O direito de Vencer
2010
Pessoal, depois de uns dias merecidos de férias com a família e longe de tudo, decido assistir no domingo a corrida de Fórmula 1 para dar uma relaxada e torcer por nossos corredores. Quando aconteceu – novamente – aquela presepada danada como o Felipe Massa. Novamente com o Felipe e novamente com um brasileiro.
Muito se falou a respeito do fato, mas gostaria de levantar algumas questões junto com todos. Meu primeiro posicionamento é em relação à decisão do Felipe de acatar o pedido da equipe – que por sinal aconteceu da pior forma possível dando indireta sobre o assunto, tamanha a vergonha – O Felipe é um atleta profissional, que como todo profissional – eu e você – tem que prestar contas para uma instituição que cobra desempenho e resultados.
Você peitaria uma decisão clara da sua empresa correndo o risco de ser demitido para se beneficiar?
É claro que estamos falando de uma decisão lícita – diferente com o que aconteceu com Nelsinho Piquet – na ocasião foi pedido pelo radio que o piloto forjasse um acidente para beneficiar o colega de equipe (novamente Alonso – que por sinal estava envolvido nos 3 últimos escândalos da Fórmula 1 – o de espionagem, o do Nelsinho e agora com Massa… realmente não gosto deste cara!!), e o acidente realmente aconteceu – e, neste caso, Nelsinho deveria sim ter peitado a decisão que poderia ter causado sérias conseqüências e saído da empresa.
Eu defendo a decisão de Felipe e quem nunca a fez que atire a primeira pedra.
Meu segundo posicionamento é sobre o conceito de esporte e sua essência. A Ferrari quebra a regra mais pura da prática desportiva e do Craque que é o merecimento de poder ser o melhor naquele momento. Se existe as condições necessárias para vencer, todos devem exercer este direito!
Meu terceiro posicionamento é sobre a decisão do Comitê Internacional sobre a legalidade ou não de esta ser uma prática comum em benefício da equipe. Acredito que independente da decisão sobre a legalidade do fato – o único motivo que existe uma competição como a Fórmula 1 é porque possuem pessoas que adoram carros de competição – eu e você – e tem um monte de marcas de carro que investem para mostrar as qualidades e atributos de seus modelos.
A Ferrari como outras marcas de carro tem o propósito específico de mostrar ao mundo – inclusive para o Brasil – que seus modelos são os melhores. É uma ação de marketing para valorizar a marca, construir atributos favoráveis e fortalecer suas vendas como conseqüência.
Marketing tem um conceito que eu gosto muito que é o de entender para atender seu público potencial. Além de lutar na comunicação para que as pessoas consigam atribuir os valores que a empresa prega.
O fato é que se eu tivesse uma Ferrari teria vendido no dia seguinte. Em protesto. Tomar decisões como aquela, fere o que eu acredito como valor. E tendo a não consumir produtos que não possuam os valores que acredito. Acredito em Meritocracia, justiça, que o melhor deve ter a oportunidade de vencer. Se a decisão fosse na última prova do Campeonato e a equipe precisasse disto para vencer, ok. Mas no meio da competição é muito injusto.
Espero que a Formula 1 conserve o direito do melhor poder vencer sempre para continuarmos acreditando na essência deste esporte. E que o Felipe continue fazendo o seu melhor sem interrupções da própria equipe.


31 jul, 2010 15:46
[...] This post was mentioned on Twitter by Ricardo Nakai, Ricardo Nakai. Ricardo Nakai said: Confira Post sobre Felipe Massa na Voce S/A: O direito de Vencer http://bit.ly/9n2Inj [...]
02 ago, 2010 18:11
Concordo plenamente com você. Desde o ocorrido eu leio muitos ataques ao Felipe Massa, inclusive comparações do tipo: “Se fosse o Senna ou o Piquet eles deixariam passar?” … me desculpe o linguajar, mas fala sério, quem nunca acatou uma ORDEM de um superior mesmo não concordando?! E pior, que superior nunca deu uma ORDEM dessas?!
Como você mesmo falou, “que atire a primeira pedra”.
02 ago, 2010 18:11
Compreendo o lado corporativo da sua matéria e concordo com ela. No entanto, no caso da F1 há outros valores envolvidos como o respeito pelo torcedor que não foram considerados na decisão dele. Do meu ponto de vista, como profissional e torcedor da F1, fazemos e devemos continuar fazendo isso no mundo corporativo, mas na F1 faltou respeito com os torcedores.
02 ago, 2010 18:23
Considero hipocrisia, e não faço diferença se está no fim ou no começo de um campeonato. Quem é bom, é bom em qualquer momento. e não precisa que ninguém saia da frente pra poder passar e vencer.
