Tempo premium e tempo standard

Muita gente me pergunta como consigo fazer tantas coisas ao mesmo tempo. Imaginam que sou um monstro de produtividade.

Mas isso está bem longe da verdade pois, como qualquer ser humano, vivo procrastinando e adoro uma vadiagem. Ainda assim, sou capaz de produzir muitas coisas diferentes durante um dia de trabalho.

A dica é você saber que tipo de tempo vai dedicar a que tipo de tarefa. Existe o tempo premium e o tempo standard.

O tempo premium é aquele onde você tem o seu auge de concentração e pode focar 100% da sua atenção. Normalmente é quando você está sentado em sua cadeira no escritório, sem telefone tocando, sem gente entrando, sem SMS ou MSN piscando na sua frente.

É o momento em que deve fazer suas tarefas mais importantes, como planejar os próximos períodos, escrever aquela proposta comercial ou estudar seus concorrentes. Mas você desperdiça este tempo de qualidade passeando no Facebook, respondendo os emails dos amigos de poker e lendo notícias de futebol ou fofocas.

O tempo standard é todo o resto, exceto quando você está dormindo. Há várias distrações, ambientes inadequados, poucos recursos, múltiplas preocupações.

Mas como você já gastou o seu tempo premium com tarefas sem valor algum, este é o que sobra para as coisas realmente importantes. Assim, o desastre e a sensação de fracasso são mais do que previsíveis.

Simplesmente troque a ordem das coisas: deixe o tempo bom que você tem para resolver o que realmente importa. E se você não estiver no melhor das suas condições, não toque em assuntos delicados.

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Disclaimer: isso tudo é coisa da minha cabeça, uma observação única e pessoal. Não tem nenhuma evidência científica ou validade estatística e, por isso, não deve ser encarado como receita de sucesso ou fórmula para ser feliz. Ou seja: é autoajuda.

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Talento ocupado

Tenho alguns clientes e outros prospects que, não importa a hora do dia, o dia da semana ou a semana do mês, são impossíveis de agendar uma reunião. Independentemente do cargo ou nível hierárquico, estão sempre ocupadíssimos.

Outros, ao contrário, são sempre solícitos, disponíveis e receptivos, nem que seja para um simples café ou um bate-papo descompromissado. Pode ser no fim do mês ou na segunda-feira. Pode ser no quinto dia útil ou um almoço demorado.

Pois recentemente comecei a perceber outro traço em comum entre os dois tipos: geralmente os Disponíveis são profissionais de alta performance, enquanto que os Ocupados fazem um feijão-com-arroz muito do básico, autênticos dois de paus.

Falta de tempo, afobação, pressa, atrasos ou perda de prazos normalmente são sintomas da pessoa pouco competente que, no mínimo, não sabe organizar seu tempo. Se você ficar ao lado de uma pessoa assim perceberá, rapidamente, que ela não sofre de excesso de trabalho, mas de falta de competência.

Provavelmente vai reparar, também, que o Ocupado acha bonito parecer sobrecarregado, tem orgulho do seu estresse e, erroneamente, vê na constante reclamação sobre falta de tempo um sinal de alta competência.

Profissionais Disponíveis, por outro lado, planejam suas atividades de forma impecável e, ainda mais importante, executam seus projetos com igual precisão. São focados, determinados e assertivos. Vão direto ao ponto, tiram os problemas da frente e ainda têm tempo para outras coisas, como estudar e se aprimorar.

Aliás, possivelmente é por isso que são profissionais melhores. Porque, ao contrário do Ocupado, o Disponível tem tempo para si – tanto pessoal quanto profissionalmente.

Se você acha que está no grupo dos Ocupados, então o primeiro passo é se dar conta disso, reconhecer que tem um problema e que isso atrapalha o seu desempenho. O segundo é buscar meios de melhorar. E um bom início está bem aqui ao lado, na coluna Senhor do Seu Tempo, do Christian Barbosa. Agora trate de arrumar um tempo e passe lá para dar uma olhada!

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De que vale a Geração Y?

Não entendo este estardalhaço todo que fazem em torno da Geração Y. Dizem que são antenados com as novidades tecnológicas, criam maravilhas em seus quartos e garagens, são culturalmente proativos  e têm especial talento para questionar o status quo.

Pois os Baby Boomers também se adaptaram rapidamente à TV em cores, levaram o homem à Lua, celebraram a paz e o amor em Woodstock e chacoalharam países inteiros com suas revoluções estudantis.

Depois veio a Geração X que dominava o play e o stop do videocassete e do walkman, desenvolveu e disseminou os computadores pessoais (e a Internet), massificou os movimentos culturais e derrubou o muro de Berlim.

Certamente que esta nova geração também está fazendo por merecer seu destaque na história da humanidade, em todos os aspectos destacados no primeiro parágrafo. Mas ela é a primeira que exige aplausos antes de concluir sua obra. Se há um traço de personalidade marcante nos Ys, este é o narcisismo.

Tomemos como exemplo os maiores sucessos da Internet: o Facebook pergunta “no que você está pensando agora?”, enquanto o Twitter quer saber “o que está acontecendo [com você]?” São dois pedidos explícitos para você mostrar seu umbigo, como se todos quisessem vê-lo. Como se todos fossem curtir o fato de você ter comido outro Kit Kat, ou retuitar seu vídeo declarando seu amor pelo Restart.

Menos, pessoal, menos. Antes de se sentar na janela, você precisa entender um pouco como o ônibus funciona, para onde ele está indo e quem já estava dentro dele quando você entrou. Você deverá comprar sua passagem, porque a que o seu pai lhe deu não vai levar você a todos os lugares que quer ir. Até porque, a maioria dos lugares você não faz a menor ideia de onde fica.

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Morte por Job Description

No post mais recente do seu blog, Vineet Nayar* lista os dez principais atributos dos jovens líderes. Apesar dos elogios um pouco exagerados, Nayar aborda um tema central para qualquer geração: o job description.

Em teoria, este documento enumera suas tarefas, responsabilidades, deveres e direitos. Numa empresa organizada ele deveria estar lá antes de você. Aliás, idealmente o job description deveria ser a base para uma entrevista de emprego, pois se você não sabe o que o candidato deverá fazer, como saberá se ele está apto a fazê-lo? Mesmo assim, em duas companhias que trabalhei, fui eu que escrevi o meu próprio job description, meses depois de lá ingressar. As outras nem isso fizeram.

Job Description

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Em seu artigo, Nayar elogia a nova geração por não se limitar àquilo que seu job description determina. Segundo o CEO indiano, a nova geração tem ideias novas o tempo todo e seria um erro restringi-la às áreas de responsabilidade relacionadas no documento.

Mas não é preciso ir tão longe. A própria definição do job description já revela sua armadilha: enquanto você continuar fazendo o que determina a função de Analista, você continuará sendo um Analista. Cumpra tão-somente as tarefas de um Estagiário e você será sempre um Estagiário.

Isto acontece porque você só se lembra do seu job description quando quer se livrar de alguma tarefa que julga não ser sua responsabilidade. E o seu chefe só se lembra do seu job description quando quer lhe cobrar por alguma coisa que você não fez (porque isso está no job description dele!).

Que tal, então, mudar esta relação com seu job description? O que o seu job description se esqueceu de fazer pela sua empresa e como você pode consertar isso?

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*Vineet Nayar é o autor de Employees First, Customers Second.

Você já me segue no twitter? Veja minhas ideias em 140 caracteres: @raraujo28.

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