Você S/A / Desenvolva sua carreira / Edição 121 / carreira - como fazer tudo melhor na sua carreira
29/08/2010

O Brasil se tornou a bola davez para os grandes bancosestrangeiros que ainda nãooperam no paÃs e pretendemestabelecer aqui suas operações. Deacordo com o Banco Central (BC), pelo menos 11 instituições financeiras internacionais aguardam autorização para operar no paÃs. Essas empresas disputarão não só espaço no mercado local, mas também os executivos que atuam no paÃs. Para elas, o cenário é promissor. O Brasil ultrapassou a casa de 1 trilhão de reais nas concessões de créditos e nas aplicações em fundos de investimentos.
A Federação Brasileira dos Bancos (Febraban)
estima que essas carteiras cresçam 23% neste ano. Esses novos nomes devem turbinar as operações de banco de investimentos, mas também há gente de olho no varejo e na aquisição de bancos de médio porte que atuam como financeiras, no crédito consignado e pequenas e médias
empresas, para fazer frente à concentração de brasileiros nessa área.
A expectativa de chegada dos estrangeiros tem movimentado a vida dos headhunters. De acordo com oito caça-talentos ouvidos pela você s/a, estão sendo procurados nesse momento ao menos seis presidentes para bancos que querem se instalar no Brasil. Junto com eles, diretores, superintendentes, gerentes, analistas e economistas. Estou em contato com cinco bancos internacionais que estão procurando presidentes no Brasil. A expansão da economia nacional tem
despertado a atenção dos investidores estrangeiros, diz Francisco Ramirez, um dos sócios da ARC Executive Talent Recruting, especializada no recrutamento de diretores e presidentes, de São Paulo. Entre os bancos que aguardam a aprovação do BC especula-se que esteja o Bank of China, que deve atuar nas áreas de crédito, ações e mercado de câmbio, e o inglês Barclays, candidato a grandes operações de atacado para empresas globais.
Quem também aguarda o aval do BC é o banco americano de investimentos Lehman Brothers, que deve destinar mais de 50 milhões de reais para o inÃcio de sua operação brasileira. Algumas das principais consultorias do paÃs, que preferem não ter seus nomes revelados, dizem que a operação do Lehman contará no inÃcio com cinco ou seis diretores estratégicos nas áreas fi nanceira, jurÃdica,
tecnológica, de corretagem, fusões e aquisições e mercado de capitais, além de mais 35 executivos, entre gerentes, analistas e assistentes.
Haveria ainda um quarto nome prestes a chegar ao Brasil, já no próximo semestre, arrisca o diretor de relações institucionais e mercado da Fundação Dom Cabral, de Minas Gerais, Alexandre Fialho. Por causa de sua função, ele acompanha a carreira e faz o aconselhamento de presidentes de bancos. Esse novo banco está contratando cerca de sete diretores para atuar em sua área de investimentos,
mas serão 100 pessoas entre média chefi a e operacionais.
BOLHA SALARIAL
O interesse dos estrangeiros por executivos de bancos valoriza ainda mais o passe desses profissionais, cujos salários já são bem polpudos. Os ganhos fixos dos diretores dessas novas instituições devem ficar em torno dos 80 000 reais por mês, além da remuneração variável, que pode
chegar a 15 salários a mais por ano. Levantamento feito pela consultoria DBM, de São Paulo, mostrou que as vagas para executivos dobraram no primeiro trimestre de 2008 em relação ao mesmo perÃodo de 2007.
O mesmo estudo aponta que um quarto das 5 276 posições abertas no perÃodo estavam em bancos, seguradoras e corretoras. Não haveria profi ssionais para atender aos bancos estrangeiros, caso eles entrassem de uma vez no paÃs, diz Cláudio Garcia, presidente da DBM. O que significa dizer que as instituições que estão por aqui verão crescer o já elevado assédio a seus estrategistas. Está se criando uma bolha salarial, diz Joaquim Patto, responsável pela área financeira da Mercer, consultoria de recursos humanos com escritórios em São Paulo. Em uma pesquisa recente feita com 58 instituições financeiras que atuam no paÃs, Joaquim constatou que a remuneração total dos executivos
de banco cresceu entre 20% e 60%, no inÃcio deste ano, em relação ao inÃcio de 2007 (perÃodo em que os executivos recebem os bônus). Neste momento trabalho com três bancos que querem entrar no Brasil para atuar em grandes operações. Minha tarefa é investigar detalhes e orientá-los sobre como agir, diz Joaquim.
LOCAIS MUDAM
Muitos bancos locais estão vendo seus executivos partirem por causa dessas oportunidades. Somente este ano, o HSBC, cuja sede no Brasil fica em Curitiba, no Paraná, teve dez de seus executivos roubados por concorrentes. Mas, como está criando novas operações, produtos e serviços (a maior parte deles direcionada a transações de banco de investimento), recrutou outros 20 profissionais. Nossos executivos são muito visados. Eles têm visão global de mercado porque o banco é mundial, diz João Rached, diretorexecutivo de recursos humanos do HSBC no Brasil.
Um dos profissionais dessa leva de recém-contratados pelo HSBC é Fernando Luz, de 40 anos, diretor de produtos estruturados de tesouraria. Fernando veio do Delta National Bank, em Nova York. Lá, era chefe da área de grandes fortunas. Fernando cuidará de uma equipe de seis funcionários dos quais contratou três pessoalmente. O que contou para essas contratações foi a experiência dos profissionais, de cinco a dez anos, em setores especÃficos de banco, ligados aos que estão sendo formados no HSBC. Essa escolha é comum no setor: por causa de sua especificidade, cada área contrata gente que tem experiência na mesma função. Na dança de cadeiras dos bancos, sai
na frente quem entende o dialeto falado no mercado financeiro.
ALEXANDRE - Dá uma olhada. - 30/08/2011 15:37:44
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