As dimensões do problema

07 jan
2012

Nas viagens de fim de ano deparei-me com duas soluções práticas e engenhosas para um aborrecimento típico, que todos enfrentamos nos aeroportos: as filas.

Para explicar melhor minha análise, comecarei pelo final, isto é, pelo desembarque no Aeroporto de Congonhas. A fila do taxi comum – muito organizada, por sinal – sempre padecia do velho desequilíbrio entre oferta e demanda. Muita gente, pouco taxi.

Espere aí! Pouco taxi? Isso está longe de ser verdade… A fila de taxis, enorme, sempre foi proporcional à fila de passageiros. O gargalo estava, então, no embarque dos passageiros, feito um a um. Como um supermercado com um caixa só.

Ora, mas se o supermercado tem vários caixas, será que a fila do taxi também não pode ter vários “caixas”? Claro que pode! E é aí que está a solução do problema: em vez de uma posição de embarque, criaram mais cinco. A fila, agora, anda seis vezes mais rápido do que antes.

Não sei se pensaram na analogia com as caixas de supermercado, mas muitas vezes encontramos a solução de um problema num outro mercado, uma outra situação.

A referência do título às dimensões do problema explica-se assim: usaram uma solução de espaço para resolver um problema de tempo.

A outra solução, bem parecida, está no embarque dos passageiros, lá na entrada do finger. Nada mais desagradável do que ficar dentro do avião esperando as pessoas acomodarem suas bagagens, nos devidos compartimentos, para que você possa dirigir-se ao seu lugar.

Especialmente se for alguém logo na primeira fileira, engarrafando todo mundo que vem atrás. Se o sujeito estivesse na última fileira, não atrapalharia ninguém, certo? Ora, então por que não deixamos os passageiros das últimas fileiras entrar primeiro…? Novamente trocando espaço por tempo, a fila de embarque agora é dividida em duas, de acordo com a numeração da poltrona*.

Nenhuma roda reiventada, nenhuma tecnologia de ponta aplicada – simplesmente criatividade.

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* Há pessoas, ainda assim, que parecem ter um especial e inexplicável gosto por filas. Afinal, o que justifica alguém ficar de pé, na porta do embarque, muito antes de começarem a chamar os passageiros? Os assentos não estão marcados previamente…?

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5 Respostas para “ As dimensões do problema ”

    Leonardo Zamboni diz:

    essa de dividir o embarque por poltronas, acho que é a TAM que já faz há algum tempo, a dos táxis era uma imbecilidade mesmo, fila de carros e de passageiros esperando. Que bom que a solução chegou

    Maurício Ernesto de Souza diz:

    Outra coisa que me intriga é por que diabos (por vezes ainda com o avião taxiando) as pessoas se acotovelam para sair do avião. Quando eu viajo de ônibus o pessoal se comporta melhor nessa situação. Outra coisa que me chama a atenção é que quando viajo de ônibus somente posso ter minha bagagem após checagem de controle. Ao viajar de avião não passei por nenhuma checagem de controle e pude identificar muito bem minha mala pois ela não é uma mala comum (viajo com uma cargueira). Mas confesso que fiquei intrigado ao ver tanta mala semelhante e perguntei o quão é fácil pegar a mala de outra pessoa.

    Juliane Bonfim diz:

    A solução muitas vezes está a sua disposição, basta à ousadia para querer pensar.

    Everthon diz:

    Caro Rodolfo,

    Estive refletindo sobre sua teoria da “fila de táxis” e me ocorreu o seguinte: imagine a fila dos carros esperando sua vez de entrar nas 5 filas de embarque dos passageiros. os primeiros 5 passageiros embarcariam, mas cada um na sua velocidade. uns mais rápidos, outros, nem tanto, como é natural de acontecer. Ora, só se beneficiariam os 5 primeiros passageiros porque, após isto, esperaria-se um de cada vez os próximos a embarcar e voltaríamos a ter uma fila lenta, com os passageiros embarcando de um em um. Não estou, de forma alguma, tentando minimizar sua teoria. Apenas estou acrescentando dados para que possamos chegar a uma solução.
    Vale a reflexão?
    Everthon

    Rodolfo Araújo diz:

    Claro que vale, Everthon!

    Ocorre que você descreveu uma fila serial (entrando um de cada vez) mas ela é, na verdade, paralela (todos entram ao mesmo tempo, cada um em seu carro.

    Ainda assim você tem razão em um detalhe: a velocidade de entrada dos seis passageiros será igual à velocidade do passageiro mais lento, porque só depois dele é que os carros cheios serão trocados por carros vazios.

    Um abraço, Rodolfo.

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