O persuasivo Poder do Carisma
2009
Nos textos anteriores vimos três formas distintas de exercÃcio de Poder, através das quais um lÃder pode conseguir influenciar seus subordinados a realizar aquilo que ele deseja; seja através da sua Autoridade ou do controle sobre as Recompensas ou Punições. Essa trÃade encerra as formas de persuasão baseadas numa força hierárquica, em que o cargo ocupado determina quem manda e quem obedece.
Mas nas relações interpessoais – seja em ambientes corporativos ou não – outras forças concorrem para que as pessoas façam valer seus desejos e aspirações, independente do cargo que ocupem. Alguns impõem-se por sua Competência, demonstrando tamanha habilidade ou conhecimento técnicos que, para aqueles ao seu redor, fica evidente o que deve ser feito.
Outros contam, de forma distinta, com uma especial caracterÃstica que confere-lhes uma inescapável ascendência sobre seus comandados: o carisma.
O termo deriva do grego kharisma, que significa dom, ou favorecido por Deus/divindade. Trata-se de um traço de personalidade marcado por um charme e magnetismo pessoais, aliados a uma grande habilidade de comunicação pessoal e persuasão.
Os lÃderes carismáticos são capazes de atrair a atenção e admiração daqueles à sua volta, inspirando seus liderados e levando-lhes a agir conforme suas palavras. Eles destacam-se em áreas tão distintas como as Ciências (Einstein, Stephen Hawkins), a PolÃtica (Gandhi, John F. Kennedy, Che Guevara, Lula), os Esportes (Pelé, Senna, Maradona), as Artes (Charles Chaplin, Picasso, Elvis Presley, Marilyn Monroe), a Religião (Madre Teresa, João Paulo II), o campo Militar (Sun Tzu, Leônidas, George S. Patton) e até mesmo na Ficção (o Gladiador Maximus Decimus Meridius, Atticus Finch, Super Homem, James Bond, Rocky Balboa).
Alguns usam tais caracterÃsticas, ainda, para a prática do mal, como Hitler, Charles Manson (o psicopata lÃder de uma seita macabra que aterrorizou Los Angeles na década de 1960) e o pastor Jim Jones (que levou mais de 900 pessoas a um suicÃdio coletivo na Guiana, em 1978) . E – por que não? – Darth Vader.
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No mundo corporativo, diversos lÃderes reúnem algumas dessas habilidades à frente de suas empresas, construÃndo de uma sólida imagem de sucesso, transformada por seus seguidores em verdadeiros Ãcones empresariais. John D. Rockefeller, Henry Ford, Akio Morita, Sam Walton e Steve Jobs, para citar apenas alguns, fizeram história revolucionando mercados através da criação e difusão de novas visões do mundo, compartilhadas com entusiasmo por gerações.
Mas lÃderes carismáticos podem ser encontrados em todos os nÃveis, em qualquer empresa. É aquele seu colega que você admira, o chefe de quem você gosta ou até mesmo o subordinado que você percebe que tem luz própria. Por algum motivo irracional você quer estar perto dele e deseja que ele goste de você também, quer ser integrante do seu grupo e fazer parte do seu mundo.
Se você é essa pessoa que descrevi aqui, se identificou com as personalidades citadas, saiba que esse dom traz consigo grandes responsabilidades. Suas inatas habilidades pessoais te colocam em evidência para os que estão à sua volta e suas atitudes estão sempre em destaque. Provavelmente você servirá de modelo aos mais novos e exemplo aos mais velhos. E o que mais precisamos atualmente é de bons modelos e exemplos.
Mas se você está longe de ser a pessoa mais carismática do mundo, não é motivo para desespero. O carisma é, de fato, uma caracterÃstica com um forte componente natural, ou seja, a pessoa nasce carismática (já reparou como algumas crianças lideram suas turminhas desde o pré-escolar?). Dificilmente uma pessoa aprende a ser carismática. Alguns tentam simular essa caracterÃstica, quase sempre com resultados desastrosos. Lembro-me de um Diretor de Vendas numa empresa onde trabalhei que forçava com sua equipe uma empatia que ele não tinha. Inevitavelmente ele comportava-se como um caricato palhaço de auditório.
