Foto: posada ou natural?

13 mai
2011

Por Raul Junioreditor de Fotografia da VOCÊ S/A

Henri Cartier-Bresson ou Yousuf Karsh?  Qual desses fotógrafos você prefere? Claro, a grande maioria provavelmente gosta mais ou se identifica mais com o trabalho do fotógrafo documentarista francês Cartier-Bresson, que andava para cima e para baixo com a sua inseparável Leica. E não é para menos. Ele é o ícone do fotojornalismo do século XX, que se inspirava no cotidiano, e que dizia: “o papel do fotógrafo é documentar e para isso é necessário uma câmera eficiente e intuição” . Artista, poeta e desenhista, Bresson não gostava de fotos posadas. Ele preferia fotografar natural e suavemente.

Já Yousuf Karsh preferia os retratos. O fotógrafo canadense, de origem armênia, tinha habilidade  e determinação especiais para  conseguir um belo retrato. Ele mesmo dizia que “quando você fotografa uma pessoa você fotografa a  sua alma” . É dele o retrato mais famoso e mais reproduzido do mundo. Ele queria retratar o ex-primeiro ministro britânico Winston Churchill sem o seu contestável charuto, o que seria uma foto inédita. Karsh montou a câmera num tripé, entoou o “olha o passarinho” – e, o melhor  de tudo-, foi até Churchill, arrancou-lhe o charuto abruptamente e, antes de qualquer reação do ministro, desferiu-lhe apenas três cliques imortais. Foi o suficiente para eternizar o que seria o seu melhor retrato, ainda que Churchill quisesse esganá-lo, de tanta raiva que ficou.

E eu, Raul Junior, respondendo à minha pergunta inicial prefiro Karsh. Ainda que tenhamos fotógrafos de nome e renome como Ansel Adams, Don Mc Cullin, Josef Koudelka, Robert Capa, Gisele Freund, Ernst Haas, Marc Ribould, Sebastião Salgado e tantos outros, prefiro Karsh. Simples assim porque eu prefiro os retratos. Eu gosto de fotografar pessoas. Eu gosto de me envolver com a emoção e sentimentos das pessoas na hora de fotografá-las. Guardadas todas as proporções possíveis eu também gosto de fotografar a “alma das pessoas”. Gosto de ver seus olhos brilhando e sentir isso passando para as fotos. Gosto de perceber mais a emoção do que a vaidade da pessoa a ser retratada. O retrato é para sempre. E aquele momento único, que nunca mais vai se repetir – mesmo que você faça mil cliques  subsequentes -, tem de ser bem preparado e bem executado. A diferença do retratista – e assim me considero humildemente -, é que ele interfere diretamente na pose, no posicionamento das mãos, braços, pernas e tronco e, muito especialmente, no direcionamento do olhar, da pessoa fotografada.  Ah, não se pode esquecer  - o que seria um pecado capital -, de desenhar uma bela luz,  bem estudada e bem calculada, que é –ao mesmo tempo -, a pintura e a moldura do corpo.

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A arte de cortar palavras*

12 mai
2011

Por Nataly Pugliesi, repórter da editoria Mercado e responsável pela seção ETC…


Na última semana de março, meu editor – José Eduardo Costa, redator-chefe da revista – me chamou na mesa dele. “Vamos fazer uma entrevista com este cara?”, disse apontando para um nome que despontava na primeira posição de um ranking realizado pela The New York Times Magazine, revista que vem encartada ao jornal de mesmo nome todos os domingos.

Rafinha Bastos: o mais influente do Twitter

 

A personalidade no topo da lista era Rafinha Bastos. O jornalista e comediante brasileiro, apresentador dos programas CQC e A Liga, da emissora Bandeirantes, foi eleito a pessoa mais influente do mundo dentro da rede social Twitter. Deixando para trás personalidades como simplesmente o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e a cantora Lady Gaga, a mais seguida do mundo na mídia social.

A publicação encomendou da empresa de pesquisas Twitalyzer, especializada no microblog, um levantamento sobre qual seria o usuário com maior poder de influência. Para o jornal, havia uma forma melhor de medir isto que não fosse o número de seguidores. A consultoria desenvolveu um índice: a pessoa mais influente seria aquela cujo nome fosse o mais mencionado e cujas mensagens seriam as mais reproduzidas por outros usuários na rede.

