Europa de trem

Chegada de Paris em Londres na estação Kings Cross St. Pancras

Viajar de trem ou avião pela Europa? Vai dizer que você nunca questionou isso? Todo mundo tem essa dúvida e claro que isso é fundamental para montar o roteiro de viagem. Eu sou marinheira de primeira viagem e não tive uma vasta experiência, mas já consegui tirar minhas impressões. Antes de sair do Brasil já tinha optado de ir de trem de Londres para Paris no ano novo e inclusive tinha a passagem comprada, apesar dos preços serem bem mais altos nesse período. Não me importei, afinal eu precisava cruzar o Canal da Mancha de trem.

Uma semana antes de embarcar para aquela cidade apaixonante os jornais estampavam problemas da Eurostar e pessoas presas por várias horas por conta da neve e mau tempo. Todos com quem eu falava estavam preocupados, mas eu não. Simplesmente não tive vontade de pensar no plano B. Vou para Paris, era só isso que eu pensava.

A viagem levou pouco mais de duas horas e eu estava ansiosa.  Chegar dentro da cidade com acesso a estação do metrô não tem preço, mas não ter uma indicação com inglês, custa e muito. Pensei nessa pauta e ontem quando li o Caderno de Turismo da Folha sobre “Europa nos Trilhos” me senti ainda mais motivada.

Se na primeira viagem não tinham dúvidas, na segunda, que o destino era Amsterdã tudo mudou. Passagens aéreas com preços convidativos, mas não era tão simples quanto parecia. Como todos os aeroportos em Londres são afastados a opção era pegar outro trem até lá, o que sairia em média mais 15 libras por trecho. No aeroporto da Holanda também seria necessário outro trem local que sairia a bagatela de 40 euros. Resumindo, a passagem barata era mero detalhe, fora todo estresse com mala, checking, acordar ainda mais cedo, etc..

Cheguei a cogitar ir para Bruxelas e Bruges, a Veneza deles, porque era mais cômodo e barato viajar de trem até Bruxelas, mas depois de quase desistir e cogitar inclusive uma cansativa viagem de ônibus, resolvi ir pessoalmente até a Eurostar. Não só consegui um preço melhor, mas também cheguei ao roteiro que queria. Na Bélgica teríamos que trocar de trem e eram mais três horas, mas com paradas rápidas e curiosidades à parte. Só para terem uma ideia de custo, consegui ida e volta de Londres a Amsterdã por 99 libras, com trem de Bruxelas para o destino final. Vocês não acham bom? Eu achei.

Chegamos à Bélgica com open ticket para Amsterdã, mas quem disse que queríamos perder um minuto? Corremos pelas plataformas e entramos no vagão. As lindas se acomodaram nas poltronas de couro vermelho e só perceberam que estavam na primeira classe quase no final da viagem.  Claro que mudamos de vagão, mas não sem se divertir.

Foram apenas duas viagens, mas posso garantir que sou adepta aos trilhos europeus. É muito mais gostoso apreciar as paisagens, tranquilo, rápido e também pode ser mais barato se colocar tudo na ponta do lápis. A comodidade de sair e chegar a uma estação de metrô, principalmente quando está com mochila nas costas, é ganho na certa, inclusive economicamente.  Faltou Berlin, mas na próxima já estou atenta e vou virar rata dos trilhos.

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