02 ago, 2010 19:02
O título diz tudo “pedido da equipe”, leia-se do chefe; gestor; gerente. Não importa. Todos nós somos guiados por normas; condutas; regras e ORDENS. O próprio patrão não pode fazer tudo (bem que gostaria).
Fernando Alonso (realmente é um dick vigarista) está na frente do campeonato e acho razoável que não se disperdice a chance de acumular mais pontos. Muito estardalhaço por conta de um pseudo patriotismo. Se fosse o contrário? Felipe MASSA e o próprio Rubinho iriam se recusar a ultrapassar? Claro que não. Condutas como o de Nelsinho Piquet não tem perdão. Foi jogo sujo e poderia ter ferido pessoas inocentes. O da corrida de ontem não será a primeira nem a última vez que isso ocorrerá.
Agora….a ultrapassagem do Rubinho foi sensacional.
02 ago, 2010 20:23
Bom, gostaria de dar um outro ponto de vista….
Pensamos o seguinte, não há Felipe Messa e Fernando Alonso, estes são parte de uma equipe, a Ferrari. O Massa vem mal no campeonato, pior que o Alonso, e o que é melhor para a equipe? Ter no final da temporada, um piloto em segundo e outro em terceiro, ou ter um piloto campeão?
Pessoal, se estamos falando de business, então acho que a Ferrari está “certa”, o erro não foi ter pedido para o Massa diminuir, o erro foi novamente a forma como foi feita, com certeza havia mil maneiras de fazer isso sem chamar a atenção, como sempre foi feito.
Veja bem, não quero defender Ferrari, nem seus diretores, apenas estou expendo um ponto de vista que ainda não vi ninguém expor, todos falam da visão do piloto prejudicado, da visão do torcedor, da visão do povo brasileiro.
Paremos para pensar, o que você Empresário faria!?
02 ago, 2010 22:48
Achei bem interessante a matéria e concordo plenamente com você e com o Clodoaldo. Eu vi também essa corrida, fiquei indgnada , é por esse tipo de coisa que eu não gosto da Ferrari.Só pra acrescentar e entender mais a atitude do Felipe, quando ele corria pela Sauber ( que era uma equipe pequena) foi ordenado a ele para que deixasse o copanheiro( que não estava disputando o campeonato) passar a sua frente, ele não acatou a ordem e ficou 1 ano desempregado. Agora na Ferrari que é uma equipe de ponta, ele iria correr o risco de ficar desempregado podendo ter a chance de disputar e até conquistar o proximo campeonato?!
03 ago, 2010 0:00
Agora pensemos: Você é um “lider” com milhões de seguidores, seus seguidores esperam que você os represente bem, você tem uma história de ‘vitórias’ na empresa, você é respeitado por seus adversários, então seu superior corporativo lhe pede para ir a nível hierarquico inferior no intuito de favorecer um ‘colega’ que tem mais condições de, a longo prazo, trazer vantagens para a corporação… consideraria em sua decisão: seu futuro na coorporação? nos seus seguidores? nos seus valores? no que conquistou até então?
Bem, corporativamente falando eu atiro a primeira pedra e faço isso com cabeça erguida. Por isso fui mais valorizado pela concorrência e por minha equipe em melhor oportunidade de sucesso em minha carreira. Utópico? Talvez para o “engenheiro” e “acionistas” por trrás do rádio.
Abraços a todos.
03 ago, 2010 13:29
Ok para o mundo corporativo, porém em determinadas situações nem no mundo corporativo, alguém aqui faria algo ilícito, antiético ou que ferisse seus princípios só porque seu chefe mandou?
Na F1 a história é completamente outra, se Massa não acatasse a decisão da equipe não seria demitido, os custos monetários para a escuderia italiana serião grandes.
Tomando esta atitude a Ferrari está arcando com um custo muito alto quanto a imagem da marca, este é um assunto bem interessante a ser discutido, muito tem se falado da imagem do funcionário, mas alguém gostaria de trabalhar ou comprar os produtos de uma empresa que adota tais práticas?
03 ago, 2010 13:42
Clodoaldo,
Muito obrigado por sua participação. Realmente este é o mundo real com seus sabores e desabores.
Abraços,
Ricardo Nakai
03 ago, 2010 13:46
Sérgio,
Concordo com você e te falo que se acontecer de novo eu paro de assistir Fórmula1. Não tenho mais vontade de torcer para a Ferrari e sim para o Felipe.
O meu problema é que o Brasil deveria ficar ressentido com a Ferrari e não com o Felipe, entende?
A Ferrari desrespeitou toda uma nação fã do esporte e de sua marca.