Ilustração de La Tigre, da reportagem do The New York Times Magazine

O resultado da pesquisa apontou o nome de Rafinha Bastos, que também não fica atrás em número de seguidores. São mais de 2 milhões. “Quem é esse cara?”, perguntaram-se os americanos. Isto rendeu ao brasileiro uma entrevista para a edição online da conceituada revista americana Wired.

A primeira coisa que eu fiz foi ler as duas reportagens e tudo o que estava sendo falado sobre o assunto na internet. Depois, li diversas biografias online e fucei no site pessoal dele. Preparei-me e entrei em contato com o comediante. A ideia era fazer um perfil, tirando da história dele dicas de carreira e de como a internet turbinou a dele. Ele gostou da ideia e logo topou.

Na segunda-feira, dia 18 de abril, às 19h, poucas horas antes do CQC ir ao ar, Zé e eu nos encontramos com Rafinha na Band. A entrevista aconteceu no camarim do programa. Minhas primeiras impressões: Rafinha é altíssimo e – diferente da maioria dos seres humanos – é mais magro na TV. Educado, tem uma fala naturalmente engraçada e, para a minha surpresa, não é do tipo de comediante que faz piada de tudo.  

A nossa conversa durou poucos segundos mais que 33 minutos. Só foi interrompida quando ele nos pediu licença para gravar um áudio para o CQC. Só nessa meia hora já tínhamos um material imenso que nos renderia ótimas informações, mas com certeza se marcássemos mais outros dois encontros ainda teria muito a ser dito.  

De volta à redação, alguns dias depois, conversando pelos corredores com nossos vizinhos de baia, repórteres da revista Info, descobrimos que Rafinha Bastos seria capa da edição deles do mês de maio. O nosso desafio foi como falar de um assunto que seria – e já estava sendo – tão amplamente abordado na mídia de forma diferente? Aí aproveitamos uma grande sacada do nosso novo – e lindo! – projeto gráfico e editorial que é a seção Agora, um espaço onde cabem notas e perfis.

Poder Nerd: Rafinha Bastos vestido de Stormtrooper na capa de maio da revista Info

E foi lá que ficou o Retrato de Carreira de Rafinha Bastos. Nesta página, quem conta a história é o próprio personagem através de frases curtas – aproveitando a deixa, tipo Twitter: 140 toques - que podem ou não conectar-se entre si, inclusive, em ordem cronológica. Foi a maneira diferente que encontramos: publicar as frases do comediante como nos foi dita. Deixar o Rafinha contar.

O meu desafio particular foi transformar mais de 16 000 toques de entrevista em 1 500. IM-POS-SÍ-VEL! Quando você tem carinho por um texto ou um tema, é difícil desapegar. Acho que todo jornalista passa por isso. Mas, como diz a famosa frase: “Escrever é a arte de cortar palavras”, evoquei à Nossa Senhora Protetora dos Jornalistas o meu poder de síntese, e lá fui eu cortar ou, como chamamos em revista, editar. Li e reli o texto todo dezessete vezes, buscando as frases de maior impacto e que melhor explicariam a trajetória de carreira dele. O resultado – que ainda teve o corte final do editor Murilo Ohl – você confere na edição de maio, que está nas bancas a partir de hoje (12/05).

*Pelo tamanho do post, nota-se que cortar palavras não é exatamente o meu forte (risos).

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E no caminho para o trabalho….

25 abr
2011

Por Erica Martin

Moro na cidade de Ribeirão Pires, no ABC Paulista. De lá até a Zona Oeste de São Paulo, onde fica a redação da Você S/A, são 55 quilômetros.

Dificilmente vou de carro. Primeiro em função do tráfego intenso de veículos e segundo por causa dos gastos com estacionamento e combustível, desgastes físico e econômico que não valem a pena diante do tempo que levo para chegar ao trabalho sobre quatro rodas. Em horário de pico –  oito da manhã e sete da noite –  o tempo de viagem ultrapassa tranquilamente o período de duas horas.

A diferença parece não ser tão grande comparada ao tempo que levo para chegar ao trabalho de transporte público. Mas em contrapartida, não me estresso com a lentidão, a poluição gerada pelos automóveis e as buzinas ensurdecedoras.  Entre um trem, dois metrôs e uma caminhada de 10 minutos da Faria Lima até a Editora Abril, levo uma hora e 45 minutos para chegar na redação.

