Perigo: mulher e um mapa

Eu e minha amiga animadas com o mapa. Nem parece que acordamos às 4h da matina.

Acho que os pesquisadores deveriam explorar mais essa questão de localização geográfica para as mulheres. Qual é o nosso problema com mapas, hein? Eu juro que quando mudei para SP tive um progresso considerável (de zero para 30%). Achei que conseguiria seguir as orientações e um mapa nas viagens, mas continuo com problemas de localização.

Em Londres até tirei de letra, afinal mapa de metrô até Zé Mané sabe ler. Em Paris também fiz tudo a pé e a maior dificuldade foi encontrar a livraria “Shakespeare and Company”. Daquela vez eu me dei um desconto, afinal eu perguntava em inglês e eles respondiam em francês e ainda faziam um ruído muito estranho, mais um menos como “tchi-tchi”, que eu deduzi que era para seguir em frente.

Conseguimos encontrar. Era do outro lado do Sena com vista para a Catedral de Notre Dame.

O mais divertido mesmo foi em Amsterdã. Chegamos de trem e logo fomos recepcionados pela equipe de turismo da cidade. Já fiquei feliz da vida e quando vi o mapa, tão simples e lindo fiquei animada. Agora sim, a cidade é pequena, linda e fácil de andar. Maravilha! Não se engane. Achar o Hostel realmente foi fácil, afinal todo mundo fala inglês na cidade e muito bem por sinal. A maior dificuldade era olhar o mapa e ainda cuidar para não ser atropelada por uma bicicleta. Até hoje sonho com aquela buzina.
Depois de me livrar do peso da mochila saímos belas e faceiras caminhando pela cidade, totalmente apaixonadas por cada ponte, bicicleta parada, rua estreita, vitrine e artesanato. Fiquei encantada e lembrei muito da minha cidade natal. Andamos muito, anoiteceu e começou a chover.

Tomamos um gostoso chocolate quente e decidimos ir até a tal Red Light District conferir as vitrines de mulheres. Andamos e começou a nevar e ficou muito frio. Nos demos conta que estávamos totalmente perdidas e andando em círculos. Nessa hora o mapa ajudaria certo? Errado, eu não conseguia ir para direção certa e cada informação que eu pedia complicava ainda mais.

Cansei e abortei o passeio. Queria só voltar para casa e tomar um banho quente e um chazinho. Larguei o mapa, que nessa altura estava todo molhado e quase sentei no meio da rua e chorei. Atravessei a rua e conversei com um tiozinho em uma livraria. Fiz ele me mostrar a linha que deveria seguir até em casa no mapa. Quando vi que estava certa quase saltitei!

Essa viagem para lá me fez aprender uma coisa: nunca menospreze o tamanho da cidade. Você sempre pode se perder. Basta ter problema de localização como eu. Juro que se um dia eu tiver uma filha vou exigir um GPS de série.

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