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No more workaholics
As organizações estão procurando líderes que apresentem bons resultados, sim, mas tenham também um lado humano
Por Luiz Wever
Hoje, aquele perfil do executivo dos anos 80 já não faz o mesmo sucesso de antes. Desde o final da década de 90, as grandes empresas que se tornaram objeto de desejo e de realização profissional do executivo moderno têm valorizado outros papéis para seus executivos. Para cargos de grande responsabilidade, onde o profissional tem que gerir e tomar decisões, as maiores empresas buscam uma postura diferente da que foi marcada pelos exemplos da figura do “workaholic” americano da década de 80.
O executivo aprendeu a cuidar de seus relacionamentos pessoais: família; amigos e comunidade; seus hobbies e cursos; seus sonhos e preocupação social têm sido valorizados pelas corporações modernas e desenvolvidas. Estas empresas perceberam que o equilíbrio pessoal influi (e muito) na tomada de decisões difíceis e principalmente na sua relação com a solidão do poder. Sem contar que quando o profissional é exposto a situações de alto stress, ele precisa de “válvulas de escape” que o ajudem a enfrentar os desafios de uma carreira competitiva.
Na verdade, esta mudança ocorre devido a uma nova postura que os próprios executivos começaram a adotar e que foi sendo percebida, avaliada e valorizada pelas empresas. Quer exemplos de como o empresário pode oxigenar suas idéias e priorizar o seu lado humano?
Cuidar de sua saúde: fazendo esportes, por exemplo;
Priorizar sua família nos finais de semana;
Ingressar em cursos humanísticos de historia, teatro, filosofia, artes e culinária;
Criar hobbies e dedica algum tempo para isto;
Ingressar em entidades de assistência social e coloca a mão na massa, ele “oxigena” suas idéias e princípios.
Com isto, ele divide experiências e frustrações, quebra paradigmas e se torna mais e mais uma pessoa do mundo. Ele efetivamente se sente vivo, contribuindo para o mundo. Exemplos de empresas que estimulam seus profissionais nesta direção não faltam:
No Pão de Açúcar, por exemplo, os funcionários têm a oportunidade de se tornar corredores, ou até mesmo maratonistas, proporcionando um melhor relacionamento entre eles e tornando-os mais relaxados devido ao esporte para viver os desafios de suas funções;
Na Nestlé, quem faz hora extra não está ganhando pontos. A empresa entende que seus funcionários devem trabalhar durante o período de normal e ter tempo livre para desempenhar outros papeis;
Na Dupont quem é solidário e pratica alguma ação social já sai na frente. A empresa desenvolve parcerias com muitas entidades do terceiro setor.
Estas são empresas que dão oportunidade para que seu executivo se humanize, se relacione e repense conceitos e caminhos. Experiências que podem ajudá-lo a perceber novas soluções para o seu dia a dia profissional.
Não podemos esquecer que o profissional, por mais bem sucedido que seja, antes de tudo precisa ter a consciência de que é um ser humano. Imagine como pode ser enriquecedor para quem está diariamente exposto a um cotidiano sofisticado e de poder, ter a humildade de começar a aprender algo em que não tem a menor experiência, mas somente um interesse. Independente de sua carreira, isto o tornará certamente uma pessoa mais interessante, facilitando também seu trânsito social.
Uma prova de que ninguém consegue subir os degraus do sucesso sozinho, é a crescente busca de altos executivos por entidades associativas como o YPO (Young Presidents Organization) onde existe um espaço estruturado para a troca de experiências, convivência e até mesmo a discussão de problemas pessoais.
Cada vez mais, os executivos vão depender de seu carisma, intuição, criatividade e capacidade de encantar outras pessoas. O mundo já não agüenta mais o chato caricato que não consegue desenvolver um tema que não seja seu próprio trabalho.
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