As dimensões do problema
2012
Nas viagens de fim de ano deparei-me com duas soluções práticas e engenhosas para um aborrecimento típico, que todos enfrentamos nos aeroportos: as filas.
Para explicar melhor minha análise, comecarei pelo final, isto é, pelo desembarque no Aeroporto de Congonhas. A fila do taxi comum – muito organizada, por sinal – sempre padecia do velho desequilíbrio entre oferta e demanda. Muita gente, pouco taxi.
Espere aí! Pouco taxi? Isso está longe de ser verdade… A fila de taxis, enorme, sempre foi proporcional à fila de passageiros. O gargalo estava, então, no embarque dos passageiros, feito um a um. Como um supermercado com um caixa só.
Ora, mas se o supermercado tem vários caixas, será que a fila do taxi também não pode ter vários “caixas”? Claro que pode! E é aí que está a solução do problema: em vez de uma posição de embarque, criaram mais cinco. A fila, agora, anda seis vezes mais rápido do que antes.
Não sei se pensaram na analogia com as caixas de supermercado, mas muitas vezes encontramos a solução de um problema num outro mercado, uma outra situação.
A referência do título às dimensões do problema explica-se assim: usaram uma solução de espaço para resolver um problema de tempo.
A outra solução, bem parecida, está no embarque dos passageiros, lá na entrada do finger. Nada mais desagradável do que ficar dentro do avião esperando as pessoas acomodarem suas bagagens, nos devidos compartimentos, para que você possa dirigir-se ao seu lugar.
Especialmente se for alguém logo na primeira fileira, engarrafando todo mundo que vem atrás. Se o sujeito estivesse na última fileira, não atrapalharia ninguém, certo? Ora, então por que não deixamos os passageiros das últimas fileiras entrar primeiro…? Novamente trocando espaço por tempo, a fila de embarque agora é dividida em duas, de acordo com a numeração da poltrona*.
Nenhuma roda reiventada, nenhuma tecnologia de ponta aplicada – simplesmente criatividade.
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* Há pessoas, ainda assim, que parecem ter um especial e inexplicável gosto por filas. Afinal, o que justifica alguém ficar de pé, na porta do embarque, muito antes de começarem a chamar os passageiros? Os assentos não estão marcados previamente…?




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