Foto: posada ou natural?
2011
Por Raul Junior , editor de Fotografia da VOCÊ S/A
Henri Cartier-Bresson ou Yousuf Karsh? Qual desses fotógrafos você prefere? Claro, a grande maioria provavelmente gosta mais ou se identifica mais com o trabalho do fotógrafo documentarista francês Cartier-Bresson, que andava para cima e para baixo com a sua inseparável Leica. E não é para menos. Ele é o ícone do fotojornalismo do século XX, que se inspirava no cotidiano, e que dizia: “o papel do fotógrafo é documentar e para isso é necessário uma câmera eficiente e intuição” . Artista, poeta e desenhista, Bresson não gostava de fotos posadas. Ele preferia fotografar natural e suavemente.
Já Yousuf Karsh preferia os retratos. O fotógrafo canadense, de origem armênia, tinha habilidade e determinação especiais para conseguir um belo retrato. Ele mesmo dizia que “quando você fotografa uma pessoa você fotografa a sua alma” . É dele o retrato mais famoso e mais reproduzido do mundo. Ele queria retratar o ex-primeiro ministro britânico Winston Churchill sem o seu contestável charuto, o que seria uma foto inédita. Karsh montou a câmera num tripé, entoou o “olha o passarinho” – e, o melhor de tudo-, foi até Churchill, arrancou-lhe o charuto abruptamente e, antes de qualquer reação do ministro, desferiu-lhe apenas três cliques imortais. Foi o suficiente para eternizar o que seria o seu melhor retrato, ainda que Churchill quisesse esganá-lo, de tanta raiva que ficou.

E eu, Raul Junior, respondendo à minha pergunta inicial prefiro Karsh. Ainda que tenhamos fotógrafos de nome e renome como Ansel Adams, Don Mc Cullin, Josef Koudelka, Robert Capa, Gisele Freund, Ernst Haas, Marc Ribould, Sebastião Salgado e tantos outros, prefiro Karsh. Simples assim porque eu prefiro os retratos. Eu gosto de fotografar pessoas. Eu gosto de me envolver com a emoção e sentimentos das pessoas na hora de fotografá-las. Guardadas todas as proporções possíveis eu também gosto de fotografar a “alma das pessoas”. Gosto de ver seus olhos brilhando e sentir isso passando para as fotos. Gosto de perceber mais a emoção do que a vaidade da pessoa a ser retratada. O retrato é para sempre. E aquele momento único, que nunca mais vai se repetir – mesmo que você faça mil cliques subsequentes -, tem de ser bem preparado e bem executado. A diferença do retratista – e assim me considero humildemente -, é que ele interfere diretamente na pose, no posicionamento das mãos, braços, pernas e tronco e, muito especialmente, no direcionamento do olhar, da pessoa fotografada. Ah, não se pode esquecer - o que seria um pecado capital -, de desenhar uma bela luz, bem estudada e bem calculada, que é –ao mesmo tempo -, a pintura e a moldura do corpo.















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