Tempo premium e tempo standard

Muita gente me pergunta como consigo fazer tantas coisas ao mesmo tempo. Imaginam que sou um monstro de produtividade.

Mas isso está bem longe da verdade pois, como qualquer ser humano, vivo procrastinando e adoro uma vadiagem. Ainda assim, sou capaz de produzir muitas coisas diferentes durante um dia de trabalho.

A dica é você saber que tipo de tempo vai dedicar a que tipo de tarefa. Existe o tempo premium e o tempo standard.

O tempo premium é aquele onde você tem o seu auge de concentração e pode focar 100% da sua atenção. Normalmente é quando você está sentado em sua cadeira no escritório, sem telefone tocando, sem gente entrando, sem SMS ou MSN piscando na sua frente.

É o momento em que deve fazer suas tarefas mais importantes, como planejar os próximos períodos, escrever aquela proposta comercial ou estudar seus concorrentes. Mas você desperdiça este tempo de qualidade passeando no Facebook, respondendo os emails dos amigos de poker e lendo notícias de futebol ou fofocas.

O tempo standard é todo o resto, exceto quando você está dormindo. Há várias distrações, ambientes inadequados, poucos recursos, múltiplas preocupações.

Mas como você já gastou o seu tempo premium com tarefas sem valor algum, este é o que sobra para as coisas realmente importantes. Assim, o desastre e a sensação de fracasso são mais do que previsíveis.

Simplesmente troque a ordem das coisas: deixe o tempo bom que você tem para resolver o que realmente importa. E se você não estiver no melhor das suas condições, não toque em assuntos delicados.

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Disclaimer: isso tudo é coisa da minha cabeça, uma observação única e pessoal. Não tem nenhuma evidência científica ou validade estatística e, por isso, não deve ser encarado como receita de sucesso ou fórmula para ser feliz. Ou seja: é autoajuda.

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Regras pra que te quero?

Pense rápido: qual a regra que você mais detesta no seu escritório?

Foi fácil, não foi? Todo mundo tem uma (ou mais) regras que desejaria muito ver abolidas. E não só no escritório, mas também em casa, no condomínio, no clube, no mundo.

Ao contrário do que muitos pensam, regras não são instrumentos perversos de perseguição, elaboradas com o único propósito de perturbar exclusivamente a sua vida. A maioria delas tem sua razão própria de existir – seja por questões de segurança, bem-estar comum ou algum outro benefício individual ou coletivo.

Algumas, no entanto, parecem desafiar todas as leis do bom-senso. Um exemplo muito interessante vem de Switch: How to Change Things When Change Is Hard, dos irmãos Chip e Dan Heath e envolve um cenário pródigo em regras estapafúrdias: compras corporativas.

Uma divisão do Exército americano comprava uma grande quantidade daqueles cookies com gotas de chocolate. O edital tinha nada menos do que vinte páginas. Especificações detalhavam desde a quantidade de cada ingrediente ao diâmetro exato que cada biscoito deveria ter. Determinavam precisamente o peso de cada cookie, bem como a forma como deveriam ser assados.

Obviamente que todo esse grau de precisão tem seu preço. Reduzir as variações num processo é algo trabalhoso e custa caro – bem caro, em alguns casos. Deixemos, então, tal capricho restrito às áreas onde isso realmente importa.

Afundado nas areias do Iraque, em meio à Guerra do Golfo, a última coisa com que um marine haverá de ser preocupar é se o seu cookie veio com o tamanho correto, ou se foi assado em forno apropriado. Ele quer apenas que aquela bala seja do mesmo calibre que seu fuzil. E algo com um sabor que o faça sentir certo grau de prazer e conforto, como um cookie. Aliás, o sabor do cookie não era mencionado em nenhuma das vinte páginas do edital de compra. Tanto faz que fosse gostoso ou não – desde que tivesse peso e tamanho corretos.

Assim, antes de elaborar qualquer regra – ou questionar uma -, pense se ela realmente é necessária. Ou se, por acaso, cumpri-la apenas aumentará os transtornos (e custos) da tarefa à qual ela se aplica.

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Erros acontecem – as dúvidas são quando e onde

Em menos de um mês a PepsiCo foi surpreendida por dois eventos desagradáveis com seus produtos: um bicho morto numa embalagem de salgadinhos da Elma Chips e um lote de Toddynho contaminada por detergente.

