A unanimidade também pode ser burra… na área de investimentos

14 mai
2012

O Ibovespa recuou 3,29% no período de um mês, entre 10/04/12 e 10/05/12. Como ele é um índice que apura o desempenho médio da bolsa paulista, existem ações que tiveram perdas acima desse patamar, a exemplo das ações da Petrobras (PETR4, com queda de 6%), e abaixo dessa referência, como as ações da Vale (VALE5, com perda de 2,72%).

Dependendo do setor de atividade, as perdas foram superiores como, por exemplo, no setor de construção/imobiliário. O IMOB, índice médio de desempenho do setor, experimentou perda da ordem de 3,82%. Já o ICON, que reflete o desempenho do setor de consumo/varejo, teve ganho de 1,71% no mesmo período. O mesmo aconteceu com o setor de eletricidade, medido pelo IEE, que obteve retorno positivo de 3,18% entre as datas listadas.

Apesar de um cenário negativo para a bolsa como um todo, percebe-se que existem setores de atividade que mostraram desempenhos diferenciados da média Ibovespa; alguns registrando altas enquanto outros apresentaram baixas. Isso mostra que dependendo da conjuntura econômica e momento vivido pelo mercado, os investidores dão preferência a determinados setores.

Dessa forma, o ideal é que se procure antecipar os movimentos da economia local e internacional, que se movem de maneira cíclica – alternando períodos de crescimento e de retração -, para procurar setores de atividade onde os investimentos em ações possam se mostrar mais proveitosos.

No caso do setor de commodities, onde entram as ações da Petrobras e da Vale, ele foi bastante prejudicado pelo cenário macroeconômico mundial vivido no último mês. Por outro lado, o setor de consumo/varejo, ligado ao desempenho da economia local – apesar da fraca perspectiva de crescimento econômico do país – tem sido beneficiado pelos estímulos creditícios e fiscais proporcionados pelo governo, assim como pelo crescimento da massa de salários e renda da população como um todo.

Entretanto, a economia global continua a viver momentos de indefinição; fato que tem levado os mercados a experimentar alto nível de volatilidade nos preços dos ativos – a qual deve permanecer por um bom tempo. A crise da dívida soberana europeia continua a “dar frutos”, a economia chinesa luta para não sofrer um “hard landing” e os EUA insistem em apresentar alto nível de desemprego e baixo nível de contratações, perpetuando a fraqueza da demanda interna por bens e serviços. Vale lembrar que se não houver consumo, não haverá aumento nas contratações e, se não houver contratações, não haverá crescimento consistente do consumo…

Portanto, as perspectivas não são nada animadoras para a economia global. Por outro lado, conforme já observado, esse fato tem propiciado fortes quedas nos preços de algumas ações, deixando esse ativos relativamente baratos dentro de uma perspectiva de valor, tendo-se em vista o médio e longo prazos.

Além disso, é bom lembrar que para se obter sucesso nos investimentos em ações uma das regras básicas é “comprar bem”. Nesse sentido, deve-se procurar comprar ativos de risco quando existe muita venda e pouca compra – o que tende a tornar os seus preços convidativos -; assim como deve-se vender esses ativos quando existe muita compra e pouca venda dos mesmos – o que tende a tornar os seus preços proibitivos. Ou seja, é importante ter a percepção de que, como em outras situações na vida, muitas vezes, na área de ações, a “unanimidade também pode ser burra”. Talvez seja uma boa hora para começar a estudar a compra de algumas ações que satisfaçam a esses pré-requisitos.

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Qual é a melhor aplicação de renda fixa: pré ou pós-fixada?

02 mai
2012

Quando se aplica dinheiro em renda fixa, um dos principais objetivos é obter o maior juro real possível durante o período da aplicação. Os juros reais representam a parcela da remuneração recebida que excede a inflação registrada no período. Assim, descontada a inflação do total de juros recebidos, obtém-se os juros reais que remuneraram o capital aplicado. Vale lembrar que para saber a remuneração líquida final recebida pelo investidor deve-se, também, descontar o imposto de renda que é pago pelo aplicador para o Fisco.

Ao perseguir o recebimento de juros reais em suas aplicações de renda fixa, o investidor consegue não apenas manter o seu poder aquisitivo (de compra) ao longo do tempo, mas também ganhar algum “prêmio” pelo fato de que abdicou do consumo presente para poder consumir mais no futuro. Esse é o racional do “ato de poupar” e receber alguma remuneração por isso.

