Não sabe o que fazer? Tudo bem, apenas insista!

30 abr
2012

Tem dias que dá vontade de jogar tudo para o alto e desistir, não é mesmo? Todos nós passamos por momentos complicados, situações desagradáveis, tensas e que alimentam uma crescente desconfiança em relação à nossa capacidade de superar desafios. Aconteceu comigo (muitas vezes), deve ter acontecido com você.

O que você faz quando o sono fica mais pesado por conta da inquietação em relação aos seus próprios meios de buscar o sucesso? Com que frequência você se questiona? Costuma hesitar? Desiste com facilidade? Como ficam os sonhos e objetivos traçados, eles estão sendo respeitados (e alcançados)?

Particularmente, gosto de recorrer a mentores e pessoas de sucesso em momentos assim. Em um papo ou através da leitura de trechos de uma biografia, procuro compreender o papel das frustrações no caminho das pessoas bem-sucedidas.

Procuro observar o posicionamento de quem admiro diante de três questões:

  1. Eventos, pessoas ou decisões são usados como justificativas (muletas) e/ou desculpas?
  2. Com que frequência eles desistem? Com que frequência eles insistem? Por quê?
  3. Os resultados depois da crise são, de alguma forma, positivos?

Por que ter mentores faz diferença? Admitir que não temos as respostas para todos os desafios que encaramos cria a atmosfera perfeita para aprendermos mais e mais rápido. Mas isso só fará sentido se pudermos compartilhar nossas angústias de forma sincera e, preferencialmente, com quem já tenha passado por situações semelhantes.

O diálogo familiar tradicional é importante, mas muitas vezes insuficiente para dar acesso a novas maneiras de encarar a decisão a ser tomada. Nestes casos, é comum a conversa esbarrar nos sentimentos, envolvendo emoções e sensações capazes de mudar o foco: preocupados com o sofrimento alheio, tendemos a sugerir decisões mais suaves (diferentes do que realmente deveríamos tomar). Falei um pouco mais sobre isso no texto “Cuidado com o que sua mãe diria”.

Mentores, por outro lado, não tem compromisso com sua felicidade cotidiana. Para eles, não interessa saber se você está bem todos os dias, mas se tem sido honesto com seus desejos e sonhos. Assim, estes se preocuparão em falar aquilo que você precisa ouvir, sempre de forma objetiva e focada na realidade do problema, doa o que doer.

Experimente! Faça contato com alguém que admira, procure ler mais sobre pessoas bem-sucedidas e insista em conhecer pessoas de sucesso de sua cidade ou região. Com frequência você ouvirá que, para que suas metas sejam alcançadas, você precisa simplesmente insistir mais, ter disciplina e buscar sempre o aprendizado.

Esses dias, por exemplo, um de meus mentores me disse que o escritor Isaac Asimov, famoso por suas fantásticas histórias de ficção envolvendo robótica e tecnologia (você deve conhecer o filme “Eu, Robô”), escreveu e publicou mais de 400 livros, digitando de seis da manhã até meio-dia, todos os dias, durante quarenta anos.

Como diria Seth Godin, “qualquer tentativa é melhor que a mais elaborada desculpa”. As frustrações, os desafios e os sustos sempre existirão. Oportunidades também. Faça o melhor que puder, mas quando não souber o que fazer, não fique simplesmente procurando uma justificativa. Diga “não sei” e busque ajuda. Aprenda e insista.

Como tem sido sua maneira de lidar com seus próprios objetivos? Compartilhe sua opinião no espaço de comentários abaixo e também no Twitter, mencionando meu usuário: @Navarro. Até mais.

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Zona de conforto, outro sinônimo para hipocrisia?

23 abr
2012

Muitos leitores sugeriram que eu permanecesse no tema “zona de conforto”, pois concordam se tratar de um dos conceitos mais perversos existentes hoje na literatura do autoconhecimento. Segundo as palavras de Marcelo A., de Juiz de Fora (MG), “a palavra conforto passa uma sensação legal, de algo gostoso, pelo qual vale a pena lutar, mas me parece que conforto demais também é sinônimo de que nada esteja acontecendo”.

Se o perigo da zona de conforto é evidente no que diz respeito ao nosso dia-a-dia profissional, o mesmo não se pode dizer do seu envolvimento com questões familiares e financeiras. Para a maioria das pessoas, definir e respeitar prioridades e criar o ambiente ideal em casa para organizar-se em torno delas é difícil porque viver em sociedade implica dar atenção às exigências sociais.

“O fato é que somos complacentes com as expectativas dos outros (que amamos ou não) à condição que elas nos convidem a desistir de nosso desejo. Adoramos nos conformar às expectativas que mais nos afastam de nossos sonhos” – Contardo Calligaris.

