Uma Virada pelo centro de São Paulo

06 mai
2012

É tão bom poder andar pelas ruas do centro da cidade de São Paulo tarde da noite e madrugada adentro, com o asfalto tomado de gente espalhada pelos vários cantos entre as várias atrações pensadas para o fim de semana da Virada Cultural. Mas é perceptível que ainda há muito a melhorar.

Meu primeiro destino foi a Praça Roosevelt, que ainda está em reforma, achando que veria algum espetáculo ao ar livre por causa dos teatros de lá; nada. Acabei encontrando alguns amigos e seguimos para o “cabaré”, nome do palco que a “grande estrela” Gretchen iria cantar. Eu nem sabia que ela fazia shows. Ela canta? Perguntei. E não é que ela canta; mal muito mal. Ela estava acompanhada de uma banda que não tinha instrumentos. Curioso.

Bem, seguimos em direção ao palco da Avenida São João. E aquela multidão de todas as classes sociais para todos os lados.  Quem tinha de fazer um xixi básico e não queria ficar esperando em uma fila gigantesca nos poucos banheiros químicos espalhados, e pisando em líquido estranho que cerca esses banheiros, tinha de procurar um bar aberto que deixasse usar seu WC  ou ir odorizando as esquinas menos movimentadas.

Minha sorte foi ter conseguido entrar em um dos poucos restaurantes abertos. Mas antes mesmo de chegarmos perto do palco da São João decidimos ir à Praça Júlio Prestes, onde fica a Sala São Paulo, para assistir a um grupo africano.

Entramos na rua da Aurora, depois Conselheiro Nébias e assim fomos rasgando o coração da cracolândia. Somente na virada cultural isso é possível sem correr riscos. As ruas, que normalmente são desertas e povoadas pela escória dos viciados que a sociedade faz questão de não enxergar, recebia transeuntes não habitués do local.

E somente nessas ocasiões é admirar os belos edifícios e casarios de várias influencias arquitetônicas escondidas das nossas vistas.  A maioria gritando por uma reforma, alguns já com alguma pintura nova. Muitos desses imóveis viraram cortiços nesse caminho até o palco da Júlio Prestes.

A sensação ao voltar as 3h30 da manhã rumo de volta pra casa era de que a cidade estava feliz, mas faltava mais. Como já dissera o amigo Raul Juste Lores, da Folha de S.Paulo, faltam mais intervenções artísticas que tragam vida aos belos edifícios do centro, que proporcione contemplação ao espaço urbano muito mais do que apenas assistir a shows.

É possível sim usar eventos como a virada cultural para modificar aos poucos, e de vez, a ocupação de centros de cidades que perderam sua importância ao longo dos anos e ficaram apenas na memórias dos seus moradores mais antigos.

 

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STF passa em mais um teste

12 abr
2012

A Justiça brasileira passou mais uma vez no teste. Ao aprovar o aborto nos casos de fetos anencéfalos (sem cérebro), o Supremo Tribunal Federal (STF) sinalizou novamente que o Brasil caminha para uma sociedade mais justa com direitos que refletem uma realidade atual e não o passado. Assim foi com o reconhecimento da união homoafetiva, das pesquisas com células-tronco embrionárias e da ficha limpa aprovados pelo mesmo tribunal nesse último ano.

Como todo assunto polêmico, muitas vozes se manifestaram contra a medida, ajuizada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Saúde (CNTS) em 2004 e que defendeu a descriminalização da antecipação do parto em caso de gravidez de feto anencéfalo. Vivemos em uma democracia e como tal é de se esperar que sempre haja o lado contrário. O problema é que nesses casos sempre usam o mesmo e velho discurso religioso. Sorte nossa vivermos em um estado laico.

Por que será que a maioria desses porta-vozes é homem? Será que se eles fossem mulheres e pensassem que eles (ou elas) poderiam passar por uma situação como essa, de carregar um feto sem esperanças de viver, eles seriam contra?

Como afirmou o ministro Luiz Fux, é justo evitar que a mulher que gera um filho com anencefalia “assista a uma missa de sétimo dia durante nove meses, a missa de sétimo dia de seu filho”.

No placar, que foi de 8 a favor e 2 contra, um dos votos mais bonitos em defesa da medida foi certamente o do ministro Carlos Ayres Britto, que disse: “Metaforicamente, o feto anencéfalo é uma crisálida que jamais chegará em estado de borboleta, porque não alçará voo jamais”, e que, portanto, “Dar à luz é dar à vida, não é dar à morte. É como se fosse uma gravidez que impedisse o rio de ser corrente (…) É um organismo prometido não ao registro civil, mas a uma lápide mortuária.”

Mesmo sabendo que a estrada para um país melhor é longa e que tem muito chão ainda pela frente para caminharmos, são decisões como essa que nos dão mais energia para continuar nessa trilha.

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O Brasil precisa de líderes

12 mar
2012

Educação é sempre um tema interessante de discutir. Semana passada fui almoçar com um diretor de uma empresa de tecnologia que viveu por 14 anos no Canadá e que, ao voltar para o Brasil, descobriu um grave problema entre os profissionais brasileiros. Ele diz que o Brasil precisa de escolas que formem líderes desde crianças. Segundo ele, o brasileiro – em termos gerais – não é preparado para se comunicar como tal e muito menos falar para o mundo. Claro que como toda regra há sempre exceções.

