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Conheça o Instagram antes da compra pelo Facebook

O paulistano Michel Krieger é um dos fundadores do Instagram, rede social de fotografia que é o novo hit na internet móvel. Ele fala à VOCÊ S/A sobre novas ideias, crescimento e oportunidades na web

 10/10/2011

Crédito: Divulgação
Mike Krieger: "No início ficamos inseguros, mas no primeiro dia tivemos 20 000 usuários"

Em um pequeno escritório no bairro de South Park, na cidade americana de São Francisco, na Califórnia, bem no centro do Vale do Silício, de onde surgem as principais inovações tecnológicas mundiais, quatro rapazes, com idade entre 25 e 30 anos, controlam o mais novo fenômeno da internet, o Instagram.

Trata-se de um aplicativo idealizado para iPhone, que se transformou numa rede social que une amantes da fotografia digital. Michel Krieger, paulistano de 25 anos, é um dos fundadores do Instagram, que conta com 9 milhões de usuários.

O Brasil é o quarto país em número de membros. Mike, como é conhecido lá fora, decidiu aos 18 anos, com anuência e patrocínio financeiro dos pais, se mudar para os Estados Unidos para cursar a faculdade de Symbolic Systems (uma união de ciência da computação e design) na conceituada Universidade Stanford, na Califórnia. Lá, conheceu Kevin Systrom, ex-Google e seu atual sócio. Em dois meses e com investimento inicial de 500 000 dólares, vindos de investidores, a ideia saiu do papel e foi ao ar pela loja da Apple.

Passada uma semana, já eram quase 100 000 usuários, marca que o microblog Twitter levou quase dois anos para alcançar. Em fevereiro deste ano, os sócios receberam o aporte de mais 7 milhões de dólares do investidor Matt Cohler, conselheiro do Facebook. Hoje estima-se que o valor da rede criada em 2010 por Kevin e Mike seja de 70 milhões de dólares. Aqui, Mike conta como tudo começou e fala dos planos para o futuro do Instagram.

De onde veio a ideia do Instagram?
Kevin me convidou para trabalhar em uma ideia de rede social que agregaria várias ferramentas. Mas o protótipo não impressionava nossos amigos. Sentamos em uma sala e combinamos: "Não sairemos daqui até termos uma grande ideia". Três horas depois, saímos com o modelo do Instagram.

Como chegaram ao que é hoje?
Ninguém tinha resolvido a questão do compartilhamento de fotos nas redes sociais ainda. Então, partimos daí. Toda sexta-feira, mandávamos o aplicativo para 40 amigos testarem. Fizemos isso todo o mês de agosto e lançamos em outubro de 2010.

Como foi o lançamento?
No início, ficamos inseguros. Mas, no dia em que lançamos, todos os blogs americanos de tecnologia já deram artigos sobre o aplicativo e ao fim do dia tínhamos 20 000 usuários.

Como ganham dinheiro?

Nós acabamos de receber um investimento de 7 milhões de dólares. Portanto, ainda temos tempo para decidir qual será nosso modelo de negócio. Um formato interessante de ganhar dinheiro seria promover produtos e marcas dentro do aplicativo.

Vocês ainda não estão ricos?
Ganho menos hoje do que nas empresas em que trabalhava (Meebo e Microsoft). O negócio está indo muito bem, mas nada está garantido ainda.

Quais são os próximos passos?
O principal é aumentar a equipe. Somos apenas quatro e nos dividimos entre o trabalho de engenharia e de suporte técnico. Acabamos de contratar um recrutador para encontrar mais engenheiros no mercado. Em 2012 queremos ter, pelo menos, mais dez pessoas trabalhando conosco.

Aí também é difícil contratar?
A localização é ótima e tem gente qualificada. O problema é que está havendo um boom de investidores. Então, muita gente talentosa que nós contrataríamos não aceita a proposta porque conseguiu um investidor e está montando a própria empresa.

Você acredita em uma nova bolha da internet?

Tem, sim, um boom em investimentos no Vale do Silício. Muitos vêm de pessoas que trabalharam em empresas que deram certo na última década, como o Google, e agora têm dinheiro disponível para investir. Sempre haverá empresas que dão certo e outras que fracassam. Acho que não estamos vivendo uma repetição da bolha do começo do século, pois os investimentos nessas startups ainda vêm de empresas de venture capital. As pessoas aprenderam com a primeira bolha. Muitas companhias, naquela época, abriram IPO com valores iniciais absurdos. Mas até agora isso não está acontecendo.

Qual é o segredo para uma nova empresa dar certo na web?
No nosso caso, escolhemos bem nosso investidor. Aprendemos que vale mais quem está alinhado à missão do Instagram do quem está oferecendo somente mais dinheiro. Porque em um momento de crise ele continua acreditando na sua ideia e não desiste do negócio. Nossa intenção é ter uma companhia que dure. Não queremos fazer do Instagram um sucesso e depois vendê-lo por um preço milionário. Queremos continuar na empresa por muito tempo.

Qual o atrativo do Instagram para quem se interessa pela empresa?

É a oportunidade de ter um impacto enorme no crescimento de uma empresa que ainda está no início, mas que já tem muitos admiradores.




    
    
    
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