Escolhendo quem bem escolhe
2010
Uma das mais notáveis qualidades dos bons líderes reside em sua capacidade de cercar-se sempre de pessoas inteligentes – às vezes até mais do que eles próprios, mas isso já é outro assunto.
Para rodear-se de gente inteligente, porém, você precisa ser capaz de identificá-las corretamente. Uma das maneiras de fazer isso é entender a forma como elas tomam decisões, pois boas escolhas refletem uma série de habilidades pessoais extremamente valiosas – não só no mundo corporativo como na vida.
No excelente Think Twice: Harnessing the Power of Counterintuition, Michael Mauboussin explica que há três fatores fundamentais que determinam o resultado de uma decisão: o racional do processo decisório, a consequente execução daquilo que foi decidido e, last but not least, a sorte.
Sorte? Sim, sorte. Imagine que alguém esteja jogando BlackJack, por exemplo, e receba um Rei (que vale 10 pontos) e um Oito. Lembrando que o objetivo desse jogo é chegar o mais perto possível de 21 pontos, sem ultrapassar este número, fica fácil perceber que 40 das 52 cartas do baralho somariam mais do que isso e fariam o apostador perder seu dinheiro.
Mas se ele pedir uma carta adicional e receber um 3, chega aos perfeitos 21 e, provavelmente, ganha a parada. Sob a ótica do processo decisório em si, no entanto, a escolha é um desastre apesar do resultado positivo, na medida em que ele tinha 77% de chances de perder.
Como o trabalho na maioria das empresas é bem diferente do feltro verde de um cassino, deixemos de lado a sorte e passemos aos fatores controláveis.
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Longe de ser um trabalho trivial, a Execução requer diversas habilidades gerenciais de planejamento, iniciativa, disciplina e liderança para delegar tarefas e supervisionar o trabalho.
Um amigo meu tinha uma pequena empresa que comercializava softwares de gestão de farmácias. Certa vez foi chamado por um cliente que tinha uma pequena cadeia de meia dúzia de lojas, onde algo estava errado com seus estoques.
Após uma fria análise dos números, sua conclusão foi categórica: “Seu gerente está lhe roubando”. Surpreendente, porém, foi a réplica do empresário ludibriado: “Sim, eu sei, mas o que eu faço…?” Mesmo sabendo o que fazer, o dono das lojas não sabia como fazer. Ele parecia precisar de alguém que lhe confirmasse a óbvia necessidade: demitir o gatuno.
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Já o processo decisório em si, envolve diversas etapas, inúmeros obstáculos e várias armadilhas. Grosso modo, porém, boas decisões representam excelentes espelhos da inteligência de um indivíduo.
Nos próximos textos apresentarei algumas das principais dificuldades envolvidas nos processos decisórios e como elas interferem em nosso raciocínio, na maioria das vezes sem que sequer nos demos conta disso.
Enquanto isso, deixo um rápido teste para que você avalie sua capacidade de raciocínio numa tomada de decisão. Imagine que uma pessoa tenha uma mão de cartas num jogo de baralho.
Considere que, das três afirmações abaixo, apenas uma delas é verdadeira:
:: A mão contém um Rei, um Ás, ou ambos;
:: A mão contém uma Dama, um Ás, ou ambos; ou
:: A mão contém um Valete, um Dez, ou ambos.
Pergunta-se: a mão pode conter um Ás? A resposta você vê no próximo texto ou, se você não quiser esperar, CLIQUE AQUI e assine a mailing list da coluna e receba a solução por email (não esqueça que para completar o cadastro você precisa confirmar sua assinatura através de um email que receberá do FeedBurner – assim, verifique sua Caixa de Entrada e no filtro anti-SPAM).




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