O que faço durante o trajeto? Quando bate aquele sono, aproveito para fechar os olhos e relaxar. Mas também costumo usar o tempo para ler. No momento estou na companhia de Tia Julia e o Escrevinhador de Mario Vargas LIosa.

Além disso, consigo adiantar alguns assuntos do trabalho. Estruturo as matérias que são definidas na reunião de pauta, reviso meus textos e leio materiais de apoio para ajudar na produção das reportagens, como livros, teses e pesquisas. Também aproveito para anotar minhas ideias de reportagens no papel- muitas  delas são filhotes do trajeto.

Na volta para casa, consigo encurtar a viagem em pelo menos 15 minutos, já que a Tatiana, repórter da Você RH,  está sempre disposta a dar uma carona. Depois do desembarque,  ainda resta uma hora e meia até chegar em casa, tempo suficiente para adiantar alguma coisa para o dia seguinte.

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Personagem por aclamação

11 abr
2011

Por Murilo Ohl, editor de carreira da revista VOCÊ S/A

Conheci Gustavo Braun em fevereiro durante um curso rápido sobre inovação digital na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), em São Paulo. Chamado pelo professor, ele apresentou para a classe o “case” de carreira dele: como deixou o cargo de gerente comercial de um laboratório todo arrumadinho para cair na vida empreendedora levando na bagagem, basicamente, um perfil no Twitter. O perfil, no caso, é @nairbello, um fake da atriz paulista Nair Bello (1931-2007), que tem mais de 80 000 seguidores. A mudança de carreira corajosa e inspiradora, acompanhada pelo humor refinado de Gustavo, conquistou a classe. Terminada a apresentação, meus colegas de curso gritaram: “ele precisa sair na VOCÊ S/A!”. Saí da escola com uma história já aclamada pelo público. Você também poderá conhecê-la na edição de abril da revista.

Quando você for ler a revista, acho legal você reparar:

- Que as redes sociais abrem infinitas oportunidades de carreira e negócios. Basta compreender a dinâmica das plataformas, coisa que Gustavo faz muito bem. Tanto que já criou um segundo o sucesso: o tumblr Fica, vai ter bolo (você já ouviu esse meme, certo?).

- No visual da matéria. Os editores Robinson Friede (arte) e Raul Junior (foto) fizeram uma máscara de Nair Bello e fotografaram Gustavo com ela no estúdio. Não existe nenhuma montagem. Uma solução simples, mas divertida. (Que só foi possível porque Gustavo comprou a ideia e entrou na brincadeira. No final da sessão, demos a máscara de presente para nosso personagem).

Um abraço e boa leitura!

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A VOCÊ S/A nas redes sociais

08 abr
2011
Imagem de Amostra do You Tube

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Surge uma matéria

01 abr
2011
Imagem de Amostra do You Tube

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De onde vêm as ideias?

01 abr
2011

Por Carol Eitelberg, designer da revista VOCÊ S/A

Se tem uma coisa que eu adoro na minha profissão é participar de todas as etapas de produção da matéria. Ok, todas não, afinal não escrevo os textos – apesar de adorar inventar títulos, legendas, e cortar o sumário – mas o resto, gosto de dar pitacos, pensar no conceito da pauta, buscar referências para melhor ilustrar, ver qual seria a forma mais adequada para fotografar e assim por diante.

Meu desafio, no mês passado, foi a matéria que abre a seção de carreira. Como já estou há tempos na revista, já passei várias vezes por matérias que falam sobre salário, remuneração baixa. E como inovar sem ser repetitivo?

Pensei em colocar um cara mostrando os bolsos vazios, mas cairia no óbvio e não passaria a exata questão da matéria, que é como descobrir se você ganha o justo.



Aí me veio na cabeça esse clássico…



Ok, isso jamais seria aprovado!

Aí pensei, se você ganha pouco é porque seu salário é pequeno. E salário pequeno significa dinheiro pequeno. Por que, então, não fazer umas notinhas minúsculas de 100 reais contrastando com uma mãozona recebendo? Foi o que fiz. Peguei uma nota de cem reais, reduzi e imprimi várias delas. Refilei (que nada mais é que recortar as laterais) uma a uma e finalmente cheguei no resultado que queria.


Mas para a matéria ficar lindona precisava de uma outra imagem para continuação. Escolhi a moeda de um real, só que fotografamos um botão, para que posteriormente o tratador de imagem aplicasse a moeda e desse a impressão de que era uma minúscula moeda de 1 real. Taí o resultado!

