Seu sonho não é meu !!

Esses dias li uma entrevista do Roberto Shinyashiki que entre outras coisas falava sobre tomarmos cuidado para não vivermos o sonho dos outros … o assunto me chamou atenção, pois não é de hoje que venho notando que boa parte de nós tem mesmo vivido sonhos que não nos pertencem.

Antes de mais nada vale dizer que depois de mais de um ano viajando  percebo o quanto nós brasileiros somos mesmo um dos povos mais sonhadores do planeta e isso tem lá seus méritos. Através dos nossos sonhos criamos condições para prosperar, buscamos ferramentas para transformá-los em realidade e com isso acabamos sendo um dos povos mais criativos e empreendedores do mundo!! Até aí tudo lindo … mas como todo sonho pode ter sua parte de desilusão vamos dar uma espiada em outros lados desse fantástico mundo do imaginário …

Muitos de nós vivemos sonhos impostos através de pressão familiar ou meio social e acabamos sendo algo que os OUTROS idealizaram para nós!! Alguns estudam aquilo que os pais “ aconselharam” enquanto outros cuidam de negócios de família que não os seduzem, são “eleitos” para cargos que o meio impõe … enfim, realizações que acalentam outros corações que não os nossos!! Acabamos fazendo coisas sem o menor talento ou habilidade apenas para manter uma posição social ou não ter que dizer “NÃO”!! O tempo passa e uma desoladora falta de motivação nos atinge a alma … já ouviram falar que sem paixão não há motivação?! Então … é exatamente isso !! Viver o sonho que outros projetaram em nós não dá mesmo certo …

Outros ainda projetam nas habilidades alheias sua realidade e constrõem sonhos impossíveis, muitos vislumbram ser jogadores de futebol ou astros do rock quando nunca jogaram bola ou cantaram. Exageros à parte esse exemplo foi apenas para ilustrar a distância entre algumas realidades e sonhos projetados!!

Engraçado como muitos de nós estamos sempre de olho no “jardim do vizinho”, como se a grama alheia fosse sempre mais verde e o jardim sempre mais florido. O camarada olha pro lado e vê aquela “ roseira”  cheia de flores e logo pensa “que roseirão!!”, mas pode ser que olhando mais de perto só visse espinhos …

Digo sempre que todos os “jardins” são floridos; uns com margaridas, outros com cravos, lírios … o que importa é a gente regar essas “flores”, aí sim o jardim vai ficar bacana!! Parece que a habilidade alheia é sempre mais interessante, mais lucrativa, mais necessária … calma aí … habilidade é algo inato, pode ser que nunca tenhamos as “margaridas” do camarada ao lado mas temos os nossos “cravos” e é exatamente em cima deles que temos que pautar e construir os nossos sonhos, aí sim serão possíveis de concretizar!! Construir sonhos nos jardins alheios gera apenas frustração!!

Já é provado que sonhar “move”, nos tira do estado estático e nos põe avante mas nada mais legal que sonhar com dignidade. Sonhar o “nosso” sonho pra sermos aquilo que realmente desejamos ser, para termos aquilo que desejamos ter sem passer por cima dos sonhos dos demais … até porque sonhos obsessivos podem nos levar por caminhos menos éticos e mais violentos!

E já que o papo é sonhar espero que vocês caros leitores sonhem com algo que possam deixar como legado, sonhem com algo que amem fazer, sonhem com aquilo que seu coração realmente pulsa, não sonhem em apenas ter, sonhem primeiro em SER, ser alguém bom, justo e nobre de alma … com esses sonhos realizados os demais naturalmente virão!!

 Por Luah Galvão.

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Motivação social, verdade ou dependência?

Caro leitor, estamos no sétimo mês de viagem em nossa volta ao mundo e onde quer que tenhamos passado a pergunta “O que te motiva?” sempre exige uns segundos de reflexão antes de alguma resposta. É preciso mais do que uma simples palavra pra resumir algo tão complexo quanto a motivação humana. Mas uma boa conversa pode ser o começo de um entendimento.

Apesar de ouvirmos as respostas mais diversas, começamos a perceber que a motivação das pessoas que entrevistamos geralmente está atrelada a algum tipo de “contentamento social”, mas como assim?

Entre os fatores de motivação mais mencionados pelos entrevistados estão a família e o reconhecimento pelo trabalho. Nesses casos o impulso que nos leva a ação não partiria de nós mesmos, e sim de uma aprovação social“.

Colocar em primeiro plano vontades alheias e deixar de lado os nossos talentos cria uma conduta que não vai de encontro com a nossa verdade. Ao fazermos algo para agradar a família ou simplesmente para alcançarmos status podemos estar nos enganando e o preço a pagar pode ser alto demais, como insatisfação, estresse, depressão e até mesmo doenças.

Já ao seguirmos os nossos talentos, seja no trabalho ou na vida pessoal nossa alma se contenta, isso certamente traz resultados de motivação positivos para nós e para os que nos cercam. O coletivo sempre está envolvido em nossas reais motivações, mas deve ser apenas uma consequência pois é uma linha tênue que separa uma conduta Ética e Meritocrática do desencontro de nós mesmos.

Portanto a reflexão que fica é: tomarmos cuidado para não nos deixarmos levar pelas expectativas dos outros e acabar distantes de nós mesmos. O ideal é buscarmos atividades que nos entusiasmem por irem ao encontro dos nossos talentos, assim será a melhor maneira de contribuirmos para o meio em que vivemos, cada um oferencendo o que tem de melhor.

Esse era um fundamento helênico muito importante na formação do Homem Obra de Arte, desenvolver ao máximo seus talentos, não para buscar meramente a motivação, mas para encontrar o sentido de sua existência.

 

Por Danilo España e Luah Galvão (Foto Internet)

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