As ações da sua vida

Certa vez li um experimento muito interessante sobre a forma como pessoas avaliam os fracassos de uma empresa. Nele, os voluntários recebiam a descrição de uma companhia fictícia, que acabara de passar por um ano difícil em suas operações, apresentando resultados abaixo do resto do mercado.

A pesquisa recaía, então, sobre a maneira como cada uma das empresas explicava o que havia acontecido: metade dos participantes recebia a parte do relatório anual de performance justificando o fraco desempenho com fatores ambientais, isto é, recessão da economia, concorrência asiática, queda nas margens e outras criativas formas de tirar o seu da reta.

A outra metade lia outra explicação para o mau ano: problemas internos tais como a adoção de uma estratégia equivocada, uma aquisição mal feita ou o foco num segmento de mercado incompatível.

A tarefa dos participantes do estudo era ir direto ao ponto: determinar um preço para a ação da companhia. Surpreendentemente, a empresa que trazia para si as responsabilidade para seu mau desempenho tinha uma avaliação superior à que terceirizava a culpa.

A explicação dos pesquisadores para o resultado foi inequívoca: a empresa que admite suas falhas demonstra que as identificou e, ainda mais importante, tem algum controle sobre o que realmente influencia sua performance. Melhorar o desempenho passa a ser, assim, uma questão de trabalhar mais e melhor.

Já aquela que justifica as causas do fracasso com circunstâncias do ambiente revela, por sua vez, não estar no controle da situação e, por isso, resultados futuros também serão obra do acaso.

A conclusão já seria importante para entender alguns aspectos do mundo corporativo, mas seu alcance pode ser ainda maior. Ela pode ser valiosa, também, na sua vida pessoal.

Por que você continua achando que tudo de ruim que lhe acontece é culpa do mundo, da vida, das circunstâncias, do azar? E se a culpa é do mundo – porque algumas coisas realmente são! -, será que você não tem nenhum controle sobre aquilo que lhe acontece?

Confesso que acho uma bosta ter que admitir meus próprios erros. Encarar o fracasso de frente, sorrir para ele e dizer: “Oi, você é obra minha.” Depois da ressaca moral, contudo, você tem a chance de dizer adeus.

É bem diferente de olhar para o fracasso e ver um estranho, sem saber quem ele é ou de onde apareceu. É bem diferente de dizer: “Olá, estranho, tudo bem? Vamos ser amigos? Vamos nos ver mais vezes? Passa aqui outro dia qualquer…”

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As dimensões do problema

Nas viagens de fim de ano deparei-me com duas soluções práticas e engenhosas para um aborrecimento típico, que todos enfrentamos nos aeroportos: as filas.

Para explicar melhor minha análise, comecarei pelo final, isto é, pelo desembarque no Aeroporto de Congonhas. A fila do taxi comum – muito organizada, por sinal – sempre padecia do velho desequilíbrio entre oferta e demanda. Muita gente, pouco taxi.

Espere aí! Pouco taxi? Isso está longe de ser verdade… A fila de taxis, enorme, sempre foi proporcional à fila de passageiros. O gargalo estava, então, no embarque dos passageiros, feito um a um. Como um supermercado com um caixa só.

Ora, mas se o supermercado tem vários caixas, será que a fila do taxi também não pode ter vários “caixas”? Claro que pode! E é aí que está a solução do problema: em vez de uma posição de embarque, criaram mais cinco. A fila, agora, anda seis vezes mais rápido do que antes.

Não sei se pensaram na analogia com as caixas de supermercado, mas muitas vezes encontramos a solução de um problema num outro mercado, uma outra situação.

A referência do título às dimensões do problema explica-se assim: usaram uma solução de espaço para resolver um problema de tempo.

A outra solução, bem parecida, está no embarque dos passageiros, lá na entrada do finger. Nada mais desagradável do que ficar dentro do avião esperando as pessoas acomodarem suas bagagens, nos devidos compartimentos, para que você possa dirigir-se ao seu lugar.

Especialmente se for alguém logo na primeira fileira, engarrafando todo mundo que vem atrás. Se o sujeito estivesse na última fileira, não atrapalharia ninguém, certo? Ora, então por que não deixamos os passageiros das últimas fileiras entrar primeiro…? Novamente trocando espaço por tempo, a fila de embarque agora é dividida em duas, de acordo com a numeração da poltrona*.

Nenhuma roda reiventada, nenhuma tecnologia de ponta aplicada – simplesmente criatividade.

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* Há pessoas, ainda assim, que parecem ter um especial e inexplicável gosto por filas. Afinal, o que justifica alguém ficar de pé, na porta do embarque, muito antes de começarem a chamar os passageiros? Os assentos não estão marcados previamente…?

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