Regras pra que te quero?

Pense rápido: qual a regra que você mais detesta no seu escritório?

Foi fácil, não foi? Todo mundo tem uma (ou mais) regras que desejaria muito ver abolidas. E não só no escritório, mas também em casa, no condomínio, no clube, no mundo.

Ao contrário do que muitos pensam, regras não são instrumentos perversos de perseguição, elaboradas com o único propósito de perturbar exclusivamente a sua vida. A maioria delas tem sua razão própria de existir – seja por questões de segurança, bem-estar comum ou algum outro benefício individual ou coletivo.

Algumas, no entanto, parecem desafiar todas as leis do bom-senso. Um exemplo muito interessante vem de Switch: How to Change Things When Change Is Hard, dos irmãos Chip e Dan Heath e envolve um cenário pródigo em regras estapafúrdias: compras corporativas.

Uma divisão do Exército americano comprava uma grande quantidade daqueles cookies com gotas de chocolate. O edital tinha nada menos do que vinte páginas. Especificações detalhavam desde a quantidade de cada ingrediente ao diâmetro exato que cada biscoito deveria ter. Determinavam precisamente o peso de cada cookie, bem como a forma como deveriam ser assados.

Obviamente que todo esse grau de precisão tem seu preço. Reduzir as variações num processo é algo trabalhoso e custa caro – bem caro, em alguns casos. Deixemos, então, tal capricho restrito às áreas onde isso realmente importa.

Afundado nas areias do Iraque, em meio à Guerra do Golfo, a última coisa com que um marine haverá de ser preocupar é se o seu cookie veio com o tamanho correto, ou se foi assado em forno apropriado. Ele quer apenas que aquela bala seja do mesmo calibre que seu fuzil. E algo com um sabor que o faça sentir certo grau de prazer e conforto, como um cookie. Aliás, o sabor do cookie não era mencionado em nenhuma das vinte páginas do edital de compra. Tanto faz que fosse gostoso ou não – desde que tivesse peso e tamanho corretos.

Assim, antes de elaborar qualquer regra – ou questionar uma -, pense se ela realmente é necessária. Ou se, por acaso, cumpri-la apenas aumentará os transtornos (e custos) da tarefa à qual ela se aplica.

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Roube-me, por favor!

Todo mundo que tem seu negócio próprio sabe o quanto é difícil gerar lucro. E, exatamente por isso, sente o sangue ferver quando descobre que está sendo roubado. Em algumas situações, no entanto, a prevenção é bem mais cara do que o roubo em si e, assim, há uma difícil decisão a ser tomada.

É como uma loja que tem R$ 100,00 em mercadorias roubadas todo mês e instala um sistema antifurto que custa R$ 500,00 mensais. Do ponto de vista puramente racional, não faz nenhum sentido. Algumas convicções, no entanto, não são exatamente racionais.

Mas este exemplo é fácil, porque gritante – embora ele realmente aconteça na prática. Outros bem mais sutis acontecem frequentemente e, claro, passam despercebidos.

Lembro-me de uma empresa que passava pente fino em recibos de estacionamento, comparando desde as cores das canetas usadas até a caligrafia dos talões. Cobravam explicações e recusavam reembolsos. Qual o custo implícito desta política draconiana? Além dos salários dos pseudoperitos considere, também, o clima de desconfiança geral imposto aos funcionários.

E isto para quê? Para prevenir meia dúzia de recibos forjados que somam, digamos, R$ 50,00? Vale o transtorno?

A Teoria das Janelas Quebradas argumenta que prevenir pequenos desvios tem impacto na redução dos grandes. Mas isto é válido quando consideramos bater uma carteira e um homicídio. Aplicar o mesmo princípio na comparação entre um desvio de R$ 10,00 e uma fraude cem vezes maior parece-me exagero.

Por isso, embora ninguém goste da sensação de ser roubado, às vezes ela pode ser mais rentável do que tratar todo mundo como ladrão – sejam clientes ou funcionários.

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O cisne negro de TI

“Nunca vi um cisne que não fosse branco – logo, todos os cisnes são brancos”. Por mais estranha que pareça, esta frase estava correta até o século 16, quando descobriram a Austrália. Afinal, a terra dos cangurús é, também, o berço dos cisnes negros.

Naquela época, imaginar um cisne negro seria o mesmo que pensar, hoje, numa zebra verde ou num corvo amarelo: difícil, mas não impossível. Você até pode construir teorias sobre isso, até que alguém encontra um exemplar e sua teoria vai por terra.

Esta é a Lógica do Cisne Negro, termo cunhado por Nassim Nicholas Taleb em livro homônimo: um evento altamente improvável, mas nem por isso impossível; uma situação realmente difícil de acontecer mas, quando acontece, muda completamente o curso da história; um acontecimento imprevisível mas que, quando acontece, é fácil de explicar o porquê.