Como você interpretou o que acabou de ler? A prática mostra que preferimos muitas vezes desistir das coisas que tanto queremos simplesmente para evitar a possível frustração como consequência de termos tentado. Nas palavras de Calligaris, “preferimos ser o romancista potencial que foi impedido de mostrar seu talento a ser o romancista que tentou e revelou ao mundo que não tinha talento”.

Acreditamos, pois, que ao evitarmos decisões difíceis e polêmicas, seguiremos “aceitos” pelos demais. Quer um exemplo real? Tente explicar em uma roda de amigos o quanto você demorou até conseguir juntar o dinheiro da compra do carro à vista e será motivo de piada. Afinal, “pra quê fazer isso se as taxas de juros estão tão baixas?”.

Você já entendeu onde quero chegar, mas cuidado com as entrelinhas da mensagem. O perigo não está em “seguir a manada” (a sociedade) ou em viver sob o efeito confortável do “vamos levando”. Não, o problema está em negar que este seja o problema e, assim, justificar atos e hábitos altamente tóxicos ao tão almejado padrão de felicidade e qualidade de vida.

É como se a culpa pelos seus problemas e pelas decisões impensadas, erradas e idiotas que você toma fosse minha, do vizinho ou de alguém mais. Você diz possuir desejos e vontades, mas trabalha mais arduamente para boicotá-los que para realizá-los. O autoengano tem características catastróficas: propaga-se com facilidade e cria uma convincente aparência de sucesso pessoal. Por isso mesmo, é também viciante.

Quando a realidade vem à tona, problemas reais e complicados, como depressão e endividamento tomam o lugar do divertido status artificialmente cultivado até então. O sofrimento e a frustração, tão evitados quando decidimos boicotar nossos verdadeiros desejos e sonhos, dão lugar a uma dor constante e cruel, que tem como remédio a decisão mais difícil de todas: tirar a máscara da hipocrisia e viver a nossa vida.

Então comece fazendo uma crítica e detalhada devassa em seu modo de agir, pensar e viver:

  • Você tem feito coisas para impressionar os outros ou simplesmente para sorrir e se divertir?
  • Tem evitado os momentos, as decisões e as conversas difíceis com medo das consequências?
  • Você vê nos outros mais razões para se emocionar e sentir-se feliz que em tudo aquilo que conquistou e ao lado de quem você ama?
  • Seus amigos se preocupam com o que você tem, veste e dirige ou preferem saber se você está bem, feliz e realizado?

Confesso que ao escrever este texto fiquei um pouco emocionado. Sou muito grato por poder aprender tanto com vocês! Sempre que decido provocá-los a serem melhores que vocês mesmos, sei que também posso melhorar em relação ao que eu sou.

Portanto, lembre-se que nunca é tarde demais para viver a sua vida. E obrigado por permitir que eu viva a minha de maneira tão realizada e feliz. Sucesso!

Vamos repercutir o tema no Twitter e no espaço de comentários abaixo? Siga-me em @Navarro! Até mais.

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Todos têm sua “caixa de pandora”. Vá em frente, abra-a!

09 abr
2012

Uma das principais conquistas do chamado moderno sistema de ensino é a padronização de conceitos e disciplinas, bem como a sistemática usada para transmitir conhecimento. A Pedagogia e seus estudos tornaram possível ensinar e aprender usando métodos eficazes e eficientes. Surgiu o professor, uma das profissões que mais admiro e pela qual nutro profundo carinho.

Aprendemos a somar, subtrair, aprofundamos nossa noção de cidadania, entendemos conflitos históricos que delinearam o mundo como o conhecemos e lidamos com questões da ciência capazes de assustar qualquer criança ou jovem. Diante de tudo isso, o mais importante: aprendemos a aprender.

Mas, será que aprender é suficiente?
Uma pessoa ensina, muitas aprendem. Quando temos características diferentes, simplesmente somos obrigados a nos adequar, a fazer parte do conjunto vigente de regras. Sem perceber, incutimos em nosso dia-a-dia o modo mais simples de fazer a hora passar: reagimos aos estímulos externos de forma passiva, preferindo terminar a começar, resolver a propor. Onde fica a iniciativa? O gosto pelo novo? O risco?

Então entram em cena os tabus, as questões delicadas que dizem respeito à individualidade de cada cidadão. Certos aspectos de nossas vidas são propositalmente deixados em “caixas de pandora”, tratados como assuntos de dimensões menores, coisas que acreditamos que “é melhor deixar para lá”. Por quê?

