Adiando suas obrigações

Se você se divertiu com o vídeo do experimento dos marshmallows, saiba que seus sistemas de recompensas não diferem muito dos de uma criança. Ou seja, seu cérebro também anseia pelos neurotransmissores que trazem a alegria de uma criança.

Compromissos destruídos

Mas em vez de um delicioso doce açucarado, seu gatilho pode ser atualizar sua página do Facebook, ou ver o vídeo da hora no YouTube. Jamais terminar o TCC da faculdade ou mais uma bateria de exercícios de química orgânica.

Quando você já tem a propensão a procrastinar (adiar suas obrigações), a tendência é que isso piore ainda mais. Em sua mais recente obra, The Shallows, o escritor americano Nicholas Carr explica que a Internet está aumentando nossa incapacidade de nos concentrarmos em textos mais longos.

Para ele, o excesso de estímulos de banners, links, vídeos etc. – além das mensagens instantâneas e do SMS – tira-nos o foco daquilo que deveria ser o principal objeto da nossa atenção: o conteúdo do texto propriamente dito.

Uma das justificativas é que a interatividade oferece respostas instantâneas às nossas solicitações. O resultado do que você faz ou quer da Internet está ao alcance de um clique.

Por outro lado, ninguém vira escritor assistindo vídeos do YouTube ou escrevendo mensagens de textos ou emails cheios de abreviações, como explica Matt Richards no excelente Growing Up Digital, Wired for Distraction.

Assim, para investir no seu futuro, é preciso renunciar a alguns prazeres no presente. Habituar-se a deixar alguns marshmallows para depois. Porque assim como no experimento, eles podem voltar em dobro!

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Você é capaz de adiar suas recompensas?

Talvez a maioria de nós responda “SIM” a esta pergunta – sem que isso seja verdade, necessariamente. Mas deixar para aproveitar depois alguma recompensa que você pode aproveitar agora é uma tarefa dificílima.

Mas como seria a reação de uma criança de cinco anos a uma pergunta dessas? O trato é o seguinte: você ganha um delicioso marshmallow e pode comê-lo imediatamente. Ou, se preferir, pode esperar uns minutos até a monitora voltar. Se não tiver comido o doce, vai ganhar outro de presente. E aí? Será que as crianças aguentam? Vejam abaixo o curioso vídeo do experimento:

Imagem de Amostra do You Tube

Aposto que você também deu umas risadas com o indisfarçado sofrimento dos pequenos. Pobrezinhos, não é mesmo? Mas tenho certeza de que você (assim como eu) já passou por situações semelhantes…

Mas qual a importância disso, caso não seja apenas mais uma desculpa para se divertir às custas de crianças? Pasme: estudos mostram que crianças que conseguem se controlar na hora de desfrutar suas recompensas tornam-se adultos mais bem-sucedidos.

Adiar prazeres requer uma boa dose de autocontrole – e isso é fundamental para sair-se bem em uma série de tarefas importantes do mundo adulto – além da incipiente capacidade de planejamento.

E aí, você vai guardar o seu 13o para uma eventualidade ou vai torrá-lo imediatamente? Finalmente vai para a academia hoje ou mais uma vez vai se jogar no sofá quando chegar do trabalho? Até quando vai engolir seus marshmallows sem nem ao menos mastigar…?

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Especialistas ou Generalistas? Ambos!

Foi interessante ter iniciado essa discussão pouco antes de assistir a palestra de Gary Hamel na HSM Expo Management 2010. O autor de grandes sucessos da literatura corporativa, como Competindo pelo futuro, Hamel citou o caso de um CEO que deixou uma empresa de telecomunicações para tornar-se o principal executivo de uma companhia de petróleo.

Tal movimento – entre dois setores tão distintos – não teria sido possível se o executivo tivesse seu valor atrelado a conhecimentos específicos de determinado mercado. Fosse desta maneira, ele estaria restrito às empresas relacionadas à sua área de expertise.

Obviamente este caso refere-se a uma posição na empresa que, creio, não condiz com a maioria dos meus leitores. Ainda assim, oferece suficientes pistas.