Entretanto, decidir sobre que tipo de aplicação de renda fixa realizar para atingir esse objetivo envolve fazer previsões sobre o comportamento dos juros prefixados e da inflação no período da aplicação; o que torna o processo mais difícil e complicado. Ainda mais nesse momento, quando o Banco Central vem de um ciclo de redução da taxa básica de juros da economia (a taxa Selic) de 3,5 pontos percentuais até agora – e com possibilidades de reduzi-la ainda mais.

Nesse sentido é importante que sejam fornecidos alguns parâmetros para que o investidor possa avaliar se deve fazer aplicações prefixadas ou pós-fixadas (indexadas à taxa Selic ou à inflação) nesse momento.

Encontram-se, nos links abaixo, algumas tabelas e gráficos que fornecem indicadores de qual juros reais as aplicações prefixadas podem receber, calculadas com base nas taxas de juros anuais negociadas em contratos futuros de taxas de juros (DI’s) na BM&F em 30-04-2012.

Para iniciar as comparações é importante saber a que taxas de juros prefixadas estavam sendo negociados os DI’s na BM&F nesta data (base nos preços de fechamento de 30/04/2012). Vale observar que os dados foram utilizados para todos os cálculos precedentes.

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A primeira tabela encontrada no link a seguir, indica qual seria a remuneração real obtida pelo investidor ao aplicar seu dinheiro em prefixados em diferentes períodos. Nesse caso, está implícita uma estimativa de inflação utilizada nas projeções do mercado, chamada de cenário de mercado (vide relatório Focus divulgado em 30/04/12).

http://investcerto.files.wordpress.com/2012/05/juroreal-cen-merc.png

A segunda tabela encontrada no link a seguir, também indica qual seria a remuneração real obtida pelo investidor ao aplicar seu dinheiro em prefixados em diferentes períodos. Porém, nesse caso, está implícita uma estimativa de inflação utilizada nas projeções do Banco Central, chamada de cenário de referência – mais conservadora que a do cenário de mercado.

http://investcerto.files.wordpress.com/2012/05/juroreal-cen-ref.png

Percebe-se que se a inflação projetada sobe (vide as duas tabelas), os juros reais recebidos pelo investidor caem.

Além dos títulos prefixados, é importante que se tenha uma referência de como são negociados os títulos pós-fixados indexados à inflação. Eles fornecem de maneira direta qual é a remuneração real obtida na aplicação, na medida em que se negociam apenas os juros acima da inflação.

No caso, encontra-se no link a seguir, uma tabela com informações sobre aplicações em títulos do governo negociados pelo Tesouro Direto em 30/04/2012. Nessa tabela de preços/remuneração pode-se ver que são negociados basicamente títulos indexados ao IPC-A, títulos prefixados e títulos indexados à taxa Selic.

http://investcerto.files.wordpress.com/2012/05/tesourodireto.png

Vale comparar as várias tabelas disponibilizadas entre si para perceber qual dos tipos de aplicação poderá trazer maior retorno (juros reais) ao investidor.

Deve ser mencionado que as taxas de inflação futuras (dados os juros prefixados obtidos nesse momento) é que acabarão por determinar o quanto será recebido de juros reais pelo aplicador. Dessa forma, encontra-se, a seguir, um gráfico que mostra as taxas de inflação anuais (últimos 12 meses) que fundamentam os cálculos dos juros reais, tanto no cenário de referência utilizado pelo Banco Central quanto no cenário de mercado – baseado nas estimativas feitas pelo próprio mercado.

http://investcerto.files.wordpress.com/2012/05/ipc-a-12-meses-20122.png

Por fim, um alerta deve ser feito. Parece que é objetivo do governo reduzir ao máximo as taxas de juros no curtíssimo prazo, nem que para isso precise alterar as regras vigentes na poupança. Além disso, devido à política econômica voltada para o crescimento da demanda que vem sendo empregada por ele recentemente, é possível que a taxa de inflação, hoje comportada, venha a aumentar no futuro. E isso poderá vir a prejudicar o rendimento real de aplicações prefixadas feitas nesse momento.

Portanto, cuidado! Considere a possibilidade de investir em títulos atrelados ao IPC-A para não ter o poder de compra achatado quando do vencimento da aplicação.

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Analistas de ações: o que se pode esperar deles?

17 abr
2012

Para que um profissional possa executar a função de analista de ações ele precisa obter registro de analista junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). E para tanto, é necessário que possua formação superior (graduação) e que tenha sido aprovado em prova(s) de certificação sobre conhecimentos específicos de sua área de atuação, realizada por entidade reguladora do mercado de capitais; no caso, a Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (APIMEC).