“Somos treinados a nos adequar, não a nos destacar, e a maneira mais fácil de nos adequarmos é nunca iniciar. Na verdade, passamos a maior parte de nossos dias esperando permissões para começar” – Seth Godin.

Fazemos questão de não avançar?
Guardamos no autoengano a chave de nosso verdadeiro potencial, mas geralmente não sabemos disso (ou preferimos não assumir essa responsabilidade). E continuamos a agir conforme o que se espera simplesmente porque os custos de enfrentar o sistema são desconhecidos (e o desconhecido pode ser perigoso).

Viver na zona de conforto é muito mais simples que a opção de inspirar e liderar. Dá menos trabalho, mexe pouco com o status quo, assusta pouco quem amamos e não implica correr riscos. Mas, convenhamos, esperar, torcer e fazer parte não combina com fazer a diferença, não é mesmo?

É verdade que a zona de conforto assegura bem-estar social, relacionamentos estáveis e algum crescimento profissional. Concordo, mas a contrapartida é perigosa (e silenciosa). Ao abrir mão do que realmente gostamos e queremos, daquilo que essencialmente nos faz rir e sorrir, passamos a cumprir expectativas ao invés de simplesmente ignorá-las.

Logo passamos ao outro a responsabilidade de nosso próprio sucesso. Aonde essa decisão vai nos levar, já sabemos. Não admitimos, mas já sabemos. Fica o convite: enfrente seus desejos da mesma forma que enfrenta seus problemas, levando-os a sério e agindo para alcançá-los.

No final, não se trata de “fazer mais com menos”, mas simplesmente de fazer! Vamos começar? Vamos arriscar? Vamos “sair da caixa” ou “abrir a caixa de pandora”?

Curta, compartilhe, comente o texto e fale comigo também no Twitter: @Navarro. Até a próxima.

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Educação financeira precisa começar em casa

03 abr
2012

Na semana passada, tive o privilégio e o prazer de voltar a um dos locais mais importantes de minha formação: o colégio onde fiz o ensino médio e o colegial. Desta vez, fui um dos palestrantes no importante encontro de mães e pais realizado mensalmente pelas diretoras e professoras da instituição.

Qual a responsabilidade dos pais no processo de formação da criança e do jovem quando o assunto é dinheiro? A dúvida, recorrente entre pais e professores, tem uma única e óbvia resposta: a responsabilidade é total! Os pais são a fonte principal de inspiração para os filhos, em todos os aspectos. Logo, o modelo para assuntos financeiros também é o lar e o que papai e mamãe fazem com o suado dinheiro de todo mês.

É muito comum notarmos pais confortavelmente posicionados como vítimas, sempre tentando repassar a responsabilidade de educar para a escola. É fácil exigir dos outros aquilo que não somos capazes de tentar fazer. Experimente perguntar ao jovem na sua casa onde ele costuma se informar sobre dinheiro e investimentos, por exemplo.

Uma pesquisa de múltipla escolha realizada pela QuorumBrasil com adolescentes, em março de 2012, pode ser útil: a resposta vencedora foi “Com os pais/parentes em casa”, com 63% das escolhas. Em segundo lugar, veja só, está a Internet, com 51%. Os amigos representaram 17% das escolhas, mais que os professores e a escola (14%). Por último aparecem os veículos de comunicação tradicionais (TV, rádio, jornais e revistas), com apenas 8%.

Adianta dizer ao filho que é perigoso usar o cheque especial, comprar coisas demais, em muitas parcelas, quando é exatamente isso que você, pai ou mãe, faz diante de sua família? Ao contrário do que muitos pensam, mesmo quando o orçamento não é pauta, ele é observado e serve de aprendizado.

Em outras palavras, não é porque vocês não falam de dinheiro em casa – e muitas esse sigilo é uma opção, algo ao melhor estilo “melhor manter esse assunto longe das crianças” – que suas decisões econômicas terão menos influência no cotidiano de seu(s) filho(s) e no que ele se tornará quando chegar a hora de lidar com suas finanças.

Quando não há diálogo em torno do tema, o que fica é única e exclusivamente o reflexo das atitudes e passos tomados ao longo dos anos. E quando há apenas diálogo frouxo, do tipo “faça o que eu falo, mas não faça o que eu faço”, cheio de “blá-blá-blá”, as lições absorvidas serão também as tortuosas escolhas, nem mais, nem menos. Lembre-se que as palavras ensinam, mas só o exemplo arrasta.

É claro que seu filho pode ir além do que você o ensinou, inclusive com o apoio da escola, da Internet e dos amigos – e é exatamente o que costuma acontecer. Ótimo que seja assim, afinal é sempre importante aprender mais e de forma constante. Seu filho tem tudo para ser melhor que você, quanto orgulho. Mas, você precisa decidir se quer mesmo fazer parte desta jornada.