A empresa agiu rápido e, em ambos os casos, conseguiu contornar o problema sem que maiores danos à sua imagem fossem causados. A grande questão é o que a PepsiCo fará depois dos eventos, ou seja, que lições tira dos episódios?

De acordo com a entrevista de um executivo da empresa à Exame, a prognóstico não é bom.

Para que uma quantidade considerável de uma substância estranha se mistrurasse à bebida, ela fosse embalada, distribuída e vendida, uma série de equívocos precisou ocorrer simultaneamente.

Assim ocorre em desastres maiores e de grandes consequências. Num típico acidente aéreo, por exemplo, são necessários sete falhas humanas seguidas, como mostrou Malcolm Gladwell em Outliers. No desastre nuclear de Three Mile Island, cinco equipamentos falharam ao mesmo tempo.

Como demonstrou Charles Perrow em Normal Accidents, em sistemas  muito complexos algumas coisas inevitavelmente saem errado, em algum momento – assim como algumas também dão certo, meio que sem querer.

Uma característica intrínseca dos acidentes é a sua imprevisibilidade. Se você não pode prever quando eles acontecerão, também não sabe quando eles não acontecerão. A única certeza é que eles, de fato, acontecerão. Do contrário a NASA não explodiria dois ônibus espaciais.

Desta forma, prefiro creditar o excesso de otimismo da empresa à uma escolha infeliz de palavras, já que ninguém pode, de fato, garantir que mais nada de errado ocorrerá.

Certamente a empresa fará de tudo para que o problema não se repita. Os consumidores da PepsiCo confiam nisso e continuarão fiéis às suas marcas.

Mas a lição é outra: prepare-se para enfrentar seus erros, em vez de se iludir que eles não acontecerão.

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Relembre outros casos de problemas com produtos em Más notícias são urgentes.

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Fazendo marola

Muitos sonham em trabalhar numa grande empresa. Se for a líder de mercado, então, parece juntar a fome com a vontade de comer. Mas é preciso entender bem o que significa estar no topo de um mercado.

Via de regra, o que uma empresa líder busca é continuar líder. Ponto. Tudo o que ela almeja é a estabilidade, a manutenção do status quo.

FONTE: Adrenalina Ecoturismo

Numa empresa assim você aprende o real significado da expressão don’t rock the boat – ou não balance o barco, em bom Português.

Em ambientes como este, nem sempre Inovação e Criatividade serão vistas com bons olhos, uma vez que toda novidade traz embutida em si certa dose de risco. E se há algo que empresas líderes evitam no seu vocabulário é a palavra risco. Têm verdadeira aversão a ele, quase pavor.

Claro que refiro-me aqui a empresas de um modo geral, especialmente as mais tradicionais. Aquelas que já carregam a Inovação no seu DNA – como Google – são exceções, não a regra.

O mesmo se aplica a setores onde a margem de lucro é muito alta. Mesmo havendo ineficiências, se os números estiverem bem, a resistência às mudanças serão muitas. O que, até certo ponto, é perfeitamente compreensível. Afinal, tomando emprestada a velha máxima do futebol, em time que está ganhando não se mexe.

O que é preciso levar em conta, no entanto, ao considerar mudar para uma empresa com estas características é se este é o tipo de ambiente ao qual você se encaixa.

Se você busca um ritmo de trabalho estável, com poucos desafios e objetivos modestos, então seu perfil combina com empresas firmemente estabelecidas – e não há nada de errado nisto.

Mas se você é do tipo inquieto, que sempre vê maneiras de melhorar algo, frequentemente imagina outras possibilidades de atingir os objetivos, ou enxerga um pouco mais adiante, então talvez esta não seja a melhor escolha para você.

Mudanças têm duas características que causam alergias: além dos já citados riscos, elas dão trabalho – coisa que muita gente não gosta. Afinal, o time está ganhando, lembra?

Por isso, antes de trocar a briga de foice no escuro das empresas que ainda buscam o seu lugar ao sol, pela comodidade e o glamour do líder, pense bem se isso combina com o seu perfil. Se combinar, faça a troca e prepare-se para sentar com cuidado para não balançar o barco. Se não combinar, fique onde está e continue remando, de preferência fazendo muita marola!

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DICA DE TEXTO: Se você gosta de inovar, leia a resenha do novo livro de Tim Harford, Adapt – Why Success Always Starts With Failure, no qual o autor usa a Teoria da Evolução para explicar porque o fracasso faz parte do sucesso.

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