Você S/A / Desenvolva sua carreira / Edição 134 / Mercado
10/08/2009

Primeiro foram os benefícios, depois os bônus. Mas as metas para 2009 continuam ambiciosas e os temores também e, por causa deles, algumas empresas vêm fazendo cortes mais embaixo. E foi justamente essa a escolha da IBM. A multinacional norte-americana optou há pouco mais de um mês pelo corte do café gratuito aos seus 18 000 colaboradores no Brasil. A notícia caiu como uma bomba internamente. "Além do café, que agora custa 75 centavos a xícara, cortaram o subsídio à refeição e reduziram drasticamente o percentual de reajustes salariais para a média chefia", diz um exanalista de hardware da empresa, demitido junto com outros de seu departamento entre março e abril deste ano. A empresa, que diz não estar em crise, justifica o corte do café como um ato corriqueiro de ajustes de gestão e nega demissões em massa. "Todo ano avaliamos se determinadas práticas se fazem necessárias. Achamos que o café pode ser pago, assim como se paga quando vai tomá-lo na padaria", diz Osvaldo Nascimento, diretor de recursos humanos da IBM Brasil. “As pessoas ficaram chateadas, pois o café era um momento de aliviar a tensão do dia a dia, de conversar”, diz um consultor da empresa. Uma pesquisa feita pela consultoria Robert Half mostrou que a pausa para o cafezinho é um momento para relaxar (para 55% dos entrevistados), mas também de integração (41%). Na realidade, cortar o café (dentre outros mimos) é a típica situação que pode se voltar contra a empresa. “A repercussão é quase sempre negativa e pode provocar sabotagens dos funcionários”, diz Cristiane Gonçalves, gerente de gestão de recursos humanos da KPMG. A especialista lembra do caso de uma empresa do setor de serviços que, recentemente, tirou o celular de supervisores e gerentes e teve de voltar atrás. “A repercussão foi tão ruim que os gerentes se recusaram a atender os chefes fora do horário do expediente de trabalho. A companhia recuou em seguida.”
REVISÃO GERAL
Levantamento recente da Mercer, consultoria especializada em gestão, RH e soluções de investimentos, com 170 grandes empresas no Brasil detectou que 30% dos entrevistados disseram que irão modificar o atual pacote de benefícios que oferecem aos executivos, com aumento de participação financeira deles. “Nenhuma irá cortá-los 100%, mas sim aumentar a cota de participação”, diz Marcelo Ferrari, diretor de desenvolvimento de negócios da Mercer. As principais ações propõem redesenhar os programas de saúde, para otimizar custos, além de redução de despesas com automóvel. “Treinamentos também serão adiados.”
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