Uma das razões apontadas por Taleb para sermos surpreendidos por eventos extremos é a nossa incapacidade de lidar com o risco, simplesmente por não sabermos ler as estatísticas nas entrelinhas. Um exemplo bem simples está na Harvard Business Review de Setembro de 2011, no artigo Why Your IT Project May Be Riskier Than You Think*.

Depois de uma série de histórias tristes sobre projetos de TI mal-sucedidos, Bent Flyvbjerg e Alexander Budzier tocam o cerne da questão: há cisnes negros por todos os lados. Tipicamente, segundo pesquisa realizada pelos autores e equipe, as iniciativas de TI estouram os orçamentos em 27%, na média.

Só que média é o esconderijo preferido do cisne negro. O que a média de 27% não revela é que um em cada seis projetos estoura o orçamento em 200%. E um em cada seis projetos ultrapassa o prazo em 70%. Se esta for a sua empresa, provavelmente você vai quebrar.

Tipicamente, cisnes negros são bem mais modestos. Suas chances de ocorrer normalmente são precedidas de várias casas decimais, como o risco do seu avião explodir, de cair um raio na sua cabeça, ou de a bolha imobiliária estourar. Bem, deixemos este último de lado…

Mas no caso dos projetos de TI este número é assustadoramente alto, revela o artigo. Ou os projetos são mal desenhados, ou os riscos não são corretamente calculados – o que, no final das contas, é a mesma coisa.

O que os autores sugerem para espantar o pássaro é que, antes de iniciar o projeto, você se faça duas perguntas:

- A empresa é sólida o suficiente para suportar um estouro de 400% do budget de TI?

- A empresa se manterá se apenas 25%-50% dos benefícios esperados forem alcançados?

Se você responder “não” a uma das perguntas acima, é melhor rever seus planos. Porque você pode enxotar um cisne negro uma vez, mas não sabe onde ele se esconderá na próxima.

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* Por que seu projeto de TI pode ser mais arriscado do que você pensa.

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Fazendo marola

Muitos sonham em trabalhar numa grande empresa. Se for a líder de mercado, então, parece juntar a fome com a vontade de comer. Mas é preciso entender bem o que significa estar no topo de um mercado.

Via de regra, o que uma empresa líder busca é continuar líder. Ponto. Tudo o que ela almeja é a estabilidade, a manutenção do status quo.

FONTE: Adrenalina Ecoturismo

Numa empresa assim você aprende o real significado da expressão don’t rock the boat – ou não balance o barco, em bom Português.

Em ambientes como este, nem sempre Inovação e Criatividade serão vistas com bons olhos, uma vez que toda novidade traz embutida em si certa dose de risco. E se há algo que empresas líderes evitam no seu vocabulário é a palavra risco. Têm verdadeira aversão a ele, quase pavor.

Claro que refiro-me aqui a empresas de um modo geral, especialmente as mais tradicionais. Aquelas que já carregam a Inovação no seu DNA – como Google – são exceções, não a regra.

O mesmo se aplica a setores onde a margem de lucro é muito alta. Mesmo havendo ineficiências, se os números estiverem bem, a resistência às mudanças serão muitas. O que, até certo ponto, é perfeitamente compreensível. Afinal, tomando emprestada a velha máxima do futebol, em time que está ganhando não se mexe.

O que é preciso levar em conta, no entanto, ao considerar mudar para uma empresa com estas características é se este é o tipo de ambiente ao qual você se encaixa.

Se você busca um ritmo de trabalho estável, com poucos desafios e objetivos modestos, então seu perfil combina com empresas firmemente estabelecidas – e não há nada de errado nisto.

Mas se você é do tipo inquieto, que sempre vê maneiras de melhorar algo, frequentemente imagina outras possibilidades de atingir os objetivos, ou enxerga um pouco mais adiante, então talvez esta não seja a melhor escolha para você.

Mudanças têm duas características que causam alergias: além dos já citados riscos, elas dão trabalho – coisa que muita gente não gosta. Afinal, o time está ganhando, lembra?

Por isso, antes de trocar a briga de foice no escuro das empresas que ainda buscam o seu lugar ao sol, pela comodidade e o glamour do líder, pense bem se isso combina com o seu perfil. Se combinar, faça a troca e prepare-se para sentar com cuidado para não balançar o barco. Se não combinar, fique onde está e continue remando, de preferência fazendo muita marola!

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DICA DE TEXTO: Se você gosta de inovar, leia a resenha do novo livro de Tim Harford, Adapt – Why Success Always Starts With Failure, no qual o autor usa a Teoria da Evolução para explicar porque o fracasso faz parte do sucesso.

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