de investimentos e oportunidades”, diz Carlos Rebellato, sócio-diretor da consultoria Deloitte, em Recife.

No fi m dos anos 70, a produção de navios no Brasil chegou a ser a segunda maior do mundo, mas depois enfrentou um longo período de estagnação. Foi reaquecida na última década, com a expansão da indústria do petróleo e o aumento da demanda por embarcações de apoio, o que atraiu novos investidores. Em 2007, a encomenda de grandes petroleiros pela Transpetro, braço logístico da Petrobras, contribuiu para o reaquecimento.

O país hoje tem cerca de 30 estaleiros grandes e médios e, segundo estimativa do Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Off shore (Sinaval), a quinta maior carteira de encomendas do mundo.

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