Resta saber se você será humilde o suficiente para saber (e aproveitar) que seu filho o idolatra não porque você se veste melhor que seu vizinho ou tem um carro criado por um renomado designer alemão, mas simplesmente porque você é você. Ele não tem opção, senão aprender e ser como você (ao menos durante a infância e adolescência). Você tem escolha: quer ser exemplo de quê?

Como foi a sua educação financeira em casa? Vamos discutir mais e melhor o assunto?

Siga também no Twitter: @Navarro. Até a próxima.

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Em finanças pessoais, não há certo e errado

20 mar
2012

Sempre que converso com amigos e familiares, é comum a ideia de que a educação financeira oferece um conjunto de verdades sobre a relação que mantemos com o nosso dinheiro. Muitos acreditam em “maneiras corretas” de lidar com a grana e interpretam os acontecimentos segundo essa crença. Afirmações tipo “Fulano de tal acertou ao fazer isso” ou “Comprar aquilo foi um grande erro” são comumente proferidas por ai.

A verdade, porém, é que, em se tratando de finanças pessoais, não existe uma melhor solução; existem escolhas, decisões que precisam ser tomadas de acordo com as circunstâncias, os objetivos e as possibilidades.

As circunstâncias mudam de acordo com o ambiente familiar, a situação financeira dos envolvidos e a personalidade de cada um. Os objetivos são igualmente pessoais, intimamente ligados ao perfil de cada indivíduo. As possibilidades, portanto, são diferentes e variam segundo a capacidade que possuímos de diagnosticar e atacar nossos problemas.

O problema quase sempre está na forma como lidamos com os desdobramentos de nossas escolhas (ou falta delas): a escolha mais confortável é sempre aquela ligada ao papel de vítima. Preferimos considerar a situação como resultado de uma armadilha a encará-la como consequência de um ato próprio (ou familiar).

Trazemos à tona o “e se”. E se eu tivesse feito assim? E seu tivesse feito assado? E se eu tivesse comprado em mais parcelas? Paradoxalmente, ao invocar o “e se” estamos assumindo a culpa, o que é importante e parte do processo de amadurecimento financeiro, mas, na maioria das vezes, ela não gera mudanças. Entra em cena o clássico “jeitinho brasileiro”. Ou “na próxima eu acerto”.

Olhando assim, fica realmente fácil acreditar que existem regras para lidar melhor com seu dinheiro. Regras, não. Boas práticas, sim. Gastar menos do que ganha, investir uma parte da receita líquida para o futuro, evitar compras parceladas demais, preferir o pagamento à vista etc. são ações que trarão mudanças, mas é preciso avaliá-las de acordo com o seu contexto familiar.

Em finanças pessoais, o que funciona melhor para você não representa a melhor decisão para os demais. Em outras palavras, educação financeira está muito mais ligada à tomada de decisões puramente dita que à busca pelas escolhas certas.

Pense assim: é preciso tomar uma decisão (escolher) e lidar com as consequências, mas sempre tendo em mente que deixar de decidir também é uma escolha.

Siga-me no Twitter: @Navarro. Até a próxima.

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O problema do empresário amador

06 fev
2012

Não é de hoje que ouvimos nas ruas que o Brasil é um país de gente empreendedora, não acomodada e batalhadora. Dados do Global Entrepreneurship Monitor (GEM), divulgados pelo Sebrae no ano passado, confirmam essa percepção. Você sabia que nós somos o país mais empreendedor do G20 (grupo das vinte maiores economias do mundo)?

Segundo o levantamento, o Brasil possui cerca de 22 milhões de pessoas – 17,5% de nossa população – tocando um negócio com até três anos e meio de vida. O lado positivo dessa história é que a decisão pelo negócio próprio tem acontecido mais pela busca do sonho que pela necessidade de sobreviver: para cada empresário por necessidade, dois outros empreendem por uma oportunidade.

Se a boa notícia é que temos entre nós muitos brasileiros dispostos a criar negócios e fazê-los prosperar, o que é excelente para o desenvolvimento de nossa nação, a má notícia é que a grande maioria das empresas é gerenciada de forma incipiente, amadora e longe de práticas financeiras minimamente planejadas.

Ainda de acordo com o GEM, quase 60% dos empreendedores abriram suas empresas com até R$ 10 mil. Investimentos maiores que R$ 30 mil só foram feitos por 20% dos empresários. No país com a maior taxa de juros do mundo, aqui, a maior parte do dinheiro vem do crédito oferecido por instituições financeiras: apenas 36% dos empresários brasileiros tiveram condições de abrir a empresa usando recursos próprios (nos EUA, 86% conseguem abrir o negócio com suas “próprias pernas”).

