Fidelidade é dinheiro no bolso

Estou devendo um post sobre dicas bacanas e baratas de Buenos Aires, mas antes disso queria relembrar como o blog começou: uma viagem de intercâmbio para Londres. Planejei com bastante antecedência, como manda a cartilha que visa economias, afinal era um sonho de longa data. Consegui excelentes preços na escola de inglês, passagem aérea e estadia. O melhor foi que a compra da passagem rendeu um saldo bem interessante de pontos na cartão fidelidade, que somados aos pontos das viagens de trabalho e mais os gastos (compras e mais compras) na Europa  totalizaram um saldo de pontos bem gordinho.

Uma dica: sempre que viajar peça para lançar os pontos e guarde o cartão de embarque para conferir. Você tem até três meses para solicitar os pontos que não forem computados, depois disso, esqueça. Então vale segurar o papel até entrar na conta e guardar em um lugar seguro. Outra questão importante é usar um cartão de crédito que esteja alinhado com programas de pontos e permita que você transfira os mesmos para milhagens.

Para usar as milhas tem que valer a pena e estar antenado para as promoções relâmpagos das companhias aéreas para não jogar dinheiro pela janela. Um exemplo, usar para trechos que você pode pagar R$ 100,00 é subvalorizar o seu investimento fidelidade. Agora, se quiser conhecer a América do Sul é uma boa escolha porque normalmente requer a mesma quantidade de pontos que usaria para um trecho nacional. Foi justamente isso que fiz. Se passaram apenas seis meses da minha volta, mas eu já estava com o pé que é um leque para arrumar as malas e sair por aí.

Quando uma colega do MBA lançou a proposta de viagem para Buenos Aires não pensei duas vezes. Desanimei porque os pacotes promocionais tinham acabado e as opções de passagens mais baratas previam várias escalas e conexões, o significava perda de tempo e cansaço pela frente.

Antes de desistir avaliei as possibilidades e vi que poderia usar as minhas milhas para ambas viajar com os meus pontos de fidelidade. Fiz a proposta de vender o trecho para minha amiga Ane,  afinal, era um bom negócio para ela, que estava pagando mais barato em um voo direto e para mim, que tinha o papel na mão. Topamos e com a grana que recebi comprei alguns pesos para as despesas de hospedagem e alimentação.

O meu recado: valorize a sua fidelidade e os pontos acumulados. Se souber usar com sabedoria os pontos podem ter grande liquidez e ainda garantir uma viagem sem colocar a mão no bolso.

Você também tem alguma dica para a fidelidade render?

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Avatar – uma lição de sustentabilidade

Eu estava em Londres quando o filme estreou e juro que os cartazes espalhados pela cidade com os homens azuis não me atraiu nenhum um pouco. Fiquei sem vontade de assistir porque não sou muito chegada em ficção científica e o nome lembrava o Second Life, que também me traz uma verdadeira aflição. 

Convencida pela opinião pública (e pelas amigas) fui ao cinema conferir o espetáculo em 3D, que duas semanas depois foi destaque no Oscar. Sempre quando não se tem tanta expectativa o filme surpreende. Difícil imaginar que algo tão diferente e recheado de efeitos especiais, pudesse abordar a questão sustentabilidade com tanta propriedade e não com a versão piegas de “proteja o verde e ajude o próximo”.  Até porque se fosse por essa linha os avatares seriam verdes e não azuis. 

Acredito que o assunto tenha me tocado de uma maneira diferente porque uma semana antes eu tinha fechado um Jornal especial sobre Sustentabilidade e ouvido várias fontes sobre a sustentabilidade empresarial. Se tivesse assistido ao filme antes, minha interpretação para a matéria teria sido mais emotiva e menos racional. 

Avatar consegue mostrar a diferença que faz valorizar a cultura, o ambiente e as crenças de um povo ou país. Melhor, derruba o conceito de buscar o lucro a qualquer preço.   

Pandora: natureza exuberante e colorido especial

 

O filme se passa em Pandora, em cujas florestas moram os Na’vi. Os habitantes têm uma ligação forte com o meio ambiente, que é ameaçada pela chegada de humanos que querem explorar o local. Ainda estamos longe de termos um planeta melhor, mas está mais que na hora dos empresários perceberem que o ganho será maior se alinharem políticas de sustentabilidade nos negócios, não apenas para entrar na onda verde ou para fazer propaganda. 

Lógico que James Cameron, mesmo sendo canadense, seguiu a linha chocante norte-americana e não poupou nos estragos no seu estilo Titanic, mesmo assim, não polui a mensagem principal. O exército utilizado poderia ser facilmente substituído por empresários inescrupulosos que deveriam estar atrás das grades. 

Algumas cenas emocionam, principalmente quando é declarada a guerra para derrubar a grande árvore. Poderia ser a mais banal, mas não é. Sei que é assunto já está um pouco batido, mas resolvi comentar porque o Brasil vai contar com a participação de Cameron no Fórum Internacional de Sustentabilidade, que acontece nessa semana em Manaus. 

Mera semelhância de Pandora com a Amazônia será uma simples coincidência?

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Era ele!

Nos primeiros dias andando feliz da vida nas ruas de Londres os homens passavam e todos me pareciam astros dos filmes britânicos, com aquele sotaque “water”, magros, loiros, olhos claros, bem vestidos e perfumados. Por outro lado, eram totalmente indiferentes às mulheres que cruzavam e transpirarvam aquele ar de superioridade e nariz empinado. Tudo bem, eles até podem.

Admirar não tira pedaço e colírio faz até bem aos olhos e ficava maravilhada observando esses homens e também as mulheres. Bastava passear pela região da Oxford Street para suspirar a todo o momento e às vezes ter a certeza que ele tinha muitos primos, irmãos, parentes ou sei lá. Eram iguaizinhos, o mesmo charme e jeito de garoto sedutor, tão popular em Alfie. Outra vezes parecia com o jeito sexy de Closer e romântico do personagem de soldado em Cold Moutain, que por sinal a Nicole Kidman rouba totalmente a cena.

Eu já tinha me conformado a encontrar gêmeos dele pela rua, mas um dia, no Soho, olhei pela janela do restaurante e vi:  era ele. Mesmo jeito, físico, cabelo, de camiseta branca e calça jeans. Fiquei olhando para ele e para o prato enquanto que se servia e pensei seriamente em invadir o restaurante e pedir um autógrafo. O que eu não entendia era que as pessoas não estavam nem dando bola para ele e sua beleza e charme estavam passando despercebido. Só tem uma explicação:  Londres possui uma fábrica de clones do Jude Law. Será que eles aceitam currículo?? rsrrs

PS: para as que gostam de ruivos, Londres também é o paraíso. Tem para todos os gostos.

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Europa de trem

Chegada de Paris em Londres na estação Kings Cross St. Pancras

Viajar de trem ou avião pela Europa? Vai dizer que você nunca questionou isso? Todo mundo tem essa dúvida e claro que isso é fundamental para montar o roteiro de viagem. Eu sou marinheira de primeira viagem e não tive uma vasta experiência, mas já consegui tirar minhas impressões. Antes de sair do Brasil já tinha optado de ir de trem de Londres para Paris no ano novo e inclusive tinha a passagem comprada, apesar dos preços serem bem mais altos nesse período. Não me importei, afinal eu precisava cruzar o Canal da Mancha de trem.

Uma semana antes de embarcar para aquela cidade apaixonante os jornais estampavam problemas da Eurostar e pessoas presas por várias horas por conta da neve e mau tempo. Todos com quem eu falava estavam preocupados, mas eu não. Simplesmente não tive vontade de pensar no plano B. Vou para Paris, era só isso que eu pensava.

A viagem levou pouco mais de duas horas e eu estava ansiosa.  Chegar dentro da cidade com acesso a estação do metrô não tem preço, mas não ter uma indicação com inglês, custa e muito. Pensei nessa pauta e ontem quando li o Caderno de Turismo da Folha sobre “Europa nos Trilhos” me senti ainda mais motivada.

Se na primeira viagem não tinham dúvidas, na segunda, que o destino era Amsterdã tudo mudou. Passagens aéreas com preços convidativos, mas não era tão simples quanto parecia. Como todos os aeroportos em Londres são afastados a opção era pegar outro trem até lá, o que sairia em média mais 15 libras por trecho. No aeroporto da Holanda também seria necessário outro trem local que sairia a bagatela de 40 euros. Resumindo, a passagem barata era mero detalhe, fora todo estresse com mala, checking, acordar ainda mais cedo, etc..

Cheguei a cogitar ir para Bruxelas e Bruges, a Veneza deles, porque era mais cômodo e barato viajar de trem até Bruxelas, mas depois de quase desistir e cogitar inclusive uma cansativa viagem de ônibus, resolvi ir pessoalmente até a Eurostar. Não só consegui um preço melhor, mas também cheguei ao roteiro que queria. Na Bélgica teríamos que trocar de trem e eram mais três horas, mas com paradas rápidas e curiosidades à parte. Só para terem uma ideia de custo, consegui ida e volta de Londres a Amsterdã por 99 libras, com trem de Bruxelas para o destino final. Vocês não acham bom? Eu achei.

Chegamos à Bélgica com open ticket para Amsterdã, mas quem disse que queríamos perder um minuto? Corremos pelas plataformas e entramos no vagão. As lindas se acomodaram nas poltronas de couro vermelho e só perceberam que estavam na primeira classe quase no final da viagem.  Claro que mudamos de vagão, mas não sem se divertir.

Foram apenas duas viagens, mas posso garantir que sou adepta aos trilhos europeus. É muito mais gostoso apreciar as paisagens, tranquilo, rápido e também pode ser mais barato se colocar tudo na ponta do lápis. A comodidade de sair e chegar a uma estação de metrô, principalmente quando está com mochila nas costas, é ganho na certa, inclusive economicamente.  Faltou Berlin, mas na próxima já estou atenta e vou virar rata dos trilhos.

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Londres em perspectiva

Usar transporte público, principalmente em uma cidade como Londres, é uma verdadeira imersão na cultura. Em São Paulo já acho muito bacana porque permite fazer várias coisas que no carro, sozinha, não é possível. Tudo bem que quando o trânsito pára dá para fazer a maquiagem, ligar para os amigos para colocar o papo em dia e cantar bem alto a música preferida, mas é diferente. No metrô você enxerga as pessoas como elas realmente são. As roupas, os traços, as atividades, as diferentes línguas.

A grande maioria percebe-se que são ingleses indo para o trabalho, conversando pouco uns com os outros, jogando, ouvindo música ou respondendo emails pelo smartphone. O mais divertido é encontrar mulheres em uma grande produção de festa com saia sem meia e sandália – com 2 graus, dá para acreditar? Só em Londres mesmo.

São três baldeações e cada linha diferente uma característica apaixonante, seja o artista musical que toca Beatles ou a Rena dançante em um corredor bucólico, coberto de tijolos antigos e arcos. Simplesmente lindo e apaixonante. Já dá para entender porque os brasileiros simplesmente amam esse lugar. Mesmo que vire noite às 4 da tarde é mágico e nem a garoa e o frio afastam as pessoas da Oxford Street. Essas mesmas pessoas que estão no metrô, vão às compras, freqüentam a escola e mais tarde estão nos inúmeros PUBS espalhados pela cidade. Só o fato de fazer essa viagem, porque são cerca de 50 minutos diariamente e várias subidas, descidas e trocas de trem, é ganhar o dia. Enfim pegar o último trem, esse pela superfície, voltando para casa e observar o adorável inverno de perto, mas em vagão bem quentinho, enquanto que pai e filho lancham, pessoas em voltam vivem sua vida e outras sorriem, já valeu a pena.

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Intercâmbio depois dos 30

Tudo começou há pouco mais de um ano com a minha separação. Para muitas mulheres fazer 30 anos é uma fase complicada e de crise, mas para mim foi um grande marco de liberdade. Tomei a importante decisão de ir à busca da minha felicidade e realização profissional, pessoal e amorosa.

Tive grandes desafios para equilibrar principalmente as finanças, mas enfrentar a questão de estar “sozinha”, ou seja, morar, fazer supermercado, cuidar da pet, da casa e da vida,  foi bastante desgastante, mas ao mesmo tempo muito gratificante. Eu precisava disso e quanto mais eu percebia que era capaz, mais me determinava a realizar meus sonhos e correr atrás dos meus objetivos e metas.

Passei anos pensando em fazer um intercâmbio e realmente me tornar fluente em inglês, mas era apenas uma ideia que nunca ia para frente. Comecei esse ano determinada a alcançar esse item da minha lista de metas. Consegui férias no trabalho e os planos começaram.

Enfim, vou estudar fora e fazer um intercâmbio depois dos 30. Soava-me estranho no início, mas por incrível que pareça é mais comum do que eu imaginava. Com certeza é a minha grande conquista desse ano e será uma experiência incrível. Embarco para o Reino Unido no dia 12 de dezembro para um intensivo de inglês de um mês.

Quero compartilhar com vocês essa viagem, as dificuldades e as histórias dessa minha nova jornada.

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