Analista de Ações

Mas afinal, qual é a função dos analistas de ações? Em termos gerais é fazer recomendações sobre títulos e valores mobiliários tendo em vista “orientar” os investidores acerca de seus investimentos no mercado de capitais. Dentro do cardápio de recomendações, pode-se listar as recomendações de compra, ou de venda de ações e a formulação de estratégias sobre ativos e/ou instrumentos financeiros de renda fixa ou variável.

As estratégias envolvem o posicionamento (de compra ou de venda) sobre determinado instrumento financeiro ou combinação de instrumentos durante determinado período. Por isso, demandam condições específicas para serem utilizadas, assim como timing adequado para tanto.

Os analistas utilizam “ferramentas de análise” para poder gerar tais recomendações. Em geral são utilizadas as ferramentas de análise técnica (ou grafista) e a análise fundamentalista. Basicamente a análise técnica utiliza gráficos e estudos sobre o desempenho histórico (dos preços) dos ativos para concluir sobre a recomendação de compra ou de venda a seu respeito. Já a análise fundamentalista utiliza informações de ordem econômico-financeira sobre as companhias emissoras de ações para tal.

Pode-se afirmar que existe uma outra classe de ferramenta de análise utilizada pelos analistas para gerar recomendações de compra ou de venda sobre ativos, assim como sobre a formulação de estratégias. É a análise quantitativa, que utiliza cálculo numérico, estatística e econometria para realizar essas recomendações. Dessa forma, essa ferramenta pode ser utilizada para fundamentar tanto a análise técnica quanto a fundamentalista.

Agora que já se sabe de que forma os analistas trabalham, vale observar o que se pode esperar deles. Ou seja, o que, de fato, pode-se esperar das recomendações dos analistas. Como em qualquer área profissional, espera-se que os analistas sejam bem sucedidos em suas recomendações. Isto é, que o grau de acerto sobre elas seja elevado. Dado que muitos investidores “seguem” as recomendações de analistas, está claro que o desempenho de seus investimentos depende da qualidade das recomendações destes analistas.

Entretanto, não se deve esperar que os analistas acertem sempre em suas recomendações, pois isso é virtualmente impossível. Por outro lado, em média, seus acertos devem ser superiores aos seus erros para que suas recomendações possam agregar valor ao desempenho dos investimentos daqueles que seguem suas recomendações. Ademais, isso é fundamental para que eles próprios sobrevivam como profissionais de investimentos (analistas) no mercado.

Existem algumas maneiras de aferir o desempenho desses analistas:

- conferir, em base contínua, seus erros e acertos nas recomendações formuladas;
- consultar regularmente publicações especializadas que contenham rankings sobre o desempenho dos analistas de ações (e suas recomendações) em determinado período;
- procurar instituições que possuam elevado histórico de acertos nas recomendações de seus analistas.

Por fim, é importante que os relatórios de recomendação elaborados pelos analistas sejam lidos e avaliados pelos interessados, em termos de sua qualidade intrínseca. Nesse aspecto, devem ser priorizadas na avaliação a análise sobre a tese e/ou estratégia de investimento formulada, seus fundamentos e fatores de risco que podem vir a condicionar o sucesso ou fracasso do desempenho do investimento a ser realizado.

Dessa forma, será possível perceber a qualidade do trabalho do analista tanto em termos da pertinência e alinhamento da recomendação com o momento vivido pelo mercado, quanto da profundidade e amplitude da análise elaborada por ele em sua recomendação.

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Cautela e caldo de galinha nunca fizeram mal a ninguém.

10 abr
2012

O agravamento do quadro internacional com a sinalização de que a economia chinesa está em processo de desaceleração mais intenso do que o esperado (a conferir nessa sexta-feira, 13-04, com a divulgação do crescimento do PIB relativo ao 1TRI/12), em conjunto com os temores de uma recidiva da crise da dívida soberana europeia com a Espanha, Portugal e Itália, levaram os mercados a forte realização de lucros nesse início de abril.

Caldo de Galinha

Quem tinha ficado “de fora” do rali de alta experimentado pela BMF&Bovespa no primeiro trimestre de 2011, pode estar com vontade de aproveitar a queda e voltar ao mercado. Pode estar sentindo aquela “coceirinha”… De fato, já se pode vislumbrar algumas oportunidades para entrar no mercado. Mas não de imediato!

Para melhorar a chance de “acertar”, deve-se ser muito seletivo em termos da escolha das ações para investir, assim como deve-se ter como regra, a diversificação dessa carteira de ações para não concentrar investimentos em algumas poucas ações ou setor de atividade específico.