É óbvio que a situação é reflexo do atual estágio econômico do país, bem como da característica cultural de nosso povo. O que vemos são muitos empreendedores repletos de energia, boas intenções e muita força de vontade, mas completamente inexperientes no que diz respeito a leis trabalhistas, questões tributárias, práticas de gestão e controle financeiro.

O empresário amador tende a não dar a relevância merecida para temas complicados e cuida da empresa de forma reativa, movendo-se de acordo com os desafios cotidianos. Em muitos casos, as circunstâncias acabam levando o dono do negócio à sonegação, à falta de controle financeiro e ausência de controle do fluxo de caixa do negócio, alguns dos erros mais frequentes e perigosos no meio.

As receitas, despesas e provisões são comumente misturadas ao orçamento familiar do empreendedor, caracterizando outro grave deslize. O capital de giro mistura-se ao dinheiro do dia a dia e logo a situação foge do controle. Sem conseguir avaliar sua real capacidade de recebimentos e pagamentos, sua gestão de estoque fica comprometida e logo seus clientes passam a ter problemas para encontrar produtos.

O ciclo perigoso do empresário amador se complica quando a falta de profissionalização não é reconhecida como principal empecilho para a lucratividade do negócio. O reflexo do descaso é triste: apesar de muitos brasileiros terem decidido pelo negócio próprio depois de vislumbrar uma oportunidade, grande parte deles passa apenas a subsistir e viver “como dá” a partir da empresa.

Se você passa por esse dilema, não hesite em investir na sua formação de empresário:

  • Participe de cursos e palestras sobre vendas, gestão financeira, contratação de pessoal, fluxo de caixa, controle de estoque e atendimento ao cliente;
  • Não espere o rumo dos negócios demonstrar que isso é importante;
  • Não espere o despreparo tornar-se mais uma desculpa.

Seja mais inteligente e pró-ativo: corra atrás enquanto a motivação para inovar é maior que o choque da realidade. Sucesso!

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Independência financeira também através da leitura

16 jan
2012

Olá, amigo leitor, tudo bem? Começo este post pedindo desculpas pelo “sumiço” do final/início de ano. Estou em um processo de mudança de endereço que tem causado normais e esperados transtornos. Infelizmente, o tempo e a concentração necessários para escrever andam um pouco escassos. A situação já está se normalizando e aqui estou eu para nosso compromisso com o conhecimento.

A reflexão desta semana está relacionada à leitura. Sempre que converso sobre dinheiro, planejamento financeiro e investimentos, faço questão de levantar uma pergunta inocente e aparentemente ingênua: “A quantas anda o seu hábito de leitura?”. A reação usual é de espanto, afinal, qual a relação entre leitura e dinheiro?

Quando feita com dedicação, atenção e cuidado, a leitura alimenta a importante sensação de liberdade. Os instantes em que você trabalha sua concentração e capacidade de interpretação, você também estimula a absorção de conhecimento e a geração de ideias.

O prazer da leitura, portanto, traz aprendizado, cultura e conteúdo suficientes para permitir que você forme opinião sobre temas diversos, o que agrega valor ao seu relacionamento pessoal, seu processo de tomada de decisões. Como consequência, seu bem estar e sua relação familiar serão positivamente afetados.

Bem estar e família são as bases de um planejamento financeiro inteligente e motivador, pois são as referências para as escolhas econômicas feitas ao longo da vida. Qualidade de vida passar por respeitar o seu patrimônio, mas também por aprender a multiplicá-lo e gerenciá-lo.

A leitura, que é um dos caminhos para se manter bem informado, também é útil para ampliar seu ciclo de contatos (networking) e para enxergar oportunidades profissionais e de negócios. A aproximação de pessoas através da leitura gera afinidades que vão muito além dos temas comuns de interesse; experiências, visões de mundo e exemplos pessoais passam a ser frequentemente trocados em grupos assim.

Melhores contatos poderão render melhores chances na profissão. Interesses comuns poderão render convites interessantes para novos negócios. Ideias e opiniões de certos autores poderão se transformar em ideias e oportunidades na sua vida. Seria ingenuidade demais de sua parte não perceber como tais fatores são importantes para uma vida financeira mais farta.

Se me permite recomendar algo mais, equilibre melhor o tempo entre a TV, o computador e a leitura. E faça questão de ler de tudo, de romances a biografias, de livros religiosos a obras de autoajuda. Duvido que você vá se arrepender. Duvido.

