Qual a diferença entre Poder e Autoridade?

22 set
2009

- Manda quem pode, obedece quem tem juízo.

Quantas vezes você já ouviu (ou disse) essa resignada frase? Independente da situação ou do motivo, uma coisa é certa: alguém estava fazendo alguma coisa contrariado e, consequentemente, de má-vontade. Possivelmente imaginando que era uma tarefa menor, sem valor nem sentido, ou que deveria ser feita por outra pessoa. Ou tudo isso junto.

Dilemas assim surgem quando você tem que seguir uma ordem só porque alguém quer assim – em vez de concordar que essa é a coisa certa a fazer*. É aí que começam as confusões entre poder e autoridade.

Para muita gente ambas as palavras são sinônimas, ou seus significados são tão parecidos que não faz muito sentido separá-los. Mas entender tais diferenças pode nos possibilitar enxergar a liderança de outra forma. Para melhor ou para pior.

Partindo do termo mais amplo, poder traduz-se na “habilidade de influenciar outras pessoas. Nas organizações, isso muitas vezes significa fazer com que as tarefas sejam realizadas (…) apesar da resistência dos outros”.† A maneira de se alcançar isso é que pode variar de acordo com as ferramentas empregadas. Uma delas é a autoridade, ou o poder legítimo que, pela força da hierarquia, determina que pessoas sigam ordens.

Em bom corporativês, a autoridade espelha as linhas de comando explícitas num organograma: o presidente manda nos diretores, que dão ordens aos gerentes, que são atendidos pelos analistas, que distribuem tarefas aos estagiários – que obedecem, fazer o quê…?

Obviamente que esta é uma maneira simplista de enxergar as estruturas de poder de uma empresa, até porque ela descreve apenas um dos seus caminhos mais formais. Há pelo menos outros quatro elementos dentro das organizações capazes de modificar as atitudes dos seus integrantes, como por exemplo:

.: Recompensas - o controle sobre aumentos, bônus, promoções e escalas de revezamento representa uma outra forma de influenciar aqueles que estão destinados a recebê-los (ou não);

.: Punições - de efeito inverso ao item anterior, o direito de aplicar (ou não) determinada pena a alguém tem efeito direto no seu comportamento;

.: Carisma - alguns líderes são capazes de inspirar a admiração em seus liderados que, por seu lado, desejam ser reconhecidos e apreciados por eles; e

.: Competência - a reconhecida habilidade ou conhecimento técnico de uma pessoa podem sugerir às outras que ela sabe o que está fazendo e que, muito provavelmente, o resultado daquilo que propõe será positivo.

É interessante notar, ainda, que em várias ocasiões essas últimas quatro formas de poder não necessariamente obedecem à hierarquia da empresa. Elas compõem, muitas vezes, as estruturas informais de poder que, dependendo da situação, podem ser ainda mais determinantes do que as formais. Mas isso ficará para o próximo texto. (Aliás, qual você gostaria de analisar primeiro? Qual delas – agora as cinco incluídas – você acha que está mais presente no seu dia-a-dia?)

Um abraço, Rodolfo.

__________

* Às vezes essa também pode ser a coisa certa a fazer, mas o seu chefe não conseguiu explicar-lhe direito.

† BATEMAN, Thomas & SNELL, Scott. Administração: Construindo Vantagem Competitiva. Editora Atlas, São Paulo, 1998. p. 337

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29 Respostas para “ Qual a diferença entre Poder e Autoridade? ”

    Pablo Almeida diz:

    Parabéns pelo artigo, Rodolfo! Muito bom! ;)

    Marcelo diz:

    Segundo James C HUNTER, no livro “O monge e o executivo” estas definições estão exatamente o contrário do artigo. Onde autoridade é influência pessoal e poder é força hierárquica.

    Dani Couto diz:

    Texto mto bom… tou aguardando ansiosa o próximo… E que me venha o PODER…

    Dani Couto diz:

    Ops! Não é que o Marcelo tem razão… Até revi meu conceito agora que li o comentário dele… O texto é divergente ao autor de “O monge e o executivo”.

    Ratificando: não quero ter poder, nem autoridade…

    Escolho a liderança, apenas a liderança citada por James C Hunter, que “(…) é a habilidade de influenciar pessoas para trabalharem entusiaticamente visando atingir aos objetivos identificados como sendo para o bem comum”.

    Valeu!

    Rodolfo Araújo diz:

    Caros Marcelo e Dani,

    “O monge e o executivo” usa uma fábula para ilustrar algumas características de liderança. Talvez não deva ser levado ao pé da letra quando trata de alguns conceitos de administração.