Mesmo assim, com a escolha correta da ação e/ou setor, corre-se o risco de ter surpresas desagradáveis, uma vez que não se pode prever até quando e em que magnitude, o ajuste no preço das ações irá acontecer. Caso se configure, de fato, um retorno à crise da dívida europeia nas versões espanhola, portuguesa ou italiana, ou ainda fique claro que irá acontecer uma desaceleração mais forte do que o esperado na economia chinesa, os preços das ações locais podem cair muito.

Dessa forma, caso o investidor queira fazer uma aposta na bolsa brasileira, sugiro que espere um pouco para que o cenário fique menos nebuloso; mesmo que isso represente sacrificar um pouco do lucro potencial do investimento. Em princípio, deve-se escolher ações de companhias que tenham pouca correlação com o preço das commodities e que tenham seus negócios focados no mercado interno para tentar neutralizar o máximo possível a influência do cenário externo sobre a carteira de ações.

Esse comportamento não representa nenhuma novidade para o investidor, uma vez que os analistas têm, em sua maioria, “batido nessa tecla”. Setores como o de consumo, comércio varejista e construção (construtoras e produtoras de insumos para o setor), podem atender a esses requisitos. Além desses setores, pode-se diversificar a carteira com ações do setor de “utilities” – grandes prestadoras de serviços públicos -, que fazem o fornecimento, comercialização e transmissão de energia elétrica, água e gás, por exemplo.

Agindo dessa forma o investidor poderá calibrar melhor a relação retorno-risco de seu investimento em ações e não ficará totalmente à mercê dos acontecimentos na economia mundial. Mas deve ter claro em sua mente que há muita volatilidade para acontecer e que o investimento em ações precisa de algumas condições específicas para ser bem sucedido; dentre elas: o timing da compra das ações, o perfil de risco do investidor e o timing da venda das ações.

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Investigue bem antes de investir

02 abr
2012

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) tem como objetivos proteger e orientar o investidor no que diz respeito ao correto funcionamento do mercado de capitais local.

Para isso ela cria normas e regulamentos, assim como fiscaliza as instituições que emitem valores mobiliários negociados no mercado local: fundos de investimento, ações, títulos de renda fixa etc..

CVM - Proteção ao Investidor

Além de criar regulamentos estritos para emissão desses valores, a CVM também se preocupa com a intermediação desses valores mobiliários negociados no mercado local. Nesse sentido, ela cria regulamentos e fiscaliza os agentes autorizados a distribuir valores mobiliários no mercado.

Portanto, sua preocupação tem três vertentes principais:

- assegurar que os emissores de valores mobiliários estejam habilitados para tanto,
- que esses valores mobiliários estejam de acordo com suas determinações
- que a intermediação (distribuição) desses valores mobiliários seja feita por agentes autorizados por ela.

Ao proceder dessa maneira, ela procura garantir que os investidores possam investir em produtos/instrumentos financeiros legalizados que sejam negociados por agentes credenciados para essa tarefa.

Dessa forma, ela procura eliminar a possibilidade de que os investidores sejam alvo de “golpes” realizados por vigaristas e oportunistas. Entretanto, para que isso seja uma realidade, é necessário que o investidor seja esclarecido a respeito do “normal” funcionamento do mercado e dos tipos de “golpes” aos quais pode estar sujeito se não tomar as devidas precauções.

Para atingir esse objetivo, a CVM incentiva os investidores a visitar o seu web site (http://www.cvm.gov.br/) com frequência, onde notícias importantes são divulgadas por ela, em bases atualizadas.

Além disso, ela disponibiliza, em parceria com outras instituições governamentais (ou não), uma série de informações dentre as quais: noções sobre educação financeira e investimentos; orientação sobre como investir para não “cair em golpes”; funcionamento do mercado de capitais etc..

Por fim, ela enfatiza a necessidade de que o investidor seja pró-ativo, devendo sempre “investigar bem antes de investir”.

Para um guia a respeito dessas questões, acesse os links abaixo:

http://www.portaldoinvestidor.gov.br/

http://www.cvm.gov.br/port/infos/BoletimCVM_DPDC%202011.pdf

http://www.cvm.gov.br/port/infos/Boletim%20CVM%20DPDC%202.pdf

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Opções sobre ações: estratégia para momentos de incerteza

26 mar
2012

Muitos players de mercado, entre eles bancos do porte de um Goldman Sachs, de Fundos como o Oppenheimer enxergam a possibilidade de que o rali de alta nas bolsas mundiais se estenda por dois ou três anos! Entretanto, a velocidade e magnitude da alta das bolsas desde outubro/2011 levanta algumas dúvidas se vale à pena entrar na bolsa nesse momento. É claro essa decisão e a escolha das ações (e respectivos setores de atividade) é crítica para a possibilidade de sucesso do investimento, seja no curto ou no longo prazo.

