Uma Virada pelo centro de São Paulo
2012
É tão bom poder andar pelas ruas do centro da cidade de São Paulo tarde da noite e madrugada adentro, com o asfalto tomado de gente espalhada pelos vários cantos entre as várias atrações pensadas para o fim de semana da Virada Cultural. Mas é perceptível que ainda há muito a melhorar.
Meu primeiro destino foi a Praça Roosevelt, que ainda está em reforma, achando que veria algum espetáculo ao ar livre por causa dos teatros de lá; nada. Acabei encontrando alguns amigos e seguimos para o “cabaré”, nome do palco que a “grande estrela” Gretchen iria cantar. Eu nem sabia que ela fazia shows. Ela canta? Perguntei. E não é que ela canta; mal muito mal. Ela estava acompanhada de uma banda que não tinha instrumentos. Curioso.
Bem, seguimos em direção ao palco da Avenida São João. E aquela multidão de todas as classes sociais para todos os lados. Quem tinha de fazer um xixi básico e não queria ficar esperando em uma fila gigantesca nos poucos banheiros químicos espalhados, e pisando em líquido estranho que cerca esses banheiros, tinha de procurar um bar aberto que deixasse usar seu WC ou ir odorizando as esquinas menos movimentadas.
Minha sorte foi ter conseguido entrar em um dos poucos restaurantes abertos. Mas antes mesmo de chegarmos perto do palco da São João decidimos ir à Praça Júlio Prestes, onde fica a Sala São Paulo, para assistir a um grupo africano.
Entramos na rua da Aurora, depois Conselheiro Nébias e assim fomos rasgando o coração da cracolândia. Somente na virada cultural isso é possível sem correr riscos. As ruas, que normalmente são desertas e povoadas pela escória dos viciados que a sociedade faz questão de não enxergar, recebia transeuntes não habitués do local.
E somente nessas ocasiões é admirar os belos edifícios e casarios de várias influencias arquitetônicas escondidas das nossas vistas. A maioria gritando por uma reforma, alguns já com alguma pintura nova. Muitos desses imóveis viraram cortiços nesse caminho até o palco da Júlio Prestes.
A sensação ao voltar as 3h30 da manhã rumo de volta pra casa era de que a cidade estava feliz, mas faltava mais. Como já dissera o amigo Raul Juste Lores, da Folha de S.Paulo, faltam mais intervenções artísticas que tragam vida aos belos edifícios do centro, que proporcione contemplação ao espaço urbano muito mais do que apenas assistir a shows.
É possível sim usar eventos como a virada cultural para modificar aos poucos, e de vez, a ocupação de centros de cidades que perderam sua importância ao longo dos anos e ficaram apenas na memórias dos seus moradores mais antigos.


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