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Qual o seu plano para 2012?

12 dez
2011

O Natal está chegando, as ruas já estão forradas de pessoas gastando seu 13o. salário e as promessas de Ano Novo começam a fazer parte dos almoços familiares. Nenhuma novidade, você deve concordar. Todo ano é a mesma coisa: contamos com um dinheiro extra para pagar dívidas já contraídas e entramos no embalo consumista, estourando o orçamento. E jogamos o problema para o “ano que vem”.

É assim que você pretende começar 2012? Pense bem: você quer dar asas a um projeto de transformação ou simplesmente resolver as pendências trazidas do ano anterior? Apesar de a resposta ser óbvia, as atitudes são contraditórias e os resultados, previsíveis.

Sou frequentemente confundido com o “chato que só pensa em dinheiro”, mas isso apenas mostra como somos irresponsáveis e ingênuos. Preferimos tirar sarro da pessoa organizada e que respeita o seu dinheiro, mesmo que isso custe muito sacrifício pessoal, algumas discussões familiares e árduo fardo do endividamento.

Proponho três reflexões sobre o que você pode fazer para tentar “livrar-se do sistema”:

  • Invista mais em você e sua família. Faça uma avaliação sincera de quanto você gastará com presentes para os amigos, parentes, inimigos secretos e afins. Lembre-se também dos presentes de aniversário do ano todo. Você investiu nos seus relacionamentos, mas será que investiu igualmente no seu próprio lar?
  • Dê presentes verdadeiros, não “objetos desatadores de culpa”. Essa época é famosa pelos presentes em abundância. Muitos deles comprados na tentativa de compensar ausências, discussões e arrependimentos. O momento passa, a euforia acaba e o resultado é nulo. Por que não investir em presentes realmente transformadores? Alguns não custam dinheiro, mas uma boa dose de humildade e coragem;
  • Não confunda planejamento com “deixar de viver”. Economizar no café para trocar de carro pode ser uma decisão eficiente, mas logo trará ansiedade e angústias tão perigosas quanto os dias em que você sequer ligava para o quanto gastava no café (mas sabia que gastava demais e, por isso não tinha condições de trocar o carro). Um orçamento doméstico bem feito fornecerá as reais chances de lidar com seus problemas financeiros. O café nem sempre é o principal, embora possa ser.

Como sempre acontece ao final de meus textos, você deve estar com a exata sensação de que não leu nada novo. Que dinheiro é assunto óbvio e que todo época de Ano Novo os temas se repetem, assim como a reação das pessoas. Pois é, felizmente estou aqui insistindo, agora sim sendo chato, para que você pelo menos coloque em prática aquilo que já sabe faz tempo: que o dinheiro não tolera desaforos.

Independência financeira, afinal, não é só ganhar muito dinheiro sem trabalhar. Ninguém consegue esse feito sem respeitar sua relação com as finanças e entender que elas são tão importantes quanto os relacionamentos, o trabalho e a família. O resto é hipocrisia.

Vamos começar 2012 com o pé direito? Mesmo? Diga-me o que pretende fazer e vamos continuar a conversa no Twitter. Siga-me por lá: @Navarro.

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Cuidado com o que sua mãe diria!

24 nov
2011

Nota inicial: aos amigos do blog, peço desculpas pelo sumiço. Tive alguns problemas de agenda e contratempos pessoais, mas já estou de volta para nosso compromisso semanal. Hoje, quero falar um pouco sobre risco, oportunidades e decisões capazes de transformar nossa realidade financeira.

Quanto você se preocupa em fazer? E em planejar, quere fazer? Conforme já discutimos, histórias de empreendedorismo e independência financeira costumam trazer alento e esperança, mas são frequentemente tratadas de forma romântica demais. Queremos ser como nossos ídolos, mas pouco sabemos sobre suas reais trajetórias (e quantos percalços venceram).

De certa forma, concordamos que erros, tombos, fracassos e suas consequências são tão ou mais importantes que decisões inteligentes e acertadas. No entanto, nem sempre conseguimos lidar muito bem com essas variáveis no nosso cotidiano. Paira no ar aquela sensação de que “é fácil para eles porque tiveram sorte”. Ah, a sorte…

Mamãe, o que eu faço?
Chamo essa habilidade de nos camuflarmos em algumas desculpas de “Risco Mamãe”. O nome mais comum e usado na literatura de negócios é acomodação. Você pode preferir zona de conforto. Não importa, a questão é simples: evitamos oportunidades simplesmente porque comparamos nosso estado atual de vida com a ausência de resultados tangíveis de nossas ideias. O resultado é óbvio: o presente parece melhor que o futuro.