Opções - Incerteza

Entretanto, a possibilidade de uma realização de lucros mais forte e até a mudança da tendência de alta recente não estão descartadas. Além disso, como divulgado por vários analistas técnicos, muitas ações estão para testar importantes suportes gráficos em seus preços; o que pode deflagrar a inversão da tendência de alta do mercado caso sejam rompidos.

Uma estratégia viável para se beneficiar da eventual continuidade da alta das bolsas no curto prazo, no sentido de que envolve risco limitado de perda, pode ser a compra de opções de compra. Dessa forma, na hipótese de que a BMF&Bovespa volte a subir no curtíssimo prazo o investidor estaria posicionado na compra de opções de compra (calls). Por outro lado, caso o mercado mergulhasse em uma realização de lucros mais forte e/ou invertesse a tendência, a perda estaria limitada ao prêmio pago pelas opções de compra.

Infelizmente, devido à pouca liquidez existente no mercado local de opções sobre ações, a estratégia estaria limitada a poucas opções sobre ações de alguns setores específicos como o de petróleo (OGXP3, PETR4), mineração (VALE5), siderurgia (USIM5) e financeiro (BVMF3 e ITUB4).

Assim, caso a avaliação sobre esses setores seja positiva e sobre as ações listadas acima também, é possível avaliar mais objetivamente a compra de opções da série D (com vencimento em 16/04/12, ou da série E (com vencimento em 21/05/12).

Vale lembrar que uma análise sobre os preços de suporte e resistência, assim como da situação econômico-financeira (resultados no último balanço trimestral) dessas ações são importantes na escolha do setor/companhia a ser objeto da compra de opções de compra. Além disso, pode-se optar pela compra de opções, fora do dinheiro, no dinheiro e dentro do dinheiro. Minha sugestão é de que se procurem opções levemente fora do dinheiro. Apesar de que seus ganhos possam não ser tão grandes (a princípio) quanto os de uma opção dentro do dinheiro, se o mercado permanecer estável ou em queda até o vencimento da opção sua perda não terá sido tão grande.

Pode parecer que essa é uma análise simplista da situação, mas a verdade é que a estratégia envolve a “compra de tempo” e o adiamento da decisão de compra da ação à vista por um ou dois meses, quando o cenário atual estará mais claro e definido. Vale ressaltar que ao comprar opções o “desencaixe” do investidor, que também pode ser visto pela ótica do “valor em risco” do investimento, é de apenas uma fração do valor necessário para a compra de uma ação.

Assim, se for o caso, o investidor poderá exercer a compra da ação à vista no vencimento da opções ou simplesmente não fazê-lo se não for interessante para ele. No caso do pior cenário possível, com forte queda no preço da ação, ele terá perdido o valor pago (desencaixe) na compra da opção, o qual poderá ser muito inferior à perda que poderia ter ocorrido na compra da ação. Por outro lado, na hipótese de uma forte alta para o preço da ação, ele terá obtido um resultado satisfatório, tendo em vista a relação retorno-risco envolvida na decisão de se investir em ações ou em opções.

Não se pode esquecer que a partir do momento em que a opção de compra for exercida, o investidor estará comprado em ações à vista e sujeito ao risco (de alta ou de baixa) de seu investimento em bolsa. Todavia, caso o mercado venha a confirmar a tendência e o rali de alta das bolsas venha, de fato, a perdurar por um longo período, essa terá sido, com certeza, a decisão mais inteligente que poderia ter tomado dado o cenário desse momento.

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Opções sobre ações: proteção ou especulação?

20 mar
2012

Segunda-feira, 19 de março/2012 foi dia de vencimento de opções sobre ações na BM&FBovespa. A Bolsa de valores negocia, além de ações à vista, outros ativos e derivativos como futuros e opções sobre ações.

Nessa segunda-feira, o volume financeiro negociado no vencimento das opções foi de R$ 6,4 bilhões, conforme divulgado pela imprensa. Para se ter uma ideia do que isso representa, basta dizer que muitas vezes o volume diário negociado no mercado à vista de todas as ações pertencentes ao índice Ibovespa é similar a essa quantia. Além disso, deve-se ter em mente que há pouco tempo atrás, negociava-se apenas opções sobre as ações da Petrobras PN (PETR4) e da Vale PN (VALE5).