O lÃder carismático exala carisma por todos os poros. Ele tropeça graciosamente, espirra magnificamente e quebra copos como ninguém. E, mesmo assim, você o adora! Mas o mais importante aqui é ser autêntico e não tentar forjar uma pessoa que você não é. Como estamos vendo nessa série, há pelo menos cinco maneiras de exercer liderança – e o carisma é apenas uma delas. Concentre-se, portanto, naquelas em que você é bom. Seja melhor ainda nessas e deixe as outras para quem as tem. Há várias combinações que podem te ajudar a alcançar os seus objetivos.
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Meu exemplo de lÃder carismático? Ernest Shackleton, um navegador e explorador irlandês do inÃcio do século XX que participou de três expedições à Antártida na época em que se desbravava o continente gelado. Na última delas, comandada por ele, o implacável gelo polar estraçalhou seu navio, deixando sua tripulação à mercê do frio insuportável da região. Com escassos recursos e sem comida ou equipamentos adequados, Shackleton inspirou sua equipe, manteve o moral dos seus liderados e cultivou a esperança em seus corações e mentes durante os dois anos em que estiveram perdidos. Sob o comando do heróico capitão, em condições tão desumanas quanto inimagináveis, todas as 28 vidas do navio Endurance foram salvas.
E quem é o seu exemplo de lÃder carismático? Quem você admira que reúne tais caracterÃsticas?
Até a próxima, Rodolfo.

17 nov, 2009 11:24
Muito bom mais uma vez, Rodolfo. Tenho aprendido muito com seus textos, sempre bastante claros e objetivos!
Um abraço, Luisa.
18 nov, 2009 12:47
Olá Rodolfo…
Sem dúvida ter carisma, essa luz própria, vem com a gente desde pequenino… e isso tudo é sinônimo de muito responsabilidade. Mas a melhor parte é o reconhecimento e a admiração que temos dos outros. O legal, também é servir de inspiração aos demais, seja como modelo ou exemplo.
Ótimo texto!
Abraços.
22 nov, 2009 0:12
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01 dez, 2009 15:39
Meus parabéns, Rodolfo!
Adorei o texto! Além de muito bem escrito, as reflexões que você propõe são muito interessantes!
Grande abraço,
Aristides Faria
03 dez, 2009 14:04
Prezado Rodolfo,
O artigo traz reflexões interessantes e reais. Entretanto, gostaria de observar as dificuldades e até mesmo desmotivação em pessoas que têm essas competências ou caracterÃsticas e que exercem cargos de liderança em nÃveis hierárquicos mais baixos. Me arrisco a dizer que esses profissionas até sofrem assédio moral dos superiores. Afinal, são um “risco” a eles (seu cargo). Infelizmente, ainda muitas empresas ocupam seu cargos estratégicos, por meio de competências polÃticas. E por que não dizer competências/interesses pessoais.
Bom, cabe a nós mortais e responsáveis cidadãos, trabalhar de forma profissional, com respeito, ética e felicidade. É o suficiente para obtermos bons resultados com e equipe e em especial com nossa alma. O ambiente corporativo é nossa segunda casa.
Grande abraço.
Rodrigo Carvalho.
03 dez, 2009 22:10
Sem dúvida, Rodrigo, ter algumas dessas competências pode representar, infelizmente, precisar remar ainda mais contra a corrente. Sugiro a leitura desse outro texto: http://rodolfo.typepad.com/no_posso_evitar/2009/06/liderando-genios.html
Um abraço, Rodolfo.
08 dez, 2009 13:42
Rodolfo,
O texto é muito bom e inclusive farei a leitura do livro do Malcoml Gladweel, Fora-deSérie – Outliers.
Obrigado.
Abraço
Rodrigo Carvalho