Eu posso! ou Eu posso?
2012
Através de sua newsletter Daniel Pink distribuiu, recentemente, um documento chamado FLIP Manifesto – 16 Counterintuitive Ideas About Motivation, Innovation and Leadership*. Conhecido pelos ótimos A Whole New Mind (a edição em Português, o Cérebro do Futuro, está esgotada) e Motivação 3.0, Pink vem questionando alguns padrões de comportamento que, segundo ele, estão defasados com relação à s novas dinâmicas sociais.
Logo no inÃcio do Manifesto, o autor desafia os velhos postulados do pensamento positivo, especialmente sob a forma das frases caracterÃsticas que repetimos em frente ao espelho todas as manhãs: “Eu posso tudo”, “Ninguém me segura” ou qualquer outra de sua preferência.
O hábito tem como objetivo eliminar dúvidas e reafirmar nossa condição de invencÃvel mas, para Pink, querer que as dúvidas sumam não faz com que elas, de fato, desapareçam. E, completa, um pouco de dúvida é sempre saudável.
A prova foi tirada em uma série de experimentos conduzidos por Ibrahim Senay, Dolores Albarracin e Kenji Noguchi. Na pesquisa, os voluntários eram instruÃdos a resolver uma série de desafios lógicos mas, antes da tarefa, metade deveria se questionar se realmente conseguiria realizar os exercÃcios, enquanto que a outra metade deveria reafirmar internamente suas habilidades em solucionar tais problemas.
No fim das contas, o grupo que se questionou resolveu muito mais desafios do que o outro.
Uma das explicações dos pesquisadores sugere que o questionamento, no mÃnimo, põe em dúvida se você realmente quer atingir aquele objetivo e, ao responder positivamente a este dilema, você haverá de encontrar razões que trarão ainda mais motivação.
Em contrapartida, repetir mecanicamente um desejo futuro deixa uma lacuna no quesito propósito. Para quê, exatamente, você quer atingir um determinado objetivo?
Indo mais além, a incessante repetição de uma mensagem positiva aprisiona-o naquele objetivo, impedindo que você perceba sinais conflitantes. Ou seja: você descarta qualquer evidência em contrário, especialmente as que lhe mostram que você pode estar errado.
Por fim, declarações excessivas sobre sua própria competência incluem certa arrogância. Dúvidas honestas sobre suas habilidades permitem-lhe identificar suas falhas e buscar corrigÃ-las. Afinal, se há anos você vem repetindo o mesmo mantra todas as manhãs e ainda não atingiu os objetivos contidos nele, há algo errado, não?
LEIA MAIS: veja a entrevista que fiz com Daniel Pink.
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* Se você quiser uma cópia do documento, assine a newsletter de Daniel Pink para recebê-la. Eu recomendo!

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