Volume financeiro negociado - Fonte BM&FBovespa; site Infomoney

Entretanto, atualmente, a situação é diferente. Existem mais alternativas para aqueles que querem “operar” opções sobre ações. A BM&FBovespa vem implementando, com sucesso, já há alguns meses, um programa para melhorar a liquidez do mercado de opções, por meio da qualificação e definição de “formadores de mercado” (market makers) para opções. Essa função é executada por uma corretora de valores especialista que se dispõe, dentro de determinadas regras e parâmetros, a “dar liquidez” às opções sobre determinadas ações.

Hoje se encontra liquidez a qualquer momento durante o pregão regular para opções de compra e de venda sobre ações da OGX Petróleo (OGXP3), do banco Itaú (ITUB4), da Usiminas (USIM5) e da BMF&Bovespa (BVMF3). Assim, os setores de petróleo e gás, financeiro e siderúrgico já possuem “representantes” sendo negociados com facilidade nesse mercado de derivativos. Infelizmente, as opções sobre as ações mais negociadas na bolsa, que são as da Petrobras (PETR4) e as da Vale (VALE5), ainda não possuem liquidez adequada para suas opções de venda – apesar de, conforme ressaltado, possuírem a maior liquidez do mercado para suas opções de compra.

Vale lembrar que o mercado de opções sobre ações é um mercado muito grande e desenvolvido em países cujo mercado de capitais já está consolidado. Além disso, é bom ressaltar que o mercado de opções, apesar da incompreensão de alguns, é um mercado fundamental para dar “suporte” e liquidez ao mercado à vista. Ou seja, sem ele, o investidor em ações negociadas à vista carece de importante instrumento de proteção/hedge para suas posições.

É claro que essa discussão tem dois lados, como qualquer coisa na vida: uma moeda, um ponto de vista, ou até mesmo a verdade… Isto é, ao mesmo tempo em que as opções têm a capacidade de prover proteção (hedge) para alguns investidores em determinadas situações, elas também permitem que outros especulem com base no movimento de preço das ações ao longo do tempo. E muita gente acha que por essa razão (facilitar a especulação) os derivativos deveriam ser “demonizados” e banidos dos mercados…

Mercado de Opções: opção de compra (call) e opção de venda (put)

Pode-se especular com perdas totais limitadas ao prêmio pago pelas opções, nos casos das chamadas “compras secas” de opções. Ou seja, quando o especulador compra uma opção de compra ou de venda sobre uma determinada ação. No primeiro caso, na compra da opção de compra (call), ele estará apostando na alta do preço da ação, até a data do vencimento daquela série de opções. Já no caso da compra de uma opção de venda (put), ele apostará na queda do preço da ação até aquela data.

Por fim, existe uma enorme variedade de estratégias com opções sobre ações que permitem os mais variados “desenhos” de gráficos de lucros e perdas (baseados na data de vencimento das opções) tanto para os “hedgers” (que as utilizam como mecanismo de proteção) quanto para os especuladores (que as utilizam como mecanismo de especulação). O que é muito bom e sadio para o nosso mercado de capitais.

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Investir em título prefixado agora é bom negócio?

11 mar
2012

O Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil (COPOM) acaba de reduzir a taxa básica de juros da economia (taxa Selic) em 0,75 ponto percentual, tendo fixado seu patamar em 9,75% a.a. Essa taxa serve de referência para as taxas de juros prefixadas e pós-fixadas brasileiras. Veja como estão as projeções da taxa Selic para os próximos meses no link abaixo.

Estudo: Curvas de Juros Spot e a Termo – 09/03/2012 (às 12h23)

A remuneração prefixada para investimentos de renda fixa determina que o título pague uma taxa prefixada ao investidor. Ou seja, mesmo que as condições da economia e do mercado tenham mudado em decorrência, por exemplo, de uma mudança no patamar de inflação, o título pagará, no seu vencimento, o rendimento que foi preestabelecido no momento da aplicação.

Já a remuneração pós-fixada determina que o rendimento do título seja composto de uma parcela prefixada (o juro real estabelecido) que é adicionada à parcela pós-fixada do rendimento do título – em geral atrelada à variação do índice de inflação (IPCA) calculado pelo IBGE. Assim, os títulos pós-fixados estão “defendidos” em caso de aumentos no patamar da inflação.

O governo, via o sítio do Tesouro Direto, vende títulos prefixados (LTN’s) e pós-fixados (NTN-B) entre outros. Veja, no link a seguir, as taxas de juros pelas quais ele vende diversos tipos de títulos.

http://www.tesouro.fazenda.gov.br/tesouro_direto/consulta_titulos/consultatitulos.asp

Mas a questão relevante é a seguinte: é bom negócio investir em títulos prefixados nesse momento, após o governo ter “derrubado” a taxa de juros Selic em 2,75 pontos percentuais a partir de agosto/2011 – quando ela estava em 12,5% a.a.?

