Avatar – uma lição de sustentabilidade
2010
Eu estava em Londres quando o filme estreou e juro que os cartazes espalhados pela cidade com os homens azuis não me atraiu nenhum um pouco. Fiquei sem vontade de assistir porque não sou muito chegada em ficção científica e o nome lembrava o Second Life, que também me traz uma verdadeira aflição.
Convencida pela opinião pública (e pelas amigas) fui ao cinema conferir o espetáculo em 3D, que duas semanas depois foi destaque no Oscar. Sempre quando não se tem tanta expectativa o filme surpreende. Difícil imaginar que algo tão diferente e recheado de efeitos especiais, pudesse abordar a questão sustentabilidade com tanta propriedade e não com a versão piegas de “proteja o verde e ajude o próximo”. Até porque se fosse por essa linha os avatares seriam verdes e não azuis.
Acredito que o assunto tenha me tocado de uma maneira diferente porque uma semana antes eu tinha fechado um Jornal especial sobre Sustentabilidade e ouvido várias fontes sobre a sustentabilidade empresarial. Se tivesse assistido ao filme antes, minha interpretação para a matéria teria sido mais emotiva e menos racional.
Avatar consegue mostrar a diferença que faz valorizar a cultura, o ambiente e as crenças de um povo ou país. Melhor, derruba o conceito de buscar o lucro a qualquer preço.
O filme se passa em Pandora, em cujas florestas moram os Na’vi. Os habitantes têm uma ligação forte com o meio ambiente, que é ameaçada pela chegada de humanos que querem explorar o local. Ainda estamos longe de termos um planeta melhor, mas está mais que na hora dos empresários perceberem que o ganho será maior se alinharem políticas de sustentabilidade nos negócios, não apenas para entrar na onda verde ou para fazer propaganda.
Lógico que James Cameron, mesmo sendo canadense, seguiu a linha chocante norte-americana e não poupou nos estragos no seu estilo Titanic, mesmo assim, não polui a mensagem principal. O exército utilizado poderia ser facilmente substituído por empresários inescrupulosos que deveriam estar atrás das grades.
Algumas cenas emocionam, principalmente quando é declarada a guerra para derrubar a grande árvore. Poderia ser a mais banal, mas não é. Sei que é assunto já está um pouco batido, mas resolvi comentar porque o Brasil vai contar com a participação de Cameron no Fórum Internacional de Sustentabilidade, que acontece nessa semana em Manaus.
Mera semelhância de Pandora com a Amazônia será uma simples coincidência?

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