Seus mais valiosos conhecimentos devem obedecer àquilo que a sua atividade exige. Como o CEO deve ocupar-se de praticamente todos os assuntos da empresa, ele deve ser capaz de passar por todos eles com a devida competência. Isto engloba Finanças, Contabilidade, Marketing, Produção, Vendas e assim por diante, bem como – ou, talvez, principalmente – a interrelação entre cada uma destas disciplinas.

Já um Diretor ou Vice-Presidente de Marketing deve ocupar-se, primordialmente, das funções relativas à cadeira que ocupa, observando as devidas peculiaridades. Ocorre que, via de regra, é um desses Diretores ou Vice-Presidentes que sucede o CEO. Frequentemente o escolhido é aquele que detém um conhecimento mais geral da corporação, ou seja, uma formação mais Generalista.

Assim, a resposta à questão sobre onde investir em seu aprimoramento deve ser precedida por duas outras perguntas: onde você está agora e até onde deseja ir?

Se ainda está numa posição inicial na empresa, você precisará subir degraus em seu próprio departamento – o que aponta para uma formação mais específica. Mas se já está chegando ao limite superior da sua área, deve procurar inteirar-se do funcionamento global da companhia – caso almeje cargos com mais responsabilidade.

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Claro que esta é uma visão bastante simplificada da realidade, que não leva em consideração o tipo de mercado em que se atua, tampouco a cultura organizacional da empresa. Cabe a você, portanto, fazer a correta leitura do que o seu setor – e, particularmente, a sua empresa – valoriza, bem como as oportunidades que haverão de se apresentar no médio e longo prazos – e, claro, se você quer brigar por elas.

Considere, no entanto, que como o mesmo Hamel alertou na palestra citada no início deste texto, vivemos uma época em que o conhecimento tem, cada vez mais, características de commodity, estando disponível a todos e em doses cada vez maiores. Diferencia-se, portanto, aquele que é capaz de saber onde encontrar aquilo que não sabe, descobrir aquilo que nunca viu ou entendeu e, especialmente, como e onde aplicar o conhecimento disponível por aí. Pois quando as respostas estão por todos os lados, o importante passa a ser fazer as perguntas corretas.

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Especialistas ou Generalistas?

Quando terminei a faculdade e comecei minha vida profissional de fato, uma dúvida sempre me intrigou: como eu daria continuidade ao meu desenvolvimento acadêmico? O que estudar? Mais especificamente, deveria me aprofundar naquilo em que acabara de me formar, ou buscar um conhecimento mais abrangente?

A filosofia de botequim de universidade ensina que você deve saber um pouco de tudo e tudo de muito pouco. Certo, mas qual é esse muito pouco sobre o qual você deve saber muito? Qual deve ser o foco da sua atenção, na hora de concentrar seus estudos?

Meu trabalho na Indústria Farmacêutica me deu uma boa pista sobre isso. Como Gerente de Produtos, você cuida de um ou mais produtos – às vezes correlacionados, às vezes não. Então você estuda um pouco sobre o produto, seus componentes, mecanismo de ação, posologia, eventos adversos, concorrentes, vantagens e desvantagens.

Um belo dia você era realocado para um novo produto, numa classe terapêutica completamente diferente, numa outra especialidade médica. Tudo o que estudara sobre o produto valeria de muito pouco neste novo desafio. E, provavelmente, isso aconteceria novamente. Esta foi a primeira pista.

Ao ler O Dilema da Inovação, aprendi com Clayton Christensen que quando sua empresa não muda o seu mercado, seus concorrentes podem fazer isso por você. A inovações podem alterar completamente os cenários, criando situações inteiramente novas. E aí, tudo o que você aprendeu sobre determinado contexto desaparece de uma hora para outra – e você não sabe mais nada. Era a segunda pista.

Você já recebeu alguma pista parecida – ou diferente? E o que pensa a respeito? Devemos investir na especialização ou numa formação mais generalista? Deixe sua opinião para me ajudar a escrever o próximo texto!

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