Veja como estavam as taxas de juros à vista e a termo dos DI’s negociados na BM&F na sexta-feira, 09/03/12. Vale lembrar que os DI’s são títulos virtuais negociados por desconto na BM&F e que são utilizados como referência para as taxas de juros prefixadas futuras da economia.

Curva de Juros DI's BM&F

A resposta não é simples; mas é importante ter em vista que o “mercado” já ajustou a rentabilidade de todos os títulos ao novo cenário de taxas de juros. Isso quer dizer que as taxas de juros dos títulos prefixados (para os vários vencimentos) foram reduzidas tendo em vista o cenário atual (Selic a 9,75% a.a.) e o prospectivo (Selic a 8,5% a.a. por volta de agosto de 2012), traçado pela expectativa do mercado em relação à condução da política monetária e de juros do Banco Central do Brasil – COPOM.

Deve-se tomar muito cuidado ao investir em títulos prefixados nesse momento, pois os ganhos potenciais esperados por novas reduções da taxa Selic são reduzidos. Isto é, a possibilidade de que as taxas caiam abaixo dos 8,5% a.a. esperados pelo mercado são mínimas – pelo menos a curto prazo. Além disso, devido às condições atuais da economia brasileira e, por conta da expectativa de política econômica a ser implementada pelo governo, as chances são de que a inflação – em situação favorável nesse momento – volte a ficar pressionada mais à frente.

Nesse sentido, o mercado espera que as taxas de juros prefixadas voltem a ser elevadas pelo Banco Central a partir de janeiro do ano que vem, como pode ser visto pela curva de juros dos DI’s. Dessa forma, o risco dos prefixados é grande; e, caso se deseje aplicar em títulos de renda fixa, deve-se considerar o investimento em títulos pós-fixados, indexados à inflação (IPCA), como medida de defesa para um eventual descontrole da inflação no futuro, decorrente da atual política econômica implementada pelo governo.

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A Petrobras é “craque” em destruir valor!

01 mar
2012

Deve-se ter em mente que um dos principais objetivos de uma companhia aberta (aquela que tem suas ações negociadas em bolsa) é gerar lucro e, consequentemente, criar valor para os seus acionistas em decorrência do aumento de preço de suas ações negociadas em bolsa.

Existem outros objetivos tão importantes quanto esse, que giram em torno da esfera da responsabilidade social e ambiental da companhia. Entretanto, o foco da discussão é a questão não resolvida do desempenho financeiro recente da Petrobras e de sua perspectiva para o futuro.

Se a habilidade para “destruir valor” demonstrada pela Petrobras nos últimos 2 anos fosse utilizada para a “criação de valor”, hoje a Petrobras estaria, com certeza, entre as companhias abertas mais valorizadas do mundo . E os seus acionistas, grandes ou pequenos, não teriam do que se lamentar. Infelizmente, essa não é a realidade que se apresenta.

Gráfico Candlestick em base mensal das ações PN da Petrobras (PETR4)

O valor das ações da Petrobras era de R$ 38,64 para cada ação ON e de R$ 34,57 para cada ação (PN) no início de janeiro/2010. Vale lembrar que o ano de 2009 foi um ano de forte recuperação do preço das ações, refletindo a melhora das bolsas no pós-crise de 2008.

No início de janeiro/2011, o valor das ações da Petrobras já era de R$ 29,36 para cada ação ON e de R$ 26,66 para cada ação (PN). O que mostra uma desvalorização da ordem de 24% para as ações ON e de 22,88% para as ações PN da companhia durante o ano de 2010.

Já no início de janeiro/2012, o valor das ações da Petrobras era de R$ 22,93 para cada ação ON e de R$ 21,51 para cada ação (PN). A desvalorização apresentada pelas ações durante o ano de 2011 foi de cerca de 21,90% para as ações ON e de 19,31% para as ações PN da companhia.

Com a forte recuperação das bolsas em geral e das ações da Petrobras em particular ao longo de janeiro e fevereiro de 2012, o valor de suas ações subiu até o final de fevereiro, sendo cotadas a R$ 25,70 para cada ação ON e R$ 24,31 para cada ação PN. A valorização apresentada nesse período foi de 12,08% para as ações ON e de 13,01% para as ações PN da companhia.