Marcos Damasceno, da Borland, lembrou que no modelo escolar americano e canadense os alunos primários e secundários são estimulados a participarem de projetos em grupo, e a se apresentarem em público. E isso influencia na formação de líderes na vida adulta. A gente até vê exemplos desses em filmes americanos.  E isso não parece que acontece por aqui.

Claro que escolas muito específicas, e particulares, imagino, devam fazer isso aqui no Brasil. Mas no ensino em geral, e público, não consigo imaginar isso acontecendo.  O resultado são adultos que não sabem expressar seus pensamentos de forma linear e muitas vezes apresentam debilidades profissionais que podem limitar sua carreira.

Nesse momento em que o Brasil vive, saber falar globalmente é fundamental. E esse tem sido um problema para muitas empresas porque falta o básico, gente com fluência em inglês, por exemplo.

Talvez o país tenha ficado muito tempo isolado e o inglês macarrônico que aprendemos deu pra suprir algumas necessidades básicas até o momento. O problema é que tem muita gente lá fora que fala muito bem a língua e que sabe como os negócios lá fora correm, inclusive americanos, que estão em crise.  E já existe um movimento de descoberta do Brasil por esse pessoal.

Moral da história: Ou o Brasil muda o jeito de ensinar suas crianças para formar líderes ou esse boom brasileiro será passageiro limitado pela falta de gente qualificada, que não apenas execute mas que pense e inove.

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A Justiça tardou, mas não falhou

17 fev
2012

Ontem foi um dia de boas notícias produzidas pela Justiça brasileira. Um bandido foi condenado e vários outros não poderão concorrer às eleições de 2012.

O primeiro bandido todo mundo conheceu em 2008 quando ele manteve refém a ex-namorada Eloá Pimentel e a amiga dela, em Santo André, na Grande São Paulo, e terminou com a morte de Eloá depois da invasão, muito discutida, da polícia militar. Na época eu gastei algumas madrugadas de plantão cobrindo o caso por um outro veículo de comunicação. Presenciei a angustia de tudo acabar mal a qualquer momento. O que de fato ocorreu. A justiça de São Paulo condenou Lindemberg Alves a 98 anos de prisão, em um julgamento que durou quatro dias. Se bem que em 26 anos ele estará solto, com 51 anos de idade.

Os outros bandidos todos nós conhecemos também. São os políticos condenados por órgãos judiciais colegiados por crimes como lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e contra o patrimônio público, improbidade administrativa, corrupção eleitoral ou compra de voto, mesmo que ainda possam recorrer da decisão. Ainda não poderão se candidatar aqueles que renunciaram aos mandatos para fugir de processos de cassação por quebra de decoro. A decisão saiu depois de o Supremo Tribunal Federal discutir por quase dois anos a constitucionalidade da lei da Ficha Limpa. A Corte suprema acaba de pavimentar uma via que possibilitará um país melhor, sem essas figuras que aproveitam suas posições públicas para se beneficiarem. Agora cabe a nós fazer a Justiça valer e escolher bem em quem votar.

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Um mosquito, um remédio e um médico mal informado

30 jan
2012

Erro médico não ocorre apenas na sala de cirurgia e nem em hospitais públicos. Eu pensei duas vezes antes de escrever sobre isso, mas resolvi fazer do meu primeiro post do ano um alerta e dividir com vocês o que aconteceu comigo, até para ficarem atentos se, por desventura, passarem pelo o que passei.

Um dia antes de voltar ao trabalho, depois das férias de fim de ano, comecei a ter febre, dor de cabeça, ardor nos olhos e dores nas costas. Eu tinha voltado de uma viagem que fizera a Recife havia três dias e desconfiado que pudesse ser dengue fui ao hospital. Quase três horas depois de ter sido atendido no pronto atendimento do Sírio-Libanês, veio o resultado: dengue. O médico que me atendeu receitou uma dosagem de 750mg de paracetamol para tomar a cada seis horas por sete dias e me liberou para ir pra casa. Não fui trabalhar e fiquei a semana seguinte em casa. Segui à risca o que o médico de um respeitável hospital havia receitado. Foi uma das piores semanas que já tive. Mas o pior estava por vir.

Uma semana depois voltei ao mesmo hospital porque continuava mal. Fui atendido por um outro médico que resolveu pedir outros exames. Tirei sangue e algumas horas depois ele viu que alguma coisa estava errada com meu fígado. Fui imediatamente encaminhado para um infectologista do hospital, que, assustado com as taxas do meu fígado, preferiu me internar. Só saí do hospital três dias depois.

Resumindo, o primeiro médico que me atendeu devia ter receitado o remédio apenas até a febre abaixar, o que aconteceu dois dias depois. O uso prolongado do paracetamol, que é um hepatotóxico, ferrou meu fígado, causando uma hepatite medicamentosa. Fiquei assustado com a falta de informação de um médico de um hospital de referência como o Sírio-Libanês. Agora estou bem, de volta ao trabalho e às atividades normais. Mas fica o alerta. Dengue é de fato uma doença perigosa, que pode matar. O mosquito está por aí em praticamente todos os estados brasileiros. E médicos que podem errar também.

O Ministério da Saúde divulgou recentemente o novo mapa de risco da dengue (click na imagem abaixo para ampliar). Vamos ser mais conscientes e cuidar para eliminar possíveis focos do mosquito da dengue.

 

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