Palmas para o Dois de Paus!

Se você trabalha numa grande empresa já deve ter reparado naquela pessoa que não faz absolutamente nada de diferente mas, mesmo assim, continua sendo promovida, elogiada e reconhecida. Um dois de paus de sucesso, uma vaquinha de presépio premiada.

Esta é a foto no seu crachá?

Pode até ser que você mesmo seja assim. Tudo bem, não há mal nenhum nisso. Diria até que boa parte das pessoas é assim e são elas que fazem a maioria das empresas funcionar. Mas nada além disso.

Empresas muito grandes, com processos rígidos e bem estabelecidos têm normas formais e informais para quase tudo. Em algumas situações você é premiado por seguir as regras – e não por seus resultados. Não é de se admirar, então, que as pessoas se preocupem mais em seguir as regras do que em gerar valor para a empresa.

A chave para entender esta situação atende pelo pomposo nome de status quo, que significa simplesmente estado atual. Muita gente parece estar secretamente satisfeita com o atual estado das coisas – apesar de não perder uma oportunidade para reclamar – e não vê motivos para mudá-lo.

Pior do que isso, se alguém está fazendo o que manda a cartilha da empresa e algo sai errado, a pessoa não tem culpa. Ela fez tudo direito, mas o resultado foi desastroso. Palmas para ela.

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Se você é um chefe que valoriza mais as regras do que os resultados, então provavelmente você pede mais explicações aos funcionários que tomam atitudes e decidem agir do que aos que não fazem nada.

Quem inova e dá a cara a tapa tem que se justificar, mostrar as razões por trás de suas ações. Quem fica olhando só precisa ficar olhando.

Quem acerta às vezes é mais lembrado pelos riscos que fez a empresa correr do que por seus resultados. Quem fica olhando é lembrado porque teve outro ano mais ou menos – exatamente igual ao anterior.

Como você pode fugir disso, como chefe? Uma das soluções é passar a premiar e reconhecer os funcionários por suas decisões – independentemente dos resultados obtidos. A ideia não é tão louca quanto parece, especialmente quando você começa a entender que boas decisões podem ter resultados ruins – e que a culpa disso não necessariamente é de quem tomou a decisão.

O fato é que a maioria das empresas depende de quem age e toma decisões. De quem tem disposição e coragem. Então é hora de parar de valorizar apenas os que seguem as regras. Lembre-se: status quo é um picolé.

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Escolhas, opções e tentações

Conversar com quem a gente concorda é uma delícia porque o papo flui fácil e não há atritos. Mas é conversando com quem a gente discorda que aprendemos coisas realmente relevantes.

A manhã de hoje foi assim, com uma amiga recém reaparecida e que pensa bem diferente de mim. Durante um interessante par de horas, discordamos de quase tudo; exceto que a conversa do outro é agradável.

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Um dos temas foi o corajoso dilema enfrentado por um amigo comum, no seu último período da faculdade.

Não só seu curso era muito difícil, numa das melhores universidades do Rio, mas ele também tinha/tem um altíssimo nível de exigência consigo mesmo.

Assim, quando ele quebrou a mão direita no momento decisivo, viu-se forçado a escolher entre abandonar o curso ou aprender a escrever com a mão esquerda e seguir adiante.

Sua  tenacidade, porém, o fez ir adiante, terminar o curso com louvor e ainda servir de inspiração para minha amiga.

Minha visão neste episódio difere porque, para mim, desistir jamais teria sido uma opção. Quebrar a mão seria um acidente que me obrigaria a aprender a escrever com a outra mão. Jamais, no entanto, um momento de tomar uma decisão.

Não digo isso porque eu sou um modelo de resistência e meu amigo titubeie ante suas adversidades. Talvez seja mesmo o oposto, pois ele é um cara extremamente corajoso e eu às vezes vacilo em momentos decisivos.

Algumas opções não deveriam existir

Mas em determinadas ocasiões somos nós que dificultamos as escolhas, ao considerar opções que não estavam lá, ao inserir alternativas que não existiam – ou não precisariam existir.

Claro que isso também pode ter servido como um incentivo interno extra ao meu amigo, na medida em que sua decisão – imaginária ou não – pode ter representado uma motivação a mais, uma superação adicional.

Se assim foi, tanto melhor, acho. Mas aí qualquer pequeno contratempo poderia servir-lhe como um novo momento da verdade:

- Quebrou a ponta da minha lapiseira. Entrego a prova do jeito que está?
- Perdi minha calculadora. Paro por aqui ou persisto?

Não é assim. Você não precisa transformar obstáculos em dilemas. Vencer obstáculos já é uma sensação suficientemente gostosa. Esqueça a escolha.

Quando você começa a criar opções que não existem, passa a conviver mais frequentemente com a ideia do fracasso. E isso é desnecessário.

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Se você não consegue evitar as opções inexistentes, como faz quando elas são reais e imadiatas? Como resiste às tentações?

