O carro quebrou as minhas pernas

Todas as mulheres que conheço odeiam cuidar do carro, levar na oficina e até mesmo parar no posto para abastecer. Isso tudo tem uma explicação: na infância era mais fácil escovar o cabelo da boneca e arrumar o chá da tarde, do que montar e desmontar carrinhos e jeringonças. Eu até fui um pouco moleque, andava de skate, jogava bola com os meninos e jurava que quando tirasse minha carteira faria um curso básico de mecânica,  mas não levo o menor jeito para coisa. A verdade é que acho maravilhoso ter seguro e nunca precisar trocar um pneu.

Algumas coisinhas a gente aprende com os erros, como deixar que um frentista lhe convença de trocar um fluído, óleo ou coisa parecida que custa muito mais que em uma oficina de confiança. Nessa, pelo menos, eu não caio mais. Em posto é só álcool e gasolina, no máximo um caixa eletrônico.

Entre todas as questões que envolvem uma manutenção de carro, a mais perigosa e que mais afeta uma mulher é o bolso, principalmente para mim. Mesmo sendo super disciplinada financeiramente, com planilhas, previsões de custos anuais, a manutenção do carro nunca é uma coisa bem “prevista” vamos dizer assim.

Quando recebi a conta dessa visita , fiquei sem respirar e a minha cabeça começou a rodar para encontrar soluções, ou melhor, saldo bancário para conseguir arcar com as despesas. Eu sabia que não seria uma bagatela, mas ficou simplesmente o dobro do que imaginei.

A situação me devastou o resto da semana, pirei com os cálculos e com a conta descoberta. Sou super controlada com dinheiro e tenho que ser, afinal quando você tem que cuidar sozinha das finanças não dá para errar. Mesmo assim, imprevistos acontecem e trazem junto um desequilíbrio, que para algumas pessoas é tranquilo, mas para mim é muito maior.

Pensei em alternativas malucas, desde desistir de ter carro, vender, comprar outro. Depois de quase causar um curto circuito interno percebi que todas ideias eram de médio prazo.  No curto prazo a solução é rever ainda mais os gastos, aprimorar a arte de pintar a unha, dar banho na Nikita em casa e controlar os extras. Vou ficar apertada por alguns meses, mas acho que alguns freelas podem ajudar a compensar essa balança. Pelo menos, eu espero.

Quando sair dessa estou pensando em dar uma geral no carro com coisas que é mais a minha praia, como cuidar da maquiagem e perfume, ou seja,  fazer uma higienização da parte interna, trocar os tapetes e dar um polimento na pintura. Afinal, agora tenho que ficar pelo menos mais um ano com o carro para valer o investimento.

E você, como se sente quando tem que mandar o carro para o conserto?

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Londres em perspectiva

Usar transporte público, principalmente em uma cidade como Londres, é uma verdadeira imersão na cultura. Em São Paulo já acho muito bacana porque permite fazer várias coisas que no carro, sozinha, não é possível. Tudo bem que quando o trânsito pára dá para fazer a maquiagem, ligar para os amigos para colocar o papo em dia e cantar bem alto a música preferida, mas é diferente. No metrô você enxerga as pessoas como elas realmente são. As roupas, os traços, as atividades, as diferentes línguas.

A grande maioria percebe-se que são ingleses indo para o trabalho, conversando pouco uns com os outros, jogando, ouvindo música ou respondendo emails pelo smartphone. O mais divertido é encontrar mulheres em uma grande produção de festa com saia sem meia e sandália – com 2 graus, dá para acreditar? Só em Londres mesmo.

São três baldeações e cada linha diferente uma característica apaixonante, seja o artista musical que toca Beatles ou a Rena dançante em um corredor bucólico, coberto de tijolos antigos e arcos. Simplesmente lindo e apaixonante. Já dá para entender porque os brasileiros simplesmente amam esse lugar. Mesmo que vire noite às 4 da tarde é mágico e nem a garoa e o frio afastam as pessoas da Oxford Street. Essas mesmas pessoas que estão no metrô, vão às compras, freqüentam a escola e mais tarde estão nos inúmeros PUBS espalhados pela cidade. Só o fato de fazer essa viagem, porque são cerca de 50 minutos diariamente e várias subidas, descidas e trocas de trem, é ganhar o dia. Enfim pegar o último trem, esse pela superfície, voltando para casa e observar o adorável inverno de perto, mas em vagão bem quentinho, enquanto que pai e filho lancham, pessoas em voltam vivem sua vida e outras sorriem, já valeu a pena.

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