Entretanto, pode-se ver que ao longo dos últimos 14 meses (até início de janeiro/2011), as ações da Petrobras se desvalorizaram 12,46% no caso das ON e 8,81% no caso das PN. Caso fosse considerado o período de 26 meses (até início de janeiro/2010), a perda teria sido de 33,49% no caso das ON e de 29,68% no caso das PN.

Pode-se argumentar que a economia mundial permanece em crise, para justificar o pífio desempenho das ações da Petrobras. Mas não se pode negar que o lucro da companhia míngua a cada trimestre; resultado de uma política explícita do governo de manutenção dos preços dos combustíveis para combater a inflação.

Além de não reajustar os combustíveis, diminuindo a margem de lucro da Petrobras, a companhia ainda subsidia os preços internos da gasolina e do diesel que é obrigada a importar a preços mais altos para abastecer o mercado local.

O mercado chegou a acreditar que com a troca de comando da Petrobras a estória seria outra; mas, ao que tudo indica, tudo fica como se nada tivesse acontecido. Haja vista, o desencontro entre as recentes declarações da nova “presidenta” da Petrobras e do ministro das Minas e Energia acerca de um possível reajuste na gasolina. Enquanto isso, o preço das ações da Petrobras continua a cair…

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Derivativos, para que te quero?

22 fev
2012

O mercado de derivativos (instrumentos financeiros cujos preços derivam de outros ativos) é enorme. As características desse instrumento, que pode servir tanto para especular como para reduzir o risco de negócios e operações financeiras, fazem com que sua utilização seja generalizada.

Principais derivativos negociados

Já o volume financeiro (valor nocional) negociado por eles compreende muitas vezes o valor dos seus próprios ativos-objeto; ou seja, as posições negociadas nos derivativos são, em geral, alavancadas e muito superiores às posições carregadas nos seus ativos. Opções, futuros de moedas, futuros de índices de ações e swaps dos mais variados tipos são alguns exemplos de derivativos muito utilizados no mercado financeiro.

Há consenso de que os derivativos representam um fator de estabilidade para os mercados (sistema financeiro), além de proporcionar melhores condições de funcionamento para a economia real dos países. Uma parte desses derivativos é negociada em bolsas que são fiscalizadas por autoridades reguladoras (bancos centrais, comissões de valores mobiliários etc.) e outra parte é negociada em mercados de balcão (over-the-counter ou OTC), onde o poder regulador das autoridades é muito menor.

Os derivativos negociados em bolsas são padronizados, enquanto que os derivativos negociados em mercados de balcão não obedecem a uma padronização e são customizados de acordo com a necessidade dos “players” envolvidos na transação. Podem ser encontrados cerca de 1.700 tipos de derivativos diferentes negociados nas mais importantes bolsas de derivativos do mundo. Já no caso dos derivativos OTC, as possibilidades são ilimitadas, uma vez que são criados para atender à necessidades específicas dos investidores.

Apesar de os derivativos serem considerados muito importantes para o funcionamento da economia e sistema financeiro internacional, eles assustam a todos pelo volume financeiro (valor nocional) que representam e negociam diariamente. O mercado de derivativos que está restrito às bolsas de derivativos permite uma regulação muito mais rigorosa e eficaz por parte das autoridades monetárias e financeiras mundiais. Enquanto que o mercado dos derivativos de balcão é muito maior e não permite controle tão efetivo, representando um fator de risco e de potencial instabilidade para a economia e sistema financeiro internacionais. Há uma preocupação cada vez maior das autoridades mundiais em relação a esse mercado.

O governo brasileiro acaba de divulgar que irá criar um grupo de estudo formado por representantes do Ministério a Fazenda, pelo Banco Central do Brasil (BCB) e pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para monitorar o mercado de derivativos no Brasil. Conforme o secretário-executivo adjunto do Ministério da Fazenda, Dyogo Oliveira, afirmou à imprensa, o grupo de trabalho vai “estudar e propor medidas que visam o crescimento” do mercado de derivativos.

Seria interessante, talvez, que além da criação do grupo de estudo em questão, fosse feita uma audiência pública – no gênero das que são realizadas pela CVM -, para que os vários segmentos envolvidos com esse mercado pudessem opinar acerca dos tópicos que motivaram a criação de tal grupo de estudo.

Consulte o documento listado no link a seguir para obter informações básicas acerca das principais características e instrumentos negociados no mercado de derivativos mundial: http://math.nyu.edu/faculty/avellane/global_derivatives_market.pdf

Fique por dentro do valor nocional negociado no mercado de derivativos OTC mundial, ao consultar o documento http://www.bis.org/statistics/otcder/dt1920a.pdf publicado pelo Bank for International Settlements (BIS) – o banco central dos bancos centrais.

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