Durante a fase de maturação de nossos planos,costumamos consultar pessoas queridas. Afinal, o que será que mamãe achará de minha ideia? Infelizmente, gente querida frequentemente tenta nos dissuadir da “loucura” de arriscar o atual emprego ou padrão de vida em detrimento da tentativa de construir o próprio negócio ou um plano de investimentos diferenciado.

O preconceito cria falsas verdades
Sempre que converso com alguns aspirantes a empresários, ouço que “é muito arriscado”, que “é importante estar preparado antes de tentar” ou que “ainda não estou pronto para começar meu negócio próprio”. Quem disse? Com que parâmetros você diz isso? Já estudou bem a cidade e o mercado para dizer isso? Ocorre que parte desse julgamento e pré-concepção veio dos diálogos tidos com gente muito chegada.

É claro que essas pessoas não jogam o balde de água fria simplesmente por prazer (ou sacanagem). Não, o objetivo delas é genuíno: evitar seu sofrimento. Nada mais. Compreensível, você deve concordar, mas esse hábito também significa ceifar oportunidades desconhecidas só porque elas são, pois é, desconhecidas.

A independência financeira e o sucesso nos negócios passam pela nossa capacidade de desafiar constantemente a zona de conforto e os dogmas familiares. Mas isso não é novidade, tenho certeza que você concorda comigo. O problema não está em como convencer as pessoas a acreditar em seu potencial, mas em como acreditar que você tem potencial e que ele não precisa ser provado; basta ser experimentado.

A execução de uma ideia requer praticidade!
Se você quer abrir um novo negócio, talvez os melhores lugares para apresentar sua ideia e buscar informações e detalhes para seu plano de negócios sejam os diretórios locais de empresas de sua cidade (CDL e Associação Comercial), o SEBRAE e demais reuniões de empresários. E não o almoço de domingo com a família.

Se você pretende aprender a investir e criar uma estratégia de retorno focada em ativos de valor (ações e cotas de fundos) e patrimônio gerador de renda passiva, o melhor é conhecer profissionais e investidores com esse perfil, além de informar-se através de cursos, livros e sites especializados. Apresentar essa intenção ao parente que só conhece a poupança e o investimento em imóveis só vai gerar reações negativas.

Prepare-se para o “eu não disse?”
Ao agir por conta própria e segundo seus princípios, informações disponíveis e conhecimento, você dará grandes saltos profissionais. Vai amadurecer, conhecer gente nova, mudar sua forma de aprender. Ótimo, mas, ao primeiro fracasso, terá que aguentar gente querida dizendo “eu bem que te avisei, não foi?” e coisas do gênero. Agradeça, aproveite o colo, mas aprenda com a mancada e siga em frente. Siga o seu caminho!

Fica o alerta! Atenção quando quiser realmente uma crítica construtiva e feedback decente sobre seu plano de conquistar o mundo: cuidado com o que sua mãe diria. O “Risco Mamãe” pode ser paralisante, afinal a opinião dela conta demais e é sempre cercada de amor e muita preocupação. Apesar de saber o quanto o fracasso e os tombos ensinam, ela só quer ver você sorrindo. Sempre.

E não diga que eu não avisei! Siga-me também no Twitter: @Navarro. Até a próxima.

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Confundindo modelos de sucesso e fórmulas de sucesso

01 nov
2011

O aspecto mais interessante e que mais me agrada na interação com jovens repletos de sonhos (assim como eu) é a possibilidade de aprender e trocar experiências. Uma das perguntas recorrentes nesta interação é direta e seca: “Como você fez para atingir o sucesso financeiro?”. Alguns preferem a abordagem mais suave: “Existe algum caminho garantido para a prosperidade? Qual?”.

A resposta padrão dos especialistas, “gaste menos do que ganha e multiplique/invista parte de suas receitas”, é honesta e cobre grande parte da jornada, mas é simplista sob o ponto de vista humano, já que não pesa os perfis, as diferentes realidades sociais e o ambiente familiar em que as decisões são tomadas.

Além dos óbvios hábitos de economizar e poupar, costumo recomendar que os jovens tenham mentores e modelos pessoais de sucesso. De preferência, que esses exemplos sejam acessíveis e permitam ampla e irrestrita troca de conhecimento, opiniões e cases reais (situações já vividas). A Internet traz essa possibilidade para a realidade de muita gente.

Modelo de sucesso não é receita de sucesso!
Ai surgem os primeiros problemas e as principais dúvidas. Quem deve ser o modelo de sucesso e por que devo escolhê-lo?