Obrigado pela valorosa participação,
Ricardo Nakai
03 ago, 2010 13:49
Isto mesmo Isabel,
todos devemos ter o direito de ser o melhor. Confesso que não conseguiria subir no pódio se acontecesse comigo.
Obrigado e continue incentivando este espaço de conversa.
Ricardo Nakai
03 ago, 2010 13:51
Caro Alfredo,
Excelente comentário!!
E realmente Rubinho foi impecável.
Grande abraço,
Ricardo Nakai
03 ago, 2010 13:55
Grande André, obrigado pela participação aqui.
Bem legal o ponto de vista. Eu acredito que, no meio do campeonato, ainda seria melhor para a Ferrari deixá-los competir entre si livremente. Esta competição iria fortalecer performance de ambos. Escolher o Alonso nesta altura, frusta e desmotiva Felipe de continuar dando o máximo.
Como empresário os deixaria brigar até o fim.
Grande abraço,
Ricardo Nakai
03 ago, 2010 13:56
É isto mesmo Lidiane.
Quanto vale um profissional idealista desempregado?
Obrigado pela participação e continue mandando suas opiniões, ok?
Ricardo Nakai
03 ago, 2010 14:04
Prezado Iranildo,
Parabéns pelo excelente comentário. O objetivo aqui é o de exatamente trazer experiência pessoais que promovam debates e crescimento profissional.
Nem sempre é fácil passar por cima de uma decisão direta da empresa levando em consideração benefícios para nossa carreira. Existem empresas que este espaço não existe e minha percepção quanto a Ferrari é que ela é uma empresa desta. Tenho por mim que se Felipe não tivesse acatado a decisão não seria renovado seu contrato no final do ano.
Obrigado pela participação e continue nos prestigiando com ótimos comentários.
Ricardo Nakai
03 ago, 2010 14:08
Olá Rogério,
A minha resposta é que não. Não compraria produtos que não acredito na conduta da empresa e concordo com você que é necessário pensar no impacto do valor da marca que toma estas decisões.
Obrigado pela participação,
Ricardo Nakai
06 ago, 2010 19:32
Olá Ricardo e amigos leitores da coluna,
Gostei bastante dos pontos de vista apresentados na reportagem e concordo que a estratégia adotada pela Ferrari, apesar de condenável, é perfeitamente compreensível do ponto de vista organizacional.
Tenho a mesma opinião que o Ricardo Nakai em relação a identidade com os valores transmitidos pela empresa e sua influência no poder de decisão do cliente na hora da compra.
Só para ilustrar um exemplo mais tangível a minha realidade financeira(afinal, a menos que eu ganhe na loteria, jamais irei comprar uma Ferrari… e por isso não digo o que faria “se” eu tivesse uma) , o caso da Toyota, que claramente se negou a fazer o recall dos corolas que apresentaram problemas de aceleração repentina. Somente após decisão da justiça norte-americana (que considerou as MORTES de dois proprietários do modelo e de dois pedestres atropelados devido ao problema), a fábrica considerou a necessidade de fazer o recall.
Tal fato, assim como o desrespeito ao torcedor da F1 citado pelo Ségio Lima, mostra que decisões tomadas para preservar o desempenho da marca/equipe (afinal, quanto mais recalls um fabricante faz, pior é a qualidade do produto), muitas das vezes se mostram injustificadas ou geram o efeito contrário ao que se pretendia no planejamento ou no calor da decisão. Eu que era um potencial cliente da Toyota, decidi desde então JAMAIS ter um caro de uma fabricante de prega a excelência em sua gestão, mas que se nega a reconhecer os próprios erros quando os comete, e principalmente, não toma nenhuma atitude no sentido que contornar o problema (pois a fábrica poderia ao inves de oficializar o recall, até mesmo para manter a imagem, oferecer aos usuários uma avaliação gratiuita na rede autorizada e após diagnosticado o problema tomar as devidas providências, que poderiam ser: 1) Fornecer ao cliente troca sem ônus adicional para um novo modelo e repassar parte do prejuizo líquido aos fornecedores dos modelos de pedais defeituosos, 2) Trocar os fornecedores dos pedais defeituosos por concorrentes capazes de produzir peças de melhor qualidade, ou 3) Em ultimo caso, fazer o recall e formamalizar um pedido de desculpas às vitimas dos acidentes ocasionados, sem esperar uma decisão judicial obrigá-los a fazer isso.
Abraços a todos.
09 ago, 2010 18:15
Prezado Anderson,
Muito obrigado pelo pertinente comentário. Realmente temos que encarar que quem detém o poder na economia aberta e livre, somos nós consumidores. As empresas, independente da área de atuação, deverão cada vez mais responder por suas ações, falhas e omissões.
Grande abraço,
Ricardo Nakai