E, com um belo tratamento, ficou assim:

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Felicidade em livros

16 mar
2011

Por Elisa Tozzi, repórter de carreira

Eu sempre tenho que ler alguns livros para escrever certas reportagens. Para fazer a matéria “Seja Feliz”, publicada aqui ,li alguns que discutem o conceito de felicidade dentro e fora do trabalho. As obras me ajudaram a entender por que ficamos tão angustiados em busca de uma vida que nos dê momentos de alegria. Se você tem essa ansiedade também, os livros abaixo podem ajudá-lo bastante:

Felicidade
Eduardo Giannetti
(Companhia das Letras | 47,50 reais)
O que deu de errado com o projeto iluminista que, por meio do progresso da civilização, prometia a felicidade humana? Esta é a pergunta-chave do livro do economista e escritor Eduardo Giannetti. Para debater a questão, o autor cria um diálogo filosófico entre quatro personagens, todos amantes da filosofia e antigos colegas de faculdade. Em meio a algumas taças de vinho, eles tentam entender as maneiras de se alcançar a felicidade.

Os prazeres e desprazeres do trabalho
Alain de Botton
(Editora Rocco | 42,50 reais)
O filósofo suíço Alain de Botton acompanhou a rotina de diversos profissionais, como marinheiros de navios cargueiros, engenheiros especializados na construção de foguetes e consultores vocacionais, e reuniu suas impressões neste livro de dez capítulos. O escritor se aventurou nesses mundos para entender o que leva as pessoas a escolherem suas profissões e mapear as angústias e as felicidades  do cotidiano de diferentes trabalhadores. A conclusão? Há altos e baixos em todos os lugares e o que faz a diferença é a paixão em exercer determinada tarefa.

A mais bela história da felicidade
André Comte-Sponville, Jean Delumeau e Arlette Farge
(Editora Difel | 33 reais)
Entrevistas com o filósofo André Comte-Sponville, o especialista em religiosidade Jean Delumeau e a historiadora Arlette Farge formam este livro cujo objetivo é discutir a felicidade. Os intelectuais franceses analisam o desenvolvimento do conceito em diferentes épocas (da antiguidade grega até a modernidade), conversam sobre a angústia da construção de uma vida feliz e tentam entender por que a busca da felicidade é um dos principais objetivos humanos.

Delivering Happiness
Tony Hsieh
(Editora Business Plus | 16,75 dólares na Amazon, sem as taxas de entrega)
CEO do site americano de compras online Zappos.com, o coreano Tony Hsieh conta como fundou uma empresa rentável, que fatura mais de um bilhão de dólares, baseada em uma forte cultura organizacional voltada para disseminar a felicidade entre clientes e funcionários. Entusiasta do bom humor no trabalho, Tony só contrata pessoas que têm valores semelhantes aos da sua empresa e não admite colaboradores que não se divirtam com os negócios.

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Como a VOCÊ S/A de março foi feita

10 mar
2011

Por Ananda Protti Morais, editora de multimídias

Imagem de Amostra do You Tube

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Sobre a capa de Você S/A – ed.153 março/11

10 mar
2011

Da redação – Alexandre Deruiz – diretor de arte

A capa de Você S/A deste mês de março/11 traz uma estética baseada num estilo bem peculiar do começo do século: os cartazes politicos construtivistas russos. Com a intenção de comunicar objetiva e claramente a grandes massas de pessoas esses cartazes trouxeram a tiracolo uma revolução no design gráfico da época com a utilização misturada de fotografia e tipografias em perspectivas de forma impactante e com muita beleza, fazendo destas peças não só importantes veículos de persuasão mas também verdadeiras obras de artes consagrando artistas e influenciando outros.

Bem, nada mais adequado então do que usarmos esse estilo visual e gráfico para divulgar uma capa de revista cujo assunto é OFERTAS DE EMPREGO e angariarmos assim a atenção de milhares de leitores. Como é de costume preparamos para esta edição 4 versões de capa que serão distribuídas em 4 regiões diferentes do país. O que muda é a parte inferior de cada capa que informa a quantidade de vagas na região e a foto de um dos seus principais empregadores. Pretendemos assim chamar a atenção do leitor de forma mais direta e arrebatadora.

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