    De qualquer maneira, as definições aqui utilizadas servem para ilustrar e contextualizar determinados comportamentos. Devemos sempre seguir aquele que se encaixam melhor em nossos valores.

    Um abraço, Rodolfo.

    Dani Couto diz:

    Caro Rodolfo…

    Seu texto é bem legal… e nos permite refletir em conceitos diferentes. Não acho que você esteja errado não, tudo depende de ponto de vista de cada pessoa.

    Isso me leva a pensar mais sobre o assunto e até mesmo a questionar-me sobre a definição que devo “seguir” ou tomar como “modelo”.

    Obrigada pela preocupação em postar sobre o comentário. Atitude nobre de poucos. Vou acompanhar seus texto, ok!

    Abração!

    Janaína Luiz diz:

    Caro Rodolfo,

    Fazendo uma analogia dos comentários concordo com a Dani de que o ponto de vista é relativo. Cada um interpreta a diferença da forma que mais se aproxime do seu habitat natural.

    Entretanto, a fábula O Monge e o Executivo continua mais do que atual…. e deveria ser lido por todo jovem aprendiz. A liderança servil é reconhecida hoje nas grandes empresas e tem sido até em algumas, diferencial competitivo.

    Até porque você pode ter autoridade sem ter poder.

    De qualquer forma fico feliz com a discussão gerada. Me levou a refletir com mais carinho….

    Um abraço,

    Janaina

    Daniel Vaz diz:

    Rodolfo,

    bom texto sim, e concordo com o Marcelo. Afinal, Jesus tinha autoridade, não poder, pois era um líder. (espero que eu não tenha piorado ainda mais as coisas).

    Grande abraço.

    Rodolfo Araújo diz:

    Pessoal, muito obrigado a todos pela participação! Independente de concordarem ou não com o texto, o importante é pensarmos nos fatores que levam a um exercício saudável da liderança. Até porque todos nós seremos líderes um dia, não é mesmo?

    Talvez importe menos o que é Poder e o que é Autoridade. O que é interessante e termos em mente que um engloba o conjunto de características que leva uma pessoa (o líder) a ter influência sobre as atitudes de outra pessoa (o liderado) – a que eu chamei de Poder no texto.

    Já o outro representa uma das formas de se exercer essa influência, caracterizado pela hierarquia, pelas relações formais explícitas no organograma da empresa – a que eu chamei de Autoridade no texto.

    O nome que a gente dá a um e a outro fica em segundo plano. O que vale mesmo é o entendimento do conceito, combinado?

    Mais uma vez obrigado pela valiosa discussão. Conto com a participação de todos nos próximos textos! Já estou vendo que não vai faltar polêmica…

    Grande abraço, Rodolfo.

    Nina diz:

    Rodolfo,
    Excelente texto, como sempre! Boas idéias são sempre polêmicas.

    Indo além das estruturas corporativas, eu diria que poder muitas vezes envolve força e coação. Já a autoridade pode ser decorrente de habilidades pessoais, indepente da posição ocupada. A história nos conta sobre várias “eminências pardas”, que detinham a autoridade por trás do poder.
    Agradeço a oportunidade de reflexão!

    Adm. Marcos F.Dauner diz:

    A diferença pode ser observada nas seguintes citações : 1) “Regnum non est propter regem, sed rex propter regnum ” – São Tomás de Aquino , 2) “Le État cest moi” – Luiz XIV , 3) “Ich bin der erste Diener des Staates” – Frederico, da Prússia . 4) “Fi-lo porque qui-lo” Jânio, do Brasil . Valeu ??? sds. mfdauner

    Rodolfo Araújo diz:

    Para quem, como eu, não entendeu as frases acima:

    1) O reino não é para o Rei, mas o Rei é do reino.
    2) O Estado sou eu.
    3) Eu sou o primeiro servo do Estado.
    4) Idem.

    Interessantes registros históricos, mostrando diferentes visões sobre a figura do governante, sob a ótica do próprio. Do autoritarismo de Luiz XIV ao desprendimento de Frederico.

    Aliás, reparem o termo “autoritarismo”: significa aquele que age de forma arbitrária, baseado em alguma força. Será que isso põe fim ao nosso dilema?

    Abraço, Rodolfo.

