Os trajes do pirata

Diz aquela antiga anedota que havia um pirata muito valente, pilhando embarcações pelos sete mares. Uma vez um dos seus comandados perguntou-lhe:

- Capitão, sempre te vejo lutando com muita bravura, liderando os rapazes contra os navios inimigos, com muita disposição e sem ter medo de nada. Qual é o seu segredo?

- Meu jovem, é muito simples: quando vejo que terei uma batalha difícil contra um adversário determinado, peço que me tragam a minha camisa vermelha. Assim, por mais que eu sofra algum ferimento, o sangue não aparece por causa da cor da camisa. E aí ninguém fica preocupado e todos continuam lutando com afinco.

A lição é direta – ainda que não deva ser levada estritamente ao pé da letra – e realça uma das qualidades de um líder: inspirar seus liderados, mesmo nas tarefas mais difíceis e diante das maiores adversidades. Mas aí vem o desmoralizante final da piada…

Num belo dia, ao passar por umas ilhas distantes, o navio do célebre pirata cruzou com outros cinco navios inimigos, armados até os dentes.  Imediatamente o ajudante perguntou ao capitão:

- Senhor, quer que traga a sua camisa vermelha?

- Não, respondeu ele, melhor trazer a minha calça marrom.

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E aí, de que cor o seu chefe se veste?

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O jacaré, o urso e Kasparov

Ontem assisti uma entrevista do ex-campeão mundial de xadrez Gary Kasparov no Talks at Google – uma ótima iniciativa onde a inovadora empresa leva intelectuais para palestrar em suas dependências. Quando criança era fã de Kasparov por seu estilo de jogo e, anos depois, admiro-o por sua incrível velocidade de raciocínio e capacidade de enxergar a realidade por outro prisma.

Perguntado sobre a importância da psicologia no xadrez, ele lembra que em todo jogo onde há interação entre dois seres humanos carregará algum elemento psicológico. A tarefa será, então, entender onde estão as fraquezas e fortalezas de um e de outro, tentando desequilibrar em seu favor.

Seu exemplo vem das artes militares, tão bem representadas no xadrez: “Se numa batalha você estiver com a cavalaria, você procurará um vale. Se estiver contra a cavalaria, preferirá lutar nas montanhas. Você deverá criar as condições onde suas habilidades haverão de se manifestar.”

Ao que o entrevistador acrescentou: “Quem venceria uma luta entre um jacaré e um urso? Depende se a luta é no pântano ou na floresta.

Então eu lhe pergunto: Quais são suas principais habilidades? E você tem lutado mais no pântano ou na floresta?

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O ladrão pensa que todos roubam

Nessa época de final de ano é comum as empresas darem presentes a seus parceiros – leia-se: clientes, na maioria das vezes. Este hábito traz consigo, também, alguns dilemas pouco agradáveis: o que é aceitável dar de presente e a partir de que ponto tal atitude passa a configurar algo pernicioso ou até mesmo ilegal?

Algumas empresas, notadamente as multinacionais, têm regras claras quanto a essas práticas. Umas estabelecem um valor limite para o que é permitido – algo em torno de US$ 50,00 ou US$ 100,00 – enquanto que outras proíbem terminantemente tais mimos sob pena, inclusive, de demissão por justa causa.

Segundo a consultora de imagem Ilana Berenholc, se este for o caso da sua empresa você deve recusar o presente educadamente e explicar os motivos – até para que isso não aconteça novamente. Mas ela faz um alerta: “nunca dizer que infelizmente a empresa não permite, para não parecer que você estava louco pelo presente e não concorda com a política”.

Um brinde pra você, um contrato pra mim

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Ainda assim, há companhias que insistem em tentar burlar tais regras e inundam o mercado com eletro-eletrônicos de última geração, bebidas com idade para tirar carteira de motorista e outros requintes similares.

Quando isso ocorre eu sempre me pergunto se realmente este parceiro vende bons produtos ou se precisa sempre comprar seus clientes.

Como diz o ditado árabe que dá título a este post, ao pensar que todos roubam, o ladrão acha que suas (más) atitudes são normais. Como isso não é verdade na maioria das vezes, ele fica com a reputação um tanto desgastada.

Além disso, quem rouba por mim, um dia fatalmente roubará de mim. Então, se você distribui presentes caros aos seus clientes, como se sentirá ao saber que o seu Gerente de Compras ganhou uma TV de LCD do seu principal fornecedor?

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