O jovem frequentemente idolatra celebridades e/ou personalidades a partir de seus resultados, e não por conta de uma identificação real com uma habilidade ou característica pessoal. A consequência é que tal ídolo transforma-se em um personagem constantemente imitado, mas cuja história não mobiliza decisões diferentes ou novos hábitos. O que se quer é a consequência, o “depois”. Nem sequer interessa o “antes” ou “durante”. É aquela história: procure saber como vive o seu ídolo e você talvez desista de ser como ele.

A escolha de um mentor difere, portanto, do simples ato de emular o outro que admiramos. Para que haja aprendizado e transformação, é importante que as histórias se misturem e que os caminhos e atividades se relacionem. Aqueles que nos inspiram devem fazê-lo de forma a agregar diferenciais ao nosso cotidiano. Diferenciais capazes de criar janelas de conhecimento e vantagens competitivas.

Então você quer ser “o cara”? Quem não quer?
O assunto chama minha atenção porque é cada vez maior o número de jovens profissionais inspirados ou por Steve Jobs ou por Warren Buffett. Legal, mas quem realmente conhece Steve Jobs e Warren Buffett? Quero dizer, quem sabe como é o ser humano Buffett ou como era o jovem empreendedor Jobs?

Queremos ser como eles ou queremos resultados tão fascinantes como os que eles atingiram? A depender da sua resposta, muito precisará ser revisto no que diz respeito aos modelos de sucesso.

Você provavelmente já leu centenas de livros que falam sobre “como fazer apresentações como Steve Jobs”, “como inovar como Steve Jobs” ou “como gerenciar como Steve Jobs”. Ou quem sabe sobre “o jeito Warren Buffett de investir”, “como analisar balanços como Warren Buffett” ou “as lições de Buffett para o investidor”. Você leu tudo isso e, pasme, só existe uma Apple e uma Berkshire Hathaway.

E muita gente insiste em querer “aplicar” tais “conceitos” em sua academia, clube ou casa noturna. Imagine só um profissional do varejo capaz de inovar tanto como Steve Jobs. Ou um pequeno investidor querendo alavancar sua carteira de ações com os ensinamentos de Warren Buffet. A teoria e as lições inspiram, são válidas, motivam, mas não são replicáveis sem que os contextos sejam devidamente explorados e compreendidos.

  • Quem foi o filho, aluno, pai, cidadão, amigo, chefe, marido Steve Jobs? Como ele viveu? Que experiências pessoais vivenciou? Fracassou? O que fez diante de suas falhas?
  • E Warren Buffett, quem ele realmente é? Como lida com as pessoas em seu dia a dia? Realmente fez tudo sozinho ou inspirou-se em um mentor? Deu sorte ou especializou-se em uma área? Arriscou? Qual foi sua estratégia para motivar-se a criar resultados realmente surpreendentes?

São tantas as pessoas interessantes à sua volta!
O que quero dizer é que devemos nos esforçar para ter contato com exemplos de sucesso mais factíveis e, principalmente, mais próximos de nossa realidade. Você já parou para pensar em quanto potencial existe na cidade ou bairro onde mora? Já procurou saber quem são os empresários de sucesso que moram perto de você? Ou quem são os profissionais de destaque de sua área? Por que não conhecê-los?

A possibilidade de trocar experiências com alguém acessível nos coloca diante do ser humano que há por trás de qualquer história de sucesso. Gente que erra, acerta, exagera, decide, faz, reclama, trabalha e adoece. Insisto nisso porque nem toda fórmula de sucesso é replicável, mas todo contato influencia o quanto aprendemos e reforça a importância do exemplo. Conhecer de perto boas histórias ensina muito mais que apenas conhecer e repetir boas histórias.

Por fim, prefira sempre as biografias.
Não pense que sou contra a leva de livros que usam uma figura mítica para passar uma mensagem (quase sempre comercial). Eu só acho que conhecer o mito de perto pode ser muito mais interessante e proveitoso. Assim, se o seu modelo de sucesso for mesmo Steve Jobs ou Warren Buffet, comece pelas biografias oficiais: “Steve Jobs por Walter Isaacson” (Cia das Letras) e “A Bola de Neve” (Sextante).

E lembre-se: se quiser realmente se inspirar em alguém, procure alguém disposto a ser seu mentor; alguém parecido com você, com interesses semelhantes e que queira passar algum tempo também aprendendo com você. É impressionante o que uma conversa de poucos minutos em um café pode fazer por um jovem inteligente e ambicioso. Evite a tentação de basear-se em fórmulas de sucesso. Prefira “quem” a “como”. Sempre.

Você já tem um mentor? Compartilhe conosco o que aprende com ele e as razões para tê-lo escolhido. E vamos conversar mais também no Twitter: @Navarro.

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