    Elias diz:

    Parabéns pelo texto Rodolfo, muito interessante.
    Apesar de respeitar sua linha de raciocínio, me identifico mais com a linha de pensamento do autor J C Hunter, onde ele elucida justamente o contrario, enfocando que o bom lider deve ter Autoridade (que é justamente a capacidade de influenciar pessoas) e não apenas o poder. O que seria liderança senão motivar pessoas e engaja-las a tomar parte de uma missão, visão ou até mesmo de uma simples tarefa, não simplesmente pelo fato de que “elas tem que fazer porque são “mandadas e pronto”, mas sim porque a participaçao de todos é importante, por menor que seja sua contribuiçao? Ainda reforçando meu pensamento, outro livro muito citado quando o assunto é liderança é o de Johnn C. Maxwell – O lider de 360º, que ilustra o poder de liderança em qualquer nível hierarquico que o individuo estiver. Ou seja, todos poder liderar, e não somente aqueles que possuem poder.

    Abraços e mais uma vez parabens pelos artigos.

    Anne diz:

    Bem, alguns funcionários só funcionam no “chicote”. Onde trabalho é assim.
    Tem que ser utilizado do poder.

    Rodolfo Araújo diz:

    Anne,

    mesmo assim, há chicotes de couro e outros de seda…

    Abraço, Rodolfo.

    Marciel diz:

    Sou estudante de Administração e Todos os meus Professores dizem que Poder é imposto pela hierarquia, Autoridade é quando é aceita.

    Mas, conceitos podem variar de autor para autor.

    Ivan diz:

    Rodolfo,

    Muito boa a Matéria para ser colocada em prática!

    Abraço!

    Ivan

    nena diz:

    adorei a polêmica. é isso ai galera ,realmente é ponto de vista e como
    aplicamos…….o bom disso tudo e refletir sobre nossas atitudes e valores.
    abraço…….

    wanderson diz:

    parabeńs rodolfo

    Félix diz:

    Muito criativo cara parabêns!!!

    O persuasivo Poder do Carisma « O líder acidental diz:

    [...] pode conseguir influenciar seus subordinados a realizar aquilo que ele deseja; seja através da sua Autoridade ou do controle sobre as Recompensas ou Punições. Essa tríade encerra as formas de persuasão [...]

    Heitor Leme diz:

    olá, Boa Noite!

    Gostei muito da discussão, vimos bastante sobre as diferenças entre Poder e Autoridade, agora, eu gostaria de saber quais são as semelhanças.

    Grato pela atenção!

    ilson vieira diz:

    comentário extraordinário Rodolfo. Valeu pois minhas concepções mudaram um pouco

    Rodolfo diz:

    A definicao nao esta invertida nao?
    Pelo menos em O Monge e o Executivo ele esta trocada.
    La, com minhas palavras:

    Autoridade e habilidade de influnciar pessoas pelo prestigio e pela adimiracao que essas pessoas tem de voce. Elas fazem querendo fazer.
    Poder e a faculdade de fazer as pessoas fazerem algo por sua posicao ou forca. Elas nao fariam caso pudessem.

    Abracos

    Rodolfo Araújo diz:

    Caro xará, a definição em “O monge e o executivo” é que está invertida. Prefiro confiar na referência citada., até porque James Hunter não é considerado especialista no assunto.

    Atenciosamente, Rodolfo.

    Rodolfo diz:

    Oi Xara, bem acho dificil que informacoes contidas em um best seller (O Monge e o Executivo vendeu mais de 4,5 milhões de cópias) possam perdurar assim sem a publicacao de uma errata ou uma critica. Mas enfim nesse mundo nao se pode duvidar de nada. rs.
    Nos artigos e postagens que vi estavam seguindo a definicao do livro O Monge e o executivo mas so que em nenhum desses lugares alguem de peso era o autor.
    Eu procurei aqui na referencia de Max Weber e ele parece seguir a definicao do James C. Hunter. Em qual referencia voce esta se embasando? Gostaria de le-la.
    Tentei obter o livro em ingles mas nao consegui. As vezes poderia ser um erro de traducao.

    Abracos

    Rodolfo Araújo diz:

    Rodolfo, no próprio texto tem a referência que utilizei (BATEMAN, Thomas & SNELL, Scott. Administração: Construindo Vantagem Competitiva. Editora Atlas, São Paulo, 1998. p. 337).

    O fato de o livro ter vendido mais de 4,5 milhões de cópias não acrescenta credibilidade ao seu conteúdo. Senão você também vai ter que acreditar em tudo o que o Paulo Coelho diz.

    Mas independentemente de qual conceito refere-se a qual definição, o importante é entender que um usa a força como influência e o outro consegue seus objetivos por outros meios.

    Abraço, Rodolfo.

    O incentivo das Recompensas « Uni Administradores diz:

    [...] texto anterior acendeu uma interessante discussão sobre as diferenças entre Poder e Autoridade. No final das contas, entendo que todos concordamos que um deles – que eu chamei de Poder – é [...]

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