Um dos principais aliados de quem quer resistir a uma tentação é tirá-la da mesa. Se você faz dieta não deve entupir sua dispensa de chocolate e outras guloseimas, só para testar sua força de vontade. Afinal, sua força-de-vontade é limitada!

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Especialistas ou Generalistas? Ambos!

Foi interessante ter iniciado essa discussão pouco antes de assistir a palestra de Gary Hamel na HSM Expo Management 2010. O autor de grandes sucessos da literatura corporativa, como Competindo pelo futuro, Hamel citou o caso de um CEO que deixou uma empresa de telecomunicações para tornar-se o principal executivo de uma companhia de petróleo.

Tal movimento – entre dois setores tão distintos – não teria sido possível se o executivo tivesse seu valor atrelado a conhecimentos específicos de determinado mercado. Fosse desta maneira, ele estaria restrito às empresas relacionadas à sua área de expertise.

Obviamente este caso refere-se a uma posição na empresa que, creio, não condiz com a maioria dos meus leitores. Ainda assim, oferece suficientes pistas.

Seus mais valiosos conhecimentos devem obedecer àquilo que a sua atividade exige. Como o CEO deve ocupar-se de praticamente todos os assuntos da empresa, ele deve ser capaz de passar por todos eles com a devida competência. Isto engloba Finanças, Contabilidade, Marketing, Produção, Vendas e assim por diante, bem como – ou, talvez, principalmente – a interrelação entre cada uma destas disciplinas.

Já um Diretor ou Vice-Presidente de Marketing deve ocupar-se, primordialmente, das funções relativas à cadeira que ocupa, observando as devidas peculiaridades. Ocorre que, via de regra, é um desses Diretores ou Vice-Presidentes que sucede o CEO. Frequentemente o escolhido é aquele que detém um conhecimento mais geral da corporação, ou seja, uma formação mais Generalista.

Assim, a resposta à questão sobre onde investir em seu aprimoramento deve ser precedida por duas outras perguntas: onde você está agora e até onde deseja ir?

Se ainda está numa posição inicial na empresa, você precisará subir degraus em seu próprio departamento – o que aponta para uma formação mais específica. Mas se já está chegando ao limite superior da sua área, deve procurar inteirar-se do funcionamento global da companhia – caso almeje cargos com mais responsabilidade.

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Claro que esta é uma visão bastante simplificada da realidade, que não leva em consideração o tipo de mercado em que se atua, tampouco a cultura organizacional da empresa. Cabe a você, portanto, fazer a correta leitura do que o seu setor – e, particularmente, a sua empresa – valoriza, bem como as oportunidades que haverão de se apresentar no médio e longo prazos – e, claro, se você quer brigar por elas.

Considere, no entanto, que como o mesmo Hamel alertou na palestra citada no início deste texto, vivemos uma época em que o conhecimento tem, cada vez mais, características de commodity, estando disponível a todos e em doses cada vez maiores. Diferencia-se, portanto, aquele que é capaz de saber onde encontrar aquilo que não sabe, descobrir aquilo que nunca viu ou entendeu e, especialmente, como e onde aplicar o conhecimento disponível por aí. Pois quando as respostas estão por todos os lados, o importante passa a ser fazer as perguntas corretas.

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Especialistas ou Generalistas?

Quando terminei a faculdade e comecei minha vida profissional de fato, uma dúvida sempre me intrigou: como eu daria continuidade ao meu desenvolvimento acadêmico? O que estudar? Mais especificamente, deveria me aprofundar naquilo em que acabara de me formar, ou buscar um conhecimento mais abrangente?

A filosofia de botequim de universidade ensina que você deve saber um pouco de tudo e tudo de muito pouco. Certo, mas qual é esse muito pouco sobre o qual você deve saber muito? Qual deve ser o foco da sua atenção, na hora de concentrar seus estudos?

Meu trabalho na Indústria Farmacêutica me deu uma boa pista sobre isso. Como Gerente de Produtos, você cuida de um ou mais produtos – às vezes correlacionados, às vezes não. Então você estuda um pouco sobre o produto, seus componentes, mecanismo de ação, posologia, eventos adversos, concorrentes, vantagens e desvantagens.

Um belo dia você era realocado para um novo produto, numa classe terapêutica completamente diferente, numa outra especialidade médica. Tudo o que estudara sobre o produto valeria de muito pouco neste novo desafio. E, provavelmente, isso aconteceria novamente. Esta foi a primeira pista.

Ao ler O Dilema da Inovação, aprendi com Clayton Christensen que quando sua empresa não muda o seu mercado, seus concorrentes podem fazer isso por você. A inovações podem alterar completamente os cenários, criando situações inteiramente novas. E aí, tudo o que você aprendeu sobre determinado contexto desaparece de uma hora para outra – e você não sabe mais nada. Era a segunda pista.

Você já recebeu alguma pista parecida – ou diferente? E o que pensa a respeito? Devemos investir na especialização ou numa formação mais generalista? Deixe sua opinião para me ajudar a escrever o próximo texto!

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