Viva um 2012 real

28 dez
2011

Será que em 2011 sua vida fora do Facebook foi tão intensa, emocionante e produtiva quanto foi dentro dele?

Se você achou a pergunta estranha, então vamos detalhá-la um pouco mais:

- Quantas causas você apoiou no Facebook este ano? Se você acha que foi só a do Yorkshire espancado pela enfermeira, então permita-me refrescar sua memória:

PM na USP, Belo Monte, fora Ricardo Teixeira, Neymar na Seleção, fulano no paredão do BBB31, beltrano fora do paredão do BBB29, fora Ministro 1, fora Ministro 2 etc.

Deve ter sido, pelo menos, uma por mês, mas vou fazer um desconto e imaginar que foram dez no ano, certo?

E pessoalmente, de quantos movimentos você participou?

- Quantas fotos de animais maltratados você compartilhou? E quantas de crianças ou idosos espancados?

E pessoalmente, quantos você ajudou?

2011 ficou marcado pela completa migração das boas intenções para o mundo virtual. A caridade é um clique e a bondade um “curti”.

Participar de um manifesto social mata a ânsia por justiça. Repassar uma foto ensanguentada deixa a falsa sensação de dever cumprido.

Mas a indignação digital tem vida curtíssima e efeito praticamente nulo. Só não é totalmente inútil, porque você acha que fez alguma coisa – e isso é claramente negativo, porque você não fez nada.

Ano que vem, mais crianças e idosos serão espancados e mais animais serão maltratados. Você terá um monte de fotos para repassar para seus amigos e parecer uma pessoa preocupada, engajada.

Mas se realmente quiser mudar alguma coisa, terá que se levantar e fazer alguma coisa de verdade. Porque do sofá da sua casa você não vai mudar nada.

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5 Respostas para “ Viva um 2012 real ”

    Alberto Costa diz:

    Adorei suas criticas, mas faça-me o favor de listar as suas ações antes de cobrar o proximo…Fica mais etico…

    Rodolfo Araújo diz:

    É justo, Alberto. Minhas ações no ano foram:

    - Lembrar meus leitores que ações pela Internet não têm resultado algum;
    - Mostrar como aproveitar melhor o tempo e que você não deve esperar pelas emergências para mudar seu estilo de vida;
    - Sugerir que algumas regras são necessárias;
    - Apontar os riscos ocultos num projeto e o fato de que ninguém está livre de cometer erros;
    - Dizer que você pode fazer a diferença na empresa;
    - Lembrar que para construir às vezes é preciso destuir;
    - Trazer um experimento que mostra a influência de sugestões subliminares;
    - Mostrar a diferença entre Forma e Conteúdo e como elas podem impactar nas mensagens;
    - Lembrar que a gente pode recomeçar a vida do zero, se isso trouxer mais felicidade…

    Isso tudo fiz de boa vontade, para quem quisesse ler meus textos. Faltou falar da primeira metade do ano. E dos meus outros blogs. Mas isso eu vou fazendo conforme as pessoas forem acrescentando suas próprias listas, se acharem que aqui é o lugar ideal para isso.

    Um abraço, Rodolfo.

    Márcio Amorim diz:

    Belo texto, você está de parabéns! Seu texto me fez refletir sobre algumas ações (ou falta delas).

    juli diz:

    Ao contrário do que Alberto diz, não creio que seja necessário enumerar suas boas ações para cobrar o próximo, acredito sim que “o que sua mão direita faz, nem a direita precisa ficar sabendo”. O fato de alertar as pessoas sobre o que “comodismo virtual” pode causar só faz pensar que se alguém se incomodou com isso é porque tem alguma boa razão, então por que não tentar refletir também nas consequências dessa vida tão prática que vivemos hoje? Afinal somente re-encaminhar um e-mail que mostra a foto de um estrupador de crianças procurado pela polícia pode ou não surtir efeitos, a questão em pauta é: o que eu posso fazer para que situações como esta sejam prevenidas? Será que é tão difícil abrir a janela e observar um pouco a sociedade em que estamos inseridos e o próprio meio onde vivemos? Será que conhecemos nossos vizinhos? Será que na sociedade individualista de hoje sabemos que realmente são as pessoas com quem convivemos e do que são capazes?
    Para não prolongar mais a conversa, fico por aqui, te apoiando e refletindo em seus textos.
    Abraço.
    Juliana

    juli diz:

    Ao contrário do que Alberto diz, não creio que seja necessário enumerar suas boas ações para cobrar o próximo, acredito sim que “o que sua mão direita faz, nem a esquerda precisa ficar sabendo”. O fato de alertar as pessoas sobre o que “comodismo virtual” pode causar só faz pensar que se alguém se incomodou com isso é porque tem alguma boa razão, então por que não tentar refletir também nas consequências dessa vida tão prática que vivemos hoje? Afinal somente re-encaminhar um e-mail que mostra a foto de um estrupador de crianças procurado pela polícia pode ou não surtir efeitos, a questão em pauta é: o que eu posso fazer para que situações como esta sejam prevenidas? Será que é tão difícil abrir a janela e observar um pouco a sociedade em que estamos inseridos e o próprio meio onde vivemos? Será que conhecemos nossos vizinhos? Será que na sociedade individualista de hoje sabemos quem realmente são as pessoas com quem convivemos e do que são capazes?
    Para não prolongar mais a conversa, fico por aqui, te apoiando e refletindo em seus textos.
    Abraço.
    Juliana

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