A voz do comando

Temos muito a aprender com os animais, principalmente quando trata-se de liderança no ambiente de trabalho.  Um passeio no parque esse final de semana me fez refletir sobre o tratamento dos donos com os seus cães sem a questão de liderança e respeito.

Algumas cenas simplesmente me deixam furiosa, como um homem batendo no seu cão e algumas outras arrastando ou gritando insistentemente para o animal obedecer a um comando.  Sabemos que algumas pessoas são líderes natos e seu carisma cativa as pessoas e por que não os animais?

Porém, ouvimos tantos especialistas falarem que a liderança também pode ser aprendida ou aprimorada. Tenho uma sugestão: que tal começar pelo adestramento do seu cão? Já tentou pedir que ele sente ou dê a pata? Você deve estar me retaliando agora, pensando que eu ache que as pessoas devam ser tratadas como animais.

Calma, explico: um cão responde ao comando por uma série de pontos, como entonação da voz, postura e fisionomia, mas acima de tudo porque ele respeita seu dono. Ele não vai obedecer porque você vai gritar, bater ou arrastá-lo. A palavra chave é confiança.

Quando você lidera seu cão ou sua equipe precisa transmitir confiança para ser seguido e respeitado. Muito me admira que ainda hoje alguns gestores  achem que esse comportamento irá impor respeito, que não se impõe, mas se conquista. Que pensam que vão resolver algo à base de gritos e escândalos, sem contar os casos de violência. Pelo menos esse, eu nunca presenciei na minha carreira.

Parece uma reflexão maluca, mas se nem um cachorro lhe respeita, como uma equipe vai?

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Time de Futebol

Calma, não vou discutir o melhor time ou o próximo campeonato brasileiro. Quero apenas compartilhar a experiência que o futebol trouxe para a minha vida pessoal e profissional.

Um tempo atrás recebi um convite para começar a treinar futebol com um grupo de jornalistas mulheres interessadas em aprender a rolar a bola no campo. Tínhamos professor e mesmo com todo o frio (a quadra era descoberta e começamos no inverno) estávamos lá aprender cada passo, movimento e para trabalhar em equipe.

O futebol para as mulheres, pelo menos para nós amadoras, era  mais que uma preparação física, era diversão, aprendizado e relaxamento depois um fechamento apertado ou de uma entrevista muito chata. A educação e respeito era admirável e acho que um dos pontos que mais chamava a atenção. Sempre que alguém se machucava ou derrubava outra, todas paravam para se certificar se a vítima estava bem, pedia desculpas e aguardavam a confirmação de poder seguir o jogo. O nosso time não falava palavrão e em uma oportunidade jogamos com um outro time e ficamos simplesmente chocadas com os xingamentos.

Para nós  acertar o gol era o de menos, o mais importante era a superação pessoal de cada uma no chute ou passe de bola. Que gostoso perceber que você evoluiu e a bola vai realmente na direção que você planejou. Depois dessas aulas peguei gosto pela coisa e acho até virei fominha porque sempre que vejo a bola rolando na praia ou parque tenho vontade de entrar no jogo.

Tem algo mais forte que um time unido e que se respeita? O mundo corporativo tem muito que aprender com esse esporte, Se parássemos para pensar mais nesses ensinamentos básicos, como segurar a bola (dominar o seu trabalho, segurar a onda em alguns momentos), pensar e focar no chute (na meta, com direção) e ainda olhar em volta para escolher um membro da equipe para o acerto (trabalhar junto para o mesmo resultado), isso tudo com o olho nos membros do outro time (concorrência e no mercado). São poucos segundos, mas muita coisa acontece. O gol, por exemplo, aconteceu em um piscar de olhos, mas não sem muita estratégia e trabalho de equipe.

Nas equipes das empresas falta justamente o pensamento coletivo,  o respeito ao outro.  Observar quando alguém da equipe não está num bom dia, por algum problema físico ou emocional, e dar cobertura até que a equipe esteja equilibrada novamente para unir as forças com garra e determinação.

Sinto falta do futebol, do treino com a meninas, mas já vi que o jogo continua, só que agora na quadra do trabalho. Estou meio fora de forma, mas acho que se a equipe treinar mais e houver entrosamento sai gol. Se em time que está ganhando não se mexe vamos firme para competir quem sabe para valer na  Copa . Vamos lá, ainda temos quatro meses para bater muito papo e bola.

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