Você S/A / Desenvolva sua carreira / Edição 145 / Especial Carreira Global
13/08/2010
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Testes sobre carreira
Pelo menos uma vez por mês, o paulistano Luiz Claudio Guerra, de 36 anos, gerente de TI da Nokia Siemens Networks para o Mercosul, acorda às 3 da manhã, toma banho, bebe café, coloca terno e gravata, senta-se em frente ao seu computador, conecta sua webcam e, de sua casa em São Paulo, participa de uma reunião com colegas chineses que já estão há pelo menos oito horas acordados. Desde 2007, Luiz tem superiores e subordinados espalhados por Argentina, Chile, Alemanha, Estados Unidos e países da Ásia — e aprendeu a se adaptar aos horários, costumes e línguas de cada local. "Para me relacionar com todos preciso de jogo de cintura em tempo integral", diz. Situações como a descrita acima fazem parte do dia a dia de centenas de milhares de profissionais brasileiros, que, por meio das empresas em que trabalham, vão se conectando a um mercado de trabalho global. Nessas interações com chefes, colegas e clientes estrangeiros, os brasileiros conhecem culturas diferentes e modos diversos de trabalhar e fazer negócios.
Essa troca, ao mesmo tempo que enriquece a experiência profissional, traz novos desafios à carreira. "Ninguém mais pode fugir da globalização", diz o professor Sherban Leonardo Cretoiu, diretor de projetos de internacionalização na Fundação Dom Cabral, de Minas Gerais, responsável pelo Ranking das Trasnacionais Brasileiras, pesquisa que mapeia a presença de companhias brasileiras no exterior. O estudo mostra quanto essas empresas de capital nacional e seus funcionários estão inseridos no contexto mundial. No ano passado, as transnacionais verde-amarelas contrataram 45 000 pessoas tanto aqui quanto lá fora, e o número de funcionários estrangeiros atuando nelas aumentou 7,6%. A globalização da mão de obra inclui também profissionais de pequenas empresas nacionais. O estudo da Fundação Dom Cabral mostra que pequenos negócios participam dessa internacionalização ao lado de nomes como Vale e Odebrecht. Entre eles estão a gaúcha Artecola, fabricante de produtos químicos, e a carioca Spoleto, rede de restaurantes fastfood. "O porte deixou de ser um fator determinante para a expansão internacional", diz Sherban.
Ao mesmo tempo que as empresas brasileiras aumentam a presença no exterior, o mercado nacional vem abrindo suas portas para estrangeiros. A diferença em relação ao passado é ue antigamente somente altos executivos eram enviados ao Brasil. Agora, profissionais de todas as patentes chegam ao país. O que explica esse desembarque é o bom momento da economia brasuca. Há muitas multinacionais enviando ao Brasil profissionais americanos, europeus e asiáticos que antes trabalhavam na matriz ou em filiais de países considerados ricos. Outro movimento que começa a tomar forma é o de empresas instaladas aqui procurando profissionais no exterior. De janeiro a junho deste ano, um em cada cinco processos de contratação feitos pela Hays, consultoria de recrutamento para alta e média gerência, selecionou profissionais de fora do país. "Os estrangeiros e os brasileiros que estão no exterior querem vir para um país repleto de oportunidades", avalia Gustavo Costa, consultor da Hays.
Seja para se relacionar com profissionais no exterior, seja para lidar com estrangeiros trabalhando no Brasil, é bom você se preparar para aprender a lidar com a diversidade cultural e com as trocas globais. "Ter facilidade para entender o estrangeiro está se tornando uma competência essencial", afirma Carmen Migueles, antropóloga e professora da Fundação Dom Cabral. Mas como adquirir mentalidade global? A resposta é: desenvolvendo um conjunto de habilidades específicas, presentes nos profissionais que fizeram carreiras internacionais de sucesso. O professor Mansour Javidan, da escola de negócios americana Thunderbird School of Global Management, orientou uma pesquisa com 5 000 gerentes de todo o mundo para entender o que é esse conjunto de habilidades, batizado de global mindset, ou mentalidade global. O professor descobriu que pessoas curiosas, com espírito de aventura e predisposição para o aprendizado, levam vantagem no jogo internacional. Esse conjunto de fatores permite ao profissional trabalhar — e ser bem-sucedido — em ambientes com os quais não tem muita familiaridade. A boa notícia é que qualquer uma dessas habilidades pode ser fortalecida, seja com treinamento específico, seja com experiências práticas.
VONTADE DE APRENDER
A primeira das habilidades que compõem a mentalidade global é a vontade de aprender. Para entender diferentes culturas é necessário estar informado sobre os aspectos históricos, geográficos, culturais, econômicos e políticos dos países em que sua empresa opera. O paulistano Luís Alcubierre, de 42 anos, diretor de comunicação corporativa da empresa de call center Atento, que mora em Madri desde o começo deste ano, é um desses profissionais que precisam ficar ligados o tempo todo nas notícias dos 17 países que estão sob sua responsabilidade."Se você não domina a cultura local, não consegue respeito de seus pares", diz. Antes de ser expatriado para a capital espanhola, em janeiro, Luís se informou incansavelmente sobre o mercado local por meio de telefonemas a colegas nativos, pesquisa em sites de notícias e em livros de negócios. "Só com muita informação se faz um bom trabalho lá fora", explica o diretor.
A capacidade e a vontade de aprender formam o que o professor Mansour Javidan chama de capital intelectual, alicerce para o aperfeiçoamento de uma mentalidade globalizada e, de acordo com o professor, a parte mais fácil de desenvolver: "É preciso dedicação, mas há cursos e MBAs voltados para o preparo internacional". Foi o que fez a bióloga carioca Sheila Purim, de 30 anos, que mora perto de San Diego, na Califórnia, Estados Unidos, e é a responsável pela área de treinamento da Life Technologies, empresa americana de biotecnologia. Em 2008, ela se matriculou no MBA de gestão empresarial da Fundação Getulio Vargas (FGV) no Rio de Janeiro. No curso conseguiu obter mais informações técnicas sobre o funcionamento das corporações, as estratégias globais das empresas, e cultivou uma boa rede de contatos. Tudo isso lhe rendeu propostas internacionais. "O curso de MBA foi fundamental para ampliar meus conhecimentos técnicos, já que não tive experiência empresarial na faculdade de biologia", conta Sheila.
Para suprir essa necessidade de conhecimento internacional, a FGV do Rio de Janeiro criou o curso Global MBA, que, em parceria com universidades do Reino Unido, tem o objetivo de fazer com que os alunos adquiram vivência executiva internacional por meio de workshops online com estudantes de Manchester, Miami, Dubai, Singapura, Caribe, Malásia, Hong Kong e Xangai. Com isso, os alunos do Global MBA conseguem entender as particularidades profissionais e pessoais de diferentes países e se adaptar ao trabalho virtual — uma realidade comum em empresas globais. "O curso prepara para a vivência internacional e se preocupa em habilitar os profissionais que vão trabalhar com estrangeiros no Brasil", explica Stavros Xanthopoylos, coordenador do MBA.
henrique - analisar - 16/04/2012 11:50:45
henrique - analisar - 16/04/2012 11:50:10
henrique - arquivar